terça-feira, 23 de setembro de 2014

lidar

a vida real, às vezes, é como um soco no estômago.
ainda bem que tenho memória.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

quando se encontra um vazio dentro, você se lembra de todos os vazios que já teve. 
e teme ter mais nadas e histórias para contar que agoras e sonhos.

pavimentaram o paraíso

E ainda que os curiangos tenham resistido ao asfalto, 
e que a labuta diária fosse contra o relógio,
de repente vem o grande táxi amarelo e leva embora o que era para sempre.




Acho que o amor envelhece.



(escutando Big Yellow Taxi)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

fim.

Se a poesia amarga a boca,
é que o coração sangra a dor da despedida.
E quando os olhos inchados derramam o sofrimento,
gotejam as lágrimas no solo que um dia foi firme.
Não há vida após a ruptura.
Ou há solidão, e vida em amargura.
Não há sol que brilhe,
não há sonho que aguente,
não há alimento que sacie. 

Não há fome.


terça-feira, 9 de setembro de 2014

Guardem-me as lembranças do acaso e da sorte,
da morte,
e do que vier mais tarde.

Tragam-me de volta os sonhos e desejos,
os lampejos,
da vontade inalcançada.

É como um vidro quebrado em mínimos pedaços,
impossível de se remendar.

É como os estragos da tempestade,
e as marcas, que não se deixarão apagar.

No íntimo, no efêmero e no eterno,
aí sim ficam armazenados,
os devaneios e certezas.

Nas paredes e nas teias,
do quarto de dormir,
dormem também os planos e as expectativas,
os anseios e o esperado tempo.

Pois do que agora é história,
como folhas secas em chama,
esfumaça o vir a ser.