sexta-feira, 9 de setembro de 2011

sobre a solidão, e a falta dela.

Eis que não há mais a solidão, que me abandona sempre que eu me acho. Que deixa de me perturbar quando eu me distraio com as coisas ao meu redor, ou com aquilo que encontro dentro da minha memória, nas lembranças apagadas pelo tempo, na saudade gostosa de um passado nem tão longe assim.

Eis que ela vai embora cada vez que eu chego mais perto do meu centro. Ela me esvazia toda vez que me encho de mim, de meus sonhos e minhas loucuras saudáveis.

Porque certa vez eu me permeti sonhar, e depois disso a solidão percebeu que estava perdendo seu lugar.

É que eu me encontro na casa que construí fora e dentro de mim. Nos tapetes que coloquei para receber a visita doce da alegria. Nas flores que reguei para ver brotar no início da primavera. Na violeta da varanda. Na vida que vejo nos bichos soltos, e que me lembram que eu também não tenho motivo para estar presa. E quando eu me solto, me livro, me lanço, ela sai correndo com medo de mim. Ela, inútil dentro do meu castelo de sonhos ou da minha muralha de força, espanta-se com a rapidez com que eu faço meu mundo. E vai me abandonando, me deixando...

O mais engraçado é que, quanto mais longe ela está de mim, menos eu me sinto só.