domingo, 27 de junho de 2010

A poesia:

Começou assim:
Poesia com rima
dentro de mim.
E depois além da rima,
ganhou estrofes
ainda por cima!
Um belo dia
a rima falhou
mas ainda era poesia,
não se podia duvidar.
Havia métrica e vontade
só não se tinha mais
aquela preocupação de rimar.
Se a rima vinha,
que bom!
Se não vinha,
quem sabe da próxima vez?
Era poesia sim
dessas que fazem a cabeça descansar
ou dessas que emendam em prosa
ou em redação
ou que tentam,
quase sem querer,
fazer um belo e curto haikai.
Mas o tempo foi passando
(O tempo da poesia também passa!)
e a vida começou a exigir linhas retas
maior precisão na escrita
menos divagação no pensar.
E o diálogo com o eu poético
e as perguntas retóricas soltas no ar
ganharam permissão para um descanso
sem prazo para recomeçar.
E foi nesse descanso,
uma vírgula no meu coração,
que a poesia teve um leve sono,
um belo sonho,
e uma tranquila respiração!
É para sonhar que a gente pede calma,
é para sorrir que a gente se cala.
E de tanto querer,
e de tanto esperar,
veio ela, assim de repente,
novamente rimar!