quinta-feira, 30 de agosto de 2007

namoro. (substantivo e verbo)

Era na curva do silêncio, entre os meus segredos e as flores dali, que meu futuro aparecia em forma de pássaro.Eu nao sofria, nao chorava, nao me espantava.Fazia sentido aquele cenário com jeito de presente.E dali eu lancei vôo.Como quem quer ir pra longe... Mas (dessa vez) sem fugir.Como quem leva o passado embrulhado em papel-bolha, cuidadosamente.Como quem sabe que vôo é coisa de gente e de alma. E que o medo atravanca o sonho.Voei para onde me guiava o pássaro, sobrevoando aquele verde-infância, aquele barulho-azul, e o cheiro, que me era tao familiar, começava a se desfazer.
...
De repente um pouso. Há muito branco aqui!Uma cidade da cor da lua.Um futuro com gosto de tâmara e cheiro de incenso.Um quarto que se torna a minha habitación.Um corpo (dele) que é meu território.Um sorriso (meu) como carteira de identidade.Hola, gracias, perdona. Um idioma em que sou dominada.Um amor - meu ninho.E nesse pouso faço do pio a nossa cançao de ninar, do beijo o alimento, do carinho a nossa recompensa.E nesse pouso construo o meu agora. Repito amanha, depois de amanha e todos os dias que vierem daí pra frente.Porque a liberdade agora é a dois.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

jardín del turia

Era um rio, secou.
Agora é um parque, lindo, que contorna quase toda a cidade.
Tem a ponte das flores, que sao vermelhas.
Tem a arquitetura de Calatrava.
Tem os meninos que tentam, acho que pela primeira vez, alguns malabarismos.
Tem a mae e seus três filhos.
E muitas pessoas de bicicleta, ou com cachorros, ou de maos dadas com o namorado.
Aqui é verao, faz calor e muito sol até mais tarde.
Três senhoras, e seus respectivos bichinhos de estimaçao, conversam e passam a tarde dessa segunda-feira de sol.
Eu sento em um desses bancos de praça. Escuto Caetano cantar `Lua e Estrela´, tiro as minhas sandálias e levanto um pouco a saia e cruzo as pernas em cima do banco.
Vejo as primeiras tentativas de caminhar de um bebê loirinho. E os olhos de orgulho e preocupaçao de seus pais. Pais que acompanham todos os passos.
E ainda posso sentir que é a primeira vez que aquela senhora usa brincos mais compridos. Observo como se a minha vida fosse feita da história dessa gente que nao conheço, e que sequer me viram passar.
Acompanho os passos do bebê, a corrida do moço com calça justa, os olhos da menina que vê de longe um aviao.
Faço do que vejo alimento para minha alma.
Abro um sorriso grande, enorme, pra quem quer que seja. E nao me importo muito se nao recebo um de volta. Passarei a minha alegria mesmo para quem nao entenda o que isso tudo é para mim.
E caminharei. Sempre e quando puder, por todo o percurso que um dia fez o rio Túria, e que agora faço a pé.

conversa.

eu tento com você
um diálogo novo
daquilo que nao lhe disse
tento, revejo, me escuta?
procuro a palavra certa
e o verbo direito pra conjugar
discuto comigo, aflita,
a falta de ar
e a sobre de medo
o resto é vontade
e fome de lhe mostrar

a menina dança

dança a filha e neta da lua.
a mais eterna das mortais.
amada.
dança com a força instintiva das pernas.
com os olhos de fogo
e o coraçao em chamas.
dança.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

¡Vente, viento!

- ¿Cual es la situación?
- Vivir un sueño.


Abre os olhos e pode ver: existe gente de todas as cores, crianças que correm e voltam para seus pais. Existe o destino que cada um está ali traçando. Existe o meu. Existe o futuro que chegou pra perto de mim. E faço do meu agora o presente. E que palavra mas linda, nao?
Existe você, sua guitarra, seus sonhos pra gente.
Existe o amor que se constrói a cada dia. Mas que parece que já nasceu junto.

Abre os olhos e pode ver: uma cidade que nao pára, carros, vento e vida. Todos correndo, movendo, sendo o que querem e indo aonde lhes parece melhor ir.
Existe a gente, o incenso que dá o cheiro que a gente quer a nossa vida.
Existe o amor que construimos a cada passo.
Passado pra trás, há o nosso instante.

¿Si soy bienvenida?
De venir y de vivir.



sábado, 18 de agosto de 2007

beijo na testa!

O circo chegou na cidade?
Tem marmelada?
O que acontece quando o futuro da gente sai das nossas mãos?
Penso demais?
Sinto demais?
E o palhaço o que é?





A cidade que chegou no circo.
Não. Mas goiabada tem.
A gente pode até esperar um pouco. Mas depois tem que voltar a pegar as rédeas dele.
Pensa.
Sente.
O meu amigo!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

ó deus do tempo, escuta a batita forte. de onde vem a calma?



escutando Cardeal Teodoro - Julia Ribas, vestindo um moleton velho.

domingo, 12 de agosto de 2007

a rua.

Se fosse minha essa rua semeava margaridinhas, pintava o meio fio de rosa claro, contornava os postes de luz com fitas coloridas. E saía para passear com a minha saia branca.
Seria da rua a rainha. Da vizinhança, a amiga. Da vida inteira, a lembrança.
Se fosse minha essa rua trocava buzinas por pio de pássaros. Marcaria as cinco da tarde como hora oficial para assistir a revoada das maritacas - sempre muito pontuais.
Se fosse minha essa rua a casa mais alta teria direito a janela grande e paredes de vidro, para olharmos o céu.
Seria do sol a namorada, da lua a apaixonada e as estrelas contaria a dedo, sem medo ou superstição.
Se fosse minha essa rua não tinha menino com fome, cachorro sem dono ou lata no chão.
Faria do menino meu aluno, do cachorro meu companheiro, e da lata um vaso de flor.
Se fosse minha essa rua, eu mandava ladrilhar com sonhos.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

a história deles.

"Estou de férias, posso te ligar a cada hora, ou mandar uma msg todo dia... sem falar em emails, cartas, pombo correio, mensageiros do rei, esquadrilha da fumaça, mensagens subliminares no intervalo das novelas, dedicatória na BH FM, serenata, biscoito da sorte, gravo um CD com uma música pra você, grafito o seu prédio, mudo o apito da Maria Fumaça para o seu nome, deixo recado em todas as embalagens de chocolate de Mariana, e também nos CDs e DVDs de axé, mas queria que você facilitasse e atendesse a minha próxima ligação... sinto sua falta, mas não é de morrer sem você, mas é de me sentir melhor com você, mesmo que apenas conversando."


Ele é comunicador, baterista de banda, adora futebol - ver e jogar, cerveja, rock antigo.
Não sei muito sobre ela. A única coisa que sei é que se tornou importante pra ele. A ponto de fazê-lo ligar muitas vezes. E ela não atende. Não sei porque não atende.
Ele é meu amigo.
Ela eu não conheço.
Ele é daqui.
Ela é de Mariana.
Ele disse que queria estar com ela agora.
Ela não atendeu.
Ele escreveu a mensagem acima, enviando por celular.
Ela não respondeu.
Ele ligou depois de meia hora.
Ela não atendeu.

Meu palpite?
Ela vai sonhar com ele essa noite.
Ele vai parar de ligar.
Ela vai sentir falta de tanto carinho.
Ele vai sentir falta de ouvir a voz dela.
Ela vai mandar uma mensagem.
Ele vai sorrir e ligar na mesma hora.
Eles vão se encontrar.
...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

regalo 1

Pego o lápis com nossa cor preferida. Faço moldura num papel branco com giz de cera laranja. Escrevo poucas palavras no seu idioma.
Ganho mais linhas em pouco tempo, quando de poema eu decido escrever uma carta.
Termino com beijinhos carinhosos. Na minha língua. (na sua boca)
Dobro o papel e guardo em envelope azul claro.
De um lado escrevo: ao meu sol.
Do outro lado assino: da sua menina.
E guardo numa caixinha ao lado da minha cama.
Em breve pego a caixinha e a carta.
Com um sorriso e lágrimas nos olhos te entrego.
Te dou um beijo longo. E sento ao seu lado para te ver ler.


Feliz aniversário, amor!

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

!



um dia a gente samba, o outro a gente jazz...

sábado, 4 de agosto de 2007

sobre ela.

"a prosa marcha e a poesia dança". - Octávio Paz (?)

num ballet nada esquisito. num ritmo bom de quem tem alma leve e vai com o vento. a poesia dança nas linhas e versos do movimento. e se deixa fantasiar, às vezes, de linhas contínuas, que é pra acrescentar marcha à dança. e não cansa. a poesia balança. a vontade lança. o brilho alcança. a gente se refere, não fere!, prefere: sem precisar dizer muito. a poesia é ela, meta-ela. e baila num querer dizer o que também diz a prosa, no seu andar elegante. a poesia diz, então, a passos e balanços. francamente? a poesia não diz, ela recita.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

humor. de quê?

não. não consegui estacionar e tirar os xerox que eu precisava. não me atenderam aonde eu precisava tanto falar. não vou receber aquela grana que eu tava contando tanto (e precisando). me disseram que eu nem preciso ir à reunião que eu já tinha feito a pauta. não me telefonaram. acho que nem lembraram de mim. não resisti ao brigadeiro e comi dois (e nem tô podendo). recebi carta. ah! não é carta. é conta! o iogurte de morango acabou. o filme que eu queria já tá alugado. me falaram a data errada da peça de teatro. trabalhei na primeira noite do curso de tambor. o pão caiu. a manteiga pra baixo. (e eu nem tô podendo). o frio tá muito. o pé tá gelado. e eu gosto de calor. eu tô com saudade. às vezes saudade é um saco! eu tô com medo. e não tem ninguém do lado pra dizer: acalma! tudo vai ficar bem. o dia não acaba. é sexta. mas nem 13 é. não é TPM também, ou essas coisas de mulher. é humor de cão. cão bem bravo. de quem tenta um monte de coisas e só consegue mesmo um não. mas sabe o que mais? tem cerveja na geladeira. um fim de semana inteiro. um benzinho que escreve mensagem de amor. amigas pra dividir a noite. pai chegando de viagem. o número de milhões de pessoas bacanas que eu posso ir lá e ligar. tem iogurte de pêssego. e aniversário do primo querido. e abraço apertado do sobrinho tímido. e presente que a irmã trouxe pra mim. e um céu azul que é uma beleza! e festival de jazz. e maria rita cantando casa pré fabricada. e viagem por vir. tem biscoito água e sal com requeijão light - sem consciência pesada nenhuma! tem lojinha aqui perto que dá pra ir à pé e até tentar tirar o xerox. tem um livro novo do lado da cama. e saudação ao sol porque apesar do frio ele tá lindo. e cachorrinha latindo pra dizer que tem fome. estou com saudade. ô saudadezinha gostosa, meu deus! tem coragem no coração que quer voar. e um humor novinho em folha. porque hoje é sexta-feira. agosto a meu gosto. humor de passarinho. tem ninho. e boas novas pra cantar...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

viajar.

Mas já você, moça loira que dormia na cama ao lado, eu amo de nascença.

Vê se não te preocupa. Não chora. Não sofre. Vou mais feliz se te vejo feliz também.
A cor dos nossos sonhos se difere, mas a nossa felicidade depende do sorriso dos olhos da outra. Sabe?
Eu acredito no amor "de deixar ir". Na confiança que, de perto ou de longe, cuidamos uma da outra. Acredito que na nossa construção, na construção das nossas almas, vale muita a tentativa de desapego para complementar a evolução. Mas a saudade é marca presente sim. Que a gente sente, noite e dia, noite e dia. Mas a volta assim é certa. A gente encontra logo, em muitos meses, mas poucas folhas de calendário. Num tempo amigo que passa rápido e plim! já estou aqui de volta pra encher de beijo e abraço os benzinhos meus. Pra encher você de beijos e abraços.
Porque movimento pra mim é vida: enche meus dias, cria as histórias que eu gosto de contar, aumenta as páginas do meu diário, me faz ver as coisas boas de lá, de cá, de vocês e de mim. Além de me encher de alegria a cada volta, a cada reencontro. Ganho ponto a cada viagem dentro de mim. Porque o amor de vocês é comprovado a cada instante, não que precise ser colocado à prova. Mas é sentido com todos os cantinhos do meu coração. E a vontade de ficar perto, de valorizar o "lá em casa" e de voltar logo aumenta.

Amo vocês sim, irmã casada. Do meu jeitinho meio torto, meio bobo, meio descompromissado.
Amo vocês muito, loira linda, com os meus olhinhos que despistam até as lágrimas que caem quando o avião decola.Amo. E não duvide disso nunca.
Eu vou, mas é pra voltar com o amor a vocês ainda mais declarado.