sábado, 24 de dezembro de 2011

a nossa estrela

A nossa estrela de Natal é nossa estrela o ano todo. Ela brilha dentro de nós como a lembrança de seu sorriso. Ela nos mostra o melhor caminho a trilhar, tal qual uma estrela guiou os reis até a manjedoura. A sua presença no Natal, assim como durante todo o ano, nos dá harmonia e serenidade.
A saudade dói? Dói. A saudade sempre dói... mas também nos faz pensar, e nos faz crescer, e nos faz caminhar. Que triste seria se não tivéssemos aprendido com ela sobre o ciclo da vida, sobre a importância de sorrir após as nossas quedas, e sobre seguir adiante, sem desistir.
Aprendemos, e por mais que a ausência física nos traga dor, a presença da sua lembrança nos torna mais unidos.
Somos o que somos hoje por termos tido a doce presença dessa estrela, que hoje nos guia de longe, mas não menos presente.

24 de dezembro: aniversário de Paty, nossa estrela-guia.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Poesia

Começou assim:

Poesia com rima

Dentro de mim.

E depois além da rima,

ganhou estrofes

Ainda por cima!

Um belo dia

A rima falhou

Mas ainda era poesia,

Não se podia duvidar.

Havia métrica e vontade

Só não se tinha mais

Aquela preocupação de rimar.

Se a rima vinha,

Que bom!

Se não vinha,

Quem sabe da próxima vez?

Era poesia sim

Dessas que fazem a cabeça descansar

Dessas que emendam em prosa

Ou em redação

Ou que tentam,

Quase sem querer,

Fazer um belo e curto haikai.

Mas o tempo foi passando

(O tempo da poesia também passa!)

e a vida começou a exigir linhas retas

maior precisão na escrita

menos divação no pensar.

E o diálogo com o eu poético

e as perguntas retóricas soltas no ar

ganharam permissão para um descanso

sem prazo para recomeçar.

E foi nesse descanso,

uma vírgula no meu coração,

que a poesia teve um leve sono,

um belo sonho,

e uma tranquila respiração!

É para sonhar que a gente pede calma,

é para sorrir que a gente se cala.

E de tanto querer,

E de tanto esperar,

Veio ela, assim de repente,

Novamente rimar!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

The birth

The North Wind brings the seed
The Earth receives it and gives it a home
The Water feeds it
And a fiery spark gives it the life flash which will make it into a spirit

I am home to this new spirit. I am its mother.



(poeminha que criei para contar ao 7o ano que estou esperando um bebê)

A gota do oceano

A gota que vem e transforma em mar
o amor que nasceu de um orvalho desavisado
A gota que vem e transforma em chuva
o sonho que escorre nas noites quentes de verão
A gota que vem e derrama em suor
o trabalho daqueles que se dedicam ao mundo
A gota que vem e corre em rio
a transformação dos que vivem para o bem
A gota que vem e volta ao oceano
como a faísca de vida que supera a morte

Somos gotas no oceano
Somos vida que alimenta a Terra.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A lua me emociona.

É como se no fundo de mim, eu ouvisse sua voz.

E na forma de canto ela me dá aquela paz que eu sonhei.

Eu, em oração, agradeço cada mensagem que ela me traz.

Não está escuro. Ela clareia tudo ao redor.

E me faz bem.

E segue em seu destino de mudar, me permitindo as minhas próprias mutações.

Um dia eu quero ser lua.

E vou cantar pra você dormir.

domingo, 30 de outubro de 2011

Acorde-me cedo com beijos, suco de laranja e vontade de ficar.
Pois já basta de tanta saudade, já basta de tanto tempo longe. Hoje quero passar o dia vendo seus olhos. Quero ver-me refletida neste verde seu.
E no mais, se precisar de mais, se isso já não for alimento suficiente para todo o dia, dê-me aquele beijo longo e doce, que me faz sentir que as pernas não me pertencem mais...


domingo, 23 de outubro de 2011

Como se fosse hoje, recobro o sentimento que me acometeu naquele exato momento em que eu, vestida de malas e expectativas, te vi aproximar de mim todo de branco, com um sorriso leve, um olhar curioso e todos os seus sonhos também à frente. Foi naquele momento que pela minha cabeça (hoje eu sei que na verdade atravessava minha alma) passava a seguinte sensação: "nunca mais a minha vida será a mesma". E depois de ser acolhida como uma deusa, recebida com flores e néctar de frutas vermelhas, o som do seu violão e o leve toque das suas mãos pelo meu corpo, percebi que eu começava uma nova vida. Aquela primeira sensação não fora em vão. Não fora, em absoluto, sem sentido. A partir daquele dia e até hoje realmente a minha vida nunca mais voltou a ser a mesma.
Hoje, vendo minha barriga crescer em harmonia com nossos sonhos conjuntos, percebo que, novamente, tenho na alma aquela velha e gostosa sensação de que "nunca mais as nossas vidas serão as mesmas". No plural agora. E, quando penso nessas duas grandes mudanças que me aconteceram, nas voltas que o meu mundo deu, fico procurando a palavra certa (já que gosto tanto de palavras) para descrever o que sinto. E como estou prestes a desistir de tal vocábulo, faço uma última tentativa: Qual o oposto de arrependimento, amor?

Neste caso, sei lá, acho que é gratidão.
Obrigada por entrar na minha vida. E obrigada pelo Pedro também.

sábado, 22 de outubro de 2011

nova entrada.

não é que eu não busque mais a saída, uma saída, para as questões que me apertavam o coração. o que passa hoje é que encontrei uma nova entrada, e isso me faz entender sobre a espera, sobre a paciência e sobre esse tal destino.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

gestação

crescendo em meu ventre
entrelaçando-se a minha alma
fazendo de mim sua casa
regalando leveza divina
iluminando meu rosto em sorriso
lançando centelha de vida

como um musguinho na pedra
dentro de mim o meu Pedro




Ouvindo "Volver a los 17":
"El arco de las alianzas ha penetrado en mi nido

Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena."

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

sobre a solidão, e a falta dela.

Eis que não há mais a solidão, que me abandona sempre que eu me acho. Que deixa de me perturbar quando eu me distraio com as coisas ao meu redor, ou com aquilo que encontro dentro da minha memória, nas lembranças apagadas pelo tempo, na saudade gostosa de um passado nem tão longe assim.

Eis que ela vai embora cada vez que eu chego mais perto do meu centro. Ela me esvazia toda vez que me encho de mim, de meus sonhos e minhas loucuras saudáveis.

Porque certa vez eu me permeti sonhar, e depois disso a solidão percebeu que estava perdendo seu lugar.

É que eu me encontro na casa que construí fora e dentro de mim. Nos tapetes que coloquei para receber a visita doce da alegria. Nas flores que reguei para ver brotar no início da primavera. Na violeta da varanda. Na vida que vejo nos bichos soltos, e que me lembram que eu também não tenho motivo para estar presa. E quando eu me solto, me livro, me lanço, ela sai correndo com medo de mim. Ela, inútil dentro do meu castelo de sonhos ou da minha muralha de força, espanta-se com a rapidez com que eu faço meu mundo. E vai me abandonando, me deixando...

O mais engraçado é que, quanto mais longe ela está de mim, menos eu me sinto só.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O seu padrinho Denis

Meu filho querido,

Quero lhe contar um pouco sobre o seu padrinho, para que você conheça essa pessoa maravilhosa que ele é, o que ele significa para mim, e o quanto tem para nos ensinar e ser um exemplo a você.

O seu padrinho não enxerga com os olhos, porém, vê com o coração todas as maravilhas da vida, valorizando cada uma delas, verbalizando tudo o que percebe e sente de belo no mundo. Ele não vê imagens, mas vê todas as possibilidades que a vida nos oferece para sermos felizes.

Ele não pode mover-se sozinho, precisando do apoio de outra pessoa para caminhar. No entanto, é o verdadeiro apoio para muitos de nós, demontrando-nos sempre que é preciso coragem, determinação e força de vontade para seguirmos o nosso caminho nessa vida tão passageira.

Ele também fala com dificuldades, mas todas as palavras que saem de sua boca são belas e amorosas, ou, caso não sejam, são de muito humor! Ele sabe transmitir alegria a quem quer que seja, apoderando-se de um dom muito especial de transformar dificuldades em capacidade de superação.

Há alguns anos, quando perguntei ao dindo qual era sua música preferida, ele comentou que gostava de uma música da Gal Costa, chamada “brincar de viver”, que eu nem conhecia. Quando eu cheguei em casa e ouvi a música, emocionei-me muito com a letra, pois ela diz assim: “a arte de sorrir, toda vez que o mundo diz não”. E dentre outros vários ensinamentos que ele tem para te passar, filho, esse é um deles: sempre devemos sorrir!

O seu padrinho, quando recebeu o nosso convite de te receber como afilhado, colocou a mão no peito, alinhou sua coluna e disse devagarinho, palavra por palavra para que pudéssemos compreendê-lo:

- Ele será o meu amor!

E nesse momento, meu filho, eu, seu pai e sua avó tivemos nossos olhos cobertos por lágrimas, certos de que havíamos feito a melhor escolha de todas.


Te amo, meu filho querido! E o seu padrinho já te ama também!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

sobre os caminhos, e os obstáculos

Transformaram uma rua pela qual eu sempre passo em contra-mão. Comecei a zangar-me todos os dias por não poder mais passar pelo caminho de costume. Hoje, quando franzi minha testa mais uma vez por lembrar-me que ali eu não poderia passar, vi que havia um belíssimo ipê amarelo - completamente florido - nessa nova rua que eu havia sido obrigada a tomar.

E então eu percebi que, muitas vezes, os obstáculos que são colocados em nossas vidas são para nos levar por um novo caminho, quiçá ainda melhor.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

"welcome to the world"







não há felicidade maior que essa espera, esse tempo que temos para preparar o seu quartinho enquanto você prepara seu próprio corpinho para vir brincar com a gente.



Penso no nosso encontro, em você no meu peito, eu sentindo sua respiração e você novamente em contato com os batimentos do meu coração.



Estou me preparando para receber você.




segunda-feira, 25 de julho de 2011

Diálogo com o medo

Já que me deixaste, me abandonaste, posso continuar meu caminho, traçando o amanhã com meus próprios pés.

Já que não te levo comigo, nem sinto tua sombra pesando em minhas costas, faço o meu destino com a certeza do presente e todas as expectativas do que verei ao longo da trilha.

Já que não deixo mais que tua presença me diga o que fazer, ou que me diga, principalmente, o que não devo fazer, vôo o mais alto dos meus vôos. Vislumbro, por cima dos sentimentos que tive e tenho, o maior e mais belo amor de todos. Amo a tua ausência, pois ela deixa em mim a coragem para entrar num mundo que me é novo e desconhecido, mas que faz parte dos meus sonhos e dos sonhos daquele que é meu companheiro de vida, e que, junto comigo, te deixou para trás para que possamos viver essa experiência.

Porque me abandonaste e por ter te abandonado encontro-me nesse estado de graça.
Estou pronta, agora que não te carrego comigo.
E quando surgires novamente em meu caminho, te enfrentarei. Já serei uma leoa e não serás mais ameaça.


domingo, 26 de junho de 2011

vida longa.

o gato dorme na varanda. as fantasias dançam no teto da mente. a gente gira sem parar. a roda não se desfaz. a menina da rua grita sua dor. a janela se fecha com o vento forte. os pássaros anunciam seu momento de partida. o homem de preto atravessa a rua sorrindo. dentro do peito a saudade do ontem coça. a garça descansa de um dia longo demais. o inverno liberta o orvalho sonolento. as crianças deitam-se mais cedo. o índio veste suas sandálias e vai para a escola. o universo toma seu caminho. as plantas saciam-se e ficam mais verdes. o amigo chora a desilusão. a amiga chora a perda. a vida abre seus olhos naquele pai. o time ganha com muitos pontos de diferença. a indiferença nas ruas cresce. a história é contada segundo um ponto de vista. a gente obedece as regras e leis. o sentimento entre os dois cresce. o amor toma conta de mim. e dele. a gente reza para o nosso deus. escolhemos o nome do sol para nosso filho. engravidamos. e a vida parece continuar para todos, da forma como é.

esperando...

Catharina (7 anos) chega contando às coleguinhas que a professora está grávida.
Olívia, desconfiada, comenta:

- Ah, Cacá, eu acho que ela não está, não! A barriga dela nem está grande!

A Cacá, mais "entendida" do assunto, explica à Olívia que a barriga ainda não aparece porque dentro dela tem apenas uma sementinha.
Olívia, espantada, corre até a professora e pergunta:

- Teacher, você vai ter uma flor?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

divino

Nasceu a Catarina.
E renasceu em mim o sentido de divino, de religiosidade, de amor ao próximo.
Uma menina tão pequenina e dorminhoca que traz tanta luz, tanta harmonia e tanta felicidade para as diversas pessoas "grandes" ao redor dela.
Um bebê e seu poder de nos fazer sorrir. Um bebê e sua potência de nos fazer olhar com bondade a tudo que está em volta.
Nasceu a Catarina.
E renasceu em mim a certeza de que Deus existe.



Minha sobrinha é uma bênção em nossas vidas.

terça-feira, 10 de maio de 2011

ensaio sobre a loucura - entre luz e sombra

A loucura me aparece, vez ou outra, encarnada em homem quase idoso, de pouco cabelo na testa, mas cachos grisalhos atrás do pescoço. Ele caminha todo de negro, guarda-chuva na mão, faça sol ou faça chuva. E ele sorri. Sorri um sorriso sem muitos dentes, mas com a alegria da loucura estampada em um semblante leve, de alguém que não deixou a dor dos tropeços e as amarguras das despedidas embaçar-lhe a vista. Ele caminha devagar, à passos largos e calmos, num ritmo tão gosto feito um frevo pernambucano. E deixa com esse sorriso e esse caminhar um gosto gostoso na boca de quem tem, por casualidade ou observação, a sorte de cruzar com ele na rua.

A loucura me aparece, em tristes outros momentos, em forma de uma jovem moça que dança na rua. Vestida com poucos trapos de cores demais, ela levanta uma garrafa de vinho barato e dança com sensualidade inadequada à sua idade. Ela, com traços de loucura no rosto, não sabe que por aí andam outros tantos loucos que um dia podem querer fazer-lhe mal. Embora com sorriso no rosto, a loucura não disfarça a solidão que produz dentro dessa menina, que embora dance a música que ouve dentro da mente, não acompanha o ritmo da sociedade que a cerca.

A loucura, mesmo quando não é carnaval, veste suas máscaras e tenta enganar a todos nós. Mas já que não somos loucos, fingimos saber em qual canto ela está.

domingo, 24 de abril de 2011

a vida ao redor.

entre paredes e janelas altas demais
entre as folhas que dançam e o vento que canta
entre mortes e dores e gente que grita
há vida
a vida que há
e que ainda há de vir
a vida que tem aonde não sabemos mirar
a vida que nos rodeia e enche
a vida que nasce de nós

entre o que foi e o que virá
entre o que nasce e o que vai embora
entre o trilho do trem e o horizonte sem curva
a vida que há é assim

curta e linda
longa e dura
longa e curta
linda e sua

a vida que virá será pra sempre assim
ela e eu
tu e mais ninguém

pois a vida que me cabe e não me atira
a vida que eu toco e não se esconde
a vida que permeia entre os dedos e os cabelos e meu suor

é dessa vida que hoje vem que eu reclamo
que não sejamos tão tolos e tão mornos
que saibamos viver sem nos prender
que sigamos nos rumos que quisermos
pois é a vida e nada mais
nem a morte
nem eu,
nem a paz.

é a vida.
é a minha.

e sigo só.

terça-feira, 29 de março de 2011

No dia em que a poesia me deixou, nem chuva eu sei se caía do céu. O peso da terra me era tal, que meu pescoço sentia a gravidade e eu carregava a sensação de que meus olhos fitariam o solo eternamente. O eterno de quem sofre é sempre o mais longo. E no dia em que poesia afastou suas rimas de mim, levando consigo a fé dos que sonham e os versos dos românticos, senti-me sem equilíbrio e sem forma. As horas e os minutos do relógio, antes tema para poemas de quem espera o amor, se tornavam chicotes e algemas. Os objetos pareciam mudar de lugar. O abandono cheirava a novo, mas o gosto era amargo como fruta que passou do tempo. E eu, sem poesia e com a ternura longe de mim, sentei-me à espera da morte. Ela não veio, assim como a poesia. E no desespero da solidão, viúva da poesia e não correspondida pela morte, deixei o sofrimento guiar meus passos. Ele me levou a lugares que nunca havia visitado. E em sua companhia descobri coisas que me surpreenderam: as sombras, os morcegos, as cavernas, o esgoto, a rua sem saída, os porões, o escuro, a grama alta demais, as folhas secas no chão. Eu entendi, assim, que nisso tudo também havia vida. Percebi a beleza no que era estranho, no era só, no que ficava calado. E compreendi, enfim, que a poesia não precisaria voltar para mim se eu me dispusesse a buscar ao redor a beleza que eu parecia não mais enxergar. E que poderia até acontecer, talvez, de alguém que sofre muito, ou alguém que caminha por aí olhando ao redor, encontrar, em mim, uma poesia para o seu dia.

terça-feira, 15 de março de 2011

prá começá

Ele me disse:
Me escreve?
Mas não disse
Me escreve, amor!
Será que ele achou
Que eu não deixaria?
Que não responderia?
Ou acharia ousadia?
Então pra responder eu digo:
Escrevo sim, meu bem!
Mas fico de cá na dúvida
Se ele vai me entender
Se ele vai querer
E se vai vir aqui me ver
Que é pra gente enfim começar...

sábado, 12 de março de 2011

"recuerdos de la Alhambra"

No dia em fui árabe
me banhei em leite e rosas
nos jardins da Alhambra

Recebi do rei flores e fontes
e todo o respeito do mundo

Fiz amor com os cabelos soltos
pintei os olhos para atraí-lo
- novamente -
a mim

E ele veio
como sultão de uma única senhora e dona

E eu fui
como senhora e amante
de um único homem

E novamente nos unimos em amor.


Granada - janeiro de 2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

se o que nos resta é viver...

Com tanta rapidez, tanta tragédia "natural", tanta informação aqui e ali, tanto relógio, telas, fios e carregadores, se com tanta coisa ao nosso redor, tanta gente passando sem nos ver, se com tudo o que acontece "naturalmente" e mais tudo o que surge "virtualmente", se ainda assim a gente não resistir e querer viver, por que é, me digam, porque é que estamos aqui?

Eu também acho que tem muita coisa errada. Eu também sinto que é preciso pedir perdão à natureza. Eu também vejo que o tempo além de não parar, também não caminha a passos lentos, nem a um segundo por segundo. Eu sinto que o tempo corre feito trem bala, a milhões de km por hora, atropelando quem não se dá conta. Vira e mexe eu sou atropelada pelo tempo. Eu também me revolto com a má distribuição de renda, com a falta de respeito e de humildade tão característicos na nossa sociedade hoje. Eu também me questiono diariamente o porquê das coisas terem chegado a esse ponto. Também choro ouvindo na rádio sobre as catástrofes no mundo.
Mas eu também resisto. Resisto às dores que me são apresentadas nesse caminho. Resisto e sorrio porque eu sei que o fato de estar aqui, de estar viva, já é suficiente para eu querer viver e querer ser feliz.
Resisto por mim, por aqueles que fazem parte da minha vida, pelos filhos que quero ter.

Resisto por acreditar mais nas coisas boas, nas pessoas boas, e num mundo bom.
Pode até ser que eu seja muito boba. Pode até ser ingenuidade. Mas eu acredito que vale a pena viver.
E eu sou feliz.

sábado, 1 de janeiro de 2011

E foi entao que, depois de muito tentar, eles perceberam que o mais importante que poderiam ensinar nao poderia nunca ser transmito pela fala. Nao era o que falavam o que realmente impotava. O verdadeiro ensinamento era algo bem mais sutil. Vivia este pensamento onde as palavras nao alcançavam, onde apenas a sensibilidade poderia tocar. Eles até entao nao sabiam, mas já ensinavam, assim como o fizeram seus melhores professores. Passavam para frente o que era mais delicado de se passar, o que era mais intransmissível através de palavras. E certamente eram lidos e compreendidos por aqueles que estavam atentos ao que merece a pena estar atento.