segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Parc de la ciutadela

sábado, 20 de enero.

e de repente a paz tem som de saxofone e água de fonte.
tem cheiro de ar puro e árvore.
tem jeitinho de criança aprendendo a andar de bicicleta.
tem serenidade de um velhinho lustrando os sapatos com um lenço de pano que tira do bolso de dentro do casaco preto elegante. - roupa de fim de semana
a paz tem gosto de maça e sabor de pique-nique.
tem sorriso dos amigos que saem para andar de patins.
tem grito de macacos e de maritacas.
porque nem sempre paz é silencio.
tem verde. tem gato tomando banho de língua.
tem dois amigos tocando oasis no violao.
tem a impressao de eternidade.
porque nao tem pressa.
e nem relogio.
nao tem hora.

sábado, 27 de janeiro de 2007

os olhos

a vida é a arte de olhar as coisas pelo lado positivo.

de perceber em momentos adversos que temos uma família porto seguro e amor, e amigos novos com disposiçao para ajudar e acompanhar.

"a vida é arte do encontro". sim. também, é claro.

de encontrar amigos novos.
de reencontrar os velhos.
de perceber em momentos dificeis que voce nao está sozinho.

eu nao estou sozinha.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

meio de transporte


hoje vou de vento.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

o que vai

Barcelona é uma cidade de quem está de passagem. É marcada pela efemeridade das coisas: nada dura mais do que tem que ser.

Las Ramblas é movimento puro. Tem gente do paquistao vendendo cerveja e haxixe, brasileiro tentando ganhar a vida como dá, turista sueco ou chinês com câmeras, mapas e dicionários. Mas todos em movimento.

Sao lojas que se fecham para siesta mas que começam o dia logo cedo, quando ainda sao sete da manha e o sol nem deu notícias. Porque cada hora aqui tem mesmo 60 minutos. E o tempo parece respeitar o movimento dos ponteiros - eles também nao param.

O vento gelado que arranha as narinas e resseca os lábios dá tapa de vida no rosto e te acorda: você também está caminhando.

Nao se pode manter os olhos abertos o tempo todo. Nem sorrir o tempo inteiro. Aqui, por favor, respeite o momento.

Marina nao é só nome de uma chica. É uma avenida extensa que 9 blocos pra lá me leva à Sagrada Família de Gaudí, e outros tantos blocos pra cá me leva à praia: Barceloneta.

Aqui caminhada é meio de transporte. E metrô é quase como cinema, daqueles que cada personagem leva nos olhos um enredo. E cinema internacional, com passagens orientais, oeste-européias e latinas. Mas sim, também está em movimento, o que nos obriga a treinar a imaginaçao para dar fim a cada história.

Barcelona é para viver história de amor com hora de começar mas data de validade. O desapego é treinamento pesado e diário. Todos estao indo embora.

Qualquer paquera num lugar desses vira romance ideal, com compartilhamento de "coisas lindas de se ver". Café con leche em bar-poesia, fotos em mirante perto de Montjuric, passeios de maos dadas pela Gran Via.

A vida em Barcelona é para quem está presente no agora.

Adiós é palavra cotidiana. E saudade deve ser incluída no dicionario catalao.

Eles vao embora. Vou embora também. E nas lembranças a gente pinta os sonhos reais que aqui nos sao permitidos ter "ao vivo".

domingo, 14 de janeiro de 2007

mediterrâneo


Atravessando a ponte que separa (ou liga, depende da interpretaçao) a estaçao de metrô do meu piso, a lua me propoe um começo. É que esta noite, e já sao sete da manha - o inverno sugere carpe noctum - a lua nao estava sorrindo. Diferente disso, desenhava no céu um "c". Nada melhor que buscar um novo começo, mesmo já passados doze dias do "ano novo". Que aqui, por sinal, chamam de "noche vieja". E na poesia disso, como também na tradiçao das 12 uvas = 12 pedidos em 12 segundos pelos 12 meses do ano - ao invés de planos para o ano que brotava, pensei no que fechava as cortinas.
Porque até mesmo as 24 horas do dia 30 de dezembro fizeram valer a pena cada minuto. E os cinco dias que seguiram a partir do dia 2 de janeiro foram como uma resposta às expectativas e sonhos. Teve gosto de sintonia.
E no começo novo, agora, a partir do já que a lua me propoe, assumo que nao vou sorrir o tempo todo. E se for hora de chorar, eu choro. É que minha força, como disse o moço de olhos azuis, está na minha sensibilidade.
Que eu consiga, com a sorte que é para os bons, encontrar quem queira compartilhar a minha transparência e verdade.
Mas já nao busco mais. Vou naquela velha história de cuidar do jardim e esperar por borboletas.
Nao aposentei minha rede de buscar almas boas nem as lentes de ver tudo feliz. Mas engoli à seco pílulas de vida real e, apesar dos efeitos colaterais de melancolia e dor no estômago, vao me cair muito bem.
A vida tá no ritmo que ela quiser. Se eu for boa bailarina, consigo acompanhar a dança.

Nao me peça sorriso agora. Tenho sono e vou dormir.
Amanha é outro começo. E no papel que tiver eu escrevo nova história.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

protegendo nomes por amor.

A cantarolar Codinome Beija-Flor pelas ruas, como se elas fossem minhas, percebo que com raizes enterradas no presente posso pouco mais do que sentir a dor do agora. Já nao é o frio que arranha quando respiro. É algo do tipo preocupaçao, do tipo vontade de viver coisas que nao sei se sei viver/fazer sozinha.

Ando só. Correr nao corro.
E até quando minha alma pretende (e também pretend) sair de fiesta, meu coraçao se recolhe todo em siesta.

Covardia a minha esconder.
Escrevo em paredes o que queria gritar.
Só tenho três lápis: um verde, um laranja, e um amarelo.

Pronto. Agora escuto o cara cantar. E uma paz da cor que ela quiser ser invade tentando fingir que "no pasa nada".
Eu, ingenua e corajosa, tento acreditar que tudo fica bem.

Estou morrendo de sede, eu quero mais poesia.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

reinventa.

Poesia usada.
Nao te proponho nada novo.
Só sonho que já foi sonhado.
Só melodia que já foi tocada.
Só verso reinventado.
Nao tem nada novo.
Só dá pra mudar o que tenho nas maos.
E me desculpe se parece pouco.

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ando sentindo cheiro de mar, mas com pouco sal, nao sei.
caminho pelas ruas olhando pros lados, pro alto, pros prédios e às vezes também pra baixo, curtindo as flores desenhadas no calçadao.
respiro fundo quando chego perto do mar, numa tentativa de compreender melhor a que vim.
e danço. e para isso fecho os olhos. só.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

passa.


I have to put together the pieces of my own puzzle.
Life isn´t a package of cookies - sometimes you really have to go for things.
Please, girl - get your backpack and your dreams and go. Do not wait for anyone who will do it with you.
There are good souls everywhere, it´s true. But stop hunting for them. Just walk and be yourself.
So hurry up and stop thinking that people see these magical things that you do. They´re busy on they own paths and thoughts.
Stand up. Speak up.
It´s your own life now.
Face the music.

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Amor escrito com giz.
Assinado à lápis.
Desenhado em areia de beira-mar.
Efêmero.

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domingo, 7 de janeiro de 2007

Blue Period.

"sincerity is inseparable from pain (...) art springs from sadness and suffering"
* museu picasso - entrada livre todo primeiro domingo do mes.


You make me summer.

And just by opening your eyes you make the sky bluer.

sábado, 6 de janeiro de 2007

about flying.

Maybe love, or life (or even both) is really about "letting go". Maybe it´s just about meeting people who truly change you, or touch you deeply inside, and then watch them go.

Maybe this is even the reason why people travel: to fall in love with someone, or even a place, or a song, and then come back to where they belong to and have in their minds the best memories of what happened.

Maybe even this pigeon "revoada" outside my window just wants to show me that this is actually what birds do: fly. And that I should keep my heartbeats as strong as a carnival band, but I should also clean up my tears.

No matter what´s coming next: the smile on my face is because I can always go back in time with my heart and memory and live a little of this romance.

I should not fear, I guess.

But still my heart has this hope of "see you in Paris". And the Eiffel Tower would be a gorgeous place for two free birds to land on.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

construçao

num café.


da janela do quarto do moço de olhos azuis.



sagrada família.


do ano de lá, pra cá, mudanças.

sonhos agora sao sueños.
mudar é cambiar.

e nao importa mais nome ou geografia.
quero ser arquiteta de palavras.
aqui ou lá.
tanto faz.