sábado, 30 de junho de 2007

Aviso importante: laboratório de mim.

Tomei um pouco de liberdade, mais ou menos um copo e meio, para vir assim, de coração aberto e sinceridade escancarada, explicar-me a vocês.

Adoro declarações de amor. Sou capaz de fazê-las assim, em blog, para todo mundo ver. Acredito que amor a gente inventa mesmo, e sou capaz de inventar muitos, podem notar?
Só faço isso de me expor assim com o suporte que tenho da liberdade poética, com a licença de ter um eu lírico, com a capacidade de observação do mundo ao meu redor e do poder de reinventar-me. Exato.

O que eu quero dizer? Em cada caso, uma coisa. Nem toda "ela" sou eu. Ou até sou eu, um eu lá no fundo, da observação de alguém com quem me identifiquei, ou que não pude tirar os olhos por ver poesia por ali. Nem todo "ele" existe. Ou existe, mas no meu coração que o inventa. Ou na minha cabeça que lembra - geralmente com saudade. Exato. Muita coisa não é de agora. É de um ontem gostoso, ou dolorido, ou ainda um pouco embaçado. Isso mesmo! Nem tudo que reluz é ouro. Nem tudo é tão ao pé da letra (e letra redonda nem tem pé!). Gosto de metáfora, de reviver o passado com as palavras. AMO as palavras. Me apaixono por elas também, já disse?
Adoro dizer "relutante", "estetoscópio", "fósforo", "tangerina" e tal e coisa.
Mas volto a me explicar, me permitem?

Este espaço é de poesia. Poesia nos olhos de quem lê. Lindos! OBRIGADA pelas visitas. Poesias nos meus dedos assanhados e apressados que não querem deixar de lado sentimento algum. E tentam: rabiscam em papel pardo ou teclas de computador o que a senhora eu, dona de mim e deles - os dedos - não dá conta de segurar.
Entendem?

Aqui é lugar de tentar tudo. De escrever o que me veio assim, no meio da noite. Ou de tentar um texto novo, seminovo, ou até cópia - esta última sendo de extrema delicadeza e humildade, usando sempre aspas, ora bolas!, pois foi para isso que elas foram criadas.
Enfim, o blog está para mim como um laboratório. Ok?

Aviso aos navegantes: cuidado! Nem tudo datado hoje é sentimento de agora. Nem tudo que tem 'ele e ela' é história de amor no plano real. Nem tudo que é longo é prosa.
Deixa eu chamar de poesia?

sexta-feira, 29 de junho de 2007

pelos olhos - parte 3

tinha até momento que ela se pintava. passava lápis na parte debaixo do olho, batom (clarinho, quase cor de pele).
tudo pra ficar mais bonita. parecia bem importante pra ele que ela estivesse bonita. experimentou uma ou duas vezes uma calça justa. entrou na academia. se olhava no espelho vez e outra, mais que de costume. estava mais vaidosa. ia pro trabalho como quem vai a uma festa. de repente nem tanto na forma como vestia, mas definitivamente como se sentia.
sorria mais. achava que era importante aquele sorriso alegre. se desprendia de alguns sentimentos que já não julgava saudáveis.
fez novos amigos. criou novos sonhos.
sonhos a gente cria, né!?
balançava o cabelo e dava preferência a cores claras.
sorria. muito, muito. é tão bom gente feliz!
e de repente o mundo inteiro parou de notá-la. quando o mundo inteiro era um par de olhos só. os olhos que mais importavam.

even now

Quando parece tudo tão difícil, quando o frio me deixa na cama com medo, quando o tempo parace passar muito devagar, quando o sorriso parece não ter brilho, quando a saudade chega a fazer dor no peito, quando o universo parece não estar de acordo, quando os esforços nossos parecem não ser reconhecidos... eu quero, even now.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

"esperar exaspera"

Espera
"Decidí bajar al infierno
porque no me gustan las salas de espera
con aire acondicionado.

Esperar desespera.
Y nadie sabe de dónde saco fuerzas,
salvo tú."
poesia dele.

terça-feira, 26 de junho de 2007

tem dia.

tem dia que a hora não passa, a resposta não chega, o tempo não abre, o sorriso não engata, a lágrima não escorre, a folha do calendário não muda, a ansiedade não dá folga, o telefone não toca, a espera não chega ao fim.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

sem facilitar.

a ansiedade engoliu o meu estômago.
o medo tapou os meus olhos.
a angústia acelerou meu coração.
mas a vontade desamarra os nós e me permite vôo.
a alma se veste de coragem em tom bem forte.
e o sim que espero tanto vira sonho de mais de uma noite.
e eu acordo um dia desses com a notícia de que tudo ficará bem.
sou mais forte que o medo.
o universo quer. aposto que sim.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

I'm ready.


"às vezes dá vontade

de subverter a ordem

abandonar o script

esquecer a proposta




e fazer da vida

uma notícia nova."



quinta-feira, 21 de junho de 2007

pelos olhos - parte 2

E custou tempo e lágrimas até que os olhos meus pudessem ver a outros olhos, que não os olhos do moço da janela.
Custou tempo, lágrimas, e milhas.
Foi preciso atravessar oceano, cruzar anos de história, mudar de estação de ano, de endereço, de "ares".
Mas foi numa tarde depois de uma visita a um museu, no alto do que parecia o topo da cidade, com um visual lindo, um friozinho gostoso, e uma vida nova pela frente que eu vi, dentro dos olhos azuis do moço que carregava uma máquina fotográfica, um sentimento que duraria muitos sorrisos e muitas despedidas.
porque a vida é mesmo "a arte do encontro".
E os olhos dele me prometiam muitos...

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Nova Postagem

o legal é que dá para mudar a cor, o jeito de escrever e até o que se escreve...
lá lá lá!!!







acho que até todos os dias.

domingo, 17 de junho de 2007

pelos olhos - parte 1

e era parar pra falar dele que seus olhinhos bobos sorriam como se fossem explodir de tanto brilho. as coisas explodem por brilharem demais? estrelas brilham porque já explodiram?
era parar pra falar dele e não admitia que não concordassem.
a poesia era o simples fato dele encostar a cabeça na janela, com aquela leveza e os olhos tão longes.
a paixão era por aquele par de olhos que de repente nem a viram, mas viram algo que ela buscava. parecia longe, pelo jeito profundo que ele olhava, mas ela se encantava com a idéia de tentar buscar.
ele dizia "um dia te levo lá". ela lia: "um dia ele me leva lá".
na espera do que quer que seja que estava por vir, sabendo das dificuldades de tempo-presença-harmonia, ela esperava. agora era ela que encostava a cabeça na janela, delicadamente, e via o lado de lá.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

irmã-estrela escreve

"uma dormiu tarde. A outra, acordou cedo. Elas se encontraram e tomaram um bonde amarelo. Viram a cidade lá de cima e enquanto isso, o Ministro das Relações Exteriores de Uganda, que estava sentado no banco de trás, arriscava algumas palavras em Português. Os guarda-costas, uns oito ou nove, observavam atentamente a qualquer sinal suspeito. Viram prédios, casas antigas, carros enfileirados, e o mar! Passaram por uma pontezinha bem alta e logo em seguida chegaram. Uma desceu e a outra também.
Almoçaram verde com vermelho, beje, branco com amarelo-ovo, e doce de sobremesa. Trocaram de roupa e: bonde-metrô-ônibus. Viram de novo o mar (só que agora bem de pertinho)! Tinha sol e céu azul. Não tinham fome e recusaram um HareBurguer "INTERGALÁTICO, PSICODÉLICO, SINESTÉSICO! " (hambúrguer de soja com tomates psicodélicos e cheddar alucinante. Acompanhado de pão com sete grãos, sete cores do arco-íris, sete notas musicais...) Uma flauta tocava ao fundo e o cenário infinito sumia no azul do horizonte. "Ipanema era só felicidade"... Uma falava sobre assuntos variados e, a outra ria e falava também. Conheceram uma pessoa que adora salão de beleza. Outra que largou tudo pra tentar a sorte na cidade grande.
Mais tarde, elas ouviram chorinho com mais uma amiga e dançaram Samba na Lapa.
Brindaram as boas amizades e se despediram."

rio.

Ok. a praia de Guanabara já foi, pra alguém, como uma boca banguela.
Pra mim, um sorriso azul.
Ok. há quem diga que a violência no Rio é grande.
pra mim, grande é aquele Cristo de braços abertos. (eu voto!)
Ok. o rio continua lindo.
pra mim, continua lindo mesmo...

Na diversidade de gente, cores de sandálias, azul do mar e do céu, calçadão de Ipanema ou Copacabana, por cima ou por baixo dos arcos da Lapa... tudo com jeito carioca de viver a vida assim, da forma como der. Gente que se vira como pode, balança, se mexe, sacode. E no final do dia curte um samba.
Porque o samba é a música da capital cultural do Brasil. É o som das ondas daquele mar, do rebolado das morenas bonitas refletido nos olhos azuis dos turistas. O Rio é sopro de alegria.
É o contraste que representa o país inteiro, de ricos e pobres, de morro do Vidigal e Copacabana Palace.
Porque tem gente que sofre sim - e isso vira curta ou chorinho no Beco do Rato. E tem gente que se diverte - e isso vira água de coco ou hare burger de frente pro mar.

O Rio é, além de bem brasileiro, uma cidade-poesia.

terça-feira, 12 de junho de 2007

dia dos namorados.

para o menino que vende flores, em Barcelona, hoje o dia nem foi tão cheio...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Santander.


- É naquela casinha ao fundo, amor, que um dia a gente vai morar?
La luna sabe.

domingo, 10 de junho de 2007

o dia depois de anteontem.

- Você tá bem?

- Agora sim. fiquei assustada feito menino sem cobertor pra cobrir o rosto e proteger do medo. fiquei sem energia como quem não vai a uma cachoeira há muito tempo. mas carregar um bebê, no dia depois do ontem, foi regarregar a vontade de ver coisa boa no mundo. sei lá. mas eu tô com um bocadinho de medo sim. como quem olha para os lados ainda sem saber se está a salvo.
obrigada por se importar.

sábado, 9 de junho de 2007

briga de rua.

eu tenho medo de gente.
muito medo, às vezes. medo de gente que não vê a sorte que tem e quer arrumar briga com quem é do bem.
medo de gente que tem energia pesada.
gente que não consigo ajudar a controlar o humor com minha reza forte.
tenho medo de gente que usa a força do braço pra descontar a fraqueza da alma.

mas viro fera, bicho, bruxa com verruga no nariz se gente do mal assim vem destruir o jardim do bem, de gente e semente boa no mundo.
fico muito brava. nervosa. incansável.
enfrento braço, cadeira e facão.
mas não quero gente do mal mexendo com benzinho meu.
isso eu não deixo.
é mexer com minha amiga alegria e fico raiva.
é mexer com o meu azul e fico roxa.
é levantar a mão pra eles e eu levanto os astros todos.

paz na terra, por favor.
eu fico muito feia chorando assim...

sexta-feira, 8 de junho de 2007

música.

Agora eu paro para te ouvir cantar, amor, a música linda que você fez pra ela.
E se no meio da canção eu chorar, não ligue. É de achar belo o que você sente. É de te querer bem e compreender que ela te faz cantar.
Eu não morro de ciúmes, amor. Não choro de tristeza. Ou triste fico, até. Mas eu sei que assim está bem e das lembranças doces e belas que tenho, me sacio de amor também.

menina marina

Ô Marina morena, que nem mesmo precisa se pintar.
Tira essa dor do peito, coloca brilho nos olhos que sorriem o simples.
Acredita que ficará bem, que passará o que dói, que esquecerá o que não te faz bem.
Mas lembre-se, Marina morena, não se pinte.
Cê é linda sim...

E quando me ler, não chore! A poesia hoje é pra você.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

invasor

Eu me desperto cedo com a claridade que entra pela janela que esqueci de fechar ontem a noite.
Um banho quentinho ajuda a acordar o corpo. E enquanto isso, olho para as violetas que sorriem, cheias de flores, na janela.
Como banana com mel e aveia.
Visto a saia azul e um colar bonito. Vou "pra cidade" resolver essas coisas burocráticas que tomam tanto tempo. Levo debaixo do braço um bom livro pra ajudar o tempo passar enquanto espero na fila pra falar com o moço.
Assim que resolvo tudo, e foram dois lugares e duas filas, vou para a casa comer o salmão gostoso que a mãe fez pra mim. Com um sorriso grande e um hummm agradeço aquele almoço maravilhoso - que parece até de aniversário.
Vou ao trabalho. Dou aulas das duas até às nove da noite.
Chego em casa cansada. O dia foi cheio. Tomo mais um banho, uma xícara de leite com toddy e me preparo para deitar.
O que acontece é que ele não saiu do meu pensamento por nenhum segundo deste dia.

sábado, 2 de junho de 2007

"do protuberante ao silencioso"

Garimpeira de coisas boas do mundo, e dessa vez sem precisar buscar muito, chega até a mim:

http://www.musicasdoespinhaco.com.br/

- vale mergulhar no som, na letra, em cada foto.

Meus olhos sorriem saudade.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

"janela de retorno"

De exausta a incansável.

Corpo, voz, mente, alma, casa da emoção.
Tudo agora no contorno do seu som.
Da música que você não toca, você joga, como quem procura testar meu coração.
Você, sua meta, sua dúvida, minha saudade.
Tudo agora no embalo do seu toque.
O batuque na minha casa, a cor da sua asa, o relevo do seu violão.
Você, sua língua, sua boca, minha vontade.
Tudo agora na melodia da sua música.
Aquela que você escolhe, do vôo que levanta, a letra da minha canção.
Você, seu mundo, minha liberdade.

Voa, vai, volta, saudade.