quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

ao meu amor.

Obrigada.

à nossa estrela.

no dia do seu aniversário, querida, nos reuniremos contigo através dos nossos coraçoes.
rezaremos em agradecimento pelo dia que você nasceu, pela brilhante passagem por nossas vidas, e por você viver eternamente em nossos coraçoes.

sábado, 20 de dezembro de 2008

medicina

Lendo e relendo mensagens que ela me escreveu, ou que eu escrevi pra ela, vi uma que a enviei depois de uma noite quase inteirinha em claro, em que me veio à cabeça a seguinte frase: "o amor eclipsa a dor". A escrevi com todo o carinho do mundo, sabendo que continha ali, nesta frase tão simples, o melhor analgésico do mundo. Este remédio não curou a doença dela, mas curou a sua dor, e um dia vai curar a minha.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

chuva,

até o céu anda chorando.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

foram meses em que o meu medo eu mascarei, para que ela não desse conta.
eu mascarei os altos e baixos da minha fé, em poesias que eu tentava colorir, para fazer seu dia melhor.
eu sorria com lágrimas secas, que não caiam, não por falta de dor aqui dentro do peito, mas por vontade de ser mais forte e de deixá-la tranquila.
eu confessa, apenas de noite, a dor que me acompanhava em meses em que a sua luta era nosso alimento.
eu sentia no peito um medo que me aterrorizava. não estava pronta para perdê-la. nunca estaria.
hoje, não sei dizer que vento bate em mim, que força me faz levantar, que sol é esse que nasce diante dos nossos olhos e que vira lua cheia pra me consolar.
não sei explicar. nunca saberei.
mas os dias eu passo sorrindo. nas tardes eu sinto saudade e à noite deixo uma lágrima soltar-se de mim.
o amor conta mais que a dor.

retórica.

se ela estivesse aqui, diria:
- Pequena, não chora!
Mas como posso não chorar se ela já não está?
(e se por isso mesmo choro...?)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

"a minha fé deu nó"

um pouco de poesia pingou no dedo da menina. ela, cheia de esperança, soprou no ar o pozino daquela coisa, a poesia. esperou até que o mundo todo tivesse aquela cor. às vezes o mundo tem. às vezes o mundo nem tem. "descolore". a menina chora. mas fazer o quê? a gente tem que dançar porque ainda é dia.

sobre a morte,

"Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá..."

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Paty

Ela uma vez me deu um livro de Mário Quintana.
Ela sempre lia meu blog, às vezes com uma férrea interpretaçao das poesias, preocupando-se comigo. Ela sempre cuidava de mim.
Quando me mudei para a Espanha, ela me telefonava pra saber se estava me alimentando bem. Eu estava sim, e achava uma graça sua forma de cuidar de mim.
Ela, bela e vaidosa, sempre me dava presentes que combinavam com ela, e acabava pegando emprestado depois.
Ela sorria muito.
Tinha as melhores lembranças possíveis das nossas viagens juntas.
Amava a família de uma forma muito declarada.
Nos agradecia sempre as visitas, por mensagens de celular muito carinhosas.
Eu, a caçula, aprendi MUITA coisa com ela. Foi ela quem me ensinou sobre assuntos que minha mae tinha vergonha de conversar. Foi ela a primeira a saber muitos segredos meus. Foi com ela que bebi pela primeira vez, um Hi Fi tao forte que nunca mais eu bebi Fanta!
Eu estava com ela enquanto nosso sobrinho, nosso único sobrinho, nascia no hospital. Recebi com ela a deliciosa notícia que era um menino, para encher a casa dessas três irmas de carrinhos e bolas de futebol. Juntas, sorrindo e chorando, esperamos ansiosas pela chegada de pai para nos levar ao hospital.
Ela adorava tirar fotos, e sempre ficava linda nelas.
Ela era doce. Doce mesmo. Quase nao dizia nao.
Cativava a todos com sua beleza (maior ainda por tanta simpatia).
Dormiu ao meu lado por MUITOS anos, até se casar.
Foi a noiva mais linda que eu já vi.
Foi minha madrinha.
É uma lembrança gostosa, que traz lágrima com sorriso.
A minha irma era bem mais do que eu posso escrever aqui. Mas eu preciso tentar escrever, tentar expressar, tentar fazer doer menos a falta que ela me faz.
Ela está dentro, onde sempre esteve.
É amor de perto.

sábado, 29 de novembro de 2008

"nasce uma estrela"

Em dias assim, tem poesia?

A poesia cai em lágrima, desce pelo rosto da gente, que sofre a dor de nao poder ter mais por perto a pessoa mais doce, mais linda, mais sorridente.
"Foi descansar".
Descansar de um ano tao árduo de tratamento, tratamento de uma doença tao misteriosa, tao dolorosa, tao incompreensível.
Ela deixou a gente com a certeza de que sempre temos que lutar, sempre podemos lutar com sorriso.
Estamos em paz, sabemos que melhor que estar aqui com uma doença que se espalha pelo corpo é estar entre as estrelas mais belas do céu, olhando e cuidando da gente como fazia também aqui.
Estamos em paz, sabemos que melhor que chorar de dor, é chorar de saudade.
Cuidaremos dos jardins agora.
Cuidaremos um dos outros.
Almoçaremos juntos, celebraremos a viva memória de quem sempre nos fez bem.
Acreditaremos na luta, na vida.


A noiva mais bela que a cidade já viu agora é a estrela mais brilhante.
A poesia é ela.

a 27 de novembro - dia mundial da luta contra o câncer

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

mochila.

Cada um leva uma mochila ou um elefante nas costas. Cada um de nós, em determinado momento, tem um problema. (ou pelo menos nao conheci até hoje alguém isento de problemas, e pra falar a verdade, essa pessoa podia até ser um pouco sem graça).
Mas enfim, cada um de nós, com essa carga nas costas, busca fazer alguma coisa para aliviar o peso - embora alguns se acostumem com a carga e decidam levá-la adiante. De qualquer maneira, o fato é que sempre somos capazes de suportá-la e de livrarmos dela. Pelo menos é nisso que eu acredito.
Um problema é sempre grande, gordo e pior para quem o leva. Dificilmente podemos compreender sua dimensao e intensidade ao menos que o tenhamos que levar nas próprias costas.
Há diversos tipos de problemas, e em diversas áreas o "gavetas" da nossa vida. Quando estamos no meio do furacao é bem complicado sorrir de forma leve, acreditando que passa. E às vezes a mochila começa a fazer mal pra nossa coluna, e a gente acaba pedindo ajuda de alguém que, embora nao possa levá-la pra gente, nos ensina alguma forma mais anatômica de segurá-la. Nessas horas, com a dor do peso em nosso corpo, nao temos muita malícia de mudar a posiçao da mochila, de vê-la de outra maneira, de buscar o objetivo ou ponto em que podemos deixá-la, e por isso, exatamente por isso, é bem importante que tenhamos a humildade e a grandeza de pedir ajuda.
Nao somos melhores por carregarmos a mala mais pesada do mundo sem ninguém por perto dividindo com a gente o peso.
Somos melhores quando podemos sorrir e dizer: - Tá foda, me dá a mao?
Quando conseguimos as pessoas certas (e nem necessariamente só pessoas, de repente é um vaso de violeta, ou um cachorrinho), o caminho vai ficando ligeiramente mais leve.

Por que escrevo? Porque faz algum tempo que tenho recebido ajuda e carinho de gente (e flores) que têm me feito ver melhor a minha própria mochila, e que me inspiram a levá-la de forma que eu possa, ao mesmo tempo, sorrir.
Para quem escrevo? Para aqueles que estao com uma mochila tao pesada quanto a minha, ou mais pesada que a minha, e precisam urgentemente diminuir a carga para respirar melhor.
Como escrevo? Com plena consciência de que um problema de verdade nao se resolve com textinhos de auto-ajuda como este, mas que o fato de escrevê-lo é uma forma de relembrar a mim mesma a importância de contar com essa ajuda que me é oferecida, dividir e somar, compreender e quando isso nao é possível, sorrir e tentar. Escrevo sabendo que às vezes é brutalmente inútil a minha tentativa de ajudar alguém, mas que continuarei tentando e estarei verdadeiramente prestes a ajudar caso me peçam. Escrevo porque sei que em dias de tempestade é díficil pensar em outras coisas. Escrevo com amor.

modernos.

Costumávamos falar sobre "a chegada da modernidade". Estao terminando as obras aqui na rua de casa, o asfalto já chegou até a metade do caminho. Tenho motivos suficientes para alegrar-me com isso e motivos também importantes para estar chateada.
Asfalto.
Sei lá... estou preocupada hoje com os curiangos (pássaros de hábito noturno que costumavam acomodar-se no meio da estrada, até entao de terra, a partir das sete ou oito da noite). Faz algum tempo que nao os vejo, mais especificamente, desde o início das obras, quando começaram a remexer toda aquela terra, causando uma poluiçao um pouco sem lugar, um barro ruim de tirar do tênis, e um ruído bem pouco agradável de máquinas e tratores. ("à toda evoluçao antecede o caos", eu pensava).
Mas acontece que agora boa parte da estrada já está asfaltada, principalmente perto do nosso portao, mas nao voltei a ver os curiangos. (Eu costumava rir porque eles esperavam até que o carro chegasse bem pertinho deles para levantar vôo - comentei que eles ficavam literalmente no meio da rua? E nao, NUNCA atropelei nenhum, dirigir devagarinho é ruim só para quem está atrás de mim.)
Enfim, o cheiro de asfalto já está no ar, a modernidade se aproxima das nossas terras aqui, fazendo o sítio se tornar um pouco parte da cidade. Mas... e os curiangos?


Dentro de pouco (nao posso conter a brincadeira) é possível que chegue Pepsi Twist Light.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

3 minutos.

trôpega, atravesso
Em pranto, de prontidao.
(simples sentido)
Afogo-me no olfato.
De fato é fogo.
Entre tapas, no topo.
Nao topo.
Estalo no espaço.
Paisagem à paisana.
Em passo de pássaro.
Sou rápido.
Esqueço e vou.
Ando colocando margem.
E já bem pouco guardo a poesia.
Explícita, ela vai por aí.
Eu interruptamente pergunto
se um dia ela volta pra mim.
Lembro-me de ser capaz
de ser bem mais
do que se podia imaginar.
Lembro-me de ser bem pouco
e de tao nada,
desaparecer.
Lembro-me de me lembrar bem pouco,
e de tanto esquecimento,
querer ser relembrada.

domingo, 19 de outubro de 2008

carta.



É que a primavera chegou, querida. E as janelas devem ficar abertas para as andorinhas se aproximarem. Tem vez que o ninho é bem em cima da nossa janela, e isso é um ótimo sinal!
Sobre as estaçoes que passaram? Elas todas fizeram o seu papel. Foi preciso fazer frio pra gente perceber que cada cantinho de sol podia aliviar a gente. Foi preciso que as árvores perdessem folha por folha pra que o tapete no chao fizesse mais macia a nossa caminhada. Cada folha foi uma pequena mudança pra árvore, mas também para o nosso caminho.
O que foi, certo é, nao volta. Mas para quê seria preciso voltar se o futuro nos traz coisas novas? De fato nem todo presente é presente, e nem sempre a cabeça da gente pousa no momento do agora. Vezes por sonhos, outras por melancolia ou saudade. Mas o que a gente faz é importante para as próximas estaçoes. E plantar agora é garantir o jardim de amanha. Isso me ensinaram bem.
Eu sei que às vezes tudo é tao duro que até agradecer exige esforço da gente. E que a dúvida nasce junto com a dor. Só que de repente as nuvens se afastam e o sol faz brilhar mais forte que qualquer toró. É a isso que chamam de primavera.
A carta eu escrevo pra dizer bem pouco, dentro de cada metáfora existe a mesma direçao: eu amo você e tudo ficará bem.
As dores e o sofrimento passarao.
A vida se renova em nós, e isso é bem forte e visível em você.
Feliz primavera, querida!

or.



Sobre as dores do mundo, (...) dores? Nao. Sobre as cores do mundo eu posso falar muito.


Posso falar do verde dos olhos do meu amado ele, da noite meio azulada da minha amiga lua, do branco da energia da minha irma-coragem. Posso falar do laranja do pôr do sol, que a gente vê da janela da alma, toda vez que vai orar. E também tem o vermelho que vibra dentro da gente, ou fora da gente, em maças, rosas e triângulos. Tem o amarelinho! Tem o amarelinho das borboletas da Arca de Noé do Vinícius. E o negro da noite, o marrom dos meus cabelos, o cinza do céu meio indeciso...


Posso até tentar descrever o azul do mar de Santander. Você já foi a Santander? De fato, em Arraial do Cabo Deus também permite que vejamos este azul. Mas tem tanto tipo de azul, né!?


A cor da poesia de hoje?




TODAS!




sexta-feira, 3 de outubro de 2008

sobre saber.

Sobre as voltas que o mundo dá, o que sei?
Sobre as ondas do mar, o que sei?
Sobre a vinda da primavera no hemisfério que agora vivo, o que sei?
Sobre amores e dores, eu sei?
Sobre a cor dos seus olhos, sei?


Sei um pouco de quase tudo. Ou nada de coisa alguma. Sei o tanto que estudei nos jardins da faculdade, no pátio da escola, no intervalo das aulas, no finzinho do filme (ainda dentro do cinema), nas histórias inventadas pelos meus amigos imaginários - a quem eu ouvia com atençao.
Sei o que sei e mesmo sendo pouco -ou quase nada- faz um sorriso em mim sempre que algo novo aparece para eu descobrir.
Sei o que sei, ou nem sei!
Você o que sabe?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

presente.

Naquele tempo tinha mar. Saíamos pela praia em busca dos raios de sol que driblavam nuvens que ameaçavam chuva.
Naquele tempo tinha noite de lua. Dentro de casa havíamos enfeitado o lustre com um móbile de caixa de leite, lua e estrelas de prata.
Naquele tempo tinha cinema. No idioma que bem entendêssemos, pois é possível falar francês ou afegao, em menos de duas horas.
Naquele tempo se podia tudo.

Hoje?
Hoje pode-se tudo. Hoje tem tudo de novo.
Porque somos donos da arte de reinventar.
Porque somos filhos do agora.

além.

Tudo é questao de vida e sorte.

Experimentamos a novidade. Entendemos a compartilhar sonhos e viver de pequenos grandes momentos. Aprendemos a sonhar em voz alta, a calar quando é preciso ouvir, a esperar.

E sobre os livros que vamos ler, os filmes que vamos ver, tudo isso é questao de seriedade. Temos que saber escolher cada farelo de trigo que vamos comer. Assar o bolo com amor. Cortar a manga em pedaços pequenos e belos. "A beleza é fundamental", embora nao se trate de vaidade. A estética é parte do amor. Do amor às coisas, à vida.
A salada deve ter cor. A música deve ter harmonia. A cama deve estar bem-feita.

O abraço, sempre apertado e com carinho.
Maos ao alto quem nao sabe usá-las para um aperto de mao!

Quem quer samba? Todo dia é dia de samba.
Alegria é semente. Planta-se, cuida-se.

E falar do coraçao é ensinar aprendendo.
Eu sou aquela que se constrói, entre lutas e lágrimas, entre encontros e espelho.
Eu sou aquela que ama, entre erros e vontade, entre você e eu.
Eu sou aquela que quer, entre a vida e a morte, entre o azar e a sorte.

relógio.

Passa o tempo.
do lado de cá, a vida, urgente e sábia, rápida e cheia, ensina.
Passa a hora.
o momento vira o agora. a hora é essa. o tempo é hoje.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

lua feita de mel.

Sim.
Para amar a cada dia, cuidando, fazendo carinho, regando o nosso jardim.
Para compreender e colocar-me em seu lugar, e para conversar sobre tudo, de dentro ou fora de mim.
Para compartilhar a casa, a salada, o chá de camomila depois do almoço, o ar, a vida.
Para enfrentar o dia a dia, as batalhas do “mundo real” versus nosso universo, as noites de medo.
Para conversar muito até mesmo através do silêncio. Para ver filme, jogar xadrez e discutir sobre educaçao e cultura.
Para sorrir e chorar junto.
Para amar.
Para sempre.

domingo, 7 de setembro de 2008

juntas!

quero cuidar de você: dos seus medos, dos meus.
quero abraçar você forte, sem sentir vergonha, sem pensar em nada.
quero fazer a dor parar, te abençoar, fazer a energia brotar.
quero te dizer coisas bonitas, te dar esperança, reforçar a sua fé.
quero entender mais das coisas, aceitar o que tem que ser, e mudar o que eu puder para fazer você viver.
quero pegar na sua mao e te levar pra ver o mundo, nao o mundo que tá no mapa, mas o mundo que a gente pode construir com a imaginaçao.
quero fazer um jantar pra você comer tudo, dizer que gostou e acreditar que eu sei cozinhar.
quero jogar baralho, papo pro alto, imagem e açao.
e divertir muito ao seu lado, já que o que mais conta sao os momentos em que sorrimos.
quero aprender com você, e com essa história toda.
quero, daqui há uns anos, comemorar ao seu lado a vitória, a vida, a alegria de estarmos aqui.
quero poder curar você.

Samsara.

"Como evitar que uma gota de água jamais seque?"

Tem o meu lado medo, sim. Tem o meu lado apego também. Mas tem o meu lado forte, leoa, pedra firme. Tem o meu lado mulher, mae, coragem.
E entre tantos lados, todos em construçao, tem o meu lado ele. Neste, onde sou o que ele busca mas também sou o que encontrei de mim, sou o meu lado amor.

"Atirando-a no mar".

jogo.

belo
elo
zelo
apelo

amo e quero.

faro
raro
caro
paro

tenho e abraço.

juro
furo
duro
curo

agarro e possuo.

a casa de dentro.

eu colocarei o tapete vermelho entao. Lavarei os degraus de joelhos, esfregando com ambas as maos para que saiam todas as manchas. Limparei também por dentro, onde mais se espera que esteja belo e limpo.
Eu farei o que for preciso. Eu sempre farei o que for preciso.
Por ele. Por mim.

sábado, 23 de agosto de 2008

voar.

as andorinhas voam perto da minha janela.
pra gente supersticiosa como eu isso é bom sinal.
enquanto elas fazem suas acrobacias pelo céu do jardim, eu abraço forte o bem e, juntos, assistimos a este espetáculo.
com o coraçao sorrindo ao acreditar que essa visita é uma forma de bênçao, respiro fundo em oraçao.
é a primavera que chega, aos poucos, primeiro nos ipês e agora com o vôo das andorinhas.
é a paz e a tranquilidade que entram, aos poucos, num coraçao que as necessita tanto.
sao bem-vindas, as andorinhas.
seja bem-vindo, meu amor!

Oroboro.

Eu comerei primeiro a minha cauda, renascerei da morte que eu mesma provoco. A morte de mim, da falta de mim, da ausencia de mim em mim. E de repente venho. Surjo. Volto. Vivo.
Sou acaso ou sorte, vida ou morte.
Sou feita de pele, regenero.
Sou feita de dor, acabo.
Sou feita do que é feito o ser que ama. Do que é feito aquele que chora. Do que é feito aquele que luta.
Depois, comerei os invasores, os inimidos, os que vêem sem a minha permissao. Comerei os que entram em minha casa, o ninho que construí com amor e maos. Comerei quem ameaçar a paz (a minha, a dos meus).
Mastigarei até que nao haja resquícios do mau dentro da minha boca.
Depois, rodarei em torno de mim, num movimento circular dedicado à vida, oferecendo aos deuses os meus medos e as minhas superaçoes. Numa roda da vida farei a minha dança, o meu lançamento por um momento novo em mim, um momento de "fluir junto".
Meu veneno é minha arma.
Eu sou serpente.



"Meu fim é o meu começo"

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

verde.

A cor do mar, não sei,
mas tem alguma coisa assim como os olhos seus.
Os olhos seus, não sei,
mas têm alguma imagem assim como o sorriso meu.
O que eu sei é que,
quando eu olho o mar,
penso mais no verde desses olhos seus.
E quando vejo os olhos seus,
penso que nem o mar me faz sorrir tanto assim.

domingo, 10 de agosto de 2008

pra renascer.

sair do compasso
você, eu

entrar em sintonia

eu, você
dança de dois

música nossa

eu e você

um "ballet esquisito"
suas pernas, as minhas

você e eu

num dia desses
o dia inteiro
sem mais nada
que a sua pele
e seu cheiro



você. você. você.


amor pra renascer.



eu. eu pra você.

(en un fin de semana de cumpleaños)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

na fala ou no canto
no canto da sala
na sala do meio
no meio da cara
na cara de pau
no pau de arara
na arara azul
no azul do céu
no céu da boca
na boca de lobo
no lobo do homem
no homem de bem

quinta-feira, 31 de julho de 2008

ainda bem

Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Nos dias frios em que nós estamos juntos
Nos abraçamos sob o nosso conforto de amar, de amar
Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte seria o acaso e não sorte
Entre tantos anos
Entre tantos outros
Que sorte a nossa, hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois, esse amor.
Composição: Liminha/Vanessa da Mata
Volto sim, em tempo de primavera dentro de mim.
Em tempo em que cantar uma música assim (assim como aí em cima) é forma de agradecer à vida, à ele, ao mundo.
A força que ele traz no peito, o abraço que me dá sossego, a vontade de recomeçar e lutar feito leoa, e todas as coisas que aprendo diariamente com ele.
Com um ou os dois pés no chão, ele é equilíbrio.
Eu, com a cabeça nas nuvens. Nuvens? Não! O céu anda tão azul...
Um brinde à vida, à chegada de quem nunca deixou de estar dentro de mim, um brinde ao amor. Ainda bem.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

intervalo.

a poesia tá pedindo tempo em mim.
(comprei um caderno)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

depósito.

Guardarei o cheiro da chuva, da noite em que ele me abraçou, para eu conseguir dormir.
Colocarei em caixinhas bem guardadas a ida ao porto, os picnics no parque, os beijinhos roubados em plena avenida.
Farei coleção das risadas com 'as meninas', do bom tempo eterno de estar entre amigas.
E farei um belo álbum com as fotos tiradas com os olhos, impressas em boa resolução poética.
No depósito há um lugar todo especial para família - que não é quem está perto, é quem está dentro, quem nos faz bem. Essa família que traz sorrisos e aconchego, que nos recebe com olhos de carinho e compreensão: a essa família há um lugar todo enfeitado, uma sala com ar leve e flores naturais.
Ah... há um espaço em que ele, rodeado pelas andorinhas de mim, aquece todo o resto do meu corpo.
É... acho que nem faz falta dizer, pois já ficou bem claro, que esse depósito se chama coração.


sábado, 5 de julho de 2008

expectativas.

não estou caindo.
é manhã.
a espera é para o alcance.
a expectativa é real -
você vale a pena.
a gente vale a pena.
há paz.
é leve.

I'm not falling
it's morning.
waiting is for achieving
the expectation is real -
you're worth it.
we're worth it.
there's peace.
it is light.

(releitura de "boa sorte/good luck" - Ben Harper e Vanessa da Mata)

continuar.

"My feet is my only carriage
And so I've got to push on through"
bob marley

quinta-feira, 3 de julho de 2008

quero-quero.

Não sei a cor do quero-quero.
Sei que quero.
Sei que quero.
Que canto é o dele?
Sei que quero.
Sei que quero.
O vôo bem alto, o pouso aqui dentro.
Quero. Quero. Quero.
Um dia a mais, menos um dia:
Vem que eu quero.
Vem que eu quero.

Ouvindo quero-quero, Djavan

quarta-feira, 2 de julho de 2008

na espera.

Em dias assim, meu bem, qualquer música me faz dançar.
Em dias assim, vem cá!, dança comigo também.


segunda-feira, 30 de junho de 2008

em dias de preparação

"Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus..."
Belchior
Eu quero preparar a poesia de cada lugar,
escrever no vento as nossas iniciais,
quero aguar as flores,
pintar as paredes - as quatro -
que vão cercar o nosso amor sem limites.
quero fazer pirueta na grama,
amaciar a terra,
adubar o amor que plantamos, diariamente.
quero preparar o automóvel,
que é para não precisar mais de auto controle:
eu descontrolo e você me beija.
quero semear o bem
e colher seus beijinhos.
quero vacinar contra o triste,
e principalmente contra o longe de você.
quero fazer um tubogã,
uma gangorra e uma piscina
para mergulhar em dias de calor.
ah! todos os dias com você farão calor.
quero abrir a porta da casa,
escancarar a janela,
colocar o tapete mais belo na entrada
e esperar você chegar.
quero.
quero e faço.
e vê se vem logo!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

"What can I say to you, bonita?"

Porque pra dizer a verdade coisas pra falar eu tenho aos montes.
Você, bonita, me cuida tão bem! E eu fico assim, com essas mensagens dizendo pra você tomar chá verde, tentando cuidar de você também. Nem é pra retribuir, é por carinho, vontade de proteger, vontade de salvar do que quer que seja que possa te causar dor.
Eu acredito tanto em você, sabe?
Acredito tanto que as coisas vão mudar e o que hoje dói será uma lembrança pra gente, pra gente nunca esquecer do quanto é precioso a gente ficar junto, dar as mãos, viver o agora e sorrir pro mundo inteiro.
Ah, bonita, cê é tão forte!
E nessa força eu inspiro poesia. Eu escrevo em forma de carta, de prosa, de papo, mas na verdade dentro de mim voam versos e rimas, um soneto inteiro de amor total.
Porque eu sei que agora tá tudo meio confuso, meio cinza, mas as lentes de ver tudo feliz, lembra? Acho que foi você quem me apresentou a elas.
Então, daqui, hoje mais perto que nunca pois até o jantar é um bom motivo pra eu te encontrar, eu falo assim bem em voz alta, em maiúsculas itálicas, EU AMO VOCÊ.

"esse papo já tá qualquer coisa"

"Berro por seu berro
Pelo seu erro
Quero que você ganhe
Que você me apanhe.
Sou o seu bezerro
Gritando mamãe.
Esse papo meu tá qualquer coisa"

Pois como diz meu bem, Caetano é o contrário do barulho dos carros nessa avenida confusa em que a gente morou.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

as cores de Miró.

"Para atingir sua expressão fontana
Miró precisava de esquecer os traços e as doutrinas
que aprendera nos livros
Desejava atingir a pureza de não saber mais nada"
Manoel de Barros



Miró

quarta-feira, 25 de junho de 2008

de lá pra cá.

e coisa e tal. A gente nunca sabe o que esperar do amanhã, não é?
Então o hoje vem, aparece assim, derruba a gente da cadeira e coloca os nossos pés no chão. Manda a gente olhar pra frente, seguir adiante, não parar pra pensar. Seguindo a corrente, nadando de acordo com a maré, peixe bonzinho e ovelha branca. Fugir da rede, matar a sede, reduzir a velocidade e cantar.
Porque o mundo não parou pra você descer, não esperou o seu momento chegar, não quis nem ler o horóscopo do dia.
Mas de lá pra cá, acho que todo mundo sabe, as coisas mudam, o tempo fecha e abre várias vezes, a gente tenta, repensa, relê a própria história, faz de conta o passado e sonha sonho novo para o que vem.
Mas não basta esperar.

terça-feira, 24 de junho de 2008

andorinha

Andorinha
Manuel Bandeira


Andorinha lá fora está dizendo: - "Passei o dia à toa, à toa!"
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste! Passei a vida à toa, à toa...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

samba.

Tá no meu nome, eu sei, isso de ser morena. Não tá na cor da pele, mas na nacionalidade tá. Tá nos pés, na minha vontade de dançar.
O samba tá em mim, e eu assim, vou sambando pra esperar.
Eu espero que chegue logo, que é pro meu samba ganhar alegria e a vida as cores do dia.
Porque sem sol não há manhã, e toda noite eu sambo.
Mas eu quero, ô se quero, que o samba da espera seja breve, e comece logo o samba do grande amor.

basta,

basta que haja água
e que a colheita seja farta
basta que haja sol
e que a maré esteja baixa
basta que haja ar
e que a montanha seja alta
basta que haja você
e a minha vida estará plena

sábado, 21 de junho de 2008

inverno.

começa o inverno, amor.
mas faz verão sempre que você está.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

sobre o meu irmão.

Eu tenho irmão sim. Não contei?
Ele se chama Leandro.
Entrou na minha vida como amigo. Depois namorou e se casou com a minha irmã.
Neste dia, o dia do casamento, ele virou o meu irmão.
Essa história de cunhado não vale muito pra uma amizade assim. Ele é irmão. Família. É amigo de verdade. E um cozinheiro de mão cheia.
É alguém que tem sido força e coragem, que tem agregado sorriso e garra às nossas vidas.
Fico feliz de estar perto de alguém como ele, e de saber que ele cuida tão bem da minha amada irmã.
Sobre a poesia?
Bom, Lelê, não é em rima, nem tem verso. Mas está dentro de mim com o seu nome, a sua força e a sua amizade.



terça-feira, 17 de junho de 2008

Antonio.

Existe um sol em mim.
Um sol que brilha e me acompanha até quando é noite, até quando tenho medo, até quando a dor me embaça as vistas.
Existe um sol forte, amarelo, laranja e vermelho, que enche a minha vida de um arco-íris inteiro.
Um sol em que posso morar. Um sol em eu também posso nascer todos os dias.
Um sol que faz com que o meu momento seja mais tranquilo, a minha vida mais plena, a minha casa mais cheia de amor.
Um sol poesia. Um sol que faz com que meu coração tenha mais calma, mais alma, mais vida.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

a forma da poesia.

Peguei o livro e sentei.
Sentei como quem acha que pode escrever poesia depois de ler poesia.
Sentei acreditando que poesia brota mesmo das mãos da gente depois que a gente a bebe com olhos. Bebe, porque ela entra feito líquido, faz sua forma na gente, do jeito que a gente deixar.
E quando ela sai, se a gente deixa poesia sair, sai sólida. Palavrinha atrás de palavrinha, esperando alguém beber.


(lendo Ensaios Fotográficos, Manoel de Barros)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

dia dos namorados.



a rosa.

o cheiro.

terça-feira, 10 de junho de 2008

se não.

Eu não quero viver
se não for em poesia.
Não quero escrever
se não for sobre mim,
(ou sobre ele).
Não quero manga
se não for debaixo do pé.
E nem quero beijo molhado
se eu não me molhar inteira também.
Não quero sentir mais fome
do que a fome de matar a grito.
Nem chuva eu quero ver
se não estiver da janela da casa em que quero viver.
Eu não quero muito
quero tudo e tudo que eu quero é possível ser.
Porque eu não quero ter,
eu quer ver, ser, escrever.
Mas, antes de tudo isso,
prefiro a primeira conjugação:
quero amar, doar, sonhar.
E faço de mim o que eu quiser,
a liberdade me tomou gosto.
Um dia após outro,
um beijo dele e 5 anos mais.
E cada dia que eu quiser reviver
é olhar pra dentro de mim
e eu sei, eu sei,
que farei bem melhor amanhã.

domingo, 8 de junho de 2008

através.

Há que pisar em vidro - a vida é delicada demais.
Há que saber o que dizer - as pessoas sentem sim. Sentem. Sinto.

Há que ser sincero. Verdade sim. Mas há que respeitar a verdade que está dentro.

Há que pedir menos conselhos, menos consolo, menos compreensão.

Há que saber ser sozinho para perceber que sozinho nunca se está.

Há que ver bondade nos olhos de quem deseja fazer-lhe escutar verdades. Mas há de redobrar a cautela e o discernimento.

E há que saber, e isso é bem importante, que amor não se mede ou calcula. Que é tão diferente do dinheiro que não se pode dizer: eu amo mais, você menos.

Há que rezar as orações aprendidas na escola para fazer um mantra na mente e pedir de coração, à sua maneira e fé, a bênção que se deseja alcançar.

Há que ver beleza na distância, aprendizado na dor, poesia no nascer do dia.

Porque uma segunda-feira pode ser o melhor dia para compartilhar um sorriso.

E o passado pode ser relembrado a gargalhadas, ou saudosismo, frio na barriga ou arrepio na pele.

Há que entender que a gente sabe mesmo muito pouco, e que julgar o outro também é coisa de gente, mas que evoluir no respeito ao diferente é pra gente em construção.

Há que gravar na alma as paisagens mais belas, em alta resolução. E revisitar a memória do alegre para não morrer de tédio.

Há que ser o que se é, aceitar os desafios e sorrir.

É possível renascer, romper rótulos, desatar nós e descalçar os pés.

Há que deixar haver em nós as dúvidas.

Há que saber que a principal certeza é no fundo o amor.

Através - Cildo Meireles (1983-1989) Inhotim

sexta-feira, 6 de junho de 2008

poco a poco.

Pouco a pouco vou arrumando os armários, colocando meu incenso e minhas violetas na janela.
Vou fazendo da nova morada um lugar habitável: a minha morada sou eu. Cuido de mim como quem sabe a preciosidade do amor - pois se amo, me cuido, que é para dar o melhor de mim ao amado.
Vou colocando meus pés na grama sabendo que a terra traz a energia que eu preciso. E com os meus braços eu faço um grande abraço, dizendo com meu corpo o quanto a amo, o quanto estou torcendo e como eu acredito na cura.
Pouco a pouco porque a pressa afasta as pequenas belezas e os prazeres minuciosos. A ligeireza nem sempre é fonte de bons resultados.
Tenho achado os caminhos bem melhores que os destinos.
Tenho achado destino no meio do caminho.
Vou.
Vou devagarinho. Bem de mansinho.
E acredito que escrever pode ser que fique pra depois, porque o agora tem exigido a minha compenetração.

...

Para quem prefere que as metáforas sejam deixadas de lado e o "vamos direto ao assunto" tome conta deste espaço, explico:
Cheguei ao Brasil.
Tenho matado a saudade dos amores meus. E a saudade é tanta que dá vontade de ficar pertinho o tempo todo.

Quando são 2 aqui (7 lá), depois de um banho de água aquecida pelo sol, passo batom da natura, me visto de preto por dica do horóscopo e abro o MSN.
É... enquanto nossos corpos não se encontram, a poesia vai por teclado.


sábado, 31 de maio de 2008

tempo de aprender.

Tenho plantado sementes de amor, juro.
Planto diariamente, com um sorriso aqui, um perdao ali.
Vou colher o que for.
E acho que virao flores belas.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Valencia.

Os meus olhos estao cheios de lágrimas sim.

Hoje é meu último dia na cidade onde conheci e comecei a viver o meu amor.

Volto pra terrinha amanha bem cedo. Deixo o meu primeiro ap, os meus novos amigos, o mediterrâneo. Mas levo recordaçoes.

O meu amor nao deixo. Levo comigo: dentro do coraçao e no brilho dos meus olhos enamorados.

Uma etapa linda, um ciclo bem vivido, meses que duraram meses.

Volto porque SIM. Porque a minha luta, que eu comecei do lado de cá, eu vou continuar desse lado aí. De maos dadas à minha família guerreira, buscarei ajudar, apoiar, alegrar.

Levo na bagagem muita esperança além de chocolate. Uma garrafa inteira de fé e outra de vinho. Levo tempero indiano e meu tempero de vida. Porque é por ela que eu volto. É pela vida. A vida que a gente vive e viverá por muito tempo.
Volto porque as pessoas que eu amo estao esperando por mim com alegria.
E eu volto para levar a minha força, a minha coragem, a minha vontade de lutar.
A gente nao sabe o que é uniao até vivê-la intensamente.
A gente nao sabe o poder do amor mas sabe que ele cura.

Eu vou deixando essa cidade, esse país, sabendo que muitas portas continuarao abertas. Porque o sorriso-cartao-de-visita, característica de qualque bom brasileiro, eu soube usar.
E os poucos e bons amigos que fiz (Pilar, Mari Eugenia, Marbella, Luis, Consuelo, Dama, Rosa, Peter) e a nova família daqui (Mari Carmen, Maria e Jose Antonio) serao também bons motivos para que eu volte um dia.

Com lágrimas nos olhos e um sorriso de "está tudo bem", eu declaro meu carinho pela Espanha, que abençoou o meu amor. E declaro meu carinho pelo Brasil, que também fará o mesmo por nós.

Volto porque acredito que me tornei mais valente.

terça-feira, 20 de maio de 2008

um presente.

Deixaram esse presente pra mim. Nao sei quem foi. Só o link do youtube.
E presente lindo assim a gente compartilha.



Life On Mars?
Seu Jorge
Composição: David Bowie (versão Seu Jorge)

Quando as coisas do coração
Não conseguem compreender
O que mente não faz questão
E nem tem forças pra obedecer
Quantos sonhos já destruí
E deixei escapar das mãos
Se o futuro assim permitir
Não pretendo viver em vão

Meu amor não estamos sós
Tem um mundo a esperar por nós
No infinito do céu azul
Pode ter vida em Marte
Então, vem cá me dá a sua língua
Então vem, eu quero abraçar você
Seu poder vem do sol
Minha medida

Meu bem, vamos viver a vida
Então vem, senão eu vou perder quem sou
Vou querer me mudar para uma life on mars

domingo, 18 de maio de 2008

Nêgo sangue bom.



As favelas, o morro, a gente de lá.
A gente. Nossa gente. Gente do mesmo país que a gente. Do mesmo mundo. Do mesmo passado mesclado. Da música que a gente ouve. Do samba que a gente dança.
Esse nêgo aí sai do nosso país levando o país inteiro.
Chega entre os "brancos" daqui pra contar uma realidade e uma história que nao é só de filme. Conta em bom e alto português. E se faz entender muito bem.
Esse cara, que já morou nas ruas, que já foi "problema social", agora luta através do seu dom por uma vida melhor e mais digna do nosso povo.
Luta com sorriso e samba, mas com seriedade e um discurso que sai do coraçao.
E aí, até eu que nao costumo ser tiete, me sinto muito orgulhosa de "posar" ao lado dele.


Seu Jorge - Burjassot, 15 de maio de 2008

sexta-feira, 16 de maio de 2008

cores.

eu sempre pensei que poesia tivesse cor.
hoje vejo que sao as cores que têm suas poesias...

quarta-feira, 14 de maio de 2008

o santo da minha vó.

Eu tinha 15 anos quando ela me deu, e estava me preparando para minha experiência "lá fora". Todos estavam um pouco apreensivos, eu muito novinha, o mundo muito grande.
Mas meus sonhos gritam, e naquela época nao foi diferente.
Gritaram tanto que meus pais cederam, e minha vó deu sua bênçao.
Pouco dias antes, quando fui me despedir dos meus avós, minha vó, chorando (o que nao é difícil numa família assim meio italiana), me entregou a imagem de um Santo Antonio bem pequenininha e disse: - Leve ele bem pertinho de você. Ele é meu, tem muitos anos que o guardo comigo. Ele vai te proteger.
Eu senti muita emoçao e coloquei o Santo Antonio dentro do bolso, e depois dentro da minha mochila.
Nao sou católica, mas adoro as oraçoes da minha vó! Ela benze, protege a gente de mau olhado ou espinhela caída. E por mais que eu faça minhas oraçoes ao sol, sabia que todo o carinho da minha vó, depositado na imagem daquele santo, me protegeria sim.
Eu o guardava comigo sempre. Mesmo depois de retornar das viagens.
Era item importante da minha bagagem.
O santo já visitou cada cidade linda!

Acontece que quando me mudei de apartamento aqui, há mais ou menos 8 meses, eu o perdi. Aqui apartamento novo já nao o encontrei. Passei muitos meses pensando nele, na minha vó, na proteçao que ele significa pra mim.

Hoje, depois de tanto ter procurado e até sonhado com o santinho, nao estava especialmente pensando nele. Pedi ao Antonio para pegar minha mala - pois começo a preparar as coisas pra minha volta - e, quando a abri, ele estava lá, num cantinho mais escondido, mais quentinho.

Meus olhos pingaram orvalho, meu coraçao sorriu aliviado.

Acredito no meu santinho, porque acredito na minha avó.

terça-feira, 13 de maio de 2008

a minha gente daqui - parte 2

Dama e Rosa- Dámaris, nome russo, aluna de inglês, beleza "mora", amiga espanhola. Sensibilidade, cultura e elegância. Adora dar presentes: vinho, agenda, guarda-chuva, até entrada para um spa no Hilton ela já nos deu! Adoro os presentes que ela dá. E a presença dela na minha vida valenciana. Rosa é flor. Flor da cor do nome. Se veste sempre com cores alegres. É divertida, inteligente, alto-astral. Seu casamento é em setembro. Nao estarei presente, mas mandarei meus votos de felicidade e amor. Estar perto dela e nao morrer de rir é quase impossível. Essa dupla me fez muito bem aqui!

Javi- Amigo do Antonio. Mora em Santander. Sua inteligência e humor sao imbatíveis. É observador. É amigo. Fazer amizade com ele foi questao de segundos. Abre a casa e o coraçao pra gente, sempre que vamos a Santander.

Amélia- coleguinha portuguesa, com quem dividia as saudades que a gente sente quando estamos longe da família. Contadora de contos e casos. www.ameliehihi.blogspot.com

a moça da cafeteria- nao sei seu nome, por falta de memória. Mas é personagem fixo da minha vida aqui. É simpática e curiosa. Sempre pergunta o que estou lendo, ou porque eu nao como carne, ou de onde estou chegando. Nao pergunta por fofoca, mas porque acha "legal". Sempre me recebe com sorriso e me chama de guapa.

Claudinha- hermanzita. Amiga de irma também pode ser amiga nossa, né?! Claudinha é made in Brasil. É companheira de natal e ano novo, duas vezes já. É gente boa, com quem se pode brindar a verdade.

o moço da loja indiana- também trabalha no restaurante indiano que o Antonio e eu amamos. Trabalha muito, enfim. Ou na loja, ou no restaurante. Lugares que a gente frequenta bem. Sempre sorrindo, na sua timidez. Há dois fins de semana o encontramos na rua, pela manha, com óculos de sol. Estava super orgulhoso, alegre, nos cumprimentou tao bem!

Chun Yan- a chinesa que trabalha comigo. É bela e sorridente. Sempre tem um elogio ou uma notícia boa para dar. Comemora os pequenos prazeres da vida com maestria. Nisso já ganha muitos pontos, mas além do mais é uma boa ouvinte. Se tivemos algum problema de cultura? Só um. Ela me deu uma bala, eu abri e coloquei na boca. Achei o gosto estranho e perguntei: De que é? E ela respondeu: de carne de boi. Argh......... (tive que esperar ela sair pra cuspir)

domingo, 11 de maio de 2008

dia das maes.

Quando era pequena, num cartao de dia das maes, escrevi à minha que ela era a mae mais bonita do mundo.
Hoje, muitos anos depois, tenho a certeza disso. :)


Tô chegando, maezinha! Vou te dar muitos beijos!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

poesia.




Chove.
Meu amor sai e volta com uma rosa vermelha pra mim.


quarta-feira, 7 de maio de 2008

a minha gente daqui.

Pilar. Nome de santa. Cara de anjo. Abraço e beijinho de brasileira. Sorriso de criança. Carinho de amiga. Pilar é minha aluna de inglês, nasceu em Barcelona e vive em aqui em Valencia há muitos anos. É mais velha que eu (em idade, pois nao parece), é amiga à primeira vista. Ela faz elogios, me leva pra passear, e em momentos difíceis sorri e deixa um envelope pra mim, na secretaria do curso, com o DVD de Memórias de uma Geisha pra eu ver de novo e um bilhetinho. É tao linda a Pilar!



Consuelo. Já foi personagem de um post inteiro. É a senhora de 82 anos que mora no apê ao lado. Minha vozinha aqui. Ela me encontra no elevador e diz: "Se precisar de colher, panela ou pano de prato, me fala que eu tenho um monte!".



Luis e Maria Eugenia. Alunos também. Amigos também. Luis é doce. Nem acho que é tao por acaso que trabalha em uma confeitaria. Tem pouco mais de vinte anos. Ele está sempre pensando em alguma coisa... acho que tem um mundo só dele dentro da cabeça. Maria Eugenia é alegre. Tem 18 anos e o cabelo é cor de rosa. Veio da Venezuela com sua família. Está namorando e a gente vê nos olhos dela toda a alegria que sente.



Marbella. Mae da Maria Eugenia. Cumprimenta com um beijinho quando chega na sala de aula. Foi à Venezuela por duas semanas e voltou com um "regalo" pra mim. Entregou dizendo: "a present from Venezuela made in Brazil". Era um par de sandálias Ipanema. A alegria de ter sido lembrada em sua viagem me deixou mais chique que a Gisele Bündchen.



Peter. Meu chefe numa escolinha de inglês em que eu também trabalho. É do país de Gales, já nao é um menino: tem cabelo branco e uma filha mais velha que eu. Tem um humor um pouco estranho, está adorando fazer piadinha comigo sobre o Ronaldo e seus travestis (aff!). Mas no fundo é um cara super carinhoso, que só nao aprendeu o que é um abraço. Quando me abri com ele, sobre meus medos e alguma dor, ele ficou desconcertado, vi que queria chorar, que queria me dar colo. Nao conseguiu por falta de hábito, mas a vontade eu percebi no fundo dos seus olhos e isso já me valeu.



Mari Carmen. Minha sogra. Mas nem gosto de falar assim porque quando a gente diz sogra todo mundo pensa em piadinhas ruins. Nao. Ela é um docinho! Faz um arroz doce igualzinho o da minha mae. Manda presente pelo correio para o Antonio e para mim. Quando ela despede no telefone manda beijo fazendo 'smack' com a boca. Mora longe da nossa cidade, mas mora pertinho da gente.

O Antonio? Nao gente, dele eu nao posso falar aqui... Sobre ele seria um blog inteiro, a minha vida inteira...

terça-feira, 6 de maio de 2008

world, word.

"Es que yo confundo el mundo y las palabras..."

é, eu também...

segunda-feira, 5 de maio de 2008

junto.

Eu volto.
Venho, vou, faço, sou.
Depois volto.
O saber viver me diz que tem hora de ir e hora de voltar.
O gostar de mim me diz que tem hora de ir e hora de ficar.
O amar me diz: você vai? Vai juntinho dele, uai!
E só assim eu posso ir, ficar ou voltar.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

anécdota de autobus

Una pareja de ancianos entra en el autobús. Hay un asiento libre y él la conduce hacía este, dándole la mano para que pueda hacerlo tranquilamente (pues el conductor no espera a que los ancianos se sienten para arrancar).
Él, mirando hacía la parte de atrás del autobús, ve que hay dos asientos libres ahí. Pone una sonrisa y camina hacía atrás para sentarse.
Ella, pasado un minuto sin ver a su marido, mueve la cabeza buscándole.
Y, cuando mira hacía trás, le ve ahí, sentado, sonriendo, llamándole con la mano.
Ella, con una sonrisa igual de grande, se levanta y camina despacito hacía él, diciendo:
"¡Qué bueno! ¡Podemos sentarnos juntitos!"

quarta-feira, 30 de abril de 2008

a rede.

Nao sei se sai dos seus olhos, ou se vem dos olhos meus.
Nao sei vem da batida do seu coraçao, ou do samba dos meus pés.
Nao sei nada. E sinto quase tudo.
O tamanho da rede, eu também nao sei.
Eu sou peixe e mar.
E meu amor é seu.


Ouvindo Lenine. Gente! Escuta Lenine, tá? Ah! E me escreve mensagem, poxa!

sábado, 26 de abril de 2008

caminho.

Ando querendo ver a vida como fazem os poetas.
Busco nas nuvens formas,
na chuva, um cheiro,
na comida, o tempero,
no jardim, a flor que se abre.
Ando querendo ver a vida como fazem os apaixonados.
Busco em seus olhos meu rosto,
na sua mao, meus dedos,
na sua boca, a minha,
no seu peito, meu descanso.
Ando querendo ver melhor e vejo.
É questao de seguir andando,
e de nao fechar os olhos.

terça-feira, 22 de abril de 2008

sobre filmes.

Tem filme que a gente vê e pronto, já viu, ok, foi legal, ou foi ruim.

Mas tem filme que a gente vê e pronto - tem algo sobre nós ou para nós:

A poética de Cyrano de Bergerac
A filosofia de amor de Don Juan de Marco
A doçura do Señor Ibrahim (y las flores del Coran)
A loucura ou "normalidade" da Pequena Miss Sunshine
A dor e a superaçao de Só Deus Sabe (além do amor entre um hispano hablante e uma brasileira)
A adaptaçao e o ser como a água de Memórias de uma Geisha
A fantasia como realidade de Labirinto do Fauno


E outros, outros filmes que trazem orvalho aos olhos, mel na boca ou flores no coraçao.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Sobre o beijo.

"De las lágrimas a al beso,
no hay más que un escalofrío.....
¿Pero que es un beso, al fin y al cabo?,
un juramento hecho un poco más de cerca,
una promesa más rotunda,
una confesión que se quiere confirmar.
Un secreto a la boca en lugar de decirlo al oído;
Un instante del tiempo infinito que produceel rumor de una abeja,
una comunión con gusto de flor,
una forma de tomarse el respiro del corazón y degustarse un poco
el alma en los bordes de los labios."

Cyrano de Bergerac


Eu quero aprender francês, amor. Vamos?
Pra gente ver de novo esse filme, ler esse livro, recitar esse poema.
Quero dizer Merci com boca de quem quer beijo.
Porque é do beijo que eu falo hoje.
Do beijo seu, meu bem.

domingo, 20 de abril de 2008

anjo.






Assim, o momento vira poesia, a terra vira paraíso, o meu sorriso vira um beijo, o seu colo vira a minha casa.
Você, anjo e amor, entra no meu coraçao fazendo moradia. De por vida.

domingo pela janela

acordo devagarinho e vejo
'faz chuva' lá fora,
e sol aqui dentro.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

água.

nao sou mar,
sô rio.

dizer e fazer.

"Yo te amo.
Me gustaría decírtelo todos los días
y la mejor manera que encontré para decírtelo
es hacértelo".

quarta-feira, 16 de abril de 2008

sábado, 12 de abril de 2008

a poesia é ela.

Amanhece o 12 de abril.
Ela ainda estará dormindo.
Amanhece com sol e sorriso, abro os olhos e digo:
- Hoje é aniversário dela.

A poesia do dia é a simples lembrança da mulher com quem mais tenho coisas em comum. E o amor, sentimento vivo e imaterial, me rende hoje a sorrisos e uma alegria que desejo atravesse oceano e montanhas.

Ela é professora. Eu também.
Ela gosta de literatura e poesia. Eu também.
Ela é Lopes Barbosa. Eu também.
Ela vive de amar a seu bem. Eu também.
Ela é fortaleza e valentia. Eu busco ser.
Ela é doce e amada. Eu morro de saudade.
Ela é uma mae maravilhosa. Eu serei, um dia.

A poesia do dia é comemorar, apagar velas com sopro de vida, pedir com o coraçao o que todos nós mais desejamos nesse momento.
A poesia do dia é minha mae.


sexta-feira, 11 de abril de 2008

de onde?

Às seis da tarde, em Nova Lima, toca uma música na igreja. Todos os dias a mesma música, há muitos anos.
Eu nao estou em Nova Lima há alguns meses, mas só hoje pensei na música, senti falta dela. Tocou na minha cabeça.
Eu nao me sinto mais de Nova Lima do que me sinto daqui.
A queca, as barraquinhas de Santo Antonio, a praça do Mineiro fazem parte de mim sim. Mas também sou da terra das laranjas, do mediterrâneo e das fallas.
Sou de lá e daqui, e ao mesmo tempo nao sou de lugar algum.
Eu falo Hola e Olá, tomo chá e té, sou Adriana e Dri.
Minha bandeira tem o verde floresta, mas também precisa do vermelho paixao.
Escolho nao ser de pátria nenhuma se me deixarem viver de "mundo inteiro".
Quando estiver lá, sentirei saudade daqui. Enquanto estiver aqui, ¡Echo tanto de menos allá!
A minha língua mae nao é português nem castellano. É Márcia. Minha pátria amada, Élcio.
O meu país nao é Brasil nem Espanha.
O meu país é ele.
E o país dele sou eu.

sábado, 5 de abril de 2008

primavera.

"la persona que suele regalar flores siempre tendrá las manos perfumadas".

terça-feira, 1 de abril de 2008

fôlego.

Vino este chico hacía mí. Se acercó. Tenía altura de un niño, cara de un jovencito de 15 años y una mirada rara. Su mirada no me dejaba seguir caminando. Él tenía unos aparatos alrededor de su cuello, como se hubiera sufrido un accidente o si tuviera algún problema en la columna vertebral. Después de un rato así parado, mirándome, dijo: ¿me puedes ayudar? Yo no sabía que hacer, pero pregunté: ¿Quieres ir a algún sitio? Él no me contestaba. Seguía mirándome con aquella mirada que yo no acababa de comprender, de una manera que me mareaba, que me quitaba energía. Después de largos 30 segundos, los más largos 30 segundos, me dijo: ¿Puedes inflar esto? Tenía un balón en las manos, que yo no me había fijado hasta que lo me enseñó. Miré el balón. Miré al niño. Fue mi vez de callarme por algunos segundos. Entonces, finalmente, dije: Lo siento, no lo puedo hacer. Mi falta aliento.

Bajé la mirada y seguí caminando. Después de algunos pasos miré hacía detrás de mi, y no estaba el niño.
No lo tengo claro si en algún momento ha estado.

domingo, 30 de março de 2008

"instante-já"

Era assim que Clarice se referia ao 'agora'. Eu, meu copo de água e minhas flores, vivemos o instante-já com a sensaçao de que tudo e nada sao conceitos fortes demais. Sentimos, com o peito aberto e a alma em descanso, que enquanto o sol está lá em cima e a gente assim, esperando, a vida vai bem.
Vai bem...
Se ela vai bem, eu vou também.
Anda assim o agora. O momento em que lhes escrevo. Neste segundo de tempo, neste dia de calendário, neste um, dois e já.
Faz bem saber que ela vai bem. Faz bem ver o sol e sentir um calorzinho aqui dentro.
Faz bem saber que em pouco tempo ele chega, que em pouco tempo a água será para as flores e eu serei só para ele.

Faz bem.
Vai bem.
Vou bem.

Claro, isso se trata de agora.

sábado, 29 de março de 2008

sexta-feira, 28 de março de 2008

os nossos passos.

"Quando nos ensinaram a andar, nao foi apenas para corrermos, trôpega e desequilibradamente, para os braços seguros de quem nos acolhia. Foi com a certeza de que esses passos eram um processo que mais tarde nos faria dar passos fortes e decididos em direçao ao que entendêssemos."

Pedro Barbas de Albuquerque

quarta-feira, 26 de março de 2008

de noite.

Combaterei bravamente as tempestades e tormentas que se fizerem dentro de mim. Levarei meu impulso de salvar-me ao grau mais elevado até que 'erupta'.
Farei de mim brava guerreira, lutando contra os aplausos de tristeza em meu interior, para trazer de volta o império da calmaria. Serei forte e cruel contra o pesadelo. Acordarei antes de que se faça o final.




(nem tudo que escrevo hoje é de hoje)

terça-feira, 25 de março de 2008

retórica.

a vida enchendo a gente do que ela sempre enche: alegria, novidades, saudade, alguma dor, muitos medos, vontade de parar o tempo, voltar de recomeçar, amor!, muito amor!, mais amor!, a vida enche a gente de amor ou a gente enche o amor de vida?

abraço.

eu gosto de sentir a sua respiraçao.

domingo, 23 de março de 2008

domingo de Páscoa

Desejo que o domingo seja mais doce que chocolate,
que a vida inteira seja um constante renascer,
que só chore a vela,
que a paz seja mais branca e blanda que o coelhinho,
que sempre volte a surgir em nós os melhores sentimentos,
que comemorar nao esteja ligado à calendário,
que abraçar nao seja só uma tradiçao.
Desejo que esse domingo de Páscoa seja feliz.
E que os dias depois de hoje também.

sábado, 15 de março de 2008

Consuelo.

Ela nao sabe muito bem o que é isso de internet. Nunca, certamente, terá ouvido falar de blog. E sei que nao saberá, nao por aqui, o quanto gosto dela.

Eu a chamo de "tú". De repente é um pouco de falta de respeito da minha parte, mas eu tomei um carinho instantâneo por ela, à primeira vista. A adotei como avó desde que chegamos nesse prédio.
Ela nos trata com muito carinho. A mim e a meu "jefe", como carinhosamente se refere ao Antonio.

Ela é nossa vizinha de porta. É valenciana, mas de pai asturiano. Tem 82 anos. A mesma idade da minha vó. Trabalhou por anos em salao de beleza.
Tem uma neta da idade do Antonio e um neto da minha idade. Seu marido e seu filho se chamavam Antonio.

Consuelo é doce. Hoje nos encontramos na porta do prédio, quando descemos as duas para ver e ouvir de pertinho a banda que passava. Que bandinha mais linda! Jovens da escola de música tocando suas flautas, pratos, tambores. E crianças! Crianças fantasiadas, de maos dadas a seus pais. Nao eram muitos, era uma bandinha pequena, mas daqui de cima ouvimos. Tanto eu quanto Consuelo. Quando nos encontramos lá embaixo ela me deu o braço. E foi assim que assistimos a bandinha passar. (A Banda, Chico! A banda!).
Depois subimos. Ela me convidou para um café com leite. É. Um café com leite que ela fez e tomamos enquanto conversavamos sobre a guerra civil espanhola, sobre as pessoas que amamos e "echamos de menos" (sentimos falta), sobre a gatinha Mia que me rodeava em busca de carinho.
Vi fotos, comi uma rosquinha de chocolate, recebi abraços e sorriso.

Ela disse, como faz todos os dias em que encontramos, que qualquer que eu precisar é só pedir para ela.
Mal sabia, mal sabia, que ela acabava de me dar a coisa mais bela que podia me oferecer: carinho e abraço de vó.

sexta-feira, 14 de março de 2008

vinho, vela, a vida.

a realidade anda diferente.
anda diferente, às vezes, do que a gente pensou.
anda à sua maneira.
à sua vontade.
a gente acompanha, quando pode, como pode.
a realidade anda diferente.
mas o que é real?

se real é o que a gente sente, eu pediria um pause na realidade que andam nos contando e gritaria bem alto:
real é amor. e só. e nada mais!

ando de saco cheio da realidade que nao é que a gente sonhou.
acho um absurdo, injusto, feio até.

a gente sonhou, depositou energia e os nossos melhores pensamentos.
e ainda assim nos contam outras coisas?
nao.
a vida é o que a gente quer, ok!?
estao escutando, hein!?
deixem-nos em paz. na paz em que acreditamos.

as pessoas que eu amo e eu, pedimos, com toda a força da nossa esperança, com toda a fé do nosso coraçao:
realiza o nosso sonho, realidade!
torne-o real. o quanto antes, tá?!
a gente tem urgencia.

quarta-feira, 12 de março de 2008

¿Quiénes somos?

Somos el abrazo de un mundo partido,
la fuerza oculta de un mañana gestado,
la caricia 'tipo c' de árbol prohibido,
padre y madre de un jardín enamorado.

Somos pedazos de amor unificado,
el orgasmo de un cosmos siempre en comienzo,
agua rota de un futuro embarazado,
grito y parto de este nacimiento eterno.

Somos hijos del sacrificio del miedo,
pareja que hace 'dos' para unirse en uno,
amados por la tierra, amantes del cielo.

Somos el mar con apariencia de nudo,
somos sangre y semen; somos toro y diosa;
Shiva y Shakti; somos todo, somos uno.

(poesía escrita por mi amor)

terça-feira, 11 de março de 2008

poeminha procê.

Eu sambo, benzinho. Prá você!
Eu faço carinho, beicinho, carinha de quem quer mais.
Faço da vida a poesia, aquela linda, que te falei que ia escrever.
Faço do seu sorriso minha alegria, da sua paz a minha guia,
do seu abraço minha força de viver.
Eu faço tudo direitinho, amor. Só pra nao perder você.
Se um dia ou outro, assim, meio sem querer,
eu tropeçar, ou quebrar um prato, ou chorar assim sem porquê,
cê me desculpa, amor? cê me abraça?
Eu nao quero ficar longe de você.


"Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz...
Não me deixe só
Tenho desejos maiores
Eu quero beijos intermináveis
Até que os olhos mudem de cor...
Não me deixe só
Que eu saio na capoeira
Sou perigosa
Sou macumbeira
Eu sou de paz
Eu sou do bem.... Mas!
Fique mais
Que eu gostei de ter você
Não vou mais querer ninguém
Agora que sei quem me faz bem..."

segunda-feira, 10 de março de 2008

08 de março: dia internacional da......

Ah! Os homens sao tao legais!
Vamos fazer um dia para eles também! :)

sexta-feira, 7 de março de 2008

a novidade do mundo.

a eterna, a urgente, a grande novidade do mundo.
bate na porta de casa, gira os redemoinhos da vida, sopra na cara da gente.
a espera, a loucura, a tentativa.
incansável, indomável, inquieta.
a vida parece, a vida tenta, a vida é...
a gente pensa no que quer, sonho com o que quer, faz o que se deve.
mas chega na gente a corrente de ar, de vento, de grito.
o vento grita e os cabelos voam.
a gente nao sabe nao chorar.
o corpo pede colo.
a alma pede abrigo.
a gente nao sabe nao falar.
a novidade vem, o tempo muda, o céu compadece do que a gente sente.
incrivelmente lento, incrivelmente belo, incrivelmente triste.
faz a gente sorrir em dor, em dó, em saudade.
faz a gente chorar em fé, em ré, em vontade.
tanto faz.
a gente é pequeninho demais.
a gente só sabe da gente e, mesmo assim, sabe pouco, pouquinho.
a novidade veio.
a grande novidade do mundo.
a gente encara, meu bem?

quinta-feira, 6 de março de 2008

domingo, 2 de março de 2008

o amor.

Nasce. Brota dentro da gente.
Mas, de repente, a gente tem a impressao (ou será certeza?) de que sempre existiu em nós.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

forró.

"E bem te viu
o bem-te-vi
A sabiá sabia já
A lua só olhou pro sol
A chuva abençoou
O vento diz :ele é feliz
A águia quis saber
Por que porque pour quoi será
O sapo entregou
Ele tomou um banho d’água fresca
num lindo lago do amor
Maravilhosamente clara a água
num lindo lago do amor"
...
tá tocando aqui dentro de mim. eu danço.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

curumim brasil

tupinambá
guaicurus
açaí
acarajé
vatapá
tapioca
aipim
ipanema
ibitipoca
maracujá
manga no pé
feijao de corda
vander lee
stereoteca
dormir na rede
água de coco
jericuacuara
biquini
santa teresa
nectar da serra
praça do papa
a obra
samba no pé
oceano
caetanear
chácara do pai
colo da mae
brigadeiro na colher
salvador
serra do cipó
cachoeira em rio acima
bicame


e um mundo inteirinho para eu apresentar a você, amor.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

o tema.

A ficha demorou a cair aqui também. Além disso, caiu de mau jeito, arranhou a garganta e quase me asfixiou. Mas o fechar de olhos a noite permitiu engolir, pouco a pouco, com a ajuda de água e do amor que me envolvia em seus braços.
Hoje, pouco depois de aprender a "engolir"a ficha, os olhos observam atentos, o coraçao aprende e respira, a cabeça ASSIMILA.
Assim, pausadamente, porque essas coisas demoram mesmo.
Os olhos aprendem a olhar, e observam o que está mais além, conseguindo ver o aprendizado do futuro, e entendendo a importância do saber viver agora.
A poesia de viver é mais palpável do que a gente imaginava.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

o rapaz da minha casa.

Quando ele nasceu, eu tinha 12 anos. É. Uma tia super novinha.
Ele chegou em ótimo momento, trazendo muita alegria à nossa casa e às nossas vidas.
Foi em fevereiro, eu me lembro bem.
Sua chegada foi uma surpresa tao boa que, a cada dia 22 dos meses que seguiram, eu juntava umas moedinhas e comprava presentinhos para ele. Sempre lhe escrevia um bilhetinho, com minha letra de quarta série, e assinava: Tia Dri.
Hoje, sou só a Dri, o tia nao pegou. Mas eu tenho um orgulho danado desse rapaz lindo que ele está se tornando.
Tenho a mania de fazer perguntas a ele sobre a escola, o curso de inglês, assuntos que nem sempre ele quer falar. Mas é uma preocupaçao de tia educadora, ora! O que posso fazer?
Na verdade, uma preocupaçao boba, porque ele é ótimo aluno, e ótimo menino, digo, rapaz.

Esse ano, daqui de longe, estarei comemorando seu aniversário com as lembranças deliciosas de quando ele nasceu, com uma manchinha vermelha na ponta do nariz e uma carinha de bravo, e também do bebê mais lindo que já vi na vida!

Esse rapaz, que se chama Rodrigo, mora dentro do meu coraçao.

Feliz aniversário, Digo!
tititiama.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

identidade.

sou bruxa por gênero
irma da guerreira para aprendizado
sou filha da mae-amor por bênçao
amiga da lua por profecia
sou andorinha para vôos livres
água, para adaptaçao
sou sou samba no pé por nacionalidade
e mediterrânea de cor
sou caminhante por meio de transporte
e motorista do meu próprio destino
sou forte por hereditariedade
e amorosa por contágio
sou amante do Sol por naturaleza
e sua namorada de por vida.

sou respiraçao.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

eu, para ele.

Ele me olha, com olhos do agora, vê meu passado e me abraça.
Me abraça, me aninha, me cuida.

Ele me olha, com olhos do agora, vê meu presente e me beija.
Me beija, me deseja, me tem.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

dia dos namorados.

enamorada.
todos os dias.
no dia 14, e todos os que vieram antes.
e todos os que vêm depois.

pai e mae

"ouro de mina", de Nova Lima

no fundo da minha mina-coraçao
ouro de completamente impossível extraçao

recurso mineral, emocional, essencial...





(Quando nao conseguia dormir, há duas noites, essas frases bailavam em minha cabeça. Senti vontade de publicá-las aqui, completando, transformando em uma poesia. Mas elas vieram
assim, de uma maneira "inicial", inacapabada, em construçao - acho que vieram como eu sou. Enfim, nao terminei o poeminha, que é sobre um amor que nao termina nunca. Fecho os olhos e fico pensando nos dois lendo. Espero que eles gostem... Tem dia que dá muita vontade de pedir um abraço a eles.)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

quando ela quiser falar...

Eu criei um planeta, todo especial, para me comunicar com ela. Um planeta em que ela é uma flor, e eu sou uma princezinha. Eu cuido dela, ela me faz companhia, ela cuida de mim também.
Um planeta em que nos comunicamos com o coraçao. O silêncio é nossa maneira de amar.
Há respeito pelas nossas diferenças, pois há amor acima de tudo.
Eu criei um planeta, todo especial, para me aproximar dela. Converso com ela através do toque das palavras escritas, a vejo com ternura através dos olhos do meu coraçao.
Somos, nesse planeta, diferentes e iguais. Iguais em amor.
Há perdao.
Com carinho, digo-lhe, à minha maneira, o quanto a amo.
Respeito quando ela nao quer responder. Mas, dentro de mim, me sinto amada também.

Feliz aniversário, irma-flor.