Como se fosse hoje, recobro o sentimento que me acometeu naquele exato momento em que eu, vestida de malas e expectativas, te vi aproximar de mim todo de branco, com um sorriso leve, um olhar curioso e todos os seus sonhos também à frente. Foi naquele momento que pela minha cabeça (hoje eu sei que na verdade atravessava minha alma) passava a seguinte sensação: "nunca mais a minha vida será a mesma". E depois de ser acolhida como uma deusa, recebida com flores e néctar de frutas vermelhas, o som do seu violão e o leve toque das suas mãos pelo meu corpo, percebi que eu começava uma nova vida. Aquela primeira sensação não fora em vão. Não fora, em absoluto, sem sentido. A partir daquele dia e até hoje realmente a minha vida nunca mais voltou a ser a mesma.
Hoje, vendo minha barriga crescer em harmonia com nossos sonhos conjuntos, percebo que, novamente, tenho na alma aquela velha e gostosa sensação de que "nunca mais as nossas vidas serão as mesmas". No plural agora. E, quando penso nessas duas grandes mudanças que me aconteceram, nas voltas que o meu mundo deu, fico procurando a palavra certa (já que gosto tanto de palavras) para descrever o que sinto. E como estou prestes a desistir de tal vocábulo, faço uma última tentativa: Qual o oposto de arrependimento, amor?
Neste caso, sei lá, acho que é gratidão.
Obrigada por entrar na minha vida. E obrigada pelo Pedro também.
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