sexta-feira, 28 de novembro de 2014

corta o cabelo para cortar a dor
caem os fios
e só.

O vento

E se chover demais,
a gente vai saber 
que lá fora é só espelho do que está aqui dentro.

A vida é curta pra ver.
E prolongar na dor
é deixar de viver.

Posso ouvir o tempo passar,
e o estrago que faz,
eu não sei consertar.

Um passo pra trás,
para entender onde foi
que a gente deixou de rir um do outro.

Tentar lembrar, um esforço por esquecer,
e a gente jamais compreende
o que a vida programou pra nós.

O vento leva,
Cada um segue seu rumo
rumos distintos agora.

E isso por quê?
O que resta é chorar.
A dor é dura.
E agora é esperar que não dure tanto...

E que um dia, a um século, um mês,
a gente sorria em paz,
outra vez.


(releitura da música O Vento, dos Los Hermanos)

Sexta-feira à noite, fim de ano, chuva caindo lá fora...
Dói.

domingo, 23 de novembro de 2014

Luz

Eu não sou esta dor.
Não sou.
Não sou os retalhos mal remendados dos sonhos que criei para mim.
Não sou as expectativas não cumpridas.
Nem os desejos não realizados.
Não sou a esperança que não se renova.
Nem a ferida que sangra.

Eu sou a luz do sorriso que consigo abrir a cada tropeço.
Sou a luz dos olhos das crianças que me enxergam apesar de tudo.

Eu não sou os meus erros, minhas quedas, nem meu medo.
Eu definitivamente não sou o meu medo.
Não sou o que não consigo. Nem o tempo que não tive.

Eu sou a luz da lágrima que cai humildemente.
Sou a luz dos amigos que me amparam.

Eu sei que não sou esta dor.
Que a tenho. Que ela está em mim.
Mas que não paro aí.

Eu não sou a doença que quer me possuir.
Nem as sombras que me assombram.

Eu sou mais que tudo isso,
porque sou luz.
Sou sol.
Sou força.
Sou vontade de continuar.

Eu não sou as rejeições que sofri.
Nem as duras verdades que tive que dizer.

Mas sou sim a verdade.

Sou pele. Sou cor. Sou vida.
Eu sou viva.
Eu estou viva.
E sou luz.




(escutando I am light, India Arie)


Why do you wanna give it all away?

Eu, o vinho e a sua ausência.

Um brinde ao tempo que não tivemos para pensar, aclarar, esclarecer, entender, refazer...
Um brinde ao tempo que não volta atrás.
à saudade do que foi e que não há como voltar.

Eu sou a mescla do que vivi, do que sonhei e do que sangro.
eu sou o desejo. eu sou desejo. muito desejo
Eu sou a falta de você. Eu sou a falta dele. Eu sou a falta de mim.
Eu sou o sol que não brilha, agora. Mas que quer voltar a ser forte como o dragão que me mora.

Eu, o vinho e a minha carência.

egoísmo

A minha dor é só minha.

simbiose

Talvez seja isso
eu preciso da sua ausência
para me achar em mim


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O meu não falar me incomoda também.
Os sapos engolidos, as palavras na ponta da língua, os nós no estômago...
Mas eu preciso de tempo para falar.
Preciso ser ouvida. Ter olhos atentos.
Preciso de um tempo que o nosso tempo não dá.
As pessoas têm pressa demais para os retornos. Urgem por uma resposta rápida. Não levam tempo para falar e portanto não permitem o tempo a quem esperam que fale.
A minha fala só pode vir depois que eu penso. E, levo o meu tempo para isso.
Assim sendo, não falo. 
Escrevo.
Há quem diga que é um ato de medo, ou até mesmo infantil.
Eu sei os meus porquês.
Sei que, ao escrever, tenho o tempo do pensamento, o tempo da elaboração, tenho o silêncio necessário e a possibilidade de voltar atrás, mudar de ideia, reescrever.
Ao escrever, os impulsos são mais controláveis.
E, depois, quem for ler, receberá as palavras certas.
É claro que a interpretação pode não ser a esperada, mas ainda acredito que há menos erro do que na palavra dita.

Ou estou absolutamente errada.
E preciso mesmo é pegar um escudo, agilizar o pensamento, e atropelar o mundo com palavras ditas.

Não sei.
Mesmo ao escrever tenho lá minhas dúvidas.


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

de plutão a fênix

O que há de obscuro em mim, de podre, de sombra
o que vive no meu inferno interior, aonde a luz não penetra
também quer vir à tona, e transformar-se em amor.

É o vôo da águia, a transformação,
a evolução de mim.

Porque não mais me venço por falta de esperança.
Hei de esperar o fim do meu inverno

para ver brotar novas folhas verdes.

Esperar é ato de coragem também.
Acreditar é combustível.

Eu queimarei as dores,
viverei meu luto
e renascerei das cinzas.

Eu sou indestrutível.

sábado, 15 de novembro de 2014

O destino me quer forte.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Manoel de Barros

Sobre a morte do poeta, engasgo.
Morre o poeta, mas as palavras sobrevoam a gente.
- o som do soluço - 
Eu choro também.
É que quando morre um poeta,
morre uma poesia do vir a ser.
É que quando morre um poeta,
as palavras silenciam no ar.
É que quando morre um poeta,
o futuro deseja o nosso nascer.

Para pássaro em pouso, janela é o melhor amigo. 

"Sonhos Roubados"

Ladrões de sonhos, vocês, que invadem minha casa, arrancam-me os sonhos e os deixam cair no chão, espatifados.
Ladrões de sonhos, vocês, que não me permitem dormir, que não me permitem a fome, a vontade ou o desejo.
Quando é que sairão daqui? 
Quando é que me libertarão as asas?

Onde está a minha capacidade de sonhar?
Onde está?

Onde está?

Vão-se embora, medos. Vão-se embora já.

Aqui quem reside é a esperança.
Aqui só ela pode morar.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

bio grafia

Eu ontem fui Clara, Clarice Lispector, luz e vida. Ou o sopro dela. 
Fui a constante batalha de sentir demais, de sorver tudo até a última gota, de segurar o cálice com ambas as mãos. Fui a mão direita. A dor do fogo. A depressão que corrói. 
Eu fui a sensibilidade em palavras, a beleza triste do colar de pérolas, o mistério dos olhos marcados demais.
Eu fui o filho que perdeu a cabeça, o homem que perdeu a mulher, a mulher que preferia confusões e multidões aos dias cinzas de um Europa rica.
Eu fui a dor. Mas fui a poesia. 
Eu fui a certeza de que amar demais é a única maneira de viver.
Eu ontem fui Clara, Clarice Lispector, luz e vida.
Eu sou feita de sopro de vida também.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ironia é faca amolada.
Sarcasmo é quando essa faca encosta, arranha e até corta.

domingo, 2 de novembro de 2014

Não se demore na dor.
Ou ela se sente em casa.
Ou começa a  fazer parte.
Ou você se identifica.
Ou ela decide não partir.