Começou assim:
Poesia com rima
Dentro de mim.
E depois além da rima,
ganhou estrofes
Ainda por cima!
Um belo dia
A rima falhou
Mas ainda era poesia,
Não se podia duvidar.
Havia métrica e vontade
Só não se tinha mais
Aquela preocupação de rimar.
Se a rima vinha,
Que bom!
Se não vinha,
Quem sabe da próxima vez?
Era poesia sim
Dessas que fazem a cabeça descansar
Dessas que emendam em prosa
Ou em redação
Ou que tentam,
Quase sem querer,
Fazer um belo e curto haikai.
Mas o tempo foi passando
(O tempo da poesia também passa!)
e a vida começou a exigir linhas retas
maior precisão na escrita
menos divação no pensar.
E o diálogo com o eu poético
e as perguntas retóricas soltas no ar
ganharam permissão para um descanso
sem prazo para recomeçar.
E foi nesse descanso,
uma vírgula no meu coração,
que a poesia teve um leve sono,
um belo sonho,
e uma tranquila respiração!
É para sonhar que a gente pede calma,
é para sorrir que a gente se cala.
E de tanto querer,
E de tanto esperar,
Veio ela, assim de repente,
Novamente rimar!
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