domingo, 4 de maio de 2014

Ai, de mim... Que fui eu mesma a noite, a partida e o veleiro a descansar.
Que não soube apreciar a névoa, o teu gosto, o teu cantar.
Ai, de mim... Que ao deixar-me ir, pensando libertar-me, deixei foi escapar assim, o amor que tu me tinhas, e que por pouco se acabou.
Mas quando minha voz se ausentou, quando meu corpo serenou, foste tu a me carregar.
E eu serei-te eternamente grata, eternamente amada, tua - até morrer.

                        (resposta ao poema Ausências, de Vinícius de Moraes. Poema que me invade a cabeça todos os dias há alguns dias, sabe-se lá porquê)

a new beginning

Não há nada de novo no título.
Nem na vontade.
Não há um sonho novo.
Nem uma expectativa diferente.

O que existe agora são ações.
Coragem.
Força para tentar e fazer.
Há uma necessidade.
Um grito.
Uma dor que foi sentida, ouvida, compartilhada.
E que gerou instinto, impulso, suor.
A dor que gerou futuro.
E novos passos.
E um novo trilhar.

Eu vi um pedaço de passado se desfazer. 
Um pedaço material mesmo, o que havia de físico de um tempo já ido. 
Um bocadinho tátil do que já não está e nem poderá vir a ser.
Sem cheiro, mas com gosto do que um dia foi presente. Um som.

Desfez-se. Acabou. Virou nada. 
Virou lixo, o que um dia foi vozes, som, música, alegria, amigos e irmã.
Acabou diante de mim, assim como o passado.

Mas não causou dor. 
Porque tem passado que mesmo imaterial fica na memória da alma.
Deixou de ser visível - por fora, pelos olhos.
Mas continua sendo vivível - por dentro.

O espaço que essa coisinha-passado ocupava ficou livre para novos presentes.