quinta-feira, 27 de março de 2014

por enquanto não

Houve um tempo, aquele tempo, em que a sorte nos cobria a cara, puxando os lábios para um sorriso bobo de tão feliz.
Era com leveza e poesia que a gente regava o dia. 
Não faltava tempo, não faltava vontade, não faltava tinta nem guardanapo.
A gente fazia foto com a sombra da parede.
Bebia vinho à distância.
Sorria ao saber que a praça dá liberdade.

Neste tempo, a lua ficava cheia toda noite. 
Não bastava ir ao show, era preciso falar dele, escrever sobre ele, ouvir as músicas de novo. 
Viver era de uma expectativa sem fim.

Não sei o que houve na vida, se foram as escolhas, a troca das lentes, ou o relógio que passou a correr demais... 
Não sei o que houve com a gente, se foram as dores, os vôos com diferentes destinos, ou o coração que resolveu desacelerar...

Mas sei que muita coisa mudou. Que a lua passou a ter quatro fases. Que o sorriso é mais raro. Que a arte não atravessa a alma com a mesma facilidade. Que a poesia não sai. 
Sei que quando chove fora, chove dentro. Que o guardanapo passou a enxugar lágrimas. E que a parede precisa ser pintada.

Mas eu tenho aquele tempo na memória e no coração. Que sorte a nossa, né!?

quarta-feira, 26 de março de 2014

casa.

moro longe de onde o tempo fecha,
de onde o sol nasce,
de onde a terra abre.

mas recebo a chuva como bênção,
caço o sol com vara de pesca, 
e semeio ao vento a vontade.



nos dias cinzas,
cinzo eu.

quarta-feira, 19 de março de 2014

hoje eu não quero criar nada. a criatura , a criança, a criatividade em mim descansam. é que  às vezes, só às vezes, até elas cansam.

segunda-feira, 17 de março de 2014

aos quatro ventos

Porque você é, sem tirar nem pôr, o que eu escolhi para mim.

A fortaleza que me cerca e me assegura a paz.
A sabedoria que me aconselha e me instiga a busca por mais.
A tranquilidade que me silencia e me inspira a calma.
A disciplina que me causa admiração e me ajuda a acreditar no poder da vontade.
A confiança que me permite ser quem eu sou, ir e voltar, com a liberdade que tanto prezo.
O amor que me faz querer ser melhor, que me sorri e recebe, que me protege das dores do mundo e me é sereno, e belo, e seguro.
A paixão que me faz sentir desejada, que me agarra, que me prende, arde e libera.

Porque você é, sem tirar nem pôr, quem eu escolhi para me acompanhar por todo o meu caminho.


terça-feira, 11 de março de 2014

"não me cabe a culpa"

Sigo distraída 
porque a saudade que me retoma ao passado
incendeia pensamentos e queima - uma a uma - 
as tentativas de muita atenção.

Danço se você quiser
e se eu quiser:
Não largo para trás as sapatilhas e o desejo

Abra a porta para mim
ou arrombo seu coração,
com gritos nada discretos
e vontade de fazer-me ver.

Arde. Arde e invade a casa,
as tuas palavras e a minha ânsia de vida.

No mais, o silêncio do fim da música.



(releitura da música 'A Valsa' de Maria Gadu)