quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

poesia em forma de carta...

Hoje eu recebi um presente lindo... lindo! Desses que fazem a gente sentir a lágrima balançar e quase cair... até cair realmente e molhar o próprio presente.
Um presente que me fez sentir um mexidão de sentimentos. Entre eles, a sensação de estar no caminho certo, de ter escolhido muito bem aonde pisar e em que investir.
 


Eu vivo disso: de poesia! Não vendo a minha poesia porque ela é ar. Ela não é o que eu escrevo, mas o que eu respiro, o que eu vejo, o que eu leio nos olhos daqueles que me olham nos olhos... 

A minha poesia é esse presente que eu recebi. É esse retorno que me faz entender que todo meu esforço, toda a minha teimosia, toda a minha dedicação VALEM A PENA.

Esse presente especial, que é pura poesia em forma de carta, vem de uma menina linda, de 15 anos de vida mas muitos mais de sabedoria e sensibilidade. De uma poeta nata, de uma aluna que é professora, de uma garota tímida que conquistará o mundo com suas palavras...

Eu recebi uma carta. Uma linda e longa carta. Uma linda e longa carta que fez diferença no meu dia, na minha jornada, na minha biografia. Que foi como um banho frio depois de um dia quente demais. Como um mergulho no mar depois de um ano difícil. Como um diploma depois de muito haver estudado. Como um presente...

Essa carta continha elogios, sim, e quem não adora receber elogios? Mas, mais que isso, continha todo o carinho e o cuidado de quem me olhou e me viu, de quem me leu e entendeu, ou pelo menos buscou fazê-lo, mergulhando nas minhas palavras e se dedicando a decifrar minhas dores, conquistas e poesias. E, mais que isso, continha suas próprias confissões, seus próprios desejos e medos, sua própria poesia.

Uma carta escrita por alguém que buscou identificar-se comigo, mas que, na verdade, é gigante em sua experiência de vida, mesmo que tenha vivido a metade do que eu vivi.

Uma poesia em forma de carta, que me fez querer escrever mais, prestar ainda mais atenção à arte ao meu redor, ouvir o canto do rouxinol e dedicar-me a ser cada dia melhor: porque ela me vê. 
 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Faces de uma mesma dor.

Há 5 anos os dias ficaram mais escuros e as noites mais claras.
O céu, com todas as suas constelações, ganhou mais uma bela estrela.
Minha irmã Pat, a moça mais linda que a cidade já viu, deixou saudade e lembranças por aqui.
A dor fez um buraco no meu coração.
Eu preenchi de amor, que é imortal.

...

Sim. E todo dia 27 de novembro eu me permitirei chorar e doer, soluçar e sangrar, essa imensa dor que é não tê-la mais aqui perto.
Todos os outros dias do ano eu serei forte, leoa e espiritualizada, trabalhando a compreensão do sentido da vida ... e da morte.

Mas no dia 27/11 eu serei a irmã caçula que chora, que faz birra, que deseja o inalcançável e que simplesmente não quer aceitar o não.

...

5 anos sem Pat.
E aí? Você já superou a perda?
Uma perda assim a gente não supera.
Não entende. Não aceita. Não preenche...
Uma perda assim a gente ... a gente faz o quê?
A gente fica sem palavras, sem chão, sem a pessoa amada,
sem um pedaço da gente.
É um nó no peito, um grito calado,
uma lágrima que vem.
É uma dor que não se expressa,
que não se cabe,
que nem em outra poesia tem.

domingo, 27 de outubro de 2013

Júnea

Existe gente que entra na vida da gente e nunca mais sai.
Nunca mesmo, porque é imortal.

Gente assim, com essa importância, consegue um lugar no nosso coração e fica.
Porque tem gente que, até sozinha, é uma turma inteira! 

E faz questão de estar presente, de ser presente, e de dar presente.
Gente desse tipo não existe muito por aí. E é por isso que, quando encontramos alguém assim, temos mesmo que guardar num cofrinho, ou no lado esquerdo do peito, ou nas lembranças mais doces, engraçadas, tristes, pesadas, desengonçadas, felizes, inesquecíveis, enfim, em muitíssimas lembranças porque gente como essa está sempre por perto!

Eu tenho uma sorte danada, disso ninguém nunca duvidou. E um dos meus grandes lances de sorte foi ter encontrado essa pessoa em quem estou pensando agora. E quando penso nela, e faço uma retrospectiva das nossas aventuras juntas, poderia chorar e morrer de rir, porque, graças a Deus e a ela, nossa amizade é dessas verdadeiras, e fizemos MUITA coisa juntas! 

Aproveito o meu bloguinho, esse meu cantinho tão querido e particular, para desejar a essa pessoa a maior das felicidades do mundo. Que ela encontre em seu caminho muitos motivos para continuar, muita gente legal e presente, e muitos presentes que a façam sorrir.

Feliz aniversário, Xu! Paz e saúde para nunca deixar a explosão acabar! 


terça-feira, 10 de setembro de 2013

contida

Se eu chorar rios e mares a dor profunda que me corta a alma,
se eu sorrir e gritar em euforia as alegrias que me enchem a vida,
se eu dormir o sono intenso e imenso que me gruda os olhos,
estarei, enfim, viva?

Quero derramar o pranto que me dói o canto,
e gargalhar até as esquinas dos meus lábios
Quero descansar o sono dos justos,
e despertar antes dos bem-te-vis e maritacas.

Quero atingir o sentimento mais denso, mais dentro,
aquele que nem o sol alcança.
E senti-lo, soltá-lo, forçá-lo - até a superfície de mim.

Serei não mais a intenção, mas o próprio grito.
Serei não mais o castigo, o contido, mas a liberdade em mim.

E serei, o quão breve ou perene quiser, as minhas próprias emoções.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

naturalmente

As andorinhas anunciam a mudança de estação, e eu, na paz de quem quer ficar em casa, interpreto cada fenômeno.
Eu sou a espera.

As alegrias de salão pedem poda, confirmando a necessidade de mudança que cada ser traz consigo para essa existência.
Eu sou a coragem.


As cadelas ladram a chegada do cio e recebem os machos que não tardam a chegar.
Eu sou o desejo.

As formigas traçam seu caminho, árduo caminho, entre o limoeiro e o formigueiro. Carregam pedacinhos perfumados de folhas.
Eu sou o trabalho.

A grama perde seu verde e sua vitalidade, mostrando-se um tapete triste de um marrom sujo.
Eu sou a sede.

A chuva não cai, mas os pássaros voam. A tristeza pinga, mas a vontade perdura.
Eu sou a natureza.





quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Classificados

Sou fazedora de sonhos.
Vendo.
Mas prá você é de graça.
Produção diária.
E noturna.



Sou distribuidora de sorrisos.
Entrego em domicílio.
O frete é grátis.
Aceito pagamento em mesma moeda.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

pássaro, asas e vontade

eu hoje, pássaro, asas e vontade
no desabrochar do dia perdi minhas listas de sonhos,
meus pregos, parafusos e terra firme.
com sorte movi com os ventos
e pousei nos sonhos de alguém.
mas despertei com olhos em chamas,
lágrimas que desmanchavam a face
e dores de quem nunca desistiu -
mas sentiu o correr do tempo
e a aspereza da distância com o passado.

eu hoje, pássaro, asas e vontade
percorro sozinha, na solidão de meus próprios batimentos,
a imprecisão do caminho de quem vai rumo ao futuro.
não temo mas não meto os pés pelas mãos.
são outros tempos, novos ventos, e um mundo inteiro a mudar.

eu hoje, pássaro, asas e vontade
durmo para não chorar,
mas acordo entre sonhos e meta sonhos para acreditar.

eu amanhã, asas e saudade.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

"Se um dia eu for embora..."

Se um dia eu for embora, não te pedirei que não chores. Mas desejarei que tuas lágrimas sejam de doce saudade.
Se um dia eu for embora, não te direi que não sofras. Mas soprarei de leve os teus cabelos para que te lembres da efemeridade de tudo, digo, de quase tudo.

Se um dia eu for embora, esperarei sem pressa por ti aonde eu estiver. E te guiarei com meus desejos e meu coração. E te espiarei da janela do nosso castelo de recordações. Te sorrirei nas fotos dos álbuns de instantes. E te amarei com a mesma intensidade de agora, e com a duração das poucas coisas que não tem fim.

Se um dia eu for embora, é porque estive muito presente aqui. E te vi nascer, e te vi crescer, e te vi viver.



(inspirado no livro "Se um dia eu for embora", de Anna Gobel)


quinta-feira, 4 de julho de 2013

a prayer.



There is beauty all around me.
There are eyes, and shining stars.
But there are doubts, and fear, and wanting.
And what I see doesn’t fit in an instant.
I cry for my freedom, but not only.
I ask for the death of hate.
I beg for the poor spirits who enjoy fighting.
I pray for their souls
and for mine.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

escuro.

Não era como se estivesse num quarto escuro. Muito menos era como se estivesse rodeada de noite. Era luz, tanta luz, que quando aquele raio de falta do luz entrou, ela se sentiu invadida.

Como se atrevia aquela sombra, aquele feixe de nada, invadir seu mundo de luz?

E foi assim que se formou, bem dentro de seu peito, um buraco. Um buraco preenchido com uma dorzinha, uma tristezinha, uma iminente vontade de chorar.

Ainda havia luz, ora, a maior parte era luz... Mas aquela sombra que a invadira a causava medo. Era a primeira vez que ela se deparava com o horror. Ela viu o horror e o encarou como nunca antes. Mas esse, atrevido como ele só, não se contentou em apenas aparecer para ela e, querendo mais, mergulhou em seu peito e fez um buraco para se instalar.

Ela, aflita, dolorida, ferida, em lágrimas gritou um pedido de socorro.

Esse socorro virá. E a luz voltará a brilhar... não vai?

sexta-feira, 1 de março de 2013

E fica



Eu amo aquilo que fica
A estação
Porque sou ninho e sou não
A casa
Eu amo o que deixa memória
Saudade
Porque são marcas que ficarão
Cicatriz
Eu amo o que é sentimento
A dúvida
Que fica bem dentro de mim
E aquilo que não me prende
A escolha
Pois dentro de mim, liberdade
 Beira do mar
Eu amo aquilo que insiste
O lago
E o que não me deixa esquecer
Calendário
O calor ou o frio brando
A vida
Pois amo aquilo que fica
O amor


(reescrevendo a minha poesia/vida)

E vai

E vai

Eu amo tudo que vai
O trem
Porque sou movida à paixão
A banda
Eu amo o que deixa rastri
Procissão
Porque são marcas e lembranças
O dia
Eu amo o que é movimento
O circo
Que vai e leva um pouco de mim
A lágrima
E aquilo que não me prende
O pássaro
Pois dentro de mim, liberdade
A onda
Eu amo aquilo que corre
O rio
E o que não me deixa esquecer
As férias
O calor ou o frio intenso
A vida
Pois amo aquilo que vai
O amor


Poesia escrita em 2007, para minha primeira coletânia "Sem rodeios"

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Azul

Mulher alta, magra, pescoço longo e grandes olheiras.
Uma beleza fria.
Cabelos finos, escorridos ao redor do rosto
- como uma pintura de Modigliani.
Olhar distante...
Pouco sorriso, nada de mostrar os dentes...
O que ele sente?
Pelo que se apaixonaria?
Ela não diz.
Seu nome?
Beatriz.

... E pouco mais sei dela.



Arquétipo azul - aula de aquarela (Outubro 2012)

Vermelho

Por que eu ficaria aqui quieto
se sou dono do meu destino?
Sei para onde vou - e vou.
Sei o que espero, e quero.
Sou a força do meu fogo.
E NÃO ME CALO.
-  Não se assuste ao me ver. -
Tenho foco até no louco que mora em mim.
Há um louco em mim.
Se te oprimo, aperto, se te faço doer:
perdoe-me!,
dentro de mim também sangro.





Sou fogo que arde para todo mundo ver.


Arquétipo vermelho - aula de aquarela (Outubro 2012)

Amarelo

Lívia é luz. É alma aberta - ESCANCARADA.
É de uma beleza tão... tão Lívia!
Ela é loira sim, mas loira desde dentro.
Quando ela chega, TODO MUNDO vê:
chama atenção pela sua luz,
sua força para fora,
sua abertura para o mundo.
Tem dia que... dá até vontade de guardar a Lívia.




- arquétipo Amarelo - aula de aquarela (outubro 2012)