sexta-feira, 28 de setembro de 2007

coisinhas.

Eu sou amiga do carteiro. Já disse?
Ele entregou direitinho, no dia certinho, a carta que escrevi pro pai.
Claro que junto mandei carta pra mae, contando as coisinhas que geralmente conversava com ela, na parte da manha, deitada na cama dela, enquanto ela lia, ou bordava, ou fazia palavras-cruzadas. Mas ela sempre me ouvia com atençao, me dava os melhores conselhos do mundo - claro, uai! conselhos de mae - e sua intuiçao me ajudava a ouvir melhor à minha própria.
É por essas conversas de mae e filha, que me faltam tanto agora, que lhe escrevi a cartinha, colocando dentro do envelope que ia a carta de aniversário do pai. E, com muita atençao do Sr. Carteiro, eles receberam no dia 26!!!
Coisa mais linda, né?!

Contei para a minha futura amiga - é, acho que seremos amigas sim! - o grande acontecimento. Enfatizei muito o fato do pai ter recebido a carta EXATAMENTE no dia. Será que todos entendem a importância disso?
Claro... podem chamar de coincidência, se quiserem... só que é tao mais poético pensar que sou amiga do mundo inteiro, e que o carteiro me é tao leal!

Nao acaba. O namorado ganha presente em loja por ter um sorriso no rosto todos os dias. Claro, carinhoso como poucos, divide o presente comigo no nosso "habitat natural": o parque.
Eu meio boba, meio doida, nao vejo na hora a poesia disso. Volto pra casa, penso e repenso, e logo vejo: ora, sua tonta! que coisa mais linda! Que sorte a sua!
É. Mas nao acaba mesmo.
Têm expectativas que eu vou administrando para nao tomarem conta de mim. Têm flores novas - amarelinhas - enfeitando a mesa da sala que ganhou de presente (por 2 euros, tá bom, né!?) uma toalha branca linda!
Tem dia que tem telefonema da irma mais loira, e papo com o cunhado-irmao. Tem dia que até serenata de amor tem!

É claro que a gente tem uma mania meio estranha de reclamar de tudo. Mas é que eu tô descobrindo que agradecer e admirar têm um efeito bem melhor.

O fogao estragou, uma aranhazinha me picou e tô com uma mancha no pescoço.
Hoje almoçamos num restaurante, meu benzinho deu beijo pra sarar o braço e coloquei um lenço chiquérrimo para tampar a mancha.
Pronto!
Tudo fica bem mais lindo...

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

26 de setembro.

Eu tomarei conta da minha respiraçao, levarei muito ar aos pulmoes, os encherei de vida e energia.
Eu gritarei o seu nome na janela, de frente pro mar - que é pra ver se o vento e a água me ajudam a alcança-lo com minhas palavras e amor.
Eu lhe enviarei uma carta, um email, lhe chamarei por telefone também.
Desejarei estar ao seu lado na hora do almoço, comendo a comida especial que a mae faz quando é nosso aniversário.
Rezarei baixinho, aqui, pedindo para que você receba meu carinho com sorriso no rosto e que sua felicidade esteja garantida por merecimento.
Cantarei, beberei guaraná e comerei até um pedaço de bolo, e me sentirei pertinho de você, lhe dando um beijo, um abraço e lhe entregando o poeminha que fiz com lápis de cor.

Meu pai, feliz aniversário.
Cruzarei este mar inteiro em duas braçadas de amor para estar, especialmente hoje, bem pertinho de você.

domingo, 23 de setembro de 2007

o possível.

o que nos une e o que nos afasta. importa.
o mundo que a gente cria pra gente. importa.
o mundo que criam ao nosso redor. importa?
as dores do mundo me arranham.
o frio. o calor. a fome. a sede.
sensaçoes. eu tenho sensaçoes.
a menina pequena quer colo.
lembranças.
o dia acaba ou começa agora? existe tempo? você tem hora?
o espaço.
acaba onde a gente nao pode mais ver. começa até onde vao os nossos olhos.
as emoçoes.
eu sinto ciúmes, medo, alegrias e muita vontade de rir. sinto respeito. respeito é emoçao?
passado é lembrança. devo colocar lá em cima?
uma gaveta de segredos. onde você guarda os seus.
os meus eu nao guardo, eu escrevo, embolo, faço lixo.
reciclo o que posso, dos meus segredos, e os deixo mais bonitos.
as cores. as cores existem. azul. azul forte.
tem água dentro do azul.
eu tenho muita água. vê como choro?
palavras. eu gosto das palavras.
importa. existe. palavra. importa. a porta. retorna. contorna.
eu sei uma língua.
vê?
quais sao os limites? existe limite? isso importa?
a gente faz o que a gente quer.
a gente inventa a alma da gente? ou alma a gente já tem? já vem desde quando eu nasci?
23 anos em 4 horas.
as cores. pode ver as cores?
nao vejo o lá fora. o que é lá fora?
existe?
eu tenho ciúmes do que passou. importa?
respeito o passado. que passou pra você.
respeito o meu, que alguém me trouxe, pelas maos, até você.
olha o mundo! olha o mundo!
só existe você e eu. existe a Consuelo?
é hora de ir pro trabalho? isso importa?
a gente vai viver sempre assim?
nao importa.
eu quero viver.
seja lá o que isso é.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

folha seca.

No detalhe do silêncio, fluindo como se fosse o próprio vento, na beleza do que começa com o sopro, ela vira e vai.
Sem muito saber o que pensar, entre os risos e seu orvalho, uma lembrança atravessa o corpo inteiro, amanhecendo o sentimento guardado. Sem muito entender o que acontece, o sentido maior é viver aquele presente instante – sem tentar saber mais. E faz. Faz do que sente a saída, do sonho o impulso, do momento a hora certa. De tudo que pinta, de tudo que vê, faz formas e cores em lugar ao tempo. Foge de tudo e dela mesma. Quer a vida do nao saber ser limitada. E cruza as fronteiras do medo e da liberdade, contrariando a sentença de ser o que querem para ela. Faz, corre, engana o relógio e burla as regras do calendário. Futuro é agora e amanha é vida presente, também. Porque se um dia aconteceu, hoje é marca. Se um dia foi, hoje é sentido, mesmo que sem a consciência da análise do saber.
Joga com o ritmo. Brinca com as emoçoes. As regras sao suas. A escolha também. Sem se intimidar com o que possam dizer, sem sentir medo dos que possam tentar impedi-la, segue o vento e começa, sozinha, o outono.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

amor em castellano

`te querer a ti´ nao é redundância. é uma delícia.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

11º andar

De um sobrevôo, pouso.
Do alto de onde estou, prédios, carros e vidas à pé formam a paisagem que observo.
Uma avenida extensa, larga, com árvores acompanhando seu prolongamento. Avenida de cidade grande.
Entre os que passam à pé, abaixo de mim, vejo cores desfocadas, carrinhos de bebês, gente mais velha ou gente guiada por um cachorro branco - que nao posso ver em detalhe, mas intuo que sejam cachorros lindos.
Daqui do alto, embora tudo lá embaixo pareça pequenininho, sei que sao almas e sonhos enormes. Um monde te gente caminhando ou se conduzindo aos seus objetivos. (Também nao sei quais sao)
Mas, se com meus olhos faço um sobrevôo mais adiante, e acompanho a avenida até o final, eu posso ver o mar.
É! Eu posso ver o mar!

sábado, 15 de setembro de 2007

o amor (puro)

nasceu mediterrâneo, em terras de serrat e gaudí.
nasceu e cresce,
força, intensidade, abstraçao.
corpo, alma e espírito.

- somos um só -

nasceu sentimento. virou vida.
nasceu vontade. virou parte de mim, e dele.

nasceu mediterrâneo,
ele atlântico, eu também.

nasceu banhado em águas de um mar calmo.
caminhando em areia e sentindo na cara o vento que vem.

nasceu natal, virou ano novo, virou vida nova.

é mediterrâneo. de nascença.
é nosso, e lindo, de vida inteira.


(escutando Joan Manuel Serrat)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

cantaor.


cantava ô, cantava.


cantava o passado que passava.


cantava o que vinha, em futuro escuro.


cantava o tempo que podia.


cantava parado, o vento mexia.


cantava de pé, peito aberto, fé!


cantava o cantor de rua. a vida era dele. a vida é sua.


cantava... cantava... cantava...


coisa de quem tem o que fazer com a alma.


coisa de quem sabe o que fazer do tempo.


sereno vento.


amigo lento.


mexe. leva. vai.


a companhia do vento é alimento.


a alma do cantor de rua: a vida é sua.


parado ali, cantando.


cansado ou nao, cantando.


a vida que sabe levar.


cantando pra nao parar.


canta. o homem de ferro canta.


a alma do homem de ferro canta.


nao há pouca vida. há tanta...

domingo, 9 de setembro de 2007

diálogo.

- Mamae, chama `lua de mel´ porque é só de noite?
- Nao, filhinha! Também é de manha e de tarde.
- A sua e a do Papai foi assim?
- Nao! A minha e do papai é assim: de manha, de tarde e de noite, desde que a gente se viu pela primeira vez.

sábado, 8 de setembro de 2007

estrella

Como quem perde uma estrela
desalento...,
lentamente tento.
Como quem pede a uma estrela
- Alma!,
calmamente penso.
*
*
*
Se nao fosse tao forte,
sorte?,
cordialmente faria.
Se nao fosse tao longe,
onde?,
amorosamente iria.
*
*
*
Penso e revelo,
quero.,
o que tem dentro de mim.
Amo e amparo,
tudo!,
que faz de você assim.
*

terça-feira, 4 de setembro de 2007

medos.

Eu fico aqui pensando, depois do fiasco que ficou o meu arroz com brócolis, que vida doida é essa que coloca a gente de frente aos nossos medos e até, às vezes, fracassando pra gente entender porque realmente eles eram medos. É sim. Você tem medo de quê?
Eu? Sapo, gente, cozinha, eternidade.
E daí explico, me explico:
Matei um sapo, alguma coisa como dois meses atrás (tempo de calendário). Matei sim. Mas por acidente, entendem?
Matei com o carro, passando em cima dele, na garagem de casa. Entao imaginem bem... saio do carro, lararara, feliz e cantando e vejo (porque juro! nao tinha escutado o ploft antes) um sapo em seu último suspiro. Ai. Que dor. Eu nunca consigo correr. Fico parada. Como uma m-ú-m-i-a. Extremamente sem açao. Minto! Há uma açao... eu choro.
E comecei a chorar, claro.
Primeira açao depois dessa açao? Liguei para o meu pai. Exato! Talvez ninguém no mundo saiba como ele sobre o meu medo de sapos. E disse: "Pai!!! Eu matei... matei... matei um SAPO!"
E ele, melhor paizinho de todos, disse: "Nao preocupa, filha. Nao tem problema nao!". E eu insisti no choro... "mas nao vou conseguir limpar, pai!". Pronto. Desabafei. Consegui voltar a mim e sair dali. Pensei um pouco... e liguei para o meu amigo. Contei sobre o que tinha acontecido, e como eu me sentia. Ele disse: "cê tá preocupada se o sapo tem alma?". E eu pensando: será que eu matei o meu medo?
Tá bom.

Mas eu tenho outros medos, né!?
Gente. É. Gente mesmo.
Gente de carne e osso e pensamento malvados.
Mas tudo bem. Ando com o peito aberto e o coraçao escancarado. Fico cantarolando pelas ruas, que sao minhas sim Senhor!, encarando de frente este meu medo de gente.
E tem gente até interessante ao redor...

Cozinha. Eu sou um horror! Já citei o arroz com brócolis, né!? ÉCA! E o pior é que nao era só pra mim... se fosse, eu comia rapidinho, lavava a panela e fingia que nada tinha acontecido.
Mas era pra ele, pro meu benzim!
Poxa...
Um fiasco de arroz com brócolis.
Mas conto... comemos num parque lindo, levei uma canga branca com mandalas vermelhas. Fiz uma saladinha gostosa pra despistar o horror que tava aquele arroz. Comprei tâmaras e um yogurte de sobremesa. Coloquei a minha blusa verde preferida. Cheguei mais cedo que ele e fiquei ouvindo Lisbela. Quando ele chegou, já sabendo do meu desespero (mandei uma mensagem antes, que era pra ele nao criar muita expectativa) me encheu de beijos e disse que sem comer já sentia que estava gostoso. Que nao importava se nao tinha sal, se estava cozido demais, ou o que quer que seja. E aquele beijo me alimentou melhor que qualquer arroz, feijao ou batata! Conversamos. Trocamos muitos beijinhos.
E nessa brincadeira de rir do meu arroz, e rir do meu medo de cozinha, acabei percebendo que perdia um outro medo. Desta vez, o medo se tornava uma vontade: eternidade.
Quero. Quero que isso seja eterno.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007