quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

corrente.

Melhor que brincar de trenzinho, mais bonito que flores unidas em um laço, é a energia e a fé - de tanta gente diferente - canalizadas num sonho em comum.


Para Cris, por ter me telefonado ontem a noite.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

a força.

nao tá do lado de fora.

nao tá no cabelo, Sançao!
nao tá no livro auto-ajuda.
nem no mar,
nem no chao.

nao tá no que a gente vê.
mas tá no que a gente sente.
tá onde o calor faz ninho.
tá no abraço mais quente.

nao tá no trevo e nas folhas
nem tá no pé de coelho
tá na alma de quem precisa
tá dentro do espelho.

tá no meio da gente,
no centro.
nao tá longe de alcançar.
nao tá fora nem longe:
tá dentro.
é só a gente buscar.

para Paty, Leandro e Antonio, que me ensinam, diariamente, uma liçao do bem.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

conto de quem conta.

Nasci na gruta da ilha. Nasci da gruta da ilha.
Sou filha do azul do céu, que fecundou o escuro da gruta mae.
Nasci metade mulher, metade pássaro.
A metade que permite voar.
Era medrosa, de pequena, e tentava dentro da gruta pequenos vôos.
A primeira vez que saí, conheci o deus Sol.
Me enamoré.
Casei-me com ele na manha seguinte, quando ele nascia, e eu também.
Volto à gruta mae - questao de aconchego - sempre que quero colo.
Olho o pai céu, diariamente, agradecendo o azul.
Moro no Sol.

Quiero al Sol.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

passeio do crepúsculo.


passeia, o pôr do sol
na hora que tem vontade.
passeia a liberdade de se pôr.
passeia o nascer do sol,
na hora que tem saudade.
e volta, e nasce,
como a gente sempre sonhou.
imagem: passeio do crepúsculo, Van Gogh

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

doble o uno?

a cama é nossa
e eu já nem sei
se o cheiro nela
é dele, ou meu.

domingo, 20 de janeiro de 2008

"Si nada en tu interior está rigído
Las cosas se te abriran por sí solas.
En movimiento, sé como agua;
Cuando quieto, como un espejo.
Responde como un eco."

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

sentidos.

o parque está na cidade. o circo nao, o parque.
a roda gira, gigante, e da janela da sala eu vejo. eu sinto.
eu sempre sinto.
eu sinto muito.

a saudade é verbo em mim.
saudadeo você, saudadeas de mim?

respiro.
respiro fundo.

o doutor olha para mim e pergunta:
tá respirando, Adriana?
eu penso, sem dizer:
o tempo todo, uai.

a saudade é nome próprio.
Saudade.

vejo. vejo tudo.
com meus olhos cor de céu.
sao sim! ou nao vê poesia no negro da noite?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

amar é...


De noite, quando se sente medo, dizer:

- Me abraça?

E ouvir como resposta:

- Muito forte.

sábado, 12 de janeiro de 2008

sob o sol.

A comida tá pronta, a mesa tá posta.
A música de fundo é "ao deus dará" (ou shuffle, no ipod, pra quem prefere assim).
Escuto a porta se abrir. Corro pra vê-lo entrar.
Chega com um sorriso e a bicicleta vermelha.
Abro meu sorriso mais grandao.
A gente dá um beijo longo, de quem nao se vê há um tempao. (poxa! 4 horas é MUUUITA COISA!).
O dia tá bonito. A casa tá aconchegante. O sol tá entrando pela janela.
Nos deitamos sob o sol.
A comida tá pronta, a mesa tá posta.
Mas quem é que tem pressa em dias assim?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

trevo.

eu vou subir mais alto que antes.
nao passo debaixo da escada, subo nela.
vou sorrir mais grande que antes.
acho gato preto um charme.
vou segurar o fôlego durante todo o túnel,
mas meu lugar é ao ar livre.
rezo para o sol,
mas sou devota de Sao Longuinho.
tenho um novo amor.
novo todos os dias. o mesmo desde que eu nasci.
bato na madeira,
vira samba.
a vida é cheia de coisa boa
e joga sal no que nao for!
de três ou quatro folhas,
sorte na vida, meu irmao!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

outra coisa!
sou amiga do carteiro sim! ele se chama Paulino.

a caixinha.

Eles me descrevem, com carinho e poesia, dentro de uma caixinha.
Colocam um pouquinho de cada face de mim.

O meu gosto pelo oriental vira um chaveirinho de uma gueisha.
A música que toca dentro de mim, um CD do Djavan.
A minha forma de vestir, que eles entendem bem, é uma blusinha de primavera, leve e branca, feita à mao.
Para abrir o vinho, um abridor de sapatinho holdandês.
O meu jeito 'menina com cabeça nas nuvens' é um mensageiro do vento.
A beleza do simples, que eu aprecio tanto, sao brincos de búzios e conchinhas.
A poesia - uma caixinha com um verso do Vinícius de Moraes.
Para os meus pés inquietos, que amam viajar, bandeirinhas para a mochila (agora da República Tcheca, Polônia, Holanda...).
Um porta-retrato de borboleta, com asas de madrepérola - onde, com muita saudade, coloco o cartao que enviam: Para Dri e Antonio... de seus pais, irmas e sobrinho.


Tanta delicadeza e poesia, tanto amor.
Uma caixinha que fez com que brotassem lágrimas de saudade.
O amor nos deixa tao pertinho....

Obrigada, meus queridos.

domingo, 6 de janeiro de 2008

nao sei.

Começarei. A música disse que "nao sei". Eu, mais uma vez, no lado de cá do meu coraçao, onde tudo bate mais forte, penso no que a vida tem pra mim. Hoje é dia de Reis, aqui. Tá, eu sei, aí também. Mas aqui é algo bem importante, acho que até ganha do 25 de dezembro. No parque, hoje, os meninos brincavam com os brinquedos novos que ganharam do Reis. Os que se comportaram mal no ano velho que acaba de fechar as portas, recebe "carvao". Mas os Reis andam mais bonzinhos atualmente. É um carvao doce, que se pode encontrar em toda padaria e confeitaria uns dias antes do 5 de janeiro. Será que os Reis os compram aí? Será que é tao mau entao se comportar mal?
Nao sei. Nao sei porque descrevo e opino sobre o que vi quando, na verdade, pouco mais que isso invade tanto meio coraçao quando os pensamentos voadores da minha cabeça que nao pára. Já contei sobre isso, nao? É. Contei sim, no ano passado.
Contei sobre o pouco que sei? Nao sei.
Contei sobre o que realmente sei?
Sempre me lembro da minha mae dizendo que só temos uma certeza na vida. Quase nunca vou contra o que diz minha mae mas, neste caso, terei que afirmar que sei, e que existe sim coisas mais certas e verdadeiras.
É certo que sentimento a gente nao pega, que nao pode descrever bem com palavras e que às vezes nos escapa um suspiro quando a gente nao percebia que ele estava por vir.
É certo que é abstrato, mas existe o amor.
É certo que a distância traz saudade, mas que o contato entre um coraçao com outro coraçao a faz menos dura e mais doce.
É certo que chuva é boa pra dormir e sol pra sair.
É certo que a gente morre um dia. Ou vários dias. E nasce novamente sempre que quer.
É certo que me sinto mais livre quando estou de maos dadas a ele.
No mais, nao sei.