segunda-feira, 30 de junho de 2008

em dias de preparação

"Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus..."
Belchior
Eu quero preparar a poesia de cada lugar,
escrever no vento as nossas iniciais,
quero aguar as flores,
pintar as paredes - as quatro -
que vão cercar o nosso amor sem limites.
quero fazer pirueta na grama,
amaciar a terra,
adubar o amor que plantamos, diariamente.
quero preparar o automóvel,
que é para não precisar mais de auto controle:
eu descontrolo e você me beija.
quero semear o bem
e colher seus beijinhos.
quero vacinar contra o triste,
e principalmente contra o longe de você.
quero fazer um tubogã,
uma gangorra e uma piscina
para mergulhar em dias de calor.
ah! todos os dias com você farão calor.
quero abrir a porta da casa,
escancarar a janela,
colocar o tapete mais belo na entrada
e esperar você chegar.
quero.
quero e faço.
e vê se vem logo!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

"What can I say to you, bonita?"

Porque pra dizer a verdade coisas pra falar eu tenho aos montes.
Você, bonita, me cuida tão bem! E eu fico assim, com essas mensagens dizendo pra você tomar chá verde, tentando cuidar de você também. Nem é pra retribuir, é por carinho, vontade de proteger, vontade de salvar do que quer que seja que possa te causar dor.
Eu acredito tanto em você, sabe?
Acredito tanto que as coisas vão mudar e o que hoje dói será uma lembrança pra gente, pra gente nunca esquecer do quanto é precioso a gente ficar junto, dar as mãos, viver o agora e sorrir pro mundo inteiro.
Ah, bonita, cê é tão forte!
E nessa força eu inspiro poesia. Eu escrevo em forma de carta, de prosa, de papo, mas na verdade dentro de mim voam versos e rimas, um soneto inteiro de amor total.
Porque eu sei que agora tá tudo meio confuso, meio cinza, mas as lentes de ver tudo feliz, lembra? Acho que foi você quem me apresentou a elas.
Então, daqui, hoje mais perto que nunca pois até o jantar é um bom motivo pra eu te encontrar, eu falo assim bem em voz alta, em maiúsculas itálicas, EU AMO VOCÊ.

"esse papo já tá qualquer coisa"

"Berro por seu berro
Pelo seu erro
Quero que você ganhe
Que você me apanhe.
Sou o seu bezerro
Gritando mamãe.
Esse papo meu tá qualquer coisa"

Pois como diz meu bem, Caetano é o contrário do barulho dos carros nessa avenida confusa em que a gente morou.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

as cores de Miró.

"Para atingir sua expressão fontana
Miró precisava de esquecer os traços e as doutrinas
que aprendera nos livros
Desejava atingir a pureza de não saber mais nada"
Manoel de Barros



Miró

quarta-feira, 25 de junho de 2008

de lá pra cá.

e coisa e tal. A gente nunca sabe o que esperar do amanhã, não é?
Então o hoje vem, aparece assim, derruba a gente da cadeira e coloca os nossos pés no chão. Manda a gente olhar pra frente, seguir adiante, não parar pra pensar. Seguindo a corrente, nadando de acordo com a maré, peixe bonzinho e ovelha branca. Fugir da rede, matar a sede, reduzir a velocidade e cantar.
Porque o mundo não parou pra você descer, não esperou o seu momento chegar, não quis nem ler o horóscopo do dia.
Mas de lá pra cá, acho que todo mundo sabe, as coisas mudam, o tempo fecha e abre várias vezes, a gente tenta, repensa, relê a própria história, faz de conta o passado e sonha sonho novo para o que vem.
Mas não basta esperar.

terça-feira, 24 de junho de 2008

andorinha

Andorinha
Manuel Bandeira


Andorinha lá fora está dizendo: - "Passei o dia à toa, à toa!"
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste! Passei a vida à toa, à toa...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

samba.

Tá no meu nome, eu sei, isso de ser morena. Não tá na cor da pele, mas na nacionalidade tá. Tá nos pés, na minha vontade de dançar.
O samba tá em mim, e eu assim, vou sambando pra esperar.
Eu espero que chegue logo, que é pro meu samba ganhar alegria e a vida as cores do dia.
Porque sem sol não há manhã, e toda noite eu sambo.
Mas eu quero, ô se quero, que o samba da espera seja breve, e comece logo o samba do grande amor.

basta,

basta que haja água
e que a colheita seja farta
basta que haja sol
e que a maré esteja baixa
basta que haja ar
e que a montanha seja alta
basta que haja você
e a minha vida estará plena

sábado, 21 de junho de 2008

inverno.

começa o inverno, amor.
mas faz verão sempre que você está.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

sobre o meu irmão.

Eu tenho irmão sim. Não contei?
Ele se chama Leandro.
Entrou na minha vida como amigo. Depois namorou e se casou com a minha irmã.
Neste dia, o dia do casamento, ele virou o meu irmão.
Essa história de cunhado não vale muito pra uma amizade assim. Ele é irmão. Família. É amigo de verdade. E um cozinheiro de mão cheia.
É alguém que tem sido força e coragem, que tem agregado sorriso e garra às nossas vidas.
Fico feliz de estar perto de alguém como ele, e de saber que ele cuida tão bem da minha amada irmã.
Sobre a poesia?
Bom, Lelê, não é em rima, nem tem verso. Mas está dentro de mim com o seu nome, a sua força e a sua amizade.



terça-feira, 17 de junho de 2008

Antonio.

Existe um sol em mim.
Um sol que brilha e me acompanha até quando é noite, até quando tenho medo, até quando a dor me embaça as vistas.
Existe um sol forte, amarelo, laranja e vermelho, que enche a minha vida de um arco-íris inteiro.
Um sol em que posso morar. Um sol em eu também posso nascer todos os dias.
Um sol que faz com que o meu momento seja mais tranquilo, a minha vida mais plena, a minha casa mais cheia de amor.
Um sol poesia. Um sol que faz com que meu coração tenha mais calma, mais alma, mais vida.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

a forma da poesia.

Peguei o livro e sentei.
Sentei como quem acha que pode escrever poesia depois de ler poesia.
Sentei acreditando que poesia brota mesmo das mãos da gente depois que a gente a bebe com olhos. Bebe, porque ela entra feito líquido, faz sua forma na gente, do jeito que a gente deixar.
E quando ela sai, se a gente deixa poesia sair, sai sólida. Palavrinha atrás de palavrinha, esperando alguém beber.


(lendo Ensaios Fotográficos, Manoel de Barros)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

dia dos namorados.



a rosa.

o cheiro.

terça-feira, 10 de junho de 2008

se não.

Eu não quero viver
se não for em poesia.
Não quero escrever
se não for sobre mim,
(ou sobre ele).
Não quero manga
se não for debaixo do pé.
E nem quero beijo molhado
se eu não me molhar inteira também.
Não quero sentir mais fome
do que a fome de matar a grito.
Nem chuva eu quero ver
se não estiver da janela da casa em que quero viver.
Eu não quero muito
quero tudo e tudo que eu quero é possível ser.
Porque eu não quero ter,
eu quer ver, ser, escrever.
Mas, antes de tudo isso,
prefiro a primeira conjugação:
quero amar, doar, sonhar.
E faço de mim o que eu quiser,
a liberdade me tomou gosto.
Um dia após outro,
um beijo dele e 5 anos mais.
E cada dia que eu quiser reviver
é olhar pra dentro de mim
e eu sei, eu sei,
que farei bem melhor amanhã.

domingo, 8 de junho de 2008

através.

Há que pisar em vidro - a vida é delicada demais.
Há que saber o que dizer - as pessoas sentem sim. Sentem. Sinto.

Há que ser sincero. Verdade sim. Mas há que respeitar a verdade que está dentro.

Há que pedir menos conselhos, menos consolo, menos compreensão.

Há que saber ser sozinho para perceber que sozinho nunca se está.

Há que ver bondade nos olhos de quem deseja fazer-lhe escutar verdades. Mas há de redobrar a cautela e o discernimento.

E há que saber, e isso é bem importante, que amor não se mede ou calcula. Que é tão diferente do dinheiro que não se pode dizer: eu amo mais, você menos.

Há que rezar as orações aprendidas na escola para fazer um mantra na mente e pedir de coração, à sua maneira e fé, a bênção que se deseja alcançar.

Há que ver beleza na distância, aprendizado na dor, poesia no nascer do dia.

Porque uma segunda-feira pode ser o melhor dia para compartilhar um sorriso.

E o passado pode ser relembrado a gargalhadas, ou saudosismo, frio na barriga ou arrepio na pele.

Há que entender que a gente sabe mesmo muito pouco, e que julgar o outro também é coisa de gente, mas que evoluir no respeito ao diferente é pra gente em construção.

Há que gravar na alma as paisagens mais belas, em alta resolução. E revisitar a memória do alegre para não morrer de tédio.

Há que ser o que se é, aceitar os desafios e sorrir.

É possível renascer, romper rótulos, desatar nós e descalçar os pés.

Há que deixar haver em nós as dúvidas.

Há que saber que a principal certeza é no fundo o amor.

Através - Cildo Meireles (1983-1989) Inhotim

sexta-feira, 6 de junho de 2008

poco a poco.

Pouco a pouco vou arrumando os armários, colocando meu incenso e minhas violetas na janela.
Vou fazendo da nova morada um lugar habitável: a minha morada sou eu. Cuido de mim como quem sabe a preciosidade do amor - pois se amo, me cuido, que é para dar o melhor de mim ao amado.
Vou colocando meus pés na grama sabendo que a terra traz a energia que eu preciso. E com os meus braços eu faço um grande abraço, dizendo com meu corpo o quanto a amo, o quanto estou torcendo e como eu acredito na cura.
Pouco a pouco porque a pressa afasta as pequenas belezas e os prazeres minuciosos. A ligeireza nem sempre é fonte de bons resultados.
Tenho achado os caminhos bem melhores que os destinos.
Tenho achado destino no meio do caminho.
Vou.
Vou devagarinho. Bem de mansinho.
E acredito que escrever pode ser que fique pra depois, porque o agora tem exigido a minha compenetração.

...

Para quem prefere que as metáforas sejam deixadas de lado e o "vamos direto ao assunto" tome conta deste espaço, explico:
Cheguei ao Brasil.
Tenho matado a saudade dos amores meus. E a saudade é tanta que dá vontade de ficar pertinho o tempo todo.

Quando são 2 aqui (7 lá), depois de um banho de água aquecida pelo sol, passo batom da natura, me visto de preto por dica do horóscopo e abro o MSN.
É... enquanto nossos corpos não se encontram, a poesia vai por teclado.