quinta-feira, 19 de maio de 2011

divino

Nasceu a Catarina.
E renasceu em mim o sentido de divino, de religiosidade, de amor ao próximo.
Uma menina tão pequenina e dorminhoca que traz tanta luz, tanta harmonia e tanta felicidade para as diversas pessoas "grandes" ao redor dela.
Um bebê e seu poder de nos fazer sorrir. Um bebê e sua potência de nos fazer olhar com bondade a tudo que está em volta.
Nasceu a Catarina.
E renasceu em mim a certeza de que Deus existe.



Minha sobrinha é uma bênção em nossas vidas.

terça-feira, 10 de maio de 2011

ensaio sobre a loucura - entre luz e sombra

A loucura me aparece, vez ou outra, encarnada em homem quase idoso, de pouco cabelo na testa, mas cachos grisalhos atrás do pescoço. Ele caminha todo de negro, guarda-chuva na mão, faça sol ou faça chuva. E ele sorri. Sorri um sorriso sem muitos dentes, mas com a alegria da loucura estampada em um semblante leve, de alguém que não deixou a dor dos tropeços e as amarguras das despedidas embaçar-lhe a vista. Ele caminha devagar, à passos largos e calmos, num ritmo tão gosto feito um frevo pernambucano. E deixa com esse sorriso e esse caminhar um gosto gostoso na boca de quem tem, por casualidade ou observação, a sorte de cruzar com ele na rua.

A loucura me aparece, em tristes outros momentos, em forma de uma jovem moça que dança na rua. Vestida com poucos trapos de cores demais, ela levanta uma garrafa de vinho barato e dança com sensualidade inadequada à sua idade. Ela, com traços de loucura no rosto, não sabe que por aí andam outros tantos loucos que um dia podem querer fazer-lhe mal. Embora com sorriso no rosto, a loucura não disfarça a solidão que produz dentro dessa menina, que embora dance a música que ouve dentro da mente, não acompanha o ritmo da sociedade que a cerca.

A loucura, mesmo quando não é carnaval, veste suas máscaras e tenta enganar a todos nós. Mas já que não somos loucos, fingimos saber em qual canto ela está.