terça-feira, 5 de maio de 2015

Vive em mim um pouco de Clarice. Eu escuto o silêncio entre uma respiração e outra, entre um arrebato e outro deste coração. Vive em mim um pouco do tempo. Que corre, decola, se embola todo. Eu nunca temi o tempo, porque gosto do agora. Eu vivo a dor e a alegria do exato agora. Por isso escorre de mim tanta lágrima ou tanto suor. Eu sou feita deste chão que piso. Deste chão que pisas. A gente planta, a gente amassa, a gente colhe, a gente joga fora. Eu não saberia viver sem colocar em palavras (ditas, escritas ou bailadas) o que pulsa dentro de mim. Mais que no peito, me pulsa no estômago. Eu sinto correr nas veias essa dor de que não sou capaz de me desfazer. Eu sinto nas pernas a vontade de dançar a alegria que me arrebata também. Porque vou lá e cá. Estou num polo ou outro. Nunca fui de estar no meio. Sou extremidades.

Um comentário:

Filha da Lua disse...

Acho que todas nós temos um pouco de chaya,de Clarice. E talvez seja por isso que os sopros de vida nos sejam tão importantes, porque são ventos feitos para voar...