quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

copo meio cheio.

é dessa metade que me falaram
a metade cheia, a metade quase inteira
a metade que restou

a metade que não seca
que não evapora
que não bebi ou deixei que bebessem

a metade que me pertence
que posso fazer o que bem entender

a minha metade 
a minha vontade
a minha verdade


“Todos nacemos con una caja de fósforos adentro, pero que no podemos encenderlos solos, necesitamos la ayuda del oxígeno y una vela. En este caso el oxígeno, por ejemplo, vendría del aliento de la persona que amamos; la vela podría ser cualquier tipo de comida, música, caricia, palabra o sonido que engendre la explosión que encenderá uno de los fósforos. Por un momento, nos deslumbra una emoción intensa. Una tibieza placentera crece dentro de nosotros, desvaneciéndose a medida que pasa el tiempo, hasta que llega una nueva explosión a revivirla. Cada persona tiene que descubrir qué disparará esas explosiones para poder vivir, puesto que la combustión que ocurre cuando uno de los fósforos se enciende es lo que nutre al alma. Ese fuego, en resumen, es su alimento. Si uno no averigua a tiempo qué cosa inicia esas explosiones, la caja de fósforos se humedece y ni uno solo de los fósforos se encenderá nunca.” 

(trecho do filme 'Como água para chocolate')

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

ao revisitar o passado, sorri.
cabiam ali os meus sonhos
a minha libido
o meu bem estar por estar perto.

eu me sabia feliz 
eu ensaiava falas na cabeça
e não encontrava as palavras na hora de dizê-las

eu me interessava por tudo:
seu trabalho, como distribuía objetos pela casa,
como se interessava por tudo

então, depois de uma dose deliciosa de passado
senti medo.
medo de que os passos que dei
tenham fechado as portas para o futuro.


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

a força do vento

Muito do que pensei que era estável se abalou
do que achei que era eterno, acabou. 

O vento levou o que já não era mais para ser
feito redemoinho, fez girar

O vento trouxe para perto o cheiro de novo
feito brisa, tocou a pele

No fim do caminho
- ainda que não haja fim - 
o vento faz cócegas

É um caminho novo
se abrindo
diante de mim




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

eu me sento para escrever mesmo antes de saber o que virá.
me vêm à cabeça as imagens, os flashes de vida, as cenas de um passado inacabado.
são muitas as tentativas, os abraços, as risadas e as quedas.
são muitas as dores também.
há medos, esconderijos, brincadeiras infantis e paixões adolescentes.
o jardim da minha vida é vasto já.
tem um pouco de tudo.
tem muito de tudo.
há perdas, irremediáveis perdas, inaceitáveis perdas.
há brigas, lágrimas e perdões a serem dados.
há sonhos roubados, sonhos realizados, sonhos despedaçados.
e no esconde-esconde da minha vida, há muitas de mim.
e agora sou apenas eu, 
correndo atrás do meu espelho do passado,
buscando sarar as feridas abertas,
resgatar as gargalhadas distribuídas,
e enfrentar os monstros do escuro.




(após ver A delicadeza do amor)

Eu acordei de um sonho bom
Tinha poesia do Neruda na cabeça
Tinha um restinho de vinho na taça
Tinha roupa no chão 
e um cheirinho bom do incenso queimado à noite
Tinha uma música soando ao longe
baixinho, baixinho...
do jeito que é bom ouvir música ao acordar
Tinha um sorriso no rosto de quem dormiu bem
A noite foi longa. Sozinha.
Mas a companhia dos sonhos fez a solidão ser amiga.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

não venho com manual de instruções, mas sou fácil de ler.
não jogo. vou direto ao ponto. não finjo nada do que sinto.
sinto tudo ao máximo.
me jogo sem medo.
sou frágil.
sou forte.

não me fecho por orgulho. não deixo de elogiar por precaução.
gosto da verdade até quando ela dói.
a verdade já me matou.
a verdade já me fez ser dura.
- mas insisto nela.

sou desejo. mas tenho sono.
preciso dormir para esquecer os problemas.
preciso dormir para me fazer forte para enfrentá-los.
já pequei por falar demais.
mas já adoeci por deixar de falar.

tenho medo de sapos.
gosto de sorvete de flocos.
adoro cuidar. adoro beijos.
danço para espantar a saudade.
preciso de ar.
escrevo o que precisaria dizer.
não me detesto por isso.

não choro algumas das minhas grandes dores.
não faço amor silenciosamente.
tenho um filho
um livro por escrever
muitas plantas para regar
e várias músicas preferidas

gosto de carinho.
não disse isso antes?
é que gosto muito.

escrevo em blog, em guardanapo, em últimas folhas de cadernos, no box do chuveiro.
quero escrever na pele.

leio clarice e vinícius.
quero aprender francês.
já morei em barcelona
mas nunca fui ao japão

gosto de brincar com a pontuação das frases
me sinto livre nos textos
chamo todos, ou quase todos, de poesias

adoro nomes também. não os próprios

não me pergunte se acredito no amor.
não é boa hora.

gosto das cores de miró, das curvas de gaudí,
do azul de picasso.
a espanha me mora.

uso saias. combino mais com cabelos compridos.
não uso óculos. 

sou professora, de nascença.
sonho com mais um monte de coisas.
choro com filmes de dança.
quero saltar de pára-quedas.
tenho 3 tatuagens
2 a menos das que quero ter

gosto de música nacional
los hermanos, lenine, e tal...

estudo pedagogia
sou RP de diploma
escritora nas horas vagas

tenho os melhores amigos do mundo
vou me mudar de casa
gosto de porta-retratos

como cozinheira não sou grandes coisas
canto mal, mas adoro anyways
sou filha caçula
tia 
gosto de bichos
mas sou mais os seres humanos
- não maltrato nenhum deles.

deixei de comer carne por 7 anos
voltei a comer carne há 7 meses

quando foi preciso, disse adeus.




eu sou a sombra que dança.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

corta o cabelo para cortar a dor
caem os fios
e só.

O vento

E se chover demais,
a gente vai saber 
que lá fora é só espelho do que está aqui dentro.

A vida é curta pra ver.
E prolongar na dor
é deixar de viver.

Posso ouvir o tempo passar,
e o estrago que faz,
eu não sei consertar.

Um passo pra trás,
para entender onde foi
que a gente deixou de rir um do outro.

Tentar lembrar, um esforço por esquecer,
e a gente jamais compreende
o que a vida programou pra nós.

O vento leva,
Cada um segue seu rumo
rumos distintos agora.

E isso por quê?
O que resta é chorar.
A dor é dura.
E agora é esperar que não dure tanto...

E que um dia, a um século, um mês,
a gente sorria em paz,
outra vez.


(releitura da música O Vento, dos Los Hermanos)

Sexta-feira à noite, fim de ano, chuva caindo lá fora...
Dói.

domingo, 23 de novembro de 2014

Luz

Eu não sou esta dor.
Não sou.
Não sou os retalhos mal remendados dos sonhos que criei para mim.
Não sou as expectativas não cumpridas.
Nem os desejos não realizados.
Não sou a esperança que não se renova.
Nem a ferida que sangra.

Eu sou a luz do sorriso que consigo abrir a cada tropeço.
Sou a luz dos olhos das crianças que me enxergam apesar de tudo.

Eu não sou os meus erros, minhas quedas, nem meu medo.
Eu definitivamente não sou o meu medo.
Não sou o que não consigo. Nem o tempo que não tive.

Eu sou a luz da lágrima que cai humildemente.
Sou a luz dos amigos que me amparam.

Eu sei que não sou esta dor.
Que a tenho. Que ela está em mim.
Mas que não paro aí.

Eu não sou a doença que quer me possuir.
Nem as sombras que me assombram.

Eu sou mais que tudo isso,
porque sou luz.
Sou sol.
Sou força.
Sou vontade de continuar.

Eu não sou as rejeições que sofri.
Nem as duras verdades que tive que dizer.

Mas sou sim a verdade.

Sou pele. Sou cor. Sou vida.
Eu sou viva.
Eu estou viva.
E sou luz.




(escutando I am light, India Arie)


Why do you wanna give it all away?

Eu, o vinho e a sua ausência.

Um brinde ao tempo que não tivemos para pensar, aclarar, esclarecer, entender, refazer...
Um brinde ao tempo que não volta atrás.
à saudade do que foi e que não há como voltar.

Eu sou a mescla do que vivi, do que sonhei e do que sangro.
eu sou o desejo. eu sou desejo. muito desejo
Eu sou a falta de você. Eu sou a falta dele. Eu sou a falta de mim.
Eu sou o sol que não brilha, agora. Mas que quer voltar a ser forte como o dragão que me mora.

Eu, o vinho e a minha carência.

egoísmo

A minha dor é só minha.

simbiose

Talvez seja isso
eu preciso da sua ausência
para me achar em mim


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O meu não falar me incomoda também.
Os sapos engolidos, as palavras na ponta da língua, os nós no estômago...
Mas eu preciso de tempo para falar.
Preciso ser ouvida. Ter olhos atentos.
Preciso de um tempo que o nosso tempo não dá.
As pessoas têm pressa demais para os retornos. Urgem por uma resposta rápida. Não levam tempo para falar e portanto não permitem o tempo a quem esperam que fale.
A minha fala só pode vir depois que eu penso. E, levo o meu tempo para isso.
Assim sendo, não falo. 
Escrevo.
Há quem diga que é um ato de medo, ou até mesmo infantil.
Eu sei os meus porquês.
Sei que, ao escrever, tenho o tempo do pensamento, o tempo da elaboração, tenho o silêncio necessário e a possibilidade de voltar atrás, mudar de ideia, reescrever.
Ao escrever, os impulsos são mais controláveis.
E, depois, quem for ler, receberá as palavras certas.
É claro que a interpretação pode não ser a esperada, mas ainda acredito que há menos erro do que na palavra dita.

Ou estou absolutamente errada.
E preciso mesmo é pegar um escudo, agilizar o pensamento, e atropelar o mundo com palavras ditas.

Não sei.
Mesmo ao escrever tenho lá minhas dúvidas.


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

de plutão a fênix

O que há de obscuro em mim, de podre, de sombra
o que vive no meu inferno interior, aonde a luz não penetra
também quer vir à tona, e transformar-se em amor.

É o vôo da águia, a transformação,
a evolução de mim.

Porque não mais me venço por falta de esperança.
Hei de esperar o fim do meu inverno

para ver brotar novas folhas verdes.

Esperar é ato de coragem também.
Acreditar é combustível.

Eu queimarei as dores,
viverei meu luto
e renascerei das cinzas.

Eu sou indestrutível.

sábado, 15 de novembro de 2014

O destino me quer forte.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Manoel de Barros

Sobre a morte do poeta, engasgo.
Morre o poeta, mas as palavras sobrevoam a gente.
- o som do soluço - 
Eu choro também.
É que quando morre um poeta,
morre uma poesia do vir a ser.
É que quando morre um poeta,
as palavras silenciam no ar.
É que quando morre um poeta,
o futuro deseja o nosso nascer.

Para pássaro em pouso, janela é o melhor amigo. 

"Sonhos Roubados"

Ladrões de sonhos, vocês, que invadem minha casa, arrancam-me os sonhos e os deixam cair no chão, espatifados.
Ladrões de sonhos, vocês, que não me permitem dormir, que não me permitem a fome, a vontade ou o desejo.
Quando é que sairão daqui? 
Quando é que me libertarão as asas?

Onde está a minha capacidade de sonhar?
Onde está?

Onde está?

Vão-se embora, medos. Vão-se embora já.

Aqui quem reside é a esperança.
Aqui só ela pode morar.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

bio grafia

Eu ontem fui Clara, Clarice Lispector, luz e vida. Ou o sopro dela. 
Fui a constante batalha de sentir demais, de sorver tudo até a última gota, de segurar o cálice com ambas as mãos. Fui a mão direita. A dor do fogo. A depressão que corrói. 
Eu fui a sensibilidade em palavras, a beleza triste do colar de pérolas, o mistério dos olhos marcados demais.
Eu fui o filho que perdeu a cabeça, o homem que perdeu a mulher, a mulher que preferia confusões e multidões aos dias cinzas de um Europa rica.
Eu fui a dor. Mas fui a poesia. 
Eu fui a certeza de que amar demais é a única maneira de viver.
Eu ontem fui Clara, Clarice Lispector, luz e vida.
Eu sou feita de sopro de vida também.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ironia é faca amolada.
Sarcasmo é quando essa faca encosta, arranha e até corta.

domingo, 2 de novembro de 2014

Não se demore na dor.
Ou ela se sente em casa.
Ou começa a  fazer parte.
Ou você se identifica.
Ou ela decide não partir.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

inesgotável

Foi-se o tempo em que a menina, de olhos bem abertos e sedenta, corria atrás dos sonhos. Perseguia com raça os desejos. Desejava com alma o futuro. 
Mas sempre há um dia escuro. Sempre há um tropeço, uma pedra no caminho, um imprevisto. E a menina pára. E parada fica. E o medo chega, se acomoda, faz ninho. 
E o tempo não se importa com a menina: atropela o dia, dá voltas no relógio, deixa cair toda a areia. A menina sente frio. Abraça os joelhos. Cobre os peitos com os cabelos.
A noite não acaba. Dentro dela é noite. Uma noite infindável. O medo que paralisa e gela; a menina que sedenta espera; o espaço que não se desfaz. 

Mas de repente a menina lembra. E da lembrança se alimenta, da lembrança se esquenta e sem perceber se refaz. A menina move as mãos, solta os cabelos ao vento, morde os lábios e sorri. E desse sorriso nasce um sonho. Um sonho lembrado. Um sonho dourado. Dos dias que já se passaram. E a menina resolve buscá-lo. 

Nova saga inicia. Com fé no peito e brilho no olhar. A menina se embriaga de lua, empunha a verdade, e evoca a coragem. 
Segue o destino e acredita: ainda há amor. O mesmo amor. O velho amor. 
O inesgotável amor.

invasão de privacidade.

entrada proibida.
fechada para balanço.
sua boca não me alcança
suas mãos já não me laçam

a cada tropeço, uma vontade
a cada berro, um silêncio

que a felicidade não te impeça
de enxergar aos que apenas choram



segunda-feira, 27 de outubro de 2014

eu sou o meu maior medo.
o meu maior sapo.
o meu inimigo.

eu sou a força que não acredito ter.
a resposta que busco fora.
a minha verdade.

vozes

"E se eu fosse 
o primeiro a voltar
pra mudar o que eu fiz,
quem então agora eu seria?"


um passado sem erros, sem percalços, sem dores
sem pés na bunda, sem palavras que não deveriam ser ditas, sem saudades
um passado sem dias cinzas, sem perdas, sem lágrimas ao travesseiro

mas uma vida assim, sem nada disso, é sem passado
mas uma vida assim, sem nada disso, é vida sem mim.
Pendurei a felicidade no cabide. Coloquei no armário e fechei a porta.
Espero voltar a abrir, e usar, antes que as traças ou o cheiro de guardado tomem conta.

o que me desaponta, na verdade, não é o outro. é o não cumprimento de uma expectativa, criada por mim mesma. quem me desaponta sou eu.

sábado, 18 de outubro de 2014

dolor

ao se preocupar demais em não ferir os outros,
fez um rombo dentro de si

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Força:

Para viver de amor
para matar a saudade
para suportar a dor
para vencer a maldade.

Para não se conformar
para curar a ferida
para conseguir mudar
para buscar a saída.

Para levantar-me bem cedo
para tentar me reerguer
para enfrentar o meu medo
para nascer, e para morrer.
Um poeminha curto como o agora.

TEMPO

E quando achei que era tarde
lembrei que eternidade
começa num suspiro
sem hora para acabar.

não agir com impulso
para mim
é cortar-me o pulso

domingo, 12 de outubro de 2014

'realizante'

Aquela experiência única de voltar no tempo e reviver o que houve de melhor no passado.
E voltar de lá com a sensação de que há de haver felicidade no futuro, pura e simplesmente por ela ter sido sentida, alguma vez, em tempos idos.

Aquela sensação de poder fazer de novo, de sentir de novo, de viajar no tempo e de criar sentimentos, movimentos e até palavras.

Isso é realizante.

história de amor em catacrese

engoliu um sapo
deu um nó na garganta
deixou de sentir borboletas no estômago

deu murro em ponta de faca
ficou com as mãos atadas
levou um chute na bunda

sacudiu a poeira
deu a volta por cima
mas voltou ao fundo do poço

chorou as pitangas
comeu o pão que o diabo amassou
e acabou batendo as botas


contraponto

impulso.




lagarto
vontade
resignificar
contrato
remendo

exausta
penumbra

sábado, 11 de outubro de 2014

quando acaba o nós
e eu passo a ser eu,
só me restam nós.
E se a chance tiver passado?

Eu estou fraca.
Eu estou osso e carne.
Ossos duros e frios. E estáticos.
Carne viva, vermelha, sangrando em dor.

Eu quero ar.
Quero comê-lo.
Sorvê-lo.
E passar a viver.

eu quero viver.


Acordar a cor seria mais fácil.
Mas acordar de mim,
e acordar em mim,
o que é ausência,
sombra e dor,
é despertar a noite.
É despertar à noite.
Se eu dormir em luz,
quero acordar em luz.
Mas se a noite é o que toca -
agora -
quero, serenamente, dormir.
É a morte em mim.
No final do dia,
ou no meio da vida,
respiro.




(na aula de desenho em carvão: luz e sombra)

domingo, 5 de outubro de 2014

"amores surdos"

- o amor é visceral
embora, por vezes, silencioso -

está no ato de deixar ir,
no respirar fundo e alto,
e respirar junto quando falta ar.

está no dar um empurrão
naquele que não sabe ir
e carregar no colo
o que se sente pequeno.

o silêncio está no dormir -
mesmo quando os sonhos
e a realidade se misturam
e saem andando pela sala.

o amor está no dar notícias.

está no preocupar-se,
no cuidar,
no entender,
está no ouvir.
o amor está no ouvir,

o amor está em todos os lados:
na barriga do bicho que mata o pai por amor à fome,
no aceitar as escolhas dos outros
e cuidar delas como se fossem suas.
está no olhar ao redor e entender
que às vezes precisamos vestir os sapatos também.
e dançar.



(sobre a peça "Amores Surdos", do grupo Espanca)

murro em ponta de faca

Amar é
insistir
em não acreditar
no que os olhos não querem ver.
O amor não é cego.
É doido.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Como será possível?

Como será possível, que em meio a muita dor, uma dor que não se expressa por palavras, porque a boca amarga o gosto da espada de Micael que me atravessa, um passarinho vem e me faz lembrar de quem eu realmente sou? Que me atenta ao fato de que eu vou sobreviver a essa fase, como sobrevivi a outras, e que me transformarei pelo simples fato de que há pessoas lindas ao meu redor. 

E agora, com coragem e destino, empunharei a espada que atravessou a alma, e buscarei a alegria que sim, apesar de não vê-la agora mesmo, existe em mim. 







Eu te dedico a minha luta, Ana querida.
http://anarouxinol.blogspot.com.br/2014/09/a-amiga-andorinha.html

terça-feira, 23 de setembro de 2014

lidar

a vida real, às vezes, é como um soco no estômago.
ainda bem que tenho memória.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

quando se encontra um vazio dentro, você se lembra de todos os vazios que já teve. 
e teme ter mais nadas e histórias para contar que agoras e sonhos.

pavimentaram o paraíso

E ainda que os curiangos tenham resistido ao asfalto, 
e que a labuta diária fosse contra o relógio,
de repente vem o grande táxi amarelo e leva embora o que era para sempre.




Acho que o amor envelhece.



(escutando Big Yellow Taxi)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

fim.

Se a poesia amarga a boca,
é que o coração sangra a dor da despedida.
E quando os olhos inchados derramam o sofrimento,
gotejam as lágrimas no solo que um dia foi firme.
Não há vida após a ruptura.
Ou há solidão, e vida em amargura.
Não há sol que brilhe,
não há sonho que aguente,
não há alimento que sacie. 

Não há fome.


terça-feira, 9 de setembro de 2014

Guardem-me as lembranças do acaso e da sorte,
da morte,
e do que vier mais tarde.

Tragam-me de volta os sonhos e desejos,
os lampejos,
da vontade inalcançada.

É como um vidro quebrado em mínimos pedaços,
impossível de se remendar.

É como os estragos da tempestade,
e as marcas, que não se deixarão apagar.

No íntimo, no efêmero e no eterno,
aí sim ficam armazenados,
os devaneios e certezas.

Nas paredes e nas teias,
do quarto de dormir,
dormem também os planos e as expectativas,
os anseios e o esperado tempo.

Pois do que agora é história,
como folhas secas em chama,
esfumaça o vir a ser.





terça-feira, 3 de junho de 2014

eu gosto dos intervalos.
dos corredores.
das passarelas.
das salas de espera.

eu gosto dos intervalos.
das reticências.
dos pontos cruzados.

eu gosto intervalos.
das pausas.

eu gosto dos intervalos.

"O correr da vida embrulha tudo"

"O correr da vida embrulha tudo".

E antes que embrulhe meu estômago e meus 30 anos, paro para respirar.
Paro e noto que mal sei respirar.
Falta-me fôlego. É muita vida e pouco tempo. É muita informação e menos energia.
Eu preciso de sossego. Não é de sono e céu estrelado. É esse sossego interno, silêncio ao redor e uma pausa no relógio - antes que o correr da vida embrulhe meu corpo, enrugue meus olhos e torne meus cabelos cinzas.
Eu quero a calma alegre da infância ou a força adolescente que me permitia estender o dia e entrar noite a dentro sem me cansar.
Eu quero não ter que parar para respirar. Quero respirar sem notar. E me sentir mais viva. 

domingo, 4 de maio de 2014

Ai, de mim... Que fui eu mesma a noite, a partida e o veleiro a descansar.
Que não soube apreciar a névoa, o teu gosto, o teu cantar.
Ai, de mim... Que ao deixar-me ir, pensando libertar-me, deixei foi escapar assim, o amor que tu me tinhas, e que por pouco se acabou.
Mas quando minha voz se ausentou, quando meu corpo serenou, foste tu a me carregar.
E eu serei-te eternamente grata, eternamente amada, tua - até morrer.

                        (resposta ao poema Ausências, de Vinícius de Moraes. Poema que me invade a cabeça todos os dias há alguns dias, sabe-se lá porquê)

a new beginning

Não há nada de novo no título.
Nem na vontade.
Não há um sonho novo.
Nem uma expectativa diferente.

O que existe agora são ações.
Coragem.
Força para tentar e fazer.
Há uma necessidade.
Um grito.
Uma dor que foi sentida, ouvida, compartilhada.
E que gerou instinto, impulso, suor.
A dor que gerou futuro.
E novos passos.
E um novo trilhar.

Eu vi um pedaço de passado se desfazer. 
Um pedaço material mesmo, o que havia de físico de um tempo já ido. 
Um bocadinho tátil do que já não está e nem poderá vir a ser.
Sem cheiro, mas com gosto do que um dia foi presente. Um som.

Desfez-se. Acabou. Virou nada. 
Virou lixo, o que um dia foi vozes, som, música, alegria, amigos e irmã.
Acabou diante de mim, assim como o passado.

Mas não causou dor. 
Porque tem passado que mesmo imaterial fica na memória da alma.
Deixou de ser visível - por fora, pelos olhos.
Mas continua sendo vivível - por dentro.

O espaço que essa coisinha-passado ocupava ficou livre para novos presentes.


quinta-feira, 27 de março de 2014

por enquanto não

Houve um tempo, aquele tempo, em que a sorte nos cobria a cara, puxando os lábios para um sorriso bobo de tão feliz.
Era com leveza e poesia que a gente regava o dia. 
Não faltava tempo, não faltava vontade, não faltava tinta nem guardanapo.
A gente fazia foto com a sombra da parede.
Bebia vinho à distância.
Sorria ao saber que a praça dá liberdade.

Neste tempo, a lua ficava cheia toda noite. 
Não bastava ir ao show, era preciso falar dele, escrever sobre ele, ouvir as músicas de novo. 
Viver era de uma expectativa sem fim.

Não sei o que houve na vida, se foram as escolhas, a troca das lentes, ou o relógio que passou a correr demais... 
Não sei o que houve com a gente, se foram as dores, os vôos com diferentes destinos, ou o coração que resolveu desacelerar...

Mas sei que muita coisa mudou. Que a lua passou a ter quatro fases. Que o sorriso é mais raro. Que a arte não atravessa a alma com a mesma facilidade. Que a poesia não sai. 
Sei que quando chove fora, chove dentro. Que o guardanapo passou a enxugar lágrimas. E que a parede precisa ser pintada.

Mas eu tenho aquele tempo na memória e no coração. Que sorte a nossa, né!?

quarta-feira, 26 de março de 2014

casa.

moro longe de onde o tempo fecha,
de onde o sol nasce,
de onde a terra abre.

mas recebo a chuva como bênção,
caço o sol com vara de pesca, 
e semeio ao vento a vontade.



nos dias cinzas,
cinzo eu.

quarta-feira, 19 de março de 2014

hoje eu não quero criar nada. a criatura , a criança, a criatividade em mim descansam. é que  às vezes, só às vezes, até elas cansam.

segunda-feira, 17 de março de 2014

aos quatro ventos

Porque você é, sem tirar nem pôr, o que eu escolhi para mim.

A fortaleza que me cerca e me assegura a paz.
A sabedoria que me aconselha e me instiga a busca por mais.
A tranquilidade que me silencia e me inspira a calma.
A disciplina que me causa admiração e me ajuda a acreditar no poder da vontade.
A confiança que me permite ser quem eu sou, ir e voltar, com a liberdade que tanto prezo.
O amor que me faz querer ser melhor, que me sorri e recebe, que me protege das dores do mundo e me é sereno, e belo, e seguro.
A paixão que me faz sentir desejada, que me agarra, que me prende, arde e libera.

Porque você é, sem tirar nem pôr, quem eu escolhi para me acompanhar por todo o meu caminho.


terça-feira, 11 de março de 2014

"não me cabe a culpa"

Sigo distraída 
porque a saudade que me retoma ao passado
incendeia pensamentos e queima - uma a uma - 
as tentativas de muita atenção.

Danço se você quiser
e se eu quiser:
Não largo para trás as sapatilhas e o desejo

Abra a porta para mim
ou arrombo seu coração,
com gritos nada discretos
e vontade de fazer-me ver.

Arde. Arde e invade a casa,
as tuas palavras e a minha ânsia de vida.

No mais, o silêncio do fim da música.



(releitura da música 'A Valsa' de Maria Gadu)

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

o anel que tu me deste, era de vento e voou.
mas mais importante que o anel, era a tua vontade de me presentear. 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Desenho

Eu vou errar 
sempre - ou quase sempre -
e não poderei apagar os meus erros.
Mas poderei respirar fundo,
dormir,
pensar antes,
e começar de novo.
Os erros estarão lá:
no meu papel (na minha história)
e me lembrarão sobre o que preciso fazer - 
sobre como devo fazer
E eu farei de novo
tantas e quantas vezes quiser.
até encontrar o belo:
pois eu buscarei o belo.
como num papel em branco,
eu mando,
no sopro do vento o que eu quero dizer.
de sol e de chuva,
de dor e de espanto,
num canto,
onde eu possa me esconder.
é vida que bate à porta,
é medo que trava a língua,
que treme as pernas,
que cria a inércia.
eu de saltos e trotes,
de gritos e sussurros,
respiro,
para voltar a viver.
eu não nasci ontem,
eu não morri hoje,
mas amanhã eu sou.