quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

tá chovendo, é!?
nem vi.
aqui dentro tá um sol e tanto...

sábado, 28 de novembro de 2009

eu reinava o mundo
e no meu castelo de areia eu era a rainha, a princesa e o soldado protetor .
eu sentia o cheiro da chuva
e na primavera buscava arco-íris no poço azul .
eu girava sem parar, acreditando que a verdade estava ao meu redor
e sentindo com emoção o frio na barriga de viver em ciranda .
eu sentia medo de sapos, escuro e monstros de terror
mas era protegida por sonhos belos, maiores e mais frequentes .
eu escutava a revoada de maritacas
e sabia que estava tudo bem .
mas, por algum motivo que não sei explicar ,
os sonhos bons de lá continuam sendo os sonhos bons de agora .
e a vida, em sua magia de transição, me ajuda e recordar o passado
e a programar um futuro colorido, aberto às adaptações sempre necessárias .
mas os sonhos, repito, são os mesmos ,
os mesmos de quando eu dominava o mundo .


(escutando viva la vida, graças às lindezas do nono ano da Pólen)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

e é com o seu sorriso que me valho
quando a saudade aperta no coração.
é na lembrança do seu sorriso
da sua gargalhada
do brilho desses olhos seus.
e assim a vida acalma
a dor da perda dá lugar à saudade
e eu tento, pouco a pouco,
compreender o que não se compreende.
e eu tento, com o tempo,
acreditar que um dia te abraço outra vez.

um ano sem você.
nenhum dia sem você.

domingo, 22 de novembro de 2009

desmanchar

e foi na varanda da vida que a senti passar.
sentada sob o sol, vendo a luz, vendo a terra girar.
e de repente, assim, tão de repente,
os longos cabelos brancos começaram a pesar em cima dos meus ombros.
eu fiquei quieta. parada. tentando entender o que fazer.
mas era tarde para correr demais, os joelhos já não permitiriam.
e soube, então,
que o tempo, outrora amigo, havia passado para mim.
eu era velha e precisaria de cuidados. cuidados para fazer o que antes fazia sem sentir.
o interessante é que o vento tomou o lugar do tempo, e era ele agora que me curava as dores, me aliviava os sentimenos ruins e me ajudava a decidir sobre o amanhã.
não mais o tempo, só o vento.
e assim eu pude morrer.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

oração de hoje.

Que eu possa...
... contemplar mais beleza
e menos insatisfação.
... ter mais bem feitorias
que bens materiais.
... inspirar mais amizades
e menos desunião.
Amém.
(noite de insônia? oração.)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

a ti.

alma rara
que não separa
que me ampara

que nunca falta
que me ajuda e salta
que me exalta

que me mora
e me namora
e se aprimora

que nunca esquece
que enobrece
que aparece

alma tua
nua
crua

que eu amo
que eu cuido
sem mais rimar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

feliz aniversário, amiga minha!

Quero escrever aqui,
pra essa menina linda,
que de aluna
ela virou amiga.
Amiga que acompanha
que ri e abraça
que faz piada
e sempre com muita graça.
Amiga que me lembro,
e que torço pro seu bem.
E fico aqui pedindo,
que ela sempre esteja zen.
Amiga querida,
de longas datas,
feliz aniversário!!! :)


(pra Franguinha mais linda do mundo!)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

choro.

"É tão estranho, os bons morrem jovens"

E vai fazer um ano. E eu aqui, pensando em você, querendo escrever pra você, embora eu saiba que dessa vez você não vai responder.
É estranho, irmã, parece que foi ontem que a gente dormia uma ao lado da outra. Você sempre mais cedo que eu, pra acordar mais cedo também e fazer seu ritual de beleza antes de sair. Eu reclamava do barulho do secador, e você da luz acesa à noite, quando eu insistia em ler até mais tarde.
Parece ontem, sabe?! Assim como parece mentira que um telefonema mude tanto o rumo da minha vida. Que um telefonema intuitivo que faço pra mãe, numa noite qualquer, me faz receber a notícia que eu nunca achei que receberia. E tempo depois, eu de volta ao Brasil, abraçando você enquanto você dormia, rezando pra que você não sentisse mais nenhuma dor.
Ai, eu sei. Não tenho nada que lembrar de dor. Eu tenho é que pensar que sua companhia valeu mais que qualquer sofrimento que eu tenha vivido com a sua partida. E assim é, irmã. Você é a lembrança mais bela, o sorriso no rosto triste de quem lembra de você.
A dor não passa. Não passa. Mas a sabedoria vai chegando aos poucos. Eu sou a caçula e isso faz com que demore mais.
O Antonio toma conta de mim. Ele me abraça quando dói forte. Eu choro, ele me dá colo.
Eu penso em você e fico com saudade.
Te amo, espanhola.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

sobre sonhos.

Dois blogs amigos fizeram a brincadeira do sonhar. Eba, né!? E aqui vão alguns sonhos meus...
(a ordem dos fatores nem altera o resultado!)

1- Fazer da nossa casa um lar aconchegante, com uma bela horta e flores no jardim.
2- Terminar o curso de antroposofia.
3- Ser mãe. Uma mãe linda, feito a minha.
4- Aprender a cozinhar mais comidinhas, coisinhas bem gostosas pra fazer pro bem e pra quem vier nos visitar.
5- Dar aulas ótimas, animadas, com muito "input" pra eles, e muito aprendizado pra mim, que como professora sei bem como aprender com os alunos.
6- Conseguir administrar melhor o tempo, de forma a descansar o quanto é necessário e dar mais beijinhos no bem.
7- Dançar. Dançar muito. Fazer aulas de dança pelo menos duas vezes por semana.
8- Ensinar o bem a dançar forró. Ele quer e eu vou adorar!
9- Conseguir viver com o salário de professora. :) Com simplicidade mas também com o luxo de ir no restaurante indiano vez ou outra!
10- Ser uma amiga mais presente.
11- Estar com minha família sempre. Ser para eles o presente que eles são para mim.
12- Ensinar o que aprendi com Paty, sobre amor, sorrisos e luta.
13- Fazer parte de uma ONG verdadeiramente bacana, buscando ajudar àqueles que sofrem de câncer ou que amam alguém que luta contra alguma doença do corpo ou da alma.
14- Poder sonhar sempre e ter força de vontade pra correr atrás de cada sonho.
15- Viver com meu benzinho toda nossa vida, e fazer a passagem de mãos dadas a ele, já quando eu estiver bem velhinha...
16- Nunca me esquecer de agradecer.


Engraçado... e não é que brincar de sonhos faz chorar?

terça-feira, 10 de novembro de 2009

forma de dizer a verdade:
sorrir
forma de rever o passado:
dormir
forma de saber o que há:
sentir
forma de tentar entender:
se calar
forma de seguir em frente:
perdoar
forma de viver melhor:
amar... ... ...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Não falta poesia no mundo.
Sou eu que ando revendo as poesias do passado, limpando a vista que embaça, e segurando o choro.

domingo, 8 de novembro de 2009

estrela fugaz

Primeira estrela que vejo,
Realize meu desejo.

Mas porque já foi tão rápido?Será que em tão breve passagem,
Você teve tempo de me ouvir?

domingo, 25 de outubro de 2009

Pra lá de Bagdá, amiga, pode ser que nem haja paz. E isso fere o coração de qualquer ser humano verdadeiramente humano. Mas fato é que temos que agir agora, no mundo, no nosso mundo, caso esteja entre os nossos planos ver as mudanças acontecerem. Não digo isso a toa, veja bem. Eu quero que você seja feliz, e quero que encontremos a paz. Mas eu sei que muito há lá fora que não bate com o que a gente sente. E também sei que os nossos gritos muitas vezes não são ouvidos. Mas sugiro, com coração e fé, que a gente não se canse da batalha. Estranho chamar de batalha o que desejamos que seja tranqüilidade, mas fazer o quê, né!? Começarei hoje mesmo, insisto que você tente também. Mude o que for possível para tentar fazer com que o impossível surja ao nosso redor. Confio nesse poder.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Não há espera.
Não há demora.
Não há saídas.
Não há segurança.
É só o tempo.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Quer dançar, amor?

Ele sorriu com aquela carinha de menino que eu amo.
E eu via ele me olhar de rabo de olho, ensaiando passos na sua cabeça.
Formamos um par.
E de tão juntinhos, de tão grudadinhos, a gente aprende a dançar.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sempre viva.

bem mais que flor, sim.
algo que nasce da terra
alimenta-se de água
e se volta ao cosmos.
o que decora a paisagem
inspira poesia e música
e retoma à simplicidade.
do que vai do agora ao amanhã
sem pensar, ou sonhar, ou querer.
do que vem do passado ao hoje:
o sentir e o viver.
de flor e mato
de sol e tato
de vida e cheiro:
sempre viva.

"Morte é o que separa."
O que te leva de mim -
e ganha o universo
é o que te recebe em energia
e que te acolhe em seus braços.
Em mim fica a saudade
e a vontade de te ver.
De não saber onde está,
eu sinto.
Não há mistério maior que a vida
a não ser a morte.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

casa

Escrevo desde um lugar onde nunca faz muito frio e onde o sol não faz mal a ninguém. Aqui não existe sede nem fome, mas nem fartura que faz comida estragar. É um lugar onde a alegria é grande, e a tristeza faz passagens para que a gente compreenda melhor o sentido do tempo. E é bastante grande, cabe a beleza e a feiúra, cabe o alto e o baixo, a segunda, o sábado e o domingo. Tem dias que chove também. E outros que o arco-íris faz aparições extraordinárias na ponta da mangueira. É simples e cheio de vida. Vida é o que não falta. E há mortes também, o que não deixa de ser vida. Tem gostos, sabores, cheiros e cores – de todos os tipos, para todos os tipos. Moro num lugar onde faz bem a gente ser bom. Onde é recompensado cada sorriso que se dá. E a maior punição para o mau humor é a perda de tempo de agradecimento. Moro onde moram as cigarras barulhentas e as silenciosas borboletas. Onde o Martim pescador é o rei e o leão é o fundo de tela. Num lugar em que sonhar acordado é conceber a realidade tal qual ela é, mas vista com olhos de amor. E onde os momentos de silêncio são convites à oração.

Moro dentro de mim. No fundo do coração de quem me ama. Num país de beleza natural. Num planeta azul. Num universo que precisa de mais amor.

sábado, 3 de outubro de 2009

a um amigo...

Eu já havia aprendido que para o amor não existe distância.
E para isso foi preciso estar longe.
Eu agora aprendi que para o amor não existe tempo.
E para isso foi preciso ter poucas horas em sua companhia...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

os livros.

eu o lançarei da janela caso sua página não me conte a história que quero ouvir.
e ai dele se não tiver o fim tão esperado, tão desejado, tão sonhado (por mim).
pois quem o escreveu não sabia das minhas expectativas? ai dele. ai de mim.
e eu fumarei cada folha caso não haja incêndio de paixões em suas letras.
eu sou a aposta. ele, o prêmio.
e quero que suas folhas recebam números ímpares. a vida não é simétrica, irmão.
vale ler, aprender a recitar, e usar cada segundo de seu convívio para imaginar o que as palavras não disseram.
sou a rainha do castelo, a dona do dragão que solta fogo para explodir o mau.
eu quero o prólogo. quero o autógrafo. quero a nota do autor.
e se me faço de rogada é para não ficar em silêncio quando o assombro me devora o estômago.
por que você escreveu assim?
por que o matou antes de mim?
e fico na estória como se ela fosse minha.
eu, sempre a boazinha da estação.
e no momento em que ele separa um parágrafo do outro, eu respiro.
é inspiração e expiração completos. mais longos que um ponto e vírgula.
agora descansa.
fecho o livro e apago a luz.
agora o que vier é sonho...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

lágrima

Ela vem
com gosto de soro, vem
no canto do olho, vem
pedindo socorro, vem
lembrando o passado, vem
sentindo dorzinha, vem
num choro calado, vem
sem hora marcada, vem.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

11 de setembro

e foi no momento em que colocou o braço ao redor dos meus ombros, neste exato momento, que eu percebi que a história ia começar. foi quando ele, de forma tão natural mas ao mesmo tempo tão cheio de segundas intenções, encostou sua pele na minha. eu já queria, sim. desde o dia em que conversamos sobre poesia e ele me mostrou o quarto laranja. eu já desejava sim, desde o instante em que eu percebi as marcas tão masculinas do seu rosto quando ele sorri. eu já sonhava também. imaginando a união de quem quer ver poesia no mundo com aquele que escreve e vive de tal forma. eu sou caçadora de poesias. ele, o poema mais lindo do mundo. eu sou a mulher que ele faz feliz, diariamente.

um ano de papel passado. muito mais tempo de amor. pra frente e pra trás no tempo.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

cantares.

sim, canta!
e não espera amanhecer não.
ore comigo, mãos dadas.
faz bem saber o que se quer.
agradeça pelo dia,
pela hora,
pelo alimento do corpo e da alma.
oração e poesia são um só.
feito você e eu.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

é no balde de tinta
que eu derramo a saudade
e no copo de vodka
que eu misturo a vontade
foi no caminho de casa
que esqueci minha chave
e no retorno ao início
que perdi a idade
foi em aventura lá fora
que encontrei a metade
e inteira e feliz
revirei vaidade
e nas loucuras de amor
acordei sanidade

domingo, 6 de setembro de 2009

A gente se estica todo pra tentar alcançar a lua. É que ela tá cheia feito o coração.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

cartinha

Querida Laurinha,



lembra que há uns dois anos você estava super tristinha com a seperação dos seus pais? E lembra que eu te comprei um livrinho infantil que tinha uma mensagem bem madura sobre a importância do nosso olhar em relação às coisas?
Pois é... estava pensando nisso hoje.
Fico pensando que naquela época eu quis te ensinar uma coisa que eu, na verdade, estou constantemente tendo que aprender. E o mérito, confesso, é do Sr.Tempo, que de sua maneira sutil e lenta nos ajuda a ter uma compreensão.
Já fazem 9 meses que a minha irmã se foi. A dor não passa, sabe!? Mas existe agora uma sensação diferente. Não sinto revolta mais. Nem raiva do destino, ou sensação de falta de sorte, ou de que a vida é dura demais comigo. Não. A vida é linda sim. Tão linda que me permitiu viver e conviver anos com uma pessoa tão bela quanto a Paty. Que até na hora de ir embora nos deixou mensagens e ensinamentos. Sou uma pessoa de muita sorte. E hoje posso sentir isso junto com a saudade que tenho dela. E compreendo melhor que não se trata de perda - é o universo inteiro que ganha essa energia maravilhosa que ela tem pra passar. Hoje, ela faz parte do todo, do universo, de Deus. E eu de cá fico feliz por saber que tive a alegria de ter sua presença durante tantos anos.
Engraçado, né!? Tudo depende de como a gente vê.

("O frio pode ser quente
o feio pode ser bonito")

Um beijo, amiguinha.
Dri




sexta-feira, 28 de agosto de 2009

brincar de roda.


é só girar
sem largar a mão
e não parar
nem dizer que não

é só brincar
feito menino
e rodopiar
como bailarino

um dia assim
sem muito pensar
a roda vem
te fazer girar
como quem nada quer
você vai entrar
e sem saber porquê
vai continuar
a brincadeira é
para quem entende
liberdade em roda
que você aprende
nessa dada hora
nesse dia então
você vai sorrir
com o coração

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Foi do amarelo, sim, do amerelinho, que a espiritualidade brotou em mim. E sem saber muito disso, ou de nada, pintei com vontade as formas e cores do mundo (que eu vejo).

Foi em dia de chuva que brotou a flor. E a saudade só existe para quem amou. E do medo vem a coragem: para enfrentar os obstáculos, face the music, encarar os fatos. Quem cai aprende a levantar. Quem não chora não mama, nem limpa a alma. Pois sofrer é o caminho do aprendizado, pelo menos um deles. E valorizar o dia é vencer nova etapa com louvor. Existe perigo, dor e sofrimento sim. Mas nosso poder de reconstrução é grande, e a vitória nada mais é do que a luta diária por merecer novos e bons momentos. Seguir adiante não é esquecer o passado. É acreditar no futuro. É olhando o outro que me conheço melhor. E na busca por poesia eu a crio, dentro ou fora de mim. Com abraços e sorrisos me protejo do que não quero. O caminho é longo. A estrada, por vezes deserta. Mas a vontade de seguir é que faz tocar a música de fundo.
"Viver não é preciso". É delicioso.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Primavera

As quaresmeras floriram
num lilás tão vivo
de invejar qualquer alegria-de-salão.
e a cada flor que brota
é um bem-te-vi que avisa
que a primavera já vem.
entre flores e vôos
o dia se faz em magia
e o ar novo enche os corações.
é a despedida do frio
e o bem-chegar da estação
em que renova-se a natureza
em canto, sombra e cores
para a vida nova que virá.


depende de como a gente vê...

Se eu ligasse pra minha mãe dizendo: 'Mãe! O rei morreu! '
Certamente ela responderia:
_ Roberto Carlos?

Se eu fizesse o mesmo telefonema para o meu pai, dizendo "o rei morreu", ele perguntaria:
_ O Pelé?

Já o Antonio, sem sombra de dúvidas, diria:
_ Juan Carlos???

Se eu comentasse com a Rosa a morte do "rei", ela diria:
_ Uai! O Elvis? Mas confirmaram?

No entanto, o telefonema foi para a amiga Guria. Disseram a ela:
_ O rei morreu.
E sem pensar muito, mas ainda assim surpresa, ela respondeu:
_ O Michael Jackson???

É. Depende de quem ouve.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O meu pecado
é não saber
que a culpa minha
é ter medo de errar
pois o grande erro
é deixar de tentar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O meu poema
é a minha busca
O que escrevo
é o que procuro
De poesia e ar
encho-me até onde posso
Invento-me e desfaço
o que foi antes inventado
para criar em mim
o possível.
No meu caminho,
planto.
Insatisfeita, escrevo.
Corpo, alma, espírito.
Em criação e dúvida,
em medo e vontade,
como um ser humano qualquer.

domingo, 23 de agosto de 2009

antropo + sophia

Não me diga que não sabia, ou que não pensou nisso antes. É a vida sim o que nos assusta. É a intensidade, a verdade nela, todas as possibilidades e também o nosso medo. Melhor seria não enfrentarmos todas as perguntas que nos fazemos, vivendo na santa harmonia da ignorância. Mas o que fazer se nossos impulsos anímicos nos levam também a questionamentos maiores? Afinal somos filhos de lobos mas temos um deus e um norte. Entre tantos caminhos e incertezas, vale mais tentar ver a luz através de óculos escuros - precauções são necessárias - que fingir não reconhecer a nossa existência aqui. Eu vim a passeio, também, para procurar em bosques borboletas amarelas e pássaros azuis. Mas de nada adiantaria tanta beleza se meus olhos não fossem capazes de buscar a paz dentro. E para isso, sabem eles, é preciso buscar as respostas.

poeminha

Meu coração está sorrindo
com pontualidade assim:
desde cedo ao acordar,
até a hora de dormir.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

a gente ouvia maria rita depois do amor, lembra? e fantasiava a comunidade maravilhosa que a gente viveria, entre pessoas do bem e jardins e hortas. e você fazia cafuné nas minhas costas, enquanto eu sorria olhando para o nada e vez ou outra trocando olhares com você. a gente inventava um mundo nosso, nomes e apelidos carinhosos e íntimos, que ninguém mais sonharia em nos chamar. e sorríamos ao som da filha da elis. sabendo que nada importava mais que esses momentos.
o melhor da vida é saber que os ciclos mudam, mas que a gente é capaz de mudar com eles, e adaptar ao novo, e voltar a fazer sonhos.
o quarto laranja já deu lugar a outros quartos, outras paredes que decoramos com nossas telas indianas, a outros sons e cores, a outro país e a outros sonhos.
e a felicidade que me comove hoje é de saber que esse amor é capaz de seguir mesmo quando o mundo inteiro ao nosso redor muda. um amor desses feitos pra durar, a vida inteira, a minha vida inteira, a sua vida inteira.
a gente que acredita no amor sabe que mais vale uma noite bem dormida, a dois, que muitos dias acordados sem a companhia do outro.
ainda bem que você está aqui.

Ou Hamuretsu


Tá no Rio? Vá ao teatro!

Peça: Ou Hamuretsu
com Amanda Olivier

Local: Teatro Armazém – Fundição Progresso
Horário: Sab e Dom, 18h30h.
Ingressos: R$ 20 ou R$ 80. Meia entrada para estudantes, maiores de 65 anos e classe artística.
Informações: Tel. 2220-5070
Reservas: 9320-3862 ou 8162-5626



matéria: O Globo

o amor.

a alegria voltou à minha casa, aos meus olhos e ao meu coração.

terça-feira, 21 de julho de 2009

21 de julho.



Não. Hoje não é um dia qualquer. Hoje é data de comemorar com sorrisos, bombons e flores sim.
Hoje é um dia que me faz pensar que eu não estou errada quando penso em amor eterno, pois fui criada em berço de amor. Fui criada por pais que se amam desde a data do casamento, 36 anos atrás, até hoje e para sempre.
Fui criada acreditando que existe amor com paixão mesmo. E que não se pode deixar de cuidar e regar a plantinha desse amor.
Hoje, com muita alegria, comemoraremos o aniversário de casamento de meus pais. Brindaremos a união que nos fez hoje o que somos. E que nos permitiu acreditar no que hoje acreditamos.
É amor sim.
Feliz dia, meus queridos pais!

verde-escuro.

definitivamente não há regras para o amor - eu disse isso pra um amigo que me fala sobre casamento e adaptação.
e não tem regra pra nada, mesmo. Regra pra quê? Pra gente burlar, talvez. Pra fazer diferente e ser visto como alternativo. Regra pra podar asas? Pra fingir que tudo está mesmo no padrão? Pra pintar o mundo de uma cor só?
Veja a natureza, amigo. O que é que tem de regra nisso? Cada gota é única. Cada floco de neve, idem. E a gente não pode medir nada, provar nada, a não ser que toda regra terá exceção.
E nessa brincadeira de colocar regra eu assino:
o mundo precisa de mais amor.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

corre o rio

"O rio não tem hora, ô senhora o rio
E a senhora mãe do rio
É quem leva minha dor

O rio não tem hora, ô senhora o rio
E a senhora mãe do rio
É quem traz os sonhos bons"

Sérgio Pererê

domingo, 19 de julho de 2009

"dream is destiny"

Eu não sabia se estava dormindo ainda, ou se estava acordada e apenas sonolenta. Eu não sabia se me sentia bem ou se havia um peso estranho nos meus ombros. Eu só sabia que... não, eu não sabia. E de repente ela entrou no quarto, tão linda como sempre, tão sorridente como sempre e me despertou. Disse algo tão corriqueiro em sua boca que eu nem me lembrei que não podia ser verdade. Eu levantei e a segui. Saimos do quarto conversando, eu atrás dela. E depois eu vi que ainda estava na cama. Ela não estava mais comigo. Eu estava sonolenta mesmo e tinha tido um sonho. Um sonho bom, sim. Sempre será bom quando ela vier em sonhos. A única parte ruim é acordar com a sensação de que para vê-la novamente assim, terei que dormir e sonhar.

sábado, 18 de julho de 2009

que a poesia não deixe de fazer parte de mim, ou de você, dia nenhum.
porque ela brota da terra até quando a água seca. e ela levanta na gente feito sol de meio-dia.
ela espera na esquina, ou se curva em nossa frente: se faz presente.
ela nasce em cada respiração. ela desce feito suor da testa de quem pensa demais.
e repete o instinto de comer, correr e se esconder - feito bicho.
e que a gente possa ver mesmo cegos pelos problemas.
que a gente possa sentir até quando a verdade for maior que nossa fé.
a gente precisa disso.
eu acredito nela.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

o tempo.

o passado.
eu gritei no alto da montanha o que eu mais queria.
e veio. e tive. por longo e quanto tempo eu desejei.
depois soprei ao vento e vi voar feito folha seca.

o presente.
o amor é perene.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

relato sobre gente do bem - 1

Ela faz falta quando não está. Mas nem tô dizendo isso porque é ela quem coloca (ou tenta colocar) a casa em ordem. Ela faz falta porque sempre tá quietinha no canto dela pronta para bater um papinho comigo. Por anos a fio eu dizia em tom de brincadeira pra ela: - É, Rosa! Rapadura é doce mas num é mole não. E ela sempre fazia um "hum" de volta, com meio sorriso e uma cumplicidade que poucas pessoas oferecem.
Rosa trabalha na casa dos meus pais desde que eu tinha 3 anos, mais ou menos. Mas na verdade uma das coisas que ela faz melhor é contar casos. Eu sei o nome dos vizinhos dela, do cunhado chileno danado, da cachorrinha. Ah! Cachorrinha! Ela cuida da cachorrinha aqui melhor que qualquer um de nós. Não melhor do que ela cuida de mim, mas de forma igualzinha. Rosa mora perto, vem e volta andando. E no caminho sempre para pra conversar com alguém, que eu sei!
Ela me conta casos de quando eu era pequena que eu não sabia. E me faz rir com seu jeito todo caretinha de ser. - no ótimo sentido, gente! Nada contra caretinhas!
Ela estudou até a quarta série. Sabe ler e escrever bem. E estuda geografia por conta própria antes do almoço. Lê os meus velhos livros da escola. Adora fazer lista de nomes de países. E finge que é séria que é para o jardineiro não se meter a besta com ela.
Ela não se casou. Mas já namorou um homem por muitos anos. E já perdeu um bebê. O bebê teria a minha idade hoje. E é por isso que acho que às vezes Rosa me trata como filha.

Eu já vi Rosa chorar só uma vez. Que foi quando a gente perdeu a Paty. Porque no resto dos anos todos ela sempre é muito durona, e fala de qualquer assunto sem choramingar. Ela cuida do pai dela agora, que tá doentinho, mas nunca deixa a peteca cair.
Ela aprendeu a cozinhar com minha mãe, quando começou a trabalhar pra ela, e, numa boa, nem dá mais pra diferenciar quem faz o almoço. A comida de Rosa tem o gostinho da comida de mãe. (Eita coisa boa!)
Hoje ela está de férias, e vir aqui e não vê-la por perto é realmente estranho.
Mas ... eu sei o que ela está fazendo agora: escutando Elvis no talo!

a foto que eu não tirei.

eu vi sim. e pensei no orgulho da mãe deles ao ver essa cena.
a pititinha, loirinha e de vestido, de mãos dadas aos dois irmãos, três ou quatro anos mais velhos que ela.
ela, sorridente e saltitante, desfilava o orgulho de passear com os dois.
eles, igualmente sorridentes, mas nem tão saltitantes, se sentiam como soldados ao proteger a bela princesinha.
e todo mundo sorriu ao redor deles.

terça-feira, 14 de julho de 2009

O tic do relógio. ai! mais um.
a folha do calendário. ai! caiu outra mais.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

oração.

vai meu Pai,
orienta-me.
se eu desviar o caminho,
acompanha-me.
se eu esquecer de Ti,
perdoa-me.
se eu sofrer em vão,
sopra-me.
pois é de vento na cara
que se constrói paciência.
e que eu seja melhor
que ontem.
amém.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

e usaremos o tempo que nos castiga em espera para inventar historinhas pra depois do amor.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

e cada centímetro de mim pede arrego, colo, dencanso, teu berço. cada pedaço de mim é saudade, vontade e o desejo de te ter bem perto. cada segundo de mim é um grito. e sem isso eu sei que caminho em vão. pois ao nascer eu soube que tu me escreves como um autor. e que meu destino é o caminho que percorro aos poucos. sou o pássaro que migra pra dentro de mim mesma. sem sair de ti -eu não saio de ti. faço escândalo silencioso nas noites de minha caverna. e no palco grito teu nome para que os surdos possam me ouvir. eu sou a coragem de quem perdeu as mãos mas ainda assim escreve. e na direção do meu futuro eu traço meu agora. tu vens e eu fico no eixo de mim. a isso chamam de equilíbrio.
se as minhas palavras te alcançarem
receba,
nelas vão o que sonhei pra ti.
se as minhas palavras te faltarem
imagine,
a minha vida é o que te ofereci.

Luta contra o câncer.

O Site do câncer de mama está com problemas, pois não tem o número de acessos e cliques necessários para alcançar a cota que lhes permite oferecer UMA mamografia gratuita diariamente a mulheres de baixa renda.

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terça-feira, 7 de julho de 2009

não importa o que veja hoje
as nuvens me dirão
caso o amanhã seja claro
afinal não importa o que veja
eu saberei o que fazer

mesmo se hoje virar noite
se escurecer dentro de mim feito um adeus
eu irei com prazer e as malas de aura e luz
que um dia me fizeram crer

pois basta um pouco mais de coragem
e de nada me vale o conforto
se a manhã termina em lágrimas
e a noite se desmancha em pó

eu acredito no deserto de mim
pois a solidão me foi enviada por destino
e nasço outra vez feito o infinito
e não morro de amor
ele me é vida

eu desfaço o nó e cada compasso
e caminho na direção do que quiser
me vale mais o que eu acredito
que a intenção de que não me quer bem

corro e me demoro aonde for
sem destruir sonhos
ou desfazer destinos
sou a mágica do meu próprio caminho
sou a bailarina na corda-bamba do dia

hoje eu me escondo na caverna de mim
e dentro dela me deixo correr em dor
não me aflige o futuro
é o presente que me dói
e das lembranças me reconstruo

foi em mim que o amor bateu.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

a música que me move e me ajuda a esperar.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

DECIR DOS COSAS



(texto escrito por ele, em sua língua materna, no aeroporto)



Quiero decir dos cosas; empezaré por lo menos importante.

Como algunos de vosotros sabeís, he sido "retenido" durante dos días en el aeropuerto de Guarulhos. Mi delito: hacer todo lo que las autoridades pertinentes (tanto brasileiras como españolas) me han ordenado para "regularizarme" (interesante palabra inventada) justo ahora diez meses atrás. Por aquel tiempo, entré en un proceso kafkiano de informaciones contradictorias, trampas burocráticas y surrealismo legal. Dicho proceso culmina en esta "retención" (eufemismo que evita la palabra "prisión"), confinado en las dependecias cerradas de una terminal, con documentación, maletas y ropa confiscadas, y sin más comida que la que yo con mi propio bolsillo compraba a través de una trabajadora del aeropuerto.

Después de dos años de visitas, llamadas e emails a policias, consulados y ministerios de Valencia, Madrid, Rio, BH y Santander, sólo se puede llegar a una conclusión que hago pública a través de este blog: La única posición que puedo tener ante los estados y sus burocracias es un desprecio absoluto por todas sus instituciones, que no son más que herramientas de opresión y enajenación del individuo. En mi caso, no tengo ni orgullo ni vergüenza de ser o dejar de ser ni español ni brasileiro ni ruso. En mi caso, mi objetivo es otro bien sencillo: vivir junto a mi mujer, aquí, allá o más allá, y que nos dejen vivir y trabajar en paz.

Sin embargo, mi caso paricular no me impide hacer una interpretación general. Tanto en estos meses como ahora aquí en la prisión del aeropuerto de Guarulhos, he conocido muchos casos, mucho más graves e injustos que el mío, y sobre todo con muchos menos recursos de respuesta y resistencia. Quizá el silencio de estas personas, y la comodidad de otras que pasan la vida dentro de unas fronteras delimitadas y trazadas por nuestros esclavizadores, hacen que olvidemos lo que ahora quiero recordar: existe un interés por parte del poder en entorpecer, limitar y castigar los movimientos de los seres humanos. Nos dirigimos a un mundo con fronteras cada vez más numerosas y opresivas. Nos dirigimos a un mundo donde se va a controlar al individuo hasta el punto en el que este desista de su voluntad. Nos dirigimos a un mundo en el que vamos a sacrificar nuestra libertad en nombre de una ficticia y cobarde seguridad. Los poderes fácticos que nos llevan a esta situación se van a servir de los estados como lo que ya son: meros instrumentos policiales de control de la población. Ante este panorama (que aquí recuerdo para los que han olvidado abrir los ojos), sólo tengo una respuesta: "No van a minar mi capacidad de resistencia, no van a hacer que desista, no van a impedir que viva junto a la mujer que amo. Jamás van a conseguir que me calle; jamás van a conseguir que me rinda. Y cada una de las agresiones que reciba sólo van a conseguir que me fortalezca aún más."

La segunda cosa que quero decir (la importante) es agradecer a todos los que han colaborado en que mi fuerza sea la que hoy es. En estos días difíciles, he tenido el apoyo de personas de todo el mundo (tanto en España como en Brasil, así como de Portugal y ¡hasta del Japón!). Agradecimiento especial a toda mi familia, la de aquí y la de allá, a Elcio, a mis amigos, a amigos de Adriana (que son míos también), a los casos solidarios que me he encontrado, a practicantes de Yoga del mundo entero, a las llamadas e emails de apoyo y cariño. Gracias por vuestros esfuerzos, movimientos, saludos, palabras, oraciones, gestos, apoyos e invocaciones a la cordura. Gracias por todo, amigos.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

juntos...

... no matter how far.

terça-feira, 30 de junho de 2009

leaving on a jet plane...

e levando com ele o meu coração.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

história de amor.

Em 2006 vivi uma paixão não correspondida que me rendeu muitas lágrimas e muita poesia doída. Um ano intenso e longo demais. Foi também neste ano que inciei meu blog e comecei a sentir uma vontade grande, palpitante e intuitiva de ir a Barcelona. Fui. Encontrei-me, entre outras coisas, poesias e pessoas, comigo mesma. Para brindar o natal fui convidada por uma amiga valente a ir à casa dela, na nova cidade dela: Valencia. Foi nesta data que conheci Antonio. E foi no mesmo segundo que vi nele a minha vida inteira, dali pra frente. Conversei com minha irmã, antes mesmo que Antonio me desse o primeiro beijo, e lhe disse: hoje conheci meu futuro marido. O primeiro beijo veio logo depois da ceia de Natal. E eu entendi que o que havia me levado a Espanha tinha sido o destino, que então eu aprendi a acreditar. Vivi com ele as melhores experiências da minha vida, conhecendo a Espanha, sua cultura e sua gente através dos olhos verdes daquele homem que me encantava. Tive que voltar ao Brasil depois de 3 meses. 5 meses separados e lá estava eu outra vez: de mala, cuia e o coração saltando. Ele me recebeu todo de branco, com os braços abertos e uma vida linda pra me oferecer. Voltei ao Brasil um ano depois, 2 meses longe dele e logo depois ele veio. Nos casamos. Moramos juntos num sítio gostoso de cuja janela podemos ver as andorinhas anuciarem a chegada da primavera, e os quero-quero brincando de esconde-esconde ao anoitecer.

E planejamos os filhos, as tardes de pic-nic, as pipas que vamos soltar.





É dessa forma que narro a minha história de amor, com o meu Antonio. Pois é assim que ela é. Cheia de poesia, metáfora, e paixão.

Assim eu conto porque acredito que as coisas bonitas devem ser espalhadas pelo mundo, para gerarem bons frutos, alegrarem o coração das pessoas e inspirarem músicos e poetas. Acredito que a beleza é que pode mudar o mundo, e através da minha história de amor tento fazer minha parte.



Acontece que o mundo nem sempre é colorido, e nem sempre as coisas são fáceis. Nessa história aí eu evitei contar que o que me trouxe a primeira vez de volta ao Brasil foi a falta de visto para ficar na Espanha, porque as pessoas têm suas asas cortadas sim. E que "imagine there's no countries" continua só na imaginação. Deixei de citar que o que me trouxe de volta a segunda vez foi a descoberta de um câncer incurável na minha amada irmã. E que o Antonio veio logo depois para me ajudar a superar a barra mais difícil que a vida me colocou. E também não contei que ele quebrou o pé um dia antes de vir, e que isso dificultou em sua adaptação no país do samba e do futebol. Não comentei também que tivemos diversos problemas diplomáticos, mesmo estando casados no papel e com a bênção da minha avó. Hoje, escrevo entre soluços e lágrimas porque ele está em São Paulo, "detido" por vir ficar comigo após um mês em seu país natal. "Detido" por não ter nascido brasileiro e por ter nascido exatamente no país da retaliação. E agora?



Eu quero chegar logo no "e viveram felizes para sempre".

sábado, 27 de junho de 2009

bem-vindo

venha, amor. que lhe darei os beijos prometidos.
venha, para que termine a minha espera, a minha saudade.
venha, e me abriga em seus braços, deixando-me em sentir em casa.
venha, amor. que me dói essa distância. me angustia essa demora.
venha. tenho o maior amor do mundo pra lhe dar.

nosotros.

Ayer estuviste conmigo. Como el dedo en las cuerdas del sitar yo sentía a tu mano y a tus dedos tocándome el pelo.
Ayer estuviste conmigo. Entre cada nota que sonava, sentía tu respiración en mi cuello. Eras tú.
Ayer, mientras soñaba con tu llegada te sentí tan cerca que ya no sentía que habias estado lejos. Tu presencia en mi es constante como la música en el mundo. Te oigo, te escucho con atención, te siento en mi piel.
Ya no sé ser ni estar sin ti. Y por ello sé que, aunque hayas estado lejos, hemos estado juntos todo el tiempo.
Te quiero como al aire.

sitar

Ouvir também é uma forma de amar.

música.

Minha irmã me dizia que o Bolero de Ravel a fazia lembrar do nosso Tio Francisco, que foi embora (cedo demais).
Hoje, o Bolero de Ravel me faz lembrar dela, que foi embora (cedo demais).

E acho que a vida é feita de lembranças, também.
E junto com o sorriso, cai uma lágrima.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

estou morrendo de saudade, ansiedade, vontade, desejo, amor...
acho que nunca estive tão viva!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

dentro.

No interior do país tem um povo à moda antiga, casamento arranjado e pra sempre, um monte de montanhas e lendas.
No interior do estado tem um sotaque bonitin, uma gente simples e feliz, uma pacata sinfonia de passos de gente que caminha sem parar.
No interior da cidade tem cafezinho feito na hora, broa de fubá numa mesa com forro de renda e uma revoada bonita de maritacas às cinco da tarde.
No interior de mim tem um amor que parece num me caber, uma saudade que eu sei que não vai morrer e uma fé que cai mas levanta.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

mano velho.

Ele vai, mesmo se a gente não compra passagem. Ele continua seu caminho irritavelmente calculável e contraditoriamente relativo. Ele anda, sem que a gente possa segui-lo. Ele passa, cantando coisas de amor. Ele viaja, feito os nossos pensamentos, atravessando universos inteiros, revisitandos passados, escolhendo presentes, imaginando o que virá. Ele se faz areia, ponteiros, sombra exata. Ele coordena o baile do nosso humor. Cura feridas, cria cicatrizes, é até usado de desculpa quando há falta de coragem para fechar um ciclo. Ele espera. Ele -gestação. É cheio de horas. Uma bela hora. Um belo dia. Até daqui a pouco. Na minha época. O relógio parou. Você vem ou é será que é tarde demais? E a gente brinca de esconde-esconde com ele, vestindo roupas de quando éramos mais jovens, usando cremes e pós de arroz e bases cor da pele e o que ajudar a despistar as suas marcas. Do coração da gente a marca nunca sai. Quando é demais, vira experiência, quando é pouco, é uma vida inteira pela frente. E aproveita, hein!? Não jogue fora. Não desperdice. É precioso. Não o veja passar pela janela. Siga seu ritmo. Pois Deus ajuda quem dele sabe tirar proveito. Use agenda e menos memória. Jogue fora o calendário de arrancar as folhas. Viaje com ele, nele, pra frente e pra trás. Hakuna Matata. Carpe Diem. Carpe Noctum. Ninguém pode tirar o que você não tem. Espere um pouco.

"El viejo guitarrista" - Picasso




David (4 anos, e comprovados pela carteira de identidade recém-tirada!):
- Estou ficando velho.




E quer saber? Não falta nada.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

MPB mineiro

acho que o negócio é colocar o chapéu na varanda e ver se uma andorinha faz o ninho...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

coisas da vida.

o biscoito caiu, a geléia voltada pra cima.
Até o tal do Murphy tira férias.

terça-feira, 16 de junho de 2009

não faltará poesia na gente, se não desistirmos de olhar por ela.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

"É duro, ficar sem você
Vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim"

domingo, 14 de junho de 2009

o que eu mais quero,

eu quero dançar esta noite,
ao som do quero-quero e da sua respiração
eu quero girar esta noite,
pela nossa sala e em sua direção
eu quero beijar-te esta noite,
sentindo seus lábios e seu coração
eu quero viver esta noite,
pelo nosso amor e em sua intenção

sexta-feira, 12 de junho de 2009

feliz dia dos namorados, marido!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

11 de junho

(por telefone, primeira respiração do dia)

- Amooor, amanhã é dia dos namorados aqui!
- Ah!!! Me desculpa por não estar aí?
- A gente pode comemorar quando você voltar?
- Por 365 dias.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

ainda bem...

só a que gente não percebeu a princípio que era tudo muito simples. ele me dava a mão, a gente atravessava o oceano de cabeça erguida e era feliz pra sempre. feito conto de fadas, mas sem a aquela coisa toda de cavalo branco, afinal, somos caminhantes.

mulherzinha!

Goiaba com cereja.
Suco?
Não. Esmalte.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

o verdadeiro valor de ser

- Essa é minha namorada. Ela é advogada, tem um carro importado e casa própria. E você? É casada?
- Sou.
- E o seu marido o que faz?
- Me faz muito feliz.


(uma pequena homenagem a uma amiga que encontrará um homem que se orgulhe muito de tê-la ao lado, como eu me orgulho de ser sua amiga)

causos...

Uma aluna muito querida (da turma de adultos, by the way) me diz que está fazendo regime, com acompanhamento de um médico que é bárbaro e tal e coisa. E me dá o cartão dele, assim, no meio da aula, dizendo:
- Aqui, teacher, vou até de dar o cartão dele, se você quiser ir lá.
Eu, achando graça e com a pulga atrás da orelha, pergunto:
- Uai! Cê acha que eu tô precisando emagrecer?
E ela, rapidamente me dá a resposta:
- Emagrecer não, teacher, mas bem que pode colocar um silicone aí.

(Eu ri muito).

sábado, 6 de junho de 2009

hoje,

Eu não posso estar mais hoje, já que o dia termina dentro de pouco e o calendário de mim risca as horas em contagem regressiva para sua chegada.
Hoje, não posso ficar, pois nasceu em mim aquele sono que vivo quando você me embala em beijos e cafuné. E fico sem saber se o tempo permite que eu o direcione, feito o carro na estrada que faz o que quero. Eu só quero você e pouco mais. Um chá quente para esquentar o inverno, e uma vela na mesa do lado da cama, que a gente apaga depois do amor. Quero na cozinha boa salada e uma florzinha, pra enfeitar o comer. E a gente vive no amanhã o que sonhei hoje, hoje, nesse agora tão efêmero que chamo de eterno por ele se renovar. Pois eu não sei escapar dos meus sonhos para nós dois. Nem sei fingir que não olho para o relógio feito girassol adorando o astro-rei. Fico assim sem você na esperança do fim do hoje, pois assim, um dia a menos. E logo, logo, tão breve quanto nos permitam as horas, num abraço vamos selar a eternidade.

ar,

aire.
se me faltar ar.
air.
se você não vier.

cine

Meu nome é Adriana.
Sou caçadora de poesias e hoje recebi muito alimento para a alma.

A simplicidade daqueles que lêem com o coração me comove.
O cinema é arte, mas também é arte a interpretação da tela e seu conteúdo da maneira cotidiana que só algumas pessoas conseguem captar.

Viva a arte do sorrir a cada dia!
Viva a poesia de poder ser ouvido!


(voltando da mostra de cinema no Palácio das Artes... e morrendo de saudade do bem, querendo contar pra ele sobre as últimas lágrimas que derramei sorrindo, sobre a falta que ele faz e tal e coisa...)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

cuento.

"LXXVIII

En una noche de mayo, dos muchachos de quince años gozaron de las delicias del amor por primera vez. Durante toda la noche se entregaron en un sudado abrazo, sin más testigo que el bosque que los acogía.
Ya en el descanso del amanecer, el chico miró a los ojos negros de la chica, y le dijo: “Te amo. ¿Quieres unirte a mi para siempre?” Y la chica, un poco sorprendida, respondió: “Te amo también, pero creo que no puedo contestar a tu pregunta. Quizás sea pronto para casarnos en matrimonio, para formar una familia, para sacrificar la individualidad que nos hace libres.” Al escuchar la respuesta, el chaval cogió la mano de la niña, y le dijo: “Ah, amada, creo que aún no lo sabes. No debemos unirnos para casarnos en matrimonio, no debemos unirnos para formar una familia, ni siquiera debemos unirnos para dejar de ser dos y comenzar a ser uno. Podemos unirnos para hacer posible lo imposible.” "
escrito por 'ele'

segunda-feira, 1 de junho de 2009

amar.

"Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos
Traduzidos em palavras"

...
Amar não é ver todos os dias, mas sentir diariamente, e a cada instante, a presença do outro dentro do coração.
Não é ter que usar aliança de ouro, mas entender o valor da união pelo sorriso no rosto do outro.
Amar é sentir paz e a certeza de que, não importa o que aconteça, não se está sozinho.
Amar é respirar melhor quando se enxerga nos olhos do outro a nossa própria imagem sorrindo.
É sentir coragem de enfrentar cada obstáculo, cada medo, cada dia difícil - e de mãos dadas.
Amar é sentir uma palpitação no peito, mesmo depois de um ou dois anos compartilhando o mesmo teto todos os dias.
Amar é morrer de saudade quando o outro viaja. E sentir que, na verdade, a gente viajou junto.
Amar é isso. E aquilo que descreveram antes. E aquilo que não se pode descrever.



releitura pessoal de "o que eu também não entendo", de Fernanda Mello e Rogério Flausino

para o que vai chegar.

Bem-vindo ou bem-vinda!
Explico-lhe já:
sou amiga do papai, estou feliz por saber de sua chegada. Já lhe disse que, se você é menina, é uma princesinha, que quero colocar no colo e contar histórias. Se é menino, é um soldadinho de coração do bem, pronto para proteger. E eu também te coloco no colo e conto contos de fazer dormir e sonhar.

Explico-lhe mais: você será amado, ou amada. Uma mamãe Yogi e um papai aventureiro.
Uma família que começa com você.
E uma amiga aqui pra cuidar para que não falte poesia e borboletas na janela.

Venha, Jotinha! O mundo te espera e precisa da alegria que você trará.

"eu quero mel"

A paz. O mel. O doce e a transparência de ambos.
O saber perdoar. O pedir perdão em orações.
O viver bem dentro do que for possível, com a simplicidade de mãos dadas, com a sabedoria de saber que nada pode ser como era, mas que o presente é o que temos e podemos entendê-lo como sendo o melhor.
O que não podemos mudar, enfim, que saibamos ver com possibilidades diferentes, que saibamos mudar o nosso olhar diante do que não se pode transformar na vida, como a morte.
Que saibamos respeitar os acontecimentos do destino, sabendo ser flexíveis e adaptando-nos ao novo.
Não é fácil. é crescer.

domingo, 31 de maio de 2009

poesia.

tem dia que não tem.
e tudo bem.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O meu amor nasceu entre amarelo e vermelho. Fez-se pintura de Miró, música flamenca e poesia de Miguel Hernandez. Meu amor nasceu na praia, num frio de inverno mas sempre em primavera. O meu amor foi maior que qualquer edifício de Gaudí, e me fez capaz de atravessar a nado o atlântico e sobrevoar com minhas asas, minhas próprias asas, as montanhas de Cantabria. O meu amor não é sequer estrangeiro. É limpo, vivo e nacionalista - em sua bandeira leva o nome dele em maiúsculas. O meu amor é feito rio, corrente e seguro de sua direção. É latino e visceral. E doce como marzapan.
O meu amor é poliglota: te amo, te quiero...

há quem espera. à quem espera demais.

Ela despertou um pouco mais cedo do normal e olhou ao redor. Era estranho como sentia aquilo tudo vazio. Enfrentou o frio e a preguiça, afastou o cobertor rapidamente com a mão direita, passando por cima de sua barriga, e logo depois terminou o serviço com os pés. O cobertor caiu ao chão. Era uma manhã de outono, embora a neblina lá fora escondia qualquer menção de sol ou nuvens, ou céu ou vida. Era tudo branco e nada mais. Ela se levantou, voltou a olhar desconfiada ao redor. Aproximou-se da janela e abriu ainda mais as cortinas que já havia deixado semi-abertas pela noite. Não quis abrir a janela. Respirou fundo e sentiu um aperto no peito. Continuou as funções matinais sagradas e rotineiras. Caminhou até a cozinha, pegou a chaleira e encheu-se de água. Antes mesmo de colocá-la para ferver pensou que melhor seria tomar um café forte. Mas não havia pó. Não era de costume tomar café algum naquela casa. Escolheu a erva mate no armário e sentou-se para esperar que a água fervesse, e depois esperou a infusão do chá, e depois esperou a torrada saltar, depois esperou que a neblina abaixasse, sumisse, e então, só então, lembrou-se de esperar que o dia terminasse. Passou ali, sentada à frente do fogão, horas a fio. O dia todo. Sem lembrar-se de nada mais que a espera. Sem desejar nada mais que a passagem do tempo. E assim, alheia à própria vida, concluiu que havia esperado demais e que finalmente era hora de sair. Já era tarde. As rugas já haviam marcado seus olhos, o cansaço do nada fazer havia tomado conta de seu corpo e seus joelhos já não conseguiam mover-se com agilidade. O chá já havia acabado. Os dias haviam passado. A vida já se aproximava do fim. Era momento de começar.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Marido, volte logo.

sobre a saudade, uma vez mais...

"No tengo miedo a la verdad, ni lo que sucederá.
Podía perderme en esta felicidad. Cuando estás conmigo, la distancia y el silencio son sólo un instante que ya ha terminado."


segunda-feira, 25 de maio de 2009

a bela e o pintor

Pouco ela falaria, pouco faria, dentre o que sim, sorrir e escutar. Pouco ela pediria, pouco insistiria, dentre o que sim, ser ouvida.
E de tanto ser real, na simplicidade cotidiana de amar, num dia não tão belo ela encontrou-se só.

E de tanto sonhar, sem no chão pisar, num dia pouco aquarela ele encontrou-se só.

A pergunta que restou, a dúvida que ficou, é se não faz mais sentindo juntar a arte e a realidade, num conto de amor feliz.

terça-feira, 19 de maio de 2009

hoje, menos sol, frio até.
saudade.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Quero notícias suas, Tristão.
Por sair ao mar assim, despedindo-se de mim, fico à mercê. Fico a esperar. E a olhar a lua. E a pensar em nós dois.
Fico sem saber onde estou, como se, longe dos beijos que me dá todos os dias, não estivesse eu no mesmo lugar.
Acho que meu lugar é você.
E volte logo.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A hora vai, pede pra eu esperar.
Ele viaja, eu junto com ele. Olhar, vontade, coração.
Não fico sem.
Eu pergunto. A resposta vem em sonho.
Sou a metade inteira de uma unidade formada por dois.
Ele e eu.
Nosso sonho e futuro.
Nosso agora e saudade.
Fica essa noite?
Tem uva, e uma vontade enorme de permanecer assim, juntos!
Vamos?




terça-feira, 5 de maio de 2009

para quando o amor chegar...

Ele vem. Ele virá. Talvez quando menos se espera, ou quando realmente nem se deseja. Mas vem. Enche o quarto, a cara da gente, a vida toda de sorrisos. Bambeia as pernas, faz tremer as mãos, faz sentir cheiro de alecrim.
Isso é amor sim.
Chega e nos preenche.
E aí? Aí a gente joga o resto para o alto e vive com intensidade.




para meus amigos que estão se apaixonando.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

eu me criei na areia
no mato e no pé da fogueira
em noite de Sao Joao,
eu fiz cambalhota na grama
catei amora no pé,
vi a chuva chegar
vindo do lado de lá
e me pegar no alto da mangueira,
vi galinha virar capelletti
e ouvi serenata pras meninas
enquanto eu fingia que era pra mim,
cantei no chuveiro e na sala
até ser acompanhada
por um violao de um amigo,
pensei que seria famosa
viajaria mundo afora
soltando palavras no ar,
rezei por medo de ladrao
de escuro e bicho-papao,
tomei banho com velas acesas
e música de fundo pra ninguém me ouvir chorar,
roubei orapronobis do vizinho
apaixonei por um cachorrinho
e nunca pude levá-lo pra casa,
andei descalça na rua
lavei o carro do pai pra refrescar
bebi vinho demais na festa
e deixei de lado as sandálias e a tristeza,
balancei as cadeiras em cima da mesa
feito bailarina de cabaret
mas nao perdi a linha,
fiz dança de salao
kung fu e até teatro
fui gueisha e colombina
no meu carnaval,
e de tantas e tantas
e essas e outras
é que hoje me lembro sorrindo
de que nunca estive sozinha
e que nunca vou estar.

domingo, 19 de abril de 2009

tem saudade. bastante saudade.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

late o cao. bate o vento. toca o sino. faz silencio. vira a esquina. perde o tempo. conta os dias. pega o trem. vive o dia. sacode o tapete. reune os amigos. assiste o filme. come a fruta. morde o lábio. brinca e ri. olha o relógio. faz a cama. arruma o quarto. vê o tio. pergunta as horas. espera o ônibus. bate o pé. tira o tênis. quebra a unha. compra batata. acorda tarde. esquece a reuniao. caminha na areia. entende a pergunta. responde sorrindo. e vai e fica. e volta e lê. e o dia nasce. e o tempo passa. e a gente fica. e a gente fala. e o mundo sabe. e o verbo solta.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

na vida.

eu entrei.
ele disse que eu poderia.
eu entrei.
ele disse que queria.
eu entrei.
ele pediu pra eu ficar.
eu entrei.
ele gostou, me disse.
eu entrei.
e fico.
fico enquanto ele quiser.
enquanto ele disser.
enquanto eu viver.

adaptaçao

os curiangos voltaram. o asfalto também serve para descanso.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

água.

Da fonte.
Aonde o sol reflete. Aonde o verde é vida. Aonde a água é alimento. Aonde tudo se renova. Aonde a cor é transparente. Aonde os olhos sao espelhos. Aonde é corrente.
Da fonte.
Feito tudo que move. Feito tudo que vai. Feito o que sou e vou ser. Feito eu e você.
Da fonte.
Pois aqui é só o início.

segunda-feira, 30 de março de 2009

quanto de céu abriu à nossa frente?
quanto de mar faz parte do nosso viver?
e se sentir assim for magia, quanto de real quero ter?
se me nego e recebo, porque direi sim?
se o que quero nao tenho, aonde buscar?
faz bem dizer a verdade ou é do silencio que devo me valer?
o dia termina ou é a noite a se estrelar?
danço pra você hoje a noite?
que há com o céu? o seu? o meu?
vamos pra lua pescar?
o meu adeus fica guardado, pra nunca mais usar.
um dia a gente compreende ou vai sempre esperar?
faço do meu escrito a oraçao,
que ontem deixei de rezar.

urgente, é a vida.


foto: meu pai.

domingo, 29 de março de 2009

pretty pretty eyes

I can swim in those beautiful green eyes...

sábado, 28 de março de 2009

sweet liar

You tell me about my eyes,
you say that there aren’t any like them.
You say you’ve dreamt about me
even before we met.
You tell me about my hips.
You say you can kiss me forever.
You even say I’m the prettiest woman ever.
Although this isn’t true
the way you say it makes me feel like that woman.
And with your sweet and beautiful words
I lay down happily in our bed
thinking how lucky I am
for having such a man by my side.

quarta-feira, 25 de março de 2009

seguidores

Da cor da alma.
Do azul do dia.
Da harmonia do tom.
Da vida inteira juntos.
Do caminho a percorrer.
De braços abertos.
De olhos ligeiramente fechados.
De sonho.
De gozo.
De amor.
De tudo o que somos capazes.
Daquilo que nos guia.
Do que somos.
Do que seremos.
Do amanha.

segunda-feira, 23 de março de 2009

outono

caem as folhas, pouco a pouco, num silêncio de outono.
pois começa a estaçao do morrer.
assim, ao deixar cair de mim o que já nao pode mais estar, encontro na doçura da morte o poder de renascer.

domingo, 15 de março de 2009

"death doesn't put an end to love"

sábado, 14 de março de 2009

Conversar...

Minha fadinha e eu estavamos conversando:

Ela: Eu também gosto de escrever. Mas eu escrevo poemas de amor.
Eu: Você é amor.

E sorrimos juntas. O mundo sorriu também.

segunda-feira, 9 de março de 2009

"a fé sempre-viva"






Trabalho do Bernardo Puhler.
A quem agradeço por ter me enviado esta música no momento em que minha fé parecia morrer.

domingo, 8 de março de 2009

mulheres fortes.

Mãe. Paty e Cris. Vó Maria e Vó Ilma. Mari Carmen. Déia e Lu prima. Carmen. Pilar. Rosita y Dama. Rosa. Ju e Pri. Amanda. Favinho, Nat, Renatinha, Mari, Lô. Claudinha. Tia Leila e Thaís.
Ana Lua. Dri Andrade. Maria Elza.


Mulheres família, mulheres mães, amigas, irmãs, presentes.
Mulheres fortes, guerreiras, boas.
Mulheres que me ensinam diariamente, que me ajudam diariamente, que se exemplos, espelhos, mãos dadas.

Obrigada, queridas. Gracias.

sábado, 7 de março de 2009

"this rose will never die"

ar,

A arte está,
vê a sombra?
A arte é,
vê o céu? vê o chão?
A arte faz,
vê a estrada?
A arte quer,
vê o chá?
A arte tem,
vê a casa?
Só não dança arte quem não quer.
Vê o som?

domingo, 1 de março de 2009

cheia de saudade.

Guardo.
nas caixinhas de vento, no fundo de mim.
em envelopes cor de saudade, cada um com etiqueta e nome, com grau de nostalgia, alegria e dor.
(porque as nuvens do céu também sao assim tao densas quanto a dor de ver ir)
e eu guardo.
guardo num canto belo, com cheirinho de velhos tempos e tecido cetim.
embrulhadinhos como flor de fuchico.
cada um dos momentos, cada dia, cada sorriso, cada lembrança.
acho que é isso que faz quem fica aqui cheio de saudade.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

sobre o tempo,

é no passar das horas que a gente conta o tempo,
é no pôr do sol,
no envelhecer dos olhos,
no despertar das galinhas (mais um dia que começa! mais um...),
é no amadurecer da saudade,
no cotidiano doce,
no vai e vem nas estradas.
é no passar dos anos que a gente conta o tempo,
e na observação das constelações no céu,
e no abrandamento da dor,
na cicatrização das feridas,
na concretização do amor.
é no que a gente vê todos os dias,
e no que a gente sente dentro do peito,
são todas as horas, todas as rápidas ou longas horas,
dias, meses, a vida inteira.
no final, a gente não contou o tempo,
a gente só contou a nossa história.

vento.

a gente sopra no vento a alegria de viver


sábado, 21 de fevereiro de 2009

sobre a idade.

S= Samuel, 7 anos

S: Teacher, quantos anos você tem?
Eu: 25...
S: 25?????????????????????? (com muita cara de espanto) Mas você fez plástica, né?!
Eu: ...

---

D= Danilo, 9 anos

D: Quantos anos você tem, fessora?
Eu, que já aprendi com o espanto do Samuel: 15! (sorrindo)
D: Quinze? Duvido! Cê deve ter uns dezoito...
Eu: (gargalhando de alegria) Negócio fechado! 18!


carnaval,

É carnaval, irma.
A gente tá com a cara limpa, a casa vazia e o coraçao assim, em silêncio.
Seu sorriso faz falta.
Nao há confete, nem espuma, nem pirata, nem nada.
Só há saudade.

(Antonio me abraça forte quando eu choro)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

amor...

Acredito em amor à primeira vista, amor além da vida, amor eterno, amor pra sempre, amor de amigo, amor com paixao.
Acredito no amor e ponto. E me todas as suas faces, sinas e poesias.
Acredito no amor pra continuar, no amor que vem e fica, no amor que remove montanhas.
Acredito que sem ele nao se viva, ou se viva menos, ou se viva sem saber que é vida.
Acredito que para acreditar nele basta sentir, e que para sentir basta respirar, e que todo ar que entra é digno de amor. Somos seres amados, amáveis, amorosos.
Acredito que o amor cura, que o amor constrói, e todos os clichês que ouvimos por aí.
Mas que ele é cego, bem, taí um que eu nao entendo muito, mas sei que nao é preciso nenhum outro sentido senao o sexto, e que este faz com que os outros cinco se reunam em sensibilidade e ... amor.
Acredito em fazer amor, em regar o amor, em cuidá-lo.
Acredito que nao existe amor sem se dar, e que entregar-se a ele é como dizer sim para o prazer.
Acredito no amor e em poucas outras coisas.
E amo.
Do fundo de mim, de dentro pra fora, de fora pra dentro, com todo o corpo, e com tudo o que me faz ser eu mesma.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

quase nada.

Quase nada, importaria, se o que me alimenta nao fosse a poesia.
Quase nada, mesmo, ou bem pouquinho.
Acontece que é de respirar assim que eu vivo.
É de escrever assim que eu sustento o que é prazer e vício.
É de enumerar as estrelinhas que vi, como se fossem versos de um poema que eu li. E de descrever o vôo das borboletas, pra que ninguém perca o melhor de seu show.
Faço por gosto e por hábito, de pagamento recebo sorrisos, lágrimas e às vezes até um beijinho.
Escrevo.
Ou quase nada.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O saber

Nao sei se tem cor
nem sei se faz bem
nao sei quanta dor
amor ou desdém

nao sei se é mais
ou se já nem tem
nao sei se eu vou
ou se ele vem

Já sei quem eu sou
e sei viver sem
já sei quanto é
e também sei de quem

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

sobre a alma,

(A vírgula no título sempre tem um porquê.
Aliás, sem querer racionalizar o impossível, sempre busco finalidades para o que vejo - depois de ter visto, ou para o que sinto - quando já estou sentindo, ou para o que escrevo - depois de terminado.)


Escuro por fora,
o dia se apaga
feito a noite de mim.
Dentro,
quente e mistério,
o meu universo se acalma.
É o dia que se vai,
em calendário solar,
formando esquina com o amanha.
É a próxima vez,
e a oportunidade
de começar de novo.
Nao sei o nome
nem o sentido
mas vale o que se intui.
O corpo é a casa
a mente é o motor
e existe um algo a mais.
É o que se entende
vez ou outra
por alma.
É o calor dentro do peito
o punhado de sorrisos
e de dor.
Sao as asas de andorinha
que nascem dentro de mim
e o sonho de voar.
É o desejo
de nao ter limites
e de nao parar.
Faz com que se encontre
em seu íntimo
a sua vida inteira.
Um mundo novo
e só seu.
Isso é alma
- em mim.



terça-feira, 27 de janeiro de 2009

tempo

"não pára"
"escorre pelas mãos"
"voa"
"passa rápido"
"mano velho"
"cura"



Cura?

domingo, 25 de janeiro de 2009

trata-se de saudade.

Eu queria explicar direitinho, que nao é o verbo "miss" simplesmente, ou "estrañar", "echar de menos" do espanhol.
Tem algo de poético, mas também tem algo de dor.
É uma coisa que a gente sente na espinha, e sabe que vem de dentro do coraçao. É algo que nao se explica com um sinônimo ou uma expressao.
Tem poesia, música e até livros inteiros pra explicar o que é isso de ... SAUDADE.
E hoje, a quase dois meses do dia em que Paty "virou estrela", é isso que eu sinto.
Sinto falta de ligar pra ela e ouvir sua risada e seu carinho ao me perguntar se comi bem. Sinto vontade de vê-la, toda linda, se preparando num ritual de beleza para sair de casa - um detalhe: era a única com fama de nao pontual da casa, mas valia a pena esperá-la sempre, acreditem em mim.
Ah! Que triste é acordar e me lembrar que ela nao está aqui. É isso mesmo, a minha memória me prega quase que diariamente essa peça de me fazer esquecer que ela se foi. Acho que é pra amenizar a dor, mas daí a dor no peito volta forte quando a realidade me dá o seu golpe matutino.
Sinto sua falta. Sinto vontade de conversar com ela. Sinto-me estranha por lembrar-me tao docemente dela aqui com a gente e depois pensar que esses momentos nao se repetirao. Sinto-me triste, muito triste.
Fico pensando que realmente nunca mais serei a mesma, pois parte de mim era ela, era ela, minha irma.
Eu perdi a minha irma, e isso é dor que nao se expressa.
Eu vou sorrir e ser o melhor que puder todos os dias, como sempre a vi fazer. Mas eu confesso, tem uma parte de mim que morreu também, uma parte verdinha feito a fé, cor de rosa feito o sorriso dela.
Eu posso ver as belezas e maravilhas do mundo, ser feliz e acreditar em dias melhores, sim. Mas dentro de mim há um ponto triste, um ponto dor, um ponto SAUDADE.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

benzinho e o português (o idioma)

- Ai, ai!
- O que foi, amor?
- Um morondongo me picou!
- (risos, risos) Marimbondo, amor?

---

- Isso chama tampinha, amor. Tampinha de garrafa.
- Ah! Aquela música? "um tampinha nao dói"
- (risos, risos) Ai que vontade de te mordê!

---

Benzinho sabe do que eu gosto. Pra me mimar um pouquinho, antes da viagem, ele vai escondido à lojinha da rodoviária e pede:

- Um BIS BIS por favor.


(Vocês também já tinham notado que vem escrito duas vezes?)



domingo, 11 de janeiro de 2009

Rio de novo.


"Cê já foi a Bahia, meu irmao? Tem de ir..."
Mas vá ao Rio também, oras...
Vá ao Rio.
Especialmente se puder ser recebido por sua melhor amiga, com quem você se identifica 100% mesmo estando muito tempo sem encontrar.
Especialmente se o benzinho for, claro...
Especialmente se o coraçao estiver precisando parar, olhar ao redor, e ver as diversidades de Deus e do homem, tudo junto, numa cidade só.
Especialmente se Ipanema te fizer cantar, se o bondinho de Santa Teresa te levar, se a água cristalina te abençoar.
Vá ao Rio, brother. Pode ir.
É perigoso sim... é perigoso você nao querer mais sair de lá.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

ano novo.

Este ano eu quero o mesmo que o ano passado. Saúde para mim e para os meus. Amor e vontade de continuar.
Quero o que quero sempre, e o que luto pra ter.
Quero acordar cedo que é para curtir melhor o dia. E me deitar à hora que eu bem entender, ao lado daquele homem que me faz tao bem.
Quero ser melhor todos os dias, e amar. Amar amor do bem, o único que pode receber tal nome.
Quero poder descansar na rede quando a cabeça pedir. E ouvir música que o corpo inteiro sente.
Quero alimentar-me das cores mais belas e dos frutos mais frescos.
E saborear cada dia como se fosse água de coco.
Desejo o que tiver de melhor no mundo para quem rodeia o meu, e o enche de alegrias e bons momentos. E desejo que o mundo inteiro possa encontrar serenidade.
No mais, quero que o tempo me ajude com o que é dor (já que é o único remédio para as dores irremediáveis) e me ensine sobre a paciência.
Eu quero um ano novo.