quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

copo meio cheio.

é dessa metade que me falaram
a metade cheia, a metade quase inteira
a metade que restou

a metade que não seca
que não evapora
que não bebi ou deixei que bebessem

a metade que me pertence
que posso fazer o que bem entender

a minha metade 
a minha vontade
a minha verdade


“Todos nacemos con una caja de fósforos adentro, pero que no podemos encenderlos solos, necesitamos la ayuda del oxígeno y una vela. En este caso el oxígeno, por ejemplo, vendría del aliento de la persona que amamos; la vela podría ser cualquier tipo de comida, música, caricia, palabra o sonido que engendre la explosión que encenderá uno de los fósforos. Por un momento, nos deslumbra una emoción intensa. Una tibieza placentera crece dentro de nosotros, desvaneciéndose a medida que pasa el tiempo, hasta que llega una nueva explosión a revivirla. Cada persona tiene que descubrir qué disparará esas explosiones para poder vivir, puesto que la combustión que ocurre cuando uno de los fósforos se enciende es lo que nutre al alma. Ese fuego, en resumen, es su alimento. Si uno no averigua a tiempo qué cosa inicia esas explosiones, la caja de fósforos se humedece y ni uno solo de los fósforos se encenderá nunca.” 

(trecho do filme 'Como água para chocolate')

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

ao revisitar o passado, sorri.
cabiam ali os meus sonhos
a minha libido
o meu bem estar por estar perto.

eu me sabia feliz 
eu ensaiava falas na cabeça
e não encontrava as palavras na hora de dizê-las

eu me interessava por tudo:
seu trabalho, como distribuía objetos pela casa,
como se interessava por tudo

então, depois de uma dose deliciosa de passado
senti medo.
medo de que os passos que dei
tenham fechado as portas para o futuro.


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

a força do vento

Muito do que pensei que era estável se abalou
do que achei que era eterno, acabou. 

O vento levou o que já não era mais para ser
feito redemoinho, fez girar

O vento trouxe para perto o cheiro de novo
feito brisa, tocou a pele

No fim do caminho
- ainda que não haja fim - 
o vento faz cócegas

É um caminho novo
se abrindo
diante de mim




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

eu me sento para escrever mesmo antes de saber o que virá.
me vêm à cabeça as imagens, os flashes de vida, as cenas de um passado inacabado.
são muitas as tentativas, os abraços, as risadas e as quedas.
são muitas as dores também.
há medos, esconderijos, brincadeiras infantis e paixões adolescentes.
o jardim da minha vida é vasto já.
tem um pouco de tudo.
tem muito de tudo.
há perdas, irremediáveis perdas, inaceitáveis perdas.
há brigas, lágrimas e perdões a serem dados.
há sonhos roubados, sonhos realizados, sonhos despedaçados.
e no esconde-esconde da minha vida, há muitas de mim.
e agora sou apenas eu, 
correndo atrás do meu espelho do passado,
buscando sarar as feridas abertas,
resgatar as gargalhadas distribuídas,
e enfrentar os monstros do escuro.




(após ver A delicadeza do amor)

Eu acordei de um sonho bom
Tinha poesia do Neruda na cabeça
Tinha um restinho de vinho na taça
Tinha roupa no chão 
e um cheirinho bom do incenso queimado à noite
Tinha uma música soando ao longe
baixinho, baixinho...
do jeito que é bom ouvir música ao acordar
Tinha um sorriso no rosto de quem dormiu bem
A noite foi longa. Sozinha.
Mas a companhia dos sonhos fez a solidão ser amiga.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

não venho com manual de instruções, mas sou fácil de ler.
não jogo. vou direto ao ponto. não finjo nada do que sinto.
sinto tudo ao máximo.
me jogo sem medo.
sou frágil.
sou forte.

não me fecho por orgulho. não deixo de elogiar por precaução.
gosto da verdade até quando ela dói.
a verdade já me matou.
a verdade já me fez ser dura.
- mas insisto nela.

sou desejo. mas tenho sono.
preciso dormir para esquecer os problemas.
preciso dormir para me fazer forte para enfrentá-los.
já pequei por falar demais.
mas já adoeci por deixar de falar.

tenho medo de sapos.
gosto de sorvete de flocos.
adoro cuidar. adoro beijos.
danço para espantar a saudade.
preciso de ar.
escrevo o que precisaria dizer.
não me detesto por isso.

não choro algumas das minhas grandes dores.
não faço amor silenciosamente.
tenho um filho
um livro por escrever
muitas plantas para regar
e várias músicas preferidas

gosto de carinho.
não disse isso antes?
é que gosto muito.

escrevo em blog, em guardanapo, em últimas folhas de cadernos, no box do chuveiro.
quero escrever na pele.

leio clarice e vinícius.
quero aprender francês.
já morei em barcelona
mas nunca fui ao japão

gosto de brincar com a pontuação das frases
me sinto livre nos textos
chamo todos, ou quase todos, de poesias

adoro nomes também. não os próprios

não me pergunte se acredito no amor.
não é boa hora.

gosto das cores de miró, das curvas de gaudí,
do azul de picasso.
a espanha me mora.

uso saias. combino mais com cabelos compridos.
não uso óculos. 

sou professora, de nascença.
sonho com mais um monte de coisas.
choro com filmes de dança.
quero saltar de pára-quedas.
tenho 3 tatuagens
2 a menos das que quero ter

gosto de música nacional
los hermanos, lenine, e tal...

estudo pedagogia
sou RP de diploma
escritora nas horas vagas

tenho os melhores amigos do mundo
vou me mudar de casa
gosto de porta-retratos

como cozinheira não sou grandes coisas
canto mal, mas adoro anyways
sou filha caçula
tia 
gosto de bichos
mas sou mais os seres humanos
- não maltrato nenhum deles.

deixei de comer carne por 7 anos
voltei a comer carne há 7 meses

quando foi preciso, disse adeus.




eu sou a sombra que dança.