domingo, 22 de fevereiro de 2015

pra você ver. digo, ler.

Por outro lado, eu falo demais também. O tanto que observo, o tanto que silencio, vem depois em chuva de sonhos e desejos. (Há tempestades de ideias, eu chovo vontade)  

Eu gosto tanto das palavras!

Escorrem de mim, quase por vontade própria, muitas delas.
Adjetivo seu corpo, substantivo seus sentidos, rego de verbos o futuro sonhado.

Depois disso, você dorme. Eu poemizo. 

relógio biológico

não me demoro aqui também. 
já não posso ficar tempo demais.
os ponteiros correm, a vida acelera, o sol se põe para a lua entrar.
eu peço perdão por ser apressada,
nem posso fingir ser educada.
antes que o café esfrie,
antes que a paixão acabe,
eu saio sem avisar.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

leveza

por saber demais, os pés tocaram o chão com peso.
ela sentia medo.
as cores, as sombras, os desafios eram outros.
ela se sabia no meio do mundo.
o caminho parecia mais longo, a estrada tinha mais pedras.
ela se sentia só.
mas era um raio de sol entrar pela janela, uma música boa tocar ao fundo 
que ela dançava.
de tudo o que havia vivido até agora, a tomada de consciência foi o mais intenso.
era ela.

alvorada


Da janela do quarto
o sol anuncia
a necessidade de renascer
Dia após dia
Agora e toda hora
Mesmo depois de morrer 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

something

o pouco que me dá me sacia.
de tempos em tempos, quando aparece com o vento, arrasa minhas dores, destrói meus medos, invade minha casa (de dentro e de fora).
rompe com meus princípios, barreiras e receios.
e entra em mim.

entra como fogo.
me derreto em água
me joga na terra
e vai embora como vento.


o pouco que me dá me sacia.
mas ao ir embora leva meus sonhos.
e eu fico com sede.