domingo, 31 de maio de 2015

Foi você quem me disse que queria amar de novo.
Eu não.
Eu não disse.
Eu não queria.

Mas foi você quem sentiu medo e recuou.
Eu não.
Eu fui em frente.
Eu me permiti amar.

terça-feira, 26 de maio de 2015

"Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante."
Clarice Lispector


De repente, dos olhos mareados nasceu um sorriso. Aquela solidão era, na verdade, um portal para a liberdade. 


sobre um adeus

Os meus segredos te assustaram.
Não há mais nada para conversarmos.
Compartilhar verdades é, para mim, a melhor forma de fazer amor.

Se ao me ver por inteiro você sentiu medo,
temo não ter mais o que te oferecer.

Eu me despeço com um abraço,
te guardo ao lado das lembranças boas,
e sigo meu caminho/minha busca.

Não arrependo de ter falado.
Intuitivamente sei em quem confiar.
Nem te julgo por não acolher minha história.
Cada um escolhe a trilha em que quer pisar.

Volto a lançar-me em palavras.
Há quem não aprenda nunca?
É que viver e escrever moram de mãos dadas em mim.

E seja feliz.
E sou feliz.
Agora, e sempre que lembrar do seu sorriso, e sempre que lembrar do seu abraço, e sempre que lembrar que posso carregar a minha verdade em mim. Ainda que sozinha.

sábado, 23 de maio de 2015

a new beginning, once and again.

A gente sobrevive à dor de um desamor.
Sobrevive porque simplesmente somos feitos de vontade e fé.
Se a gente quer, se a gente toma a decisão, se a gente acredita e coloca objetivo, não há dor que se instale para ficar.
A dor é insistente, eu sei. 
Ela cava buraco no peito da gente. Mas somos pedreiros do nosso destino, construímos nosso caminho, e podemos preencher o vazio de paz.
Não é simples, eu bem sei.
Não basta ler este texto, ou aquele, ou passar um batom vermelho.
Mas isso tudo já é um começo.
É isso: uma questão de começar. Colocar as mãos na massa. Arregaçar as mangas. Olhar para frente.
Porque o passado a gente trabalha na terapia, nas meditações, nos sonhos. Mas o futuro a gente precisa criar. 
Eu não sei bem como, ainda estou no meio do processo: no agora. E tudo o que consigo dizer é que a gente sobrevive à dor de um desamor. E se reconstrói. 



quarta-feira, 13 de maio de 2015

É isso! Quero ficar rodeada de livros de poesia, um chazinho quente na caneca saindo fumaça e um cheirinho de canela. Quero viajar entre palavras, rimas e estrofes, bordar meus próprios poemas, enquanto ouço o filhote brincar.
Quero me saber segura embora só. Quero me sentir forte ainda que frágil. Quero me saber independente porém com a certeza de que tenho com quem contar.
E quero, no fundo no fundo, poder sonhar com um amor em que eu ainda nem me atrevo a acreditar. Quero imaginar seu rosto, seu gosto, suas manias. Quero compartilhar sonhos, realizar desejos e quero dele cuidar. Quero a proteção de ser amada. Quero a delícia de acordar abraçada. Quero a delícia de passar a noite sem dormir. 
E de manhã, voltar para meus livros de poesias e ver o amor sair, sabendo que ele vai voltar.
Eu quero um amor que fique.


arrumação.

Eu tenho tanta coisa para jogar fora. Não falo das coisas materiais, porque com essas eu já procuro há tempos exercitar o desapego. Falo de sentimentos, de memórias que guardo e que já era hora de deixar que saiam. 
Eu falo de algumas dores, uma auto-piedade que não cabe, uma culpa que me persegue sem que eu consiga - conscientemente - descobrir a origem, uma mágoa, e um rombo no peito causado por eu não cuidar direito das perdas que vivi.
Eu preciso jogar fora o que não é meu. E tudo isso acima, me vive, me penetra, mas não sou eu. 
Eu sou aquela que quer viver. Eu sou aquela que sorri, apesar dos pesares, apesar das perdas, apesar das dores.
Eu sou forte, embora até o meu corpo, agora, tente me dizer que não.
Eu sou bicho, que sente, que por instinto se alimenta, e que por ter alma sofre. 
E sou tão gente! Que busca aprender com cada ato falho, com cada pisada em falso, com cada queda.
Eu tenho tanta coisa para jogar fora!
Mas enquanto eu não tiver entendido o porquê de tudo isso, sei que nada poderei fazer.



ah! Sábia natureza...

A sábia natureza, até quando não percebemos, dá um jeito na correria e nos diz: chega!
Ela dá um basta e nos impõe que paremos, que repensemos ou que, outras vezes, paremos de pensar.
A sábia natureza tem seu tempo, e respeita o nosso, desde que estejamos caminhando de acordo. Mas como muitas vezes queremos dar passos maiores que nossas pernas, ela nos impede um próximo passo que, inevitavelmente, levaria a uma próxima queda.
Embora nem sempre consigamos compreender, o que ela está fazendo é nos cuidar.


terça-feira, 5 de maio de 2015

Vive em mim um pouco de Clarice. Eu escuto o silêncio entre uma respiração e outra, entre um arrebato e outro deste coração. Vive em mim um pouco do tempo. Que corre, decola, se embola todo. Eu nunca temi o tempo, porque gosto do agora. Eu vivo a dor e a alegria do exato agora. Por isso escorre de mim tanta lágrima ou tanto suor. Eu sou feita deste chão que piso. Deste chão que pisas. A gente planta, a gente amassa, a gente colhe, a gente joga fora. Eu não saberia viver sem colocar em palavras (ditas, escritas ou bailadas) o que pulsa dentro de mim. Mais que no peito, me pulsa no estômago. Eu sinto correr nas veias essa dor de que não sou capaz de me desfazer. Eu sinto nas pernas a vontade de dançar a alegria que me arrebata também. Porque vou lá e cá. Estou num polo ou outro. Nunca fui de estar no meio. Sou extremidades.

domingo, 3 de maio de 2015

Eu quero ser escritora um dia.
E tirar da mente, um pouco, e colocar no papel. Deixar-me esvaziar e depois voltar a me encher, de coragem então.
Eu quero não sentir tanto, não me doar tanto, não sonhar tão alto.
Mas eu nasci sorrindo, e vou morrer assim.
Um sorriso de vontade. Porque eu quero tudo ao máximo. E quero tudo agora.
Eu nunca soube esperar. Nunca pisei no freio, porque sempre soube aonde queria ir. E fui.
Eu chego no ápice, sempre. Eu sou feita de desejo.
A minha entrega é consciente, embora a tal razão sempre me alerta sobre ir devagar.
Eu sinto que preciso parar. Seria o certo. Mas eu não consigo viver de Se...
E se eu tivesse feito, e se eu tivesse dito...
ao mínimo pensamento assim, eu já fiz, eu já disse.
E então eu escrevo.