domingo, 24 de abril de 2011

a vida ao redor.

entre paredes e janelas altas demais
entre as folhas que dançam e o vento que canta
entre mortes e dores e gente que grita
há vida
a vida que há
e que ainda há de vir
a vida que tem aonde não sabemos mirar
a vida que nos rodeia e enche
a vida que nasce de nós

entre o que foi e o que virá
entre o que nasce e o que vai embora
entre o trilho do trem e o horizonte sem curva
a vida que há é assim

curta e linda
longa e dura
longa e curta
linda e sua

a vida que virá será pra sempre assim
ela e eu
tu e mais ninguém

pois a vida que me cabe e não me atira
a vida que eu toco e não se esconde
a vida que permeia entre os dedos e os cabelos e meu suor

é dessa vida que hoje vem que eu reclamo
que não sejamos tão tolos e tão mornos
que saibamos viver sem nos prender
que sigamos nos rumos que quisermos
pois é a vida e nada mais
nem a morte
nem eu,
nem a paz.

é a vida.
é a minha.

e sigo só.