domingo, 29 de abril de 2007

à ela

A noiva mais linda que já se viu dormia, até ontem, no mesmo quarto que eu...

quarta-feira, 25 de abril de 2007

ela tem 12.

Foram cortadas as mechas de cabelo da infância. Foram caindo no chão, fio por fio, os dourados do tempo de menina.
Seus olhinhos esverdeados começaram a brilhar por causa daquele menino bonitinho da sala.
O nome dele é João.
Ela virou mocinha, assim, de um dia para o outro. E se sente bem e feliz. "Tirando a cólica, nem acho ruim!"
Sente borboletas no estômago agora, por causa do garoto.
E numa tarde dessas, quando menos esperava, ouviu dele uma canção.
Ele a pediu em namoro, "mas me desculpe, de nervoso esqueci de colher as flores que queria te dar". Ela pediu um tempo... Ela queria, claro! Mas era preciso aprovação dos pais.
Em três dias ela respondeu ao pedido.

E agora minha fadinha namora.

terça-feira, 24 de abril de 2007

causos - parte 3

- Manhêeeeeeeeeeee! Como o bebê nasce?
- Feliz!


(Cecília, professora Waldorf)

segunda-feira, 23 de abril de 2007

o nosso a

Ela sabia que, mais dia menos dia, teria que confessar ao mundo o que sentia bem forte ali dentro. Já estava marcado no corpo, exposto na testa, não havia mais como despistar.
Ela sabia que já não adiantava esconder. Não podia mais fingir. Estava tudo mesmo "na cara". Ela simplesmente não podia mais manter isso assim, escondido.
Estava latejando demais.
E foi assim que resolveu, depois de muitos conflitos internos e gritos de dúvidas e certezas, escrever:

Eu quero sair para dançar
Preste atenção no que digo
Chega de mentir pra mim, tá?!
Eu não posso mais com tudo isso.
Vem ficar comigo hoje.
Amanhã se me deixar, já é outro dia.
A dor de amanhã não me pára agora. Não dói agora.
A vontade de hoje é mais forte.
Chega de fingir que não quero, que não te espero, que não penso em você.
Mas vem.
Vem sem esse medo estranho que não te deixa mover.
Vem sem achar que não deve, sem temer que nos vejam, sem sentir que não pode.
Você pode. E eu quero.
Então vem logo.

...

Caminhou até o parque na frente da sua casa, desenhou numa árvore um coração, uma flecha e as iniciais dos seus nomes. Na verdade, era uma letra só.

quinta.

vinho, vela, você...

sexta-feira, 20 de abril de 2007

pra você me escutar.

A intenção era invadir a sua caixa de mensagens com o meu grito.
Dizer com palavras escritas o que na verdade é um choro de desespero.
Mas eu não consigo.
Há dor, desespero, há um vazio no peito e um nó no estômago. E uma cabeça a ponto de explodir...
Há uma vontade enorme de sair voando feito passarinho... Leve...
Mas há uma corda que me prende os pés e não me deixa ir.
Solte-me, pelo amor de Deus.
Permita-me mais um vôo, ou morro.
Estão desbotadas, as asas.
Seco, o bico.
Vazio, o coração.
Eu preciso de sopro, vento, alimento, bênção, perdão.
E um susurro no ouvido que me diga: vai...
Porque de ficar aqui, assim, morre um pouco de mim.
Porque de ficar assim, aqui, perco quem sou.
Entenda meu canto, meu pranto, minha dor.
Sorria quando eu for.
Por favor...

quinta-feira, 19 de abril de 2007

a história

Ela esperava no cais pelo amor que o barco tinha levado para longe.
Esperava, de olhos bem abertos e mesmo vestido - para que ele não se equivocasse de que era ela.
Levava nos pés as dores dos anos em que passou esperando.

Nos olhos, amanheceres e luas que se foram.
Era azul o vestido. E também a cor dos olhos de quem esperava pelo amor.
Os cabelos agora já brancos.
O mar...
O mar se tornou novo amor.
Reavivou o que morria. Tornou rígida a vontade.
E agora ela não esperava. Ela vivia para o novo amor.
Azul era o vestido que perdia tinta em seu corpo. Azul eram os olhos que mal se mantinham abertos por tanto cansaço. Azul era o novo amor: o mar.
Que não a tirem de lá:
porque quem vive de espera, deseja mesmo morrer de amor.



Sobre a canção: en el muelle de san blás (Maná)

quarta-feira, 18 de abril de 2007

não fala, sente.

- ... Não tá cabendo.

- Eu recebo pensamentos. Então as palavras, que eu amo também, são dispensáveis. Transborda? Abstrato é aquilo que não cabe em nenhum recipiente. E coração não é um.

terça-feira, 17 de abril de 2007

causos - parte 2

Duas meninas de 6 anos:

- Eu sou mais alta que meninas de 8 anos.
- Humm... Quê que tem? Você não conhece aquela PALAVRA?
- Que palavra?
- Aquela!!!
- Que palavra?
- Tamanhonãoédocumento.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

chá de panela.

Descobri uma rua que chama Alameda do Sol, num bairro Vila da Montanha, logo ali...
Fiquei com vontade de ter uma casa número 7, com flores amarelas na janela, um cachorro branco com uma mancha marrom perto do olho, um gatinho amigo dele, um regador vermelho e um avental de bolinhas. Um jipe verde com adesivos na garagem. Um quarto decorado com lenços indianos e com cheirinho de incenso sathya sai baba. Um vaso de flores no centro da mesa da sala. Flores do campo. Uma rede na varanda, de frente pro verde da montanha que dá para os fundos da casa. Um maridinho. Uma filhinha. Uma comidinha gostosa de domingo. Um vestido branco. Um brinco de pena na orelha. Ele tocando violão. Ela brincando com argila. A gente cantando um mantra. Ele vestindo sandálias de tiras. Ela descalça. A gente sorrindo...




- A gente é ou nós somos?
- Tanto faz. Desde que felizes...

"calma alma minha, calminha"

"minha velha alma
cria alma nova
quer voar pela boca
quer sair por aí"
Sou pássaro.
Quero levantar vôo.
Vem?

domingo, 15 de abril de 2007

coragem, covarde!

O medo paralisa.
Eu gosto de movimento.
"Esta noite o corpo derrota a alma."

sexta-feira, 13 de abril de 2007

causos - parte 1

Adriana encontra uma amiga que não vê há muito tempo. A amiga tem duas filhas lindas.
Adriana pergunta:

- Quantos anos ela tem? (apontando para a menorzinha)
- 5, quase 6. (responde a mãe com um sorriso no rosto)

- E você? (Adriana pergunta diretamente à filha mais velha)
- 9, quase 15! (ela responde com uma carinha de sapeca)



Obs: A personagem desse causo é outra Adriana... ô nome bonito, sô!

quarta-feira, 11 de abril de 2007

motorista.

Com carteira na mão, porque ando tentando passar nos exames que a vida faz: quero ser motorista.
Motorista da minha vida, na minha estrada, na rota que eu faço e no mapa que eu desenho.
Do carro que eu escolho ter. Veículo novo? Sandálias-rasteirinha de grife: feira hippie.
É.
Como granola sim. Sonho em tocar tambor. Canto mal à beça e me arrisco diariamente no chuveiro. Converso com violetas. Trabalho de saia e camiseta. Já tive amigos imaginários e agora tenho amigos reais bem diferentes de mim. Adoro. Prefiro mochila à agência de turismo. Uma aventura à um relacionamento longo. Manga à bife acebolado.
Troco o certo pelo sonho.
E não desisto de sonhar... NÃO ADIANTA.
Escuto música com os poros da pele.
Danço.
Sou feliz à beça fazendo as coisas à minha maneira.
Sou professora feliz num país em que me perguntam se além de dar aula eu trabalho.
Trabalho. Mas sei curtir tempo livre. Adoro tempo livre.
Junto grana só se for pra viajar.
Meu bens materiais mais caros são um Ipod e um par de all star.
Acredito que as pessoas são boas... mas que elas pisam na bola de vez em quando, geralmente sem querer.
Sou desastrada com meu coração, e às vezes com o coração dos outros. Ai. Desculpa. (tire-me essa culpa).
Quero ser mãe. Mas agora não!
Quero ser melhor. A partir de agora, claro!
Quero poder querer tudo que eu quero e até mais. Mas não quero machucar quem quer coisas diferentes para mim.
Sou o que sou, assim bem feliz, porque tenho uma família linda, amigos que eu escolhi e saúde pra dar e vender. Ufa! Tenho valores que me foram passados por gente de bem, tenho fé nos deuses em que aprendi a creer e vivo tentando provar aos meus queridos pais que eu não sou um caso perdido. Sou só uma andorinha...
Mas não estou só. Graças a esses mesmos pais. E as irmãs lindas... o sobrinho querido... e por aí vai. Tenho sorte.
Amor? Amo, gente. Amo demais!
Acho que o que falta no mundo é respeito. E isso é grave. Tanto é que temos coisas e casos sérios para resolver por aí.
Gosto do Central Park, da Rambla e da praça do Papa. Acho que em lugares assim pessoas são o que elas querem ser. Amo gente que é o que quer. E acho o máximo gente que respeita quem é o que quer ser.
Ai...
Motorista de mim.
Pronto. É o que eu quero ser. Traçando esse caminho que chamam de "louco".

"E louco é quem me diz que não é feliz."
Eu sou.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

romance.

Faz carinho, vem?

Tô precisando de beijo de boa noite, sorriso de bom dia e uma tarde de sol e palavras.

Faço poesia, posso?

Tô precisando de olhos que me leiam, mãos que toquem meus ombros e palavras no meu ouvido.

Faz saudade, num é?

Porque sol não faz. É noite...

sobre sonhos.

Eu gostaria, ó almas boas e livres, que saibamos todos o quanto temos sorte.
A vida tá chamando, conseguem ouvir?

Coloquem o melhor sorriso, abram o peito e deixem exposto o coração. Não causa dor amar.

Saibam viver de sonhos. Sonhem! Busquem! Queiram!

Brinquem no mar. Rolem na areia. Sintam.
Distribuam beijinhos, sorrisos, abraços, palavras doces.
Sintam.

Queriam-se bem, amores meus, pessoas de bem.

E tudo dará pé.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

exaustos.

A gente tá cansado... tá tão cansado de ver essas coisas que não mudam nunca independente do nosso esforço.
A gente lê, escuta discursos, faz a nossa tese, o nosso para casa, a gente fala alto o que a gente pensa e sente sobre tudo isso...mas nada.
Por que será que a gente não consegue?

Por que será que fazem ouvidos moucos ao nosso grito desesperado por mudança?
A gente quer ver nossas crianças aprendendo literatura e brincando de amarelinha nas ruas. Seguras.
A gente quer ver nossos pais com um futuro garantido quando forem velhos e precisarem muito dos transportes e auxílios que o governo precisa oferecer.
A gente quer respeito.
A gente quer ouvir pássaros. E não buzinas de carros de gente atrasada e estressada para ir ganhar mal num trabalho que não ama.
A gente quer ver muros pintados com palavras de gentileza e não pornografias de gente que nem sabe o que diz.
A gente quer dar milho às pombas. E não balas e moedas a crianças de rua. Porque elas precisam de casa, escola, um livro do Asterix e uma boa caixinha de giz de cera.
Entende?
A gente tá muito cansado.
O nosso discurso é pouco? A força da nossa juventude é pouca?
Somos poucos sonhadores no mundo? No nosso país bossa nova?
A gente é louco?

A gente tá cansado. Mas não quer desistir. A gente quer fazer o que pode.
Eu quero poesia. Ele quer música. Eu escrevo e mostro pra quem quiser ver. Ele toca.
Eu tenho vinte e poucos. Ele tem dezessete.
E a gente coloca a nossa cara à tapa.
A gente quer tentar e tá disposto a enfrentar o mundo, com a nossa armadura de garrafa pet e durex. Ele leva na mão o texto de revolta, eu levo no rosto um sorriso de ternura: a gente só quer o bem.

E nessa de brincar de ser gente grande, a gente busca quem quer o mesmo.
Vem?

mais pra lá do que pra cá.

não preocupar é a melhor forma de resolver um problema.

cabeça em outro hemisfério. bêbada. feliz aniversário, Marcela Favinho. arrumei carona pra casa. eba. me caso. não preciso de colo, quero engov.

terça-feira, 3 de abril de 2007

álbum de foto







- Tá com saudade, filhota?

- Tô.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

outono em mim

De repente eu acordei com o sol batendo na minha cara. Pensei em fechar a janela, mas isso me pareceu errado. Levantei assim mesmo, caminhei até a janela por onde entravam os raios, olhei para fora e vi que folhas secas combriam a rua. Era outono.

Resolvi aprender sobre isso, sobre essa estação do ano em que as árvores mudam suas cores, perdem suas folhas, aparentam morrer.

Mas também de repente eu vi que morrer é uma forma de se permitir nascer de novo.
De deixar apagar, sair, cair, mudar o que é necessário para que, quando a primavera chegar, flores novas e mais belas brotem do fundo da nossa alma.

Era outono. E meu sorriso agradeceu o sol por me despertar tão cedo. Ele me dava tempo de renascer...

domingo, 1 de abril de 2007

garagem em uso



Ele chegou invadindo com calma. Entrou pé ante pé, acendeu um incenso no canto, cantou um mantra em meus ouvidos, e numa paz imensa me incendiou por dentro. Se sentou no centro e me mostrou que sabia onde estava. Tacou fogo com ternura. Fez arder em vermelho a nossa harmonia. Era sereno e quente. Forte e doce.
Me sabia professora, me chamava de bailarina.
Apareceu com calma e alma. E me levou num embalo gostoso ao som de um flamenco que arranha o peito.
Fez arder por dentro em calmaria. Fez chamas num acorde só.
Me sabia libriana, me fez sentir segura.

E sem ser contraditório me deixou assim. Entrou desse jeito e ocupou.
E de ruínas inabitáveis, construiu amor.