segunda-feira, 26 de novembro de 2007

como a água.


"She told me I was like water.
Water can carve its way, even through stone.
And when trapped, water makes a new path."
memórias de uma gueisha






And the hard times will be like stepping stones to the moment when we'll finally find peace.

We'll look back and see that we've grown up, we've learned, and that we've always been together.

We'll be holding hands, smiling at each other with the feeling that we have reached what we've hoped to reach for so long.

We'll have many reasons to be glad, and thankful. And we will see how good it is to be always kind to one another.

We're about to get there - to this wonderful state we call peace.

We're about to see that the future can be now. And that we're in the middle of our way, but since we're together, we can already feel this serenity.

We can face the music.

domingo, 25 de novembro de 2007

invadiu.



A felicidade em corda-bamba, levando sombrinha de fitas - é a paz?
Globo da morte, confete, palhaço - há paz?
O dia que nasceu apressado, saltou o café da manha (de cerais e mel) e foi direto ao sol de meio-dia. Sentou debaixo de uma árvore, brincou de fazer sombra com as maos - cachorro, elefante, coelhinho. É paz?
A noite escondida atrás das persianas. A lua brincando de polícia e ladrao com as estrelas. O barco sozinho no mar - alto mar - ancorado.Ê, paz! Menina e menino de maos dadas no parque. Picnic. Grama macia, cheirinho de verao. Paz e ponto.







"Brilho da lua oh oh oh,
noite é bem tarde
Penso em você,
fico com saudade"

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

caminhos.

"Se as coisas são inatingiveis...ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos,
se não fora a mágica presença das estrelas."

Mário Quintana

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

sem palavras.

Greve. Parece que as palavras fizeram greve. Em silêncio, todas juntas, nao vieram trabalhar. Nao me disseram nada. Claro, também, elas estao de greve.
Deixaram vazio o papel. A caneta ficou sem funçao. As maos, em tédio, se esconderam no bolso da jaqueta. É frio, nao dá mesmo vontade de sair da cama. Mas daí a simplesmente nao vir trabalhar, sem nenhum tipo de explicaçao?

Ok. Nao é trabalho. É vicio. Um vicio meu,, de escrever tudo e de qualquer jeito, como quem quer tirar de dentro o que nao tem que ficar dentro porque dói, ou que quer mostrar pro mundo o que é bonito, sentido, feliz, engraçado. Sei lá.
Eu observo e quero escrever.
Mas de repente elas nao vêm.
Nao me disseram nada. NADA. E sumiram.

Ok. Eu peço perdao. Me desculpo por dizer que era trabalho delas aliviar os meus sentimentos. Me desculpo por usá-las em demasia, por precisar delas tanto ao ponto de nao saber o que fazer quando elas nao vêm.
Me desculpo de coraçao, tá!?
Bom, agora, vou tentar alguma outra coisa. Pensei em dançar, mas o corpo nao deixa. Pensei em cantar, mas estou rouca e quase sem voz. O que posso?
Posso esperar, praticando a paciência.
É. Tem hora na vida que tudo que a gente precisa é saber esperar.

por onde andei.

Port Saplaya

Parc d'el Turia

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

vocabulário.

As primeiras palavras que aprendi quando vim pela primeira vez a Espanha foram "cerca" e "lejos" (perto e longe). Quem me ensinou foi o moço do taxi, um catalao muito simpático que às tantas da noite ainda tinha paciência para estrangeiro curioso como eu. Conversava comigo em um castelhano correto, despacito (devagarinho), e eu tentando lhe perguntar se o endereço que havia lhe dado era muito longe. Foi entao que me ensinou. Neste momento, ainda nao sabia a importância que estas duas palavras teriam para mim.
Hoje, quase um ano depois desta experiência, uso estas palavras com frequência, sabendo inclusive que muitas vezes "cerca" e "lejos" nao têm nada a ver com distância.
Na verdade, nunca me senti tao perto da minha família como agora que há um mar inteiro entre a gente.

Depois, em sala de aula, aprendi "echar de menos". Uma expressao inteira só pra dizer: Saudade.
É. Obviamente esta se tornou tao usada quando as outras duas primeiras.
Usava em emails para meus pais e irmas, depois, de volta ao Brasil, usava para me corresponder com o Antonio. Acho que todos os dias usava esta expressao.

"Alejar", em espanhol, significa distanciar. E nao é que quando a gente se "aleja" de alguém que a gente ama muito a gente realmente se sente "sem uma parte de nós"? Curioso e poético, certo? Sim. E também muito real.

Observando tudo, sempre, percebo que sempre "echaremos de menos" algo ou alguém. Feijao eu cozinho aqui, sol tem, começo a fazer alguns amigos, o coraçao recebe carinho diariamente do benzinho. Mas, embora"cerca" em coraçao, "echo de menos" aos meus pais, minhas irmas e sobrinho, minha madrinha, avós, Rosa, meus amigos queridos.
Procuro uma maneira de fazer o "lejos" estar mais "cerca". Envio emails, cartas, telefono, mando recado no orkut, tudo que a tecnologia - que nunca nem fui tao fa - me permite.
E assim, amor pra cá e pra lá via meios de comunicaçao, me sinto mais "cerquita" deles também.

E embora o poetinha chamaria isso de "desencontro", eu me sinto a obrigada a discordar, pois eu fico só com a primeira parte: "a vida é a arte do encontro". Quanda a gente se "aleja", nao é desencontro, é poesia de saudade.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

andá com fé.


Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Que a fé tá na mulher
A fé tá na cobra coral
Ô-ô Num pedaço de pão
A fé tá na maré
Na lâmina de um punhal
Ô-ô Na luz, na escuridão
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
A fé tá na manhã
A fé tá no anoitecer
Ô-ô No calor do verão
A fé tá viva e sã
A fé também tá pra morrer
Ô-ô Triste na solidão
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Certo ou errado até
A fé vai onde quer que eu vá
Ô-ô A pé ou de avião
Mesmo a quem não tem fé
A fé costuma acompanhar
-ô Pelo sim, pelo não
Gilberto Gil

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

cada loco.

A pequena Blanca já sabe dizer as cores (vermelho é mais difícil, mas ela repete com sucesso).
A Beatriz quer ser professora.
O Javier vai viajar de mochila, queria ir a Itália, mas a turma dele escolheu o Leste.
Dona Consuelo prepara o almoço para o neto, que vem todos os dias e "é tao alto quanto o Antonio". Ela repete isso toda vez que nos vê.
A amiga chinesa dá aula de inglês para espanhoizinhos de 4 anos. Mas eles sao tao "agitados"!
O moço de Praga veio divertir sob o sol. "Ali chove muito, aqui faz tanto calor!" - E eu pensando: "Você já foi a Bahia, meu irmao? Tem que ir!"
Um moça veio oferecer TV a cabo. "Nao temos TV!", respondi. Ela saiu espantada.
Tenho todo um método para lavar vasilhas. Depois de separar tudo e fazer como gosto mais, dou gargalhadas de mim mesma. Sozinha.
O Benzinho se surpreende que a voz em 'A bomba de Hiroshima' nao é de mulher, e depois se surpreende com a cara pintada e os olhos tao cheios de expressao desse tal Ney Matogrosso.


"Prefiero querer a poder,
palpar a pisar,
ganar a perder,
besar a reñir,
bailar a desfilar
y disfrutar a medir.
Prefiero volar a correr,
hacer a pensar,
amar a querer,
tomar a pedir.
Antes que nada soypartidario de vivir."
J. Manuel Serrat

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

hobby



Eu nao perco tempo escrevendo:
eu ganho letras, palavras, frases e até parágrafos inteiros!
Sem contar a pontuaçao incrível, reticente, exclamativa, que me interroga e às vezes me pára.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

utopía marivaux.

- leitura rápida-

Quantos mundos existem além do meu!
Quantas pessoas existem além de mim!

Que bela sou (olho ao espelho): Nariz, boca, olhos!!! Se eu soubera antes que era tao bela, teria me cuidado melhor desde o princípio!

Amo. Amo com todo meu coraçao e sou a vida dele.
Posso amá-lo todos os dias da minha vida e nunca me cansar. Nao! Nao vou me cansar! Sou sua musa. Ele nao pode viver sem a minha mao.

Você é uma pessoa?
Sim. Você é uma pessoa como eu, mas é diferente de mim.
foto:Vicente A. Jimenez




Obra teatral:
Utopía Marivaux - de la disputa a la Isla de los Esclavos

Leitura rápida da personagem Eglé.

domingo, 4 de novembro de 2007

sentir.

Eu fico pensando, às vezes, sobre isso que eu chamo de poesia, que meu amor chama de prana, que minha mae chama de amor, que tem gente que chama de ar, gente que nao dá nome, gente que nao se dá conta, gente que sente com as maos, gente que vive com os olhos, gente que sente como se fosse cheiro...
Fico pensando no que é que nos impulsiona a criar novos sonhos, a fazer novos planos, a escrever nosso futuro e colocar o pés no caminho desenhando nosso destino. Penso: de que somos feitos? E nao busco resposta nao, juro. Fico me perguntando só, achando bonito que cada um de nós seja assim tao diferente, e que todo mundo junto faz da gente assim tao igualzinho. Olho nos olhos dos meus alunos, me pergunto quem sao, com que sonham, de onde vêm. Olho para meus professores, que com admiraçao prefiro chamar de mestres, e me pergunto sobre o que os fazem assim tao especiais. Olho para um lado e para o outro, essa gente que está na fila para pegar um documento que os permita viver em um país que nao é o seu. Penso de onde vieram, porque vieram, e se encontraram o que tanto buscavam. Penso na história de cada um deste pais que trazem um bebê de colo e uma luz enigmática nos olhos. Reflito e imagino o futuro destes bebês. Desejo o bem. Para mim, para eles, para todos os seres vivos e as energias que nos envolvem. Fixo meu olhar nestes olhos verdes que me dao vida. Vejo a minha vida inteira, e vejo meu futuro. Desejo. Olho pela janela - a televisao da nossa casa - e me pergunto de que é feito o agora, quem inventou o tempo, para onde vao esses carros, o que lê hoje no jornal o senhor que está na esquina, porque jogaram fora aquela cadeira bonita, quantos pés já pisaram esse chao. Depois fecho os olhos, penso no filme que assisti ontem, penso nas reflexoes que fez o meu amor, reflito sobre elas. Imagino um mundo à la Martin Luther King e John Lenon, e meus olhos se enchem de água de saber que é tao difícil essa paz. Abaixo as minhas sombrancelhas quase em dor por saber que poucos respeitam o que chamam de direitos humanos, mas é simplesmente a liberdade de se ser o que é. Mas, ainda de olhos fechados, me lembro do sorriso da menina boliviana na fila, no abraço que me deu o amor ao final do filme, e volto a pensar em nisso que chamo de poesia, que meu amor chama de prana, minha mae de amor...


filme: la vida secreta de las palavras