segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Com toda humildade me esforçarei
Para ser amante, verdadeiro, honesto e puro,
De nada possuir que nao tenha carência,
De merecer o salário do meu trabalho,
De ser eternamente vigilante
naquilo que bebo e como,
De ser intrépido sempre,
De respeitar as outras religioes tanto quanto a minha,
E de procurar ver sempre o bem no meu próximo,
(...)
Gandhi

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

24/12

Feliz é saber que nao importa o tempo que passe, o seu sorriso sempre virá à nossa mente.
Feliz aniversário, irma minha.
Feliz somos nós que pudemos conhecê-la, acompanhar a sua luta, e aprender com sua alegria.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

as polaridades de nós dois.

Quando fui rio, e você mar
me lancei em seus braços sem olhar para trás
quando fui chuva, e você sol
derramei no céu as sete cores do meu prazer
quando fui terra, e você pássaro
brotei em mim a flor de um desejo que não se desfaz
quando fui árvore, e você luz
deixei nascer a sombra que acalmaria os agitados
quando fui verão, e você inverno
renasci em solstício para viver de novo esse amor
quando fui eu, e você você
lhe dei meu coração, meus sonhos e a vontade de continuar

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

silêncio.

Hoje, uma taça de vinho e um brinde aos sonhos daqueles que tem coragem. Porque o silêncio é, grande parte das vezes, sinônimo de respeito. Silêncio para não dizer o que incomoda o ego. Silêncio para evitar palavras de agressividade e falta de compaixão. Hoje, brindo sozinha a felicidade que terão aquelas pessoas que no presente sofrem com um não. Brindo a dor delas que serve, agora, como stepping stones para um futuro com harmonia e sorrisos. Eu, calada e na minha própria dor, levanto a minha taça àqueles que enxergam o pequeno que são, e que não lutam para mostrar sua fortaleza. A força está em saber silenciar, também. E isso não quer dizer omissão. Não quer dizer falta de coragem. Não quer dizer que não há nada o que dizer. Eu faço um brinde ao silêncio, pois nele está a sabedoria de quem tem humildade. Na falta de grito mora a maior manifestação de contrariedade. É nessa não-violência, nessa não-palavra, que reside a verdade.
Calada, só e com essa taça, deixo a noite chegar e o sono bater. Hoje, as minhas palavras não serão ditas. A minha verdade se tornará sonho. E me entenderão aqueles que sabem ouvir o coração.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

bem-querer

vem, prenda minha.
faz carinho nos cabelos meus.
fala baixinho no ouvido.
ri pra eu saber que está feliz...

vem, carinho meu.
senta ao lado do seu benzim.
escuta a canção que inventei procê.
me beija pra eu saber que é pra sempre...

vem?

sábado, 27 de novembro de 2010

3 irmãs.


E 2 anos sem um terço de mim.
E foi então que queimei em febre toda a minha dor e toda a minha raiva. Deixei que virasse calor, e depois suor. Expulsei de mim cada uma de minhas culpas, cada uma de minhas dores, cada raiva que já senti. Mas a saudade, no entanto, foi a única que ficou. E parece que se acomoda cada vez mais fundo no peito, faz seu espaço como gato que se aninha no colo do dono. E ela fica aqui. E tem dia que me arranha, me arranca lágrima, me faz sentir que o tempo não passou. Se não fosse o calendário, tão exato, tão real, mal acreditaria que já se passaram dois anos. Parece que por toda a minha vida essa saudade vai morar aqui. Saudade que tem nome. Saudade que não sai com a febre. Saudade que não sai de mim.

sábado, 6 de novembro de 2010

ainda bem...

o copo está vazio. e eu, cheia de expectativas e boas novas, admiro o cristal e todas as possibilidades de cores que nele refletem.

o copo está cheio. e eu, animada e sedenta, tomo toda aquela energia de uma golada só.

o copo está pela metade. e eu, feliz e decidida, agradeço ao santo que já tomou a sua parte e me delicio com a minha.





"a vida não é de brincadeira, irmão. é uma só."

terça-feira, 2 de novembro de 2010

feriado temático

O nosso amor é mediterrâneo, embora não fale francês.

- Oh... mon amour, je suis fatigué.
- Oh... je ne suis pas fatigué. Je suis empolgué.

a morte

E foi então que ela disse que não havia uma casa, uma família sequer, que ela ainda não havia pousado a sua mão. Que todos, mais cedo ou mais tarde, receberiam a sua visita.


(relato sobre a peça 'As centenárias' - comédia. Comédia?)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

arte

"não aprecie a arte com seus sentimentos" - ele me falou.
E também disse que demorou a digerir. E eu fico do lado de cá, bem longe de lá - é certo, pensando no que se deveria sentir sobre essa frase.
- Você me faz pensar. Foi o que pude responder.
Se isso que ele disse é arte, eu não senti. Eu pensei. E talvez isso valerá como resposta. Caso contrário, silencio. E isso também responde, não é?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

com ou sem atenção, fácil e ligeiro, chegue de pertinho e pergunte:
tem alguém aí?
pode acontecer que ele responda que sim. caso assim for, entre de mala e cuia. sem fazer perguntas.
mas pode acontecer que ele responda que não. neste caso, ele mente. entre assim mesmo. mas leve seu próprio colchão.
e ainda há uma terceira opção. ou você é desses que se contentam com só duas? e a terceira opção é a seguinte: ele não responde, o que quer dizer, à princípio, que não está. neste caso, espere na porta. melhor se tiver uma taça, uma garrafa e muita paciência. quando ele sai, não tem hora prá voltar.
boa sorte!

sábado, 16 de outubro de 2010

quando a raiva toma conta...

Não venham me obrigar a aceitar, feito remédio jogado "guela abaixo", toda a hipocrisia e a insensatez de seus mundos. Não queiram que eu participe dessas reuniões vagas, em que toda a bebida do mundo é pouco para a loucura que querem disfarçar. Não sou assim, não faço mais parte. Não sou audiência para esse mundo cheio de recreio, cheio de vazio, cheio de nada mais por que desejar. Eu sou humana, vê!? Não máquina feita em Body Factory. Adoro flores. Mas não me joguem os espinhos de suas ausências. Não são pérolas. Não são alimento para alma de quem tem alma pra dar. Eu digo não e isso me faz bem. Eu digo não e peço que o façam também. Eu desligo, desconecto, torno-me off. Off de tanta dor sendo entitulada "entretenimento". Prá lá os que querem fazer de meu sono uma sala de espera. Desligo as televisões. Apago os celulares. Esvazio os copos. Escuto minha própria voz. Danço com minha própria solidão. Vejo o meu corpo desnudo. Entendo a fragilidade da minha mente. Cuido dessa mente. Sou mais feliz. Luto pela liberdade de não aceitar toda e qualquer informação que chega, que atropela, que é despejada.



O resto é resto. O resto é vida.


"La flor de la noche, pá quien la merece"

CREDO MUTWA : BEFORE MY EYES CLOSE IN DEATH

'ensaio sobre a cegueira'

Hoje eu enxerguei um pouco o mundo dos cegos.
Eu vi, sem ver, a beleza de se ter um amigo.
Eu vi, sem ver, o sorriso na pele daqueles que me rodiavam cheios de fraternidade.
Eu, normal e cego, soube bem o que vi com as mãos, os ouvidos e o coração.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

dia dos professores


Ensinar é, 100% das vezes, aprender.
Feliz dia dos professores a todos os meus alunos! :)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Não me incomoda o silêncio. A falta de som não é falta de vida. Não me deixa em solidão a companhia de meus pensamentos. O pouco barulho me conforta, me permite ouvir o que bate aqui dentro. A nuvem lá em cima já não me tira a expectativa de sol. Há sol do lado de cá também. A minha música, hoje, é o som do tempo.
tá chovendo hamburguer.
e isso é nome de filme. Ai, meu Deus!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

"This rose will never die"

So tell me, my lady, what happens then?
What shall I expect to see after this long night of sleep of yours?

Should I wait a little longer for your eyes to open?
Should I try not to give up and still hope your white face won't be so pale by sunrise?
Should I not grieve when not listening to your heartbeats?
Should I wait 'till tomorrow, lady of mine?



(listening to Lady D’arbanville - Cat Stevens
thinking of my dear sister)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

a decepção

Silenciosa, como a sombra que acompanha o entardecer
Pálida e fria, feito a morte
Lenta, porém em movimento contínuo, sem parar
Direta, objetiva, quase-física
E não tem como parar de sentir, a não ser que o tempo volte atrás, ou que o futuro chegue mais rápido, trazendo a compreensão

De um sentimento assim, aprende-se

domingo, 3 de outubro de 2010

alimento

De repente a gente percebe que o verdadeiro alimento é aquele que ganhamos quando estamos em jejum.

sábado, 2 de outubro de 2010





o que reflete, é vida.
o que se vê, irrreal.
o que se sente, matéria.
o que penetra, espiritual.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ninhos de saudade

O peito da gente, às vezes, parece um ninho de saudade. Fica um lugar quentinho, um conforto estranho, uma calma que não sei se é bem o que a gente quer, um momento que dá vontade de abraçar as pernas e choramingar.
O coração da gente, às vezes, parece um ninho de saudade. Um ninho onde a gente recorda tudo o que viveu, as pessoas que amou e perdeu, a vida que levou. Fica uma vontade esquisita de apagar a luz e sentir apenas o friozinho das lágrimas que descem em ritmo lento.
Dentro da gente, às vezes, parece haver um ninho de saudade. E o pior é que neste ninho moram várias lembranças. Saudade tem plural? Porque neste ninho aqui tem várias...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

à espera do sim.

Lembra daquele beijo que eu te dei? Lembra do sono que perdi e que você perdeu? Sabe da música que eu não pude cantar? E do colo macio que não pude dar? Você entende quando eu digo que não posso? Você sorri quando eu peço que não vá? Você sabe da missa mais que a metade? E se surpreende quando eu falo aquelas mesmas palavras de ontem? Acredita nos meus sonhos? Compartilha os mesmos medos que eu? Segura na minha mão bem firme quando preciso de você? E faz carinho no meu cabelo quando a menina em mim chora baixinho? Você sorri quando danço de olhos fechados? Arranca minha dor quando a saudade parece me matar? Faz do meu corpo parte inseparável do seu? E estuda comigo as palavras novas que eu quero falar? Entende a minha necessidade de cura? Faz comigo a oração da manhã? Dorme colado em mim? Acorda-me com beijos? Sussega-me a ansiedade? Faz-me uma filha? Vive ao meu lado até que eu feche os meus olhos e não os abra mais?

o grito silencioso de vênus

A força
O Não
O grito
A Luta
O obstáculo
A espada
O estouro
A firmeza
O vermelho
A determinação
Os pés bem fincados no chão
Micael.
Marte em mim.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ZZZZ não é barulho de quem está dormindo. É barulho de mosquito que não deixa a gente dormir!

AHHHHHHHH!


Dedico ao melhor caça-pernilongos e companheiro desse mundo!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Primavera

As águas riem como raparigas
À sombra verde-azul das samambaias!

Mario Quintana

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

follow me.
and hear what I hear when I see what I see.
follow me.
and feel what I feel when I get what I get.
and that's all for you.
and that's what I've been trying to say.
follow me.
to find out who you can be, when you see what I've done.
follow me.
and trust me.
this is the feeling I've been telling you about.
this is all about you and me.
this is all about love.

domingo, 19 de setembro de 2010

meta.

A poesia vem.
Mas tem dia que não vem.
E tudo bem.

A poesia sim.
Mas tem dia que não.
E tudo tem.

A poesia faz.
Mas tem dia que descansa.
E eu também.

A poesia trasnborda.
Mas tem dia que se comporta.
E tudo zen.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

namoro aos 10 anos.

- Mãe, quero pedir a Catarina para namorar. Mas se ela aceitar, o que eu faço então?

domingo, 12 de setembro de 2010

Gitano.


A vida...

“- A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais. A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama. Pisca e anda. Pisca e brinca. Pisca e estuda. Pisca e ama. Pisca e cria filhos. Pisca e geme os reumatismos. Por fim, pisca pela última vez e morre.

- E depois que morre – perguntou o Visconde.

- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”


(Monteiro Lobato, 1936)

sábado, 11 de setembro de 2010

11 de setembro

Porque a gente brinca até de transformar datas tristes em lembranças maravilhosas...

2 anos casadinhos! Eba!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"El trabajo es amor hecho presencia".
Gibrán Jalil Gibrán

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Waldorf

- Gente, aquele não é o carro da mãe da Cacá?
- Não! Parece com o carro dela, mas esse é de outra raça...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

o amor.

cuidadoso, de mansinho, com fala leve e bem direto.
chega ele, cauteloso, feito barco em rio lento.
vem prá perto, bem pertinho,
faz seu canto, cria um ninho.
entrelaça, costura e traça,
aqui dentro, o seu caminho.
lá vem ele, tão suave,
construir o seu cantinho
bem no centro, no meu peito
já faz ele o seu bercinho.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

entre 4 paredes...

- Amôor, fala que você é meio chip chip?
- Que história é essa de chip chip?
- Por favorzinho, fala!
- Eu não! Que história é essa? Ficou doida?
- Amôor, só vou ficar calada se você falar que é meu chip chip.
- Eu sou seu chip chip. Boa noite.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

fonte. forte.
sê calmo.
cê vem.
um canto.
teu sonho.
meu pranto.
sê alma.
cê tem.
fonte. forte.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

a força

não tá do lado de fora.
não tá no cabelo, Sanção!
não tá no livro auto-ajuda.
nem no mar,nem no chão.

não tá no que a gente vê.
mas tá no que a gente sente.
tá onde o calor faz ninho.
tá no abraço mais quente.
não tá no trevo e nas folhas
nem tá no pé de coelho
tá na alma de quem precisa
tá dentro do espelho.
tá no meio da gente: no centro.
não tá longe de alcançar.
não tá fora nem longe:tá dentro.
é só a gente buscar.






(porque não tem cabelo caindo, nem morte chegando, que tira de quem tem coragem a força de viver)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Metapoesia

Desfeita
a poesia nasce
Satisfeita
junto as peças
Perfeita
sem rima nem nada
Enfeita
os livros e estantes
Direita
sem cometer abusos
Estreita
laços e relações
Sujeita
a alguma alteração
Suspeita
a poesia e sua meta
Bem feita
pronto e acabou.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Histórias do Pedrinho 1

A mamãe, carinhosamente, coloca o Pedrinho, que já está bem sonolento, para dormir:
A mamãe diz:
- Boa noite, meu príncipe!
E Pedrinho responde:
- Boa noite, piscina!

(Pedrinho tem 4 anos, olhos bem negros e o abraço mais apertado do mundo)

domingo, 15 de agosto de 2010

Clube da esquina

Eu quero morar com você. Sopre o vento que for, passe o trem das cinco ou das seis, não me importa qual vestido vou usar nem o tom dos seus cabelos. Quero morar com você, na mesma rua, na mesma vida, no mesmo tempo. Quero morar com você e não me vale apenas um dia, uma hora, ou tempo pouco qualquer. Quero a vida toda, essa e outras, e quanto mais você quiser. O meu pensamento tem a cor dos seus olhos. O meu girassol tem a cor dessa manhã. Hoje é domingo, e quero morar com você.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

vai, saudade
rainha que mora em mim
vai pra longe, vai?
me deixa!
poesia mais sem graça, você.
vai, saudade
que arranha e arrasa
ô, saudade ruim!
saudade do que não tem volta
e me dá voltas,
e pesa,
e me deixa assim.
vai, saudade
deixa de morar aqui
faz casa em outro canto
traz ela de volta pra mim!


(para Paty)

domingo, 27 de junho de 2010

A poesia:

Começou assim:
Poesia com rima
dentro de mim.
E depois além da rima,
ganhou estrofes
ainda por cima!
Um belo dia
a rima falhou
mas ainda era poesia,
não se podia duvidar.
Havia métrica e vontade
só não se tinha mais
aquela preocupação de rimar.
Se a rima vinha,
que bom!
Se não vinha,
quem sabe da próxima vez?
Era poesia sim
dessas que fazem a cabeça descansar
ou dessas que emendam em prosa
ou em redação
ou que tentam,
quase sem querer,
fazer um belo e curto haikai.
Mas o tempo foi passando
(O tempo da poesia também passa!)
e a vida começou a exigir linhas retas
maior precisão na escrita
menos divagação no pensar.
E o diálogo com o eu poético
e as perguntas retóricas soltas no ar
ganharam permissão para um descanso
sem prazo para recomeçar.
E foi nesse descanso,
uma vírgula no meu coração,
que a poesia teve um leve sono,
um belo sonho,
e uma tranquila respiração!
É para sonhar que a gente pede calma,
é para sorrir que a gente se cala.
E de tanto querer,
e de tanto esperar,
veio ela, assim de repente,
novamente rimar!

terça-feira, 25 de maio de 2010

já fazia tanto tempo que ela parecia se esquecer sobre isso de pontuação. a gente pontua, às vezes, que é para insistir que o tempo é controlável. não parava para respirar, como antes, porque agora a própria natureza a ajudava. ela é parte e possui o todo. e não chora mais pelas dores de antigamente. nem teme o futuro tão pouco previsível. o momento é de colocar um pé no chão e o outro na lua. e ela entra nesse universo de que sempre fez parte mas nunca compreendia. compreensão, aliás, é coisa que fica pra depois. depois do sentir. só antes do fazer, já que enfim a danada aprendeu que às vezes é melhor fazer depois de já haver calculado (mais com o coração que com a lógica) o que é o melhor naquele momento. momento. momento de calar. momento de voltar a falar. momento de escrever. e a vida e a morte não são mais opostos. são ciclos. e o viver não fica tão pavoroso, nem simples, nem demasiado vulgar.
seguimos. hoje é terça e a força do falar deve vir mais forte, mais imponente. o que você está fazendo?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

estações

Existe a estação em que o sol vibra com tamanha força que a madrugada se vê obrigada a chorar de amor. Ela chora em uma tempestade tamanha que ninguém acredita que o sol brilhará no dia seguinte. E ele volta, e brilha, e se mostra maior que qualquer dor.

Existe a estação em que as folhas caem, uma a uma, forrando a grama de tons marrons, vermelhos e amarelos um pouco desbotados. E cobre a vida da gente de uma nostalgia bonita, tom de saudade, sabor de sempre-vou-querer-mais.

Existe a estação das meias nos pés, cobertor de orelha e um bom chocolate quente para proteção. Um frio na barriga, na espinha e um arrepio em toda a pele. É a estação do abraço, das mãos dadas, do cafuné ao lado da lareira.

Exite a estação das flores, belas e vivas, cor de rosa choque ou laranja. E é a estação da beleza, do nascimento, da saudação à vida natural. E a gente acorda com a revoada das maritacas, descobre ninho de andorinha em cima do telhado e planeja um futuro com a garra de uma leoa.

Mas também existe a estação do silêncio, que pode chegar em qualquer momento do ano, que não começa em dia 21 e nem tem hora para acabar. E é nessa estação que eu entro agora. Em silêncio, o que não quer dizer solidão, viverei minhas horas e dias enquanto for necessário. E serei feliz como agora sou. E sentirei as minhas saudades e dores como agora sinto. Mas não as escreverei aqui. Àqueles que realmente se importam com o que eu chamo de poesia, aviso: há e haverá sempre poesia na minha vida. E os convido para um chá e um bom papo, onde os contarei por onde anda minha inspiração. Àqueles que se importam menos, desejo paz. E que o meu silêncio os ajude a silenciar também.

Eu entro nessa estação para me cuidar.

Obrigada. E até quando a estação mudar...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

cotidiano

Acordar cedo com beijinhos
ver a neblima cubrir as montanhas
sentir o cheiro do carinho
acreditar em mais um dia

lavar a louça como quem lava a alma
cuidar da casa cantarolando
ler com a brisa no rosto
cozinhar e comer brincando

há quem diga,
há quem escreva,
que isso não é poesia
é só coisa do dia-a-dia

mas tem coisa mais linda, meu Deus
que viver cada momento
que sentir cada segundo
como um verso de um poema?

domingo, 10 de janeiro de 2010

2010!

"Este é o ano de brilhar"

E se falou minha irmã-lua, por que eu iria contestar?

Prá começar, um ano realmente novo.
Trabalho novo, casa nova, o mesmo amor que é sempre novo.
Vida cheia de surpresas, ganhos e perdas, e muita vontade de continuar.
Um carrossel, hoje em dia, se compararmos às montanhas russas que já foram plano de fundo de tantos anos atrás.
Uma saudade tatuada, um amor cotidiano, uma alegria pelas pequenas e grandes coisas que me acontecem.
A sorte de estar no lugar certo na hora certa. O "oops-esqueci em casa" que nos faz perder algum tempo mas não o sorriso na cara. Os momentos de mau humor porque puxa vida!, eu sou de carne e osso, né!?
E por essas e outras e mais tantas o ano vai começando no seu caminhar (ou correr). E em fevereiro não tem só carnaval. Tem mais um monte de novidades que no Brasil só podem mesmo começar em fevereiro, porque tem carnaval!
Eu espero, ansiosa e feliz, por mais um ano de aprendizado, mas também por um ano de brilhar. Né?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

viajar

Sempre preferi passaporte à carteira de identidade.
Visto à carteira de motorista.
Frio na barriga à minha tão planejada agenda.
Hoje, numa noite mal dormida mas bem curtida, releio meu primeiro ano de blog, revisitando a Espanha através dele. E depois leio o blog da Ana, cheio de histórias sobre ser uma forasteira na Irlanda. E agora, pouco antes de eu decidir que é melhor sair e tentar dormir, recebo um email da Pri contando suas primeiras impressões da Austrália. É isso. Eu amo viajar. Seja pra onde for, seja de avião, carro ou pensamento, eu amo viajar! E só de ouvir alguém falar sobre o novo, sobre as descobertas, sobre sua visão da arte, cultura e jeito do povo do lugar, eu me sinto viajando novamente. Eu me sinto estrangeira junto com a pessoa. E me sinto com asas abertas, pronta para mais um vôo.
Na verdade, só de conviver com meu bem já me sinto em outro lugar. Aqueles olhos verdes, aquele sotaque gostoso... Ao voltar ao Brasil em sua companhia foi como se eu tivesse trazendo um pouco da Espanha comigo. O melhor da Espanha, eu diria!
E passar uma lua de mel em João Pessoa já é uma viagem internacional pra gente. Ver a carinha dele no mercado central de lá, ou comendo tapioca na lanchonete... Isso também é viajar!
Eu gosto tanto deste sentimento do novo que tenho fascínio por aprender outros idiomas, outras formas de me comunicar com quem é de fora. E ser de fora pra mim me dá uma sensação de coragem! Recebo com tapete vermelho quem vem nos visitar. Respeito e admiro quem decide ir para outro lugar. Acredito num mundo melhor, o mundo do futuro, em que não haverá limites entre países ("Imagine there's no countries") e as pessoas poderão viver onde queiram, onde se sintam bem.
Embora agora eu tenha ninho, não vou parar de voar. A diferença é que agora eu não vôo sozinha. E agora sei bem pra onde voltar!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

pra começar 2010 ...

No te Rindas
Mario Benedetti

No te rindas, aún estás a tiempo
De alcanzar y comenzar de nuevo,
Aceptar tus sombras,
Enterrar tus miedos,
Liberar el lastre,
Retomar el vuelo.

No te rindas que la vida es eso,
Continuar el viaje,
Perseguir tus sueños,
Destrabar el tiempo,
Correr los escombros,
Y destapar el cielo.

No te rindas, por favor no cedas,
Aunque el frío queme,
Aunque el miedo muerda,
Aunque el sol se esconda,
Y se calle el viento,
Aún hay fuego en tu alma
Aún hay vida en tus sueños.

Porque la vida es tuya y tuyo también el deseo
Porque lo has querido y porque te quiero
Porque existe el vino y el amor, es cierto.
Porque no hay heridas que no cure el tiempo.

Abrir las puertas,
Quitar los cerrojos,
Abandonar las murallas que te protegieron,
Vivir la vida y aceptar el reto,
Recuperar la risa,
Ensayar un canto,
Bajar la guardia y extender las manos
Desplegar las alas
E intentar de nuevo,
Celebrar la vida y retomar los cielos.

No te rindas, por favor no cedas,
Aunque el frío queme,
Aunque el miedo muerda,
Aunque el sol se ponga y se calle el viento,
Aún hay fuego en tu alma,
Aún hay vida en tus sueños
Porque cada día es un comienzo nuevo,
Porque esta es la hora y el mejor momento.
Porque no estás solo, porque yo te quiero.

(texto enviado por minha amiga Pilar, de quem eu sinto muita saudade - te echo mucho de menos, amiga!)