sábado, 31 de maio de 2008

tempo de aprender.

Tenho plantado sementes de amor, juro.
Planto diariamente, com um sorriso aqui, um perdao ali.
Vou colher o que for.
E acho que virao flores belas.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Valencia.

Os meus olhos estao cheios de lágrimas sim.

Hoje é meu último dia na cidade onde conheci e comecei a viver o meu amor.

Volto pra terrinha amanha bem cedo. Deixo o meu primeiro ap, os meus novos amigos, o mediterrâneo. Mas levo recordaçoes.

O meu amor nao deixo. Levo comigo: dentro do coraçao e no brilho dos meus olhos enamorados.

Uma etapa linda, um ciclo bem vivido, meses que duraram meses.

Volto porque SIM. Porque a minha luta, que eu comecei do lado de cá, eu vou continuar desse lado aí. De maos dadas à minha família guerreira, buscarei ajudar, apoiar, alegrar.

Levo na bagagem muita esperança além de chocolate. Uma garrafa inteira de fé e outra de vinho. Levo tempero indiano e meu tempero de vida. Porque é por ela que eu volto. É pela vida. A vida que a gente vive e viverá por muito tempo.
Volto porque as pessoas que eu amo estao esperando por mim com alegria.
E eu volto para levar a minha força, a minha coragem, a minha vontade de lutar.
A gente nao sabe o que é uniao até vivê-la intensamente.
A gente nao sabe o poder do amor mas sabe que ele cura.

Eu vou deixando essa cidade, esse país, sabendo que muitas portas continuarao abertas. Porque o sorriso-cartao-de-visita, característica de qualque bom brasileiro, eu soube usar.
E os poucos e bons amigos que fiz (Pilar, Mari Eugenia, Marbella, Luis, Consuelo, Dama, Rosa, Peter) e a nova família daqui (Mari Carmen, Maria e Jose Antonio) serao também bons motivos para que eu volte um dia.

Com lágrimas nos olhos e um sorriso de "está tudo bem", eu declaro meu carinho pela Espanha, que abençoou o meu amor. E declaro meu carinho pelo Brasil, que também fará o mesmo por nós.

Volto porque acredito que me tornei mais valente.

terça-feira, 20 de maio de 2008

um presente.

Deixaram esse presente pra mim. Nao sei quem foi. Só o link do youtube.
E presente lindo assim a gente compartilha.



Life On Mars?
Seu Jorge
Composição: David Bowie (versão Seu Jorge)

Quando as coisas do coração
Não conseguem compreender
O que mente não faz questão
E nem tem forças pra obedecer
Quantos sonhos já destruí
E deixei escapar das mãos
Se o futuro assim permitir
Não pretendo viver em vão

Meu amor não estamos sós
Tem um mundo a esperar por nós
No infinito do céu azul
Pode ter vida em Marte
Então, vem cá me dá a sua língua
Então vem, eu quero abraçar você
Seu poder vem do sol
Minha medida

Meu bem, vamos viver a vida
Então vem, senão eu vou perder quem sou
Vou querer me mudar para uma life on mars

domingo, 18 de maio de 2008

Nêgo sangue bom.



As favelas, o morro, a gente de lá.
A gente. Nossa gente. Gente do mesmo país que a gente. Do mesmo mundo. Do mesmo passado mesclado. Da música que a gente ouve. Do samba que a gente dança.
Esse nêgo aí sai do nosso país levando o país inteiro.
Chega entre os "brancos" daqui pra contar uma realidade e uma história que nao é só de filme. Conta em bom e alto português. E se faz entender muito bem.
Esse cara, que já morou nas ruas, que já foi "problema social", agora luta através do seu dom por uma vida melhor e mais digna do nosso povo.
Luta com sorriso e samba, mas com seriedade e um discurso que sai do coraçao.
E aí, até eu que nao costumo ser tiete, me sinto muito orgulhosa de "posar" ao lado dele.


Seu Jorge - Burjassot, 15 de maio de 2008

sexta-feira, 16 de maio de 2008

cores.

eu sempre pensei que poesia tivesse cor.
hoje vejo que sao as cores que têm suas poesias...

quarta-feira, 14 de maio de 2008

o santo da minha vó.

Eu tinha 15 anos quando ela me deu, e estava me preparando para minha experiência "lá fora". Todos estavam um pouco apreensivos, eu muito novinha, o mundo muito grande.
Mas meus sonhos gritam, e naquela época nao foi diferente.
Gritaram tanto que meus pais cederam, e minha vó deu sua bênçao.
Pouco dias antes, quando fui me despedir dos meus avós, minha vó, chorando (o que nao é difícil numa família assim meio italiana), me entregou a imagem de um Santo Antonio bem pequenininha e disse: - Leve ele bem pertinho de você. Ele é meu, tem muitos anos que o guardo comigo. Ele vai te proteger.
Eu senti muita emoçao e coloquei o Santo Antonio dentro do bolso, e depois dentro da minha mochila.
Nao sou católica, mas adoro as oraçoes da minha vó! Ela benze, protege a gente de mau olhado ou espinhela caída. E por mais que eu faça minhas oraçoes ao sol, sabia que todo o carinho da minha vó, depositado na imagem daquele santo, me protegeria sim.
Eu o guardava comigo sempre. Mesmo depois de retornar das viagens.
Era item importante da minha bagagem.
O santo já visitou cada cidade linda!

Acontece que quando me mudei de apartamento aqui, há mais ou menos 8 meses, eu o perdi. Aqui apartamento novo já nao o encontrei. Passei muitos meses pensando nele, na minha vó, na proteçao que ele significa pra mim.

Hoje, depois de tanto ter procurado e até sonhado com o santinho, nao estava especialmente pensando nele. Pedi ao Antonio para pegar minha mala - pois começo a preparar as coisas pra minha volta - e, quando a abri, ele estava lá, num cantinho mais escondido, mais quentinho.

Meus olhos pingaram orvalho, meu coraçao sorriu aliviado.

Acredito no meu santinho, porque acredito na minha avó.

terça-feira, 13 de maio de 2008

a minha gente daqui - parte 2

Dama e Rosa- Dámaris, nome russo, aluna de inglês, beleza "mora", amiga espanhola. Sensibilidade, cultura e elegância. Adora dar presentes: vinho, agenda, guarda-chuva, até entrada para um spa no Hilton ela já nos deu! Adoro os presentes que ela dá. E a presença dela na minha vida valenciana. Rosa é flor. Flor da cor do nome. Se veste sempre com cores alegres. É divertida, inteligente, alto-astral. Seu casamento é em setembro. Nao estarei presente, mas mandarei meus votos de felicidade e amor. Estar perto dela e nao morrer de rir é quase impossível. Essa dupla me fez muito bem aqui!

Javi- Amigo do Antonio. Mora em Santander. Sua inteligência e humor sao imbatíveis. É observador. É amigo. Fazer amizade com ele foi questao de segundos. Abre a casa e o coraçao pra gente, sempre que vamos a Santander.

Amélia- coleguinha portuguesa, com quem dividia as saudades que a gente sente quando estamos longe da família. Contadora de contos e casos. www.ameliehihi.blogspot.com

a moça da cafeteria- nao sei seu nome, por falta de memória. Mas é personagem fixo da minha vida aqui. É simpática e curiosa. Sempre pergunta o que estou lendo, ou porque eu nao como carne, ou de onde estou chegando. Nao pergunta por fofoca, mas porque acha "legal". Sempre me recebe com sorriso e me chama de guapa.

Claudinha- hermanzita. Amiga de irma também pode ser amiga nossa, né?! Claudinha é made in Brasil. É companheira de natal e ano novo, duas vezes já. É gente boa, com quem se pode brindar a verdade.

o moço da loja indiana- também trabalha no restaurante indiano que o Antonio e eu amamos. Trabalha muito, enfim. Ou na loja, ou no restaurante. Lugares que a gente frequenta bem. Sempre sorrindo, na sua timidez. Há dois fins de semana o encontramos na rua, pela manha, com óculos de sol. Estava super orgulhoso, alegre, nos cumprimentou tao bem!

Chun Yan- a chinesa que trabalha comigo. É bela e sorridente. Sempre tem um elogio ou uma notícia boa para dar. Comemora os pequenos prazeres da vida com maestria. Nisso já ganha muitos pontos, mas além do mais é uma boa ouvinte. Se tivemos algum problema de cultura? Só um. Ela me deu uma bala, eu abri e coloquei na boca. Achei o gosto estranho e perguntei: De que é? E ela respondeu: de carne de boi. Argh......... (tive que esperar ela sair pra cuspir)

domingo, 11 de maio de 2008

dia das maes.

Quando era pequena, num cartao de dia das maes, escrevi à minha que ela era a mae mais bonita do mundo.
Hoje, muitos anos depois, tenho a certeza disso. :)


Tô chegando, maezinha! Vou te dar muitos beijos!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

poesia.




Chove.
Meu amor sai e volta com uma rosa vermelha pra mim.


quarta-feira, 7 de maio de 2008

a minha gente daqui.

Pilar. Nome de santa. Cara de anjo. Abraço e beijinho de brasileira. Sorriso de criança. Carinho de amiga. Pilar é minha aluna de inglês, nasceu em Barcelona e vive em aqui em Valencia há muitos anos. É mais velha que eu (em idade, pois nao parece), é amiga à primeira vista. Ela faz elogios, me leva pra passear, e em momentos difíceis sorri e deixa um envelope pra mim, na secretaria do curso, com o DVD de Memórias de uma Geisha pra eu ver de novo e um bilhetinho. É tao linda a Pilar!



Consuelo. Já foi personagem de um post inteiro. É a senhora de 82 anos que mora no apê ao lado. Minha vozinha aqui. Ela me encontra no elevador e diz: "Se precisar de colher, panela ou pano de prato, me fala que eu tenho um monte!".



Luis e Maria Eugenia. Alunos também. Amigos também. Luis é doce. Nem acho que é tao por acaso que trabalha em uma confeitaria. Tem pouco mais de vinte anos. Ele está sempre pensando em alguma coisa... acho que tem um mundo só dele dentro da cabeça. Maria Eugenia é alegre. Tem 18 anos e o cabelo é cor de rosa. Veio da Venezuela com sua família. Está namorando e a gente vê nos olhos dela toda a alegria que sente.



Marbella. Mae da Maria Eugenia. Cumprimenta com um beijinho quando chega na sala de aula. Foi à Venezuela por duas semanas e voltou com um "regalo" pra mim. Entregou dizendo: "a present from Venezuela made in Brazil". Era um par de sandálias Ipanema. A alegria de ter sido lembrada em sua viagem me deixou mais chique que a Gisele Bündchen.



Peter. Meu chefe numa escolinha de inglês em que eu também trabalho. É do país de Gales, já nao é um menino: tem cabelo branco e uma filha mais velha que eu. Tem um humor um pouco estranho, está adorando fazer piadinha comigo sobre o Ronaldo e seus travestis (aff!). Mas no fundo é um cara super carinhoso, que só nao aprendeu o que é um abraço. Quando me abri com ele, sobre meus medos e alguma dor, ele ficou desconcertado, vi que queria chorar, que queria me dar colo. Nao conseguiu por falta de hábito, mas a vontade eu percebi no fundo dos seus olhos e isso já me valeu.



Mari Carmen. Minha sogra. Mas nem gosto de falar assim porque quando a gente diz sogra todo mundo pensa em piadinhas ruins. Nao. Ela é um docinho! Faz um arroz doce igualzinho o da minha mae. Manda presente pelo correio para o Antonio e para mim. Quando ela despede no telefone manda beijo fazendo 'smack' com a boca. Mora longe da nossa cidade, mas mora pertinho da gente.

O Antonio? Nao gente, dele eu nao posso falar aqui... Sobre ele seria um blog inteiro, a minha vida inteira...

terça-feira, 6 de maio de 2008

world, word.

"Es que yo confundo el mundo y las palabras..."

é, eu também...

segunda-feira, 5 de maio de 2008

junto.

Eu volto.
Venho, vou, faço, sou.
Depois volto.
O saber viver me diz que tem hora de ir e hora de voltar.
O gostar de mim me diz que tem hora de ir e hora de ficar.
O amar me diz: você vai? Vai juntinho dele, uai!
E só assim eu posso ir, ficar ou voltar.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

anécdota de autobus

Una pareja de ancianos entra en el autobús. Hay un asiento libre y él la conduce hacía este, dándole la mano para que pueda hacerlo tranquilamente (pues el conductor no espera a que los ancianos se sienten para arrancar).
Él, mirando hacía la parte de atrás del autobús, ve que hay dos asientos libres ahí. Pone una sonrisa y camina hacía atrás para sentarse.
Ella, pasado un minuto sin ver a su marido, mueve la cabeza buscándole.
Y, cuando mira hacía trás, le ve ahí, sentado, sonriendo, llamándole con la mano.
Ella, con una sonrisa igual de grande, se levanta y camina despacito hacía él, diciendo:
"¡Qué bueno! ¡Podemos sentarnos juntitos!"