segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

ano novo.

Escreverei com a minha letra. Começará agora, nao importa a hora, o dia, a folha do calendário. Farei o que for preciso para nao precisar de muita coisa. Pedirei pouco para sempre agradecer o que eu conseguir. Serei o que sou, ora bolas, lá posso ser outra coisa? Poderei. Levarei a fantasia que eu quiser, serei princesa, doutora, surfista até! Mas nao deixarei escapar de mim o que me faz quem sou. Terei olhos bem abertos – durante o dia, claro!, e dormirei quantas horas me pedir o corpo, ou me permitir o chefe.
Amarei como sempre amei e amo. Demonstrando da forma como sei, posso, consigo, quero.
Plantarei sementes do bem e regarei diariamente, falarei com as plantas e as podarei quando nascerem galhos que nao sao assim tao belos.
Ah... Farei e serei, tentarei, errarei, buscarei o melhor caminho. E, de repente, estarei à beirada do fim de mais um ano.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

a festa do sol.

Depois de longas noites, e inclusive a noite mais longa do ano, o solstício de inverno marca o “despertar” do sol. O astro-rei, depois de vários dias em que fazia apenas breves visitas à gente do hemisfério norte, volta a subir. Pouco a pouco ele vai enchndo o céu e as nossas vidas.

A vinda do menino Jesus, que para muitos foi a verdadeira iluminaçao, é uma divisória de tempos, calendários (se chama calendário solar, nao é) e crenças.

Eu poderia tentar um texto técnico, com dados e narraçoes histórias que contextualizassem e colocassem em paralelo as semelhanças de momentos da história da humanidade e das religioes - tenho dentro de casa um professor de tudo isso. Afinal, dá a ‘casualidade’ (e podem interpretar ao pé da letra ou com um pouco mais de poesia) que hoje é o aniversário da minha irma. E nessas brincadeiras de quebra-cabeça do destino, será comemorado com a mesma intensidade do despertar do sol ou da iluminaçao do nascimento de Cristo.

Ela se chama Patrícia. Nasceu no dia 24 de dezembro, é uma das mulheres mais lindas que já conheci. Todos os anos comemoramos com carinho o seu aniversário. Este ano é diferente. Este ano, ela descobre que, diferente de Sançao, sua força está dentro do peito, num coraçao enorme que cabe muita gente e muita força de vontade. Ela descobre que de frágil só tem as unhas, porque ela é feita de fé e coragem. Percebe, cada dia destes de um “inverno” fora de época, que o verao de muita gente é ver o seu sorriso. Ela nos mostra, diariamente, que nascemos de novo todos os dias e que somos “abençoados por Deus”.
Ela se chama Patrícia. Nasceu no dia 24 de dezembro de vários anos, é uma das mulheres mais fortes que já conheci. Hoje, 24 de dezembro de 2007, é também seu nascimento.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

1 ano.

e todos os outros que virao.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

sábado, 15 de dezembro de 2007

stormy brain

A minha mente, intranquila, me bombardea com pensamentos desconexos, imagens de gente daqui, ou de gente de 'há muito tempo'. Parece que a minha mente sente, vive, imagina e aspira a coisas, tudo ao mesmo tempo. Uma sensaçao estranha, desconfortável até, que parece que me deixa mais atenta a tudo, mas ao mesmo tempo me impede de relaxar. Quando vou dormir, geralmente depois de tomar um chá de camomila e dar beijinho no bem, desejando-nos mutuamente uma noite tranquila, às vezes acontece também de ser bombardeadas por sonhos. Bons e ruins, sonhos para toda a noite. E o descanso?
Nao me estranha que as palavras façam greve, que os sorrisos sejam mais escassos e que umas olheiras me acompanhem ainda que tenha dormido as oito horas sugeridas.
Nao estou reclamando, estou desabafando, em uma maneira de ver se os pensamentos começam a se ajeitar aqui dentro, me "deixando em paz".
Enfim, a vida corre rápido feito rio com sede de chegar logo ao mar. E eu, tentando acompanhá-la, vou correndo atrás.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

"é mar (...) é margem"

"há que tirar o sapato
e pisar
com tato
nesse litoral"


Água que brota da fonte, do choro da nuvem, dos olhos da menina.
Água que percorre o mundo, separa as nossas maos, invade a cidade.
Água que limpa, alivia o calor, alimenta as verduras que nos alimentarao.
Água que muda de curso, de forma, de estado.
Água que faz verao mais gostoso, inverno mais frio, primavera mais flor.

Gotas.
As gotinhas.
As que pingam. Pin pin pin
Que fazem a minha vida assim.

Que fazem a nossa vida assim.
Pin pin pinta. As que caem.
Dos meus olhos.
Dos olhos seus.
Lágrimas.

escutando 'água também é mar'- Marisa Monte

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

compreensao.



"O meu olhar é nítido com um girassol,


Sei ter o pasmo essencial


Que tem uma criança se, ao nascer,


Reparasse que nascera deveras...


Sinto-me nascido a cada momento para a eterna novidade do Mundo...


Creio no mundo como num malmequer,


Porque o vejo. Mas nao penso nele


Porque pensar é nao compreender...


(...)


Nao basta abrir a janela para ver os campos e o rio."





Alberto Caeiro

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

amor e dor a gente nao mede. nem julga.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Menina em metáfora.

Ela sentou na beirada da pedra para pensar no caminho que havia feito até ali. As pedras, os espinhos, as flores poucas, todas as vezes que escorregou, outras vezes em que os pés sentiam tanta dor que parecia impossível continuar. Pensou nas vezes em que o ar parecia faltar, e que 2 minutos parada nao ajudava a recuperar o fôlego perdido por entre aqueles arbustos. Pensa tanto, a menina!
Enquanto os outros cantavam, ou apreciavam o visual do alto da montanha, ou tiravam uns minutos para descansar - apoiando as costas na pedra confortavelmente, a menina olhava tudo, mas o que mais via era o caminho percorrido. Pensava na imensidao deste mundo todo, pensava nas escolhas que (linha reta - bifurcaçao) a gente tem que fazer. Pensava no caminho de volta, nas paradas que precisaria, no que é que a gente ganha se vai mais rápido, ou mais devagarinho, ou colhendo as poucas flores, ou revisando a sola do tênis. De repente, a menina se deu conta de que o topo nao é o objetivo. De que os caminhos nao levam para o mesmo lugar. De que as pedras e espinhos nos ferem sim, mas que a gente se torna mais forte. A menina entao, com o pouco fôlego que tinha no peito, chegou pertinho do canto da pedra, deu a mao ao seu amor (todo mundo tem um porto-seguro), e disse, em voz baixa aos homens e voz alta à alma da montanha: PAZ!
E o caminho de volta foi menos duro.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

entre lá e cá: atlântico
entre eu e ela: nada
o amor nao se divide ou separa por quilômetros ou fuso horários.
longe e perto, repito, é miopia poética!
nao ver, nao é nao sentir.
nao estar ao lado nao é nao estar dentro.
o bonito é quando a gente sorri, ela lá, eu aqui. e é quase um sorriso só.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

como a água.


"She told me I was like water.
Water can carve its way, even through stone.
And when trapped, water makes a new path."
memórias de uma gueisha






And the hard times will be like stepping stones to the moment when we'll finally find peace.

We'll look back and see that we've grown up, we've learned, and that we've always been together.

We'll be holding hands, smiling at each other with the feeling that we have reached what we've hoped to reach for so long.

We'll have many reasons to be glad, and thankful. And we will see how good it is to be always kind to one another.

We're about to get there - to this wonderful state we call peace.

We're about to see that the future can be now. And that we're in the middle of our way, but since we're together, we can already feel this serenity.

We can face the music.

domingo, 25 de novembro de 2007

invadiu.



A felicidade em corda-bamba, levando sombrinha de fitas - é a paz?
Globo da morte, confete, palhaço - há paz?
O dia que nasceu apressado, saltou o café da manha (de cerais e mel) e foi direto ao sol de meio-dia. Sentou debaixo de uma árvore, brincou de fazer sombra com as maos - cachorro, elefante, coelhinho. É paz?
A noite escondida atrás das persianas. A lua brincando de polícia e ladrao com as estrelas. O barco sozinho no mar - alto mar - ancorado.Ê, paz! Menina e menino de maos dadas no parque. Picnic. Grama macia, cheirinho de verao. Paz e ponto.







"Brilho da lua oh oh oh,
noite é bem tarde
Penso em você,
fico com saudade"

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

caminhos.

"Se as coisas são inatingiveis...ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos,
se não fora a mágica presença das estrelas."

Mário Quintana

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

sem palavras.

Greve. Parece que as palavras fizeram greve. Em silêncio, todas juntas, nao vieram trabalhar. Nao me disseram nada. Claro, também, elas estao de greve.
Deixaram vazio o papel. A caneta ficou sem funçao. As maos, em tédio, se esconderam no bolso da jaqueta. É frio, nao dá mesmo vontade de sair da cama. Mas daí a simplesmente nao vir trabalhar, sem nenhum tipo de explicaçao?

Ok. Nao é trabalho. É vicio. Um vicio meu,, de escrever tudo e de qualquer jeito, como quem quer tirar de dentro o que nao tem que ficar dentro porque dói, ou que quer mostrar pro mundo o que é bonito, sentido, feliz, engraçado. Sei lá.
Eu observo e quero escrever.
Mas de repente elas nao vêm.
Nao me disseram nada. NADA. E sumiram.

Ok. Eu peço perdao. Me desculpo por dizer que era trabalho delas aliviar os meus sentimentos. Me desculpo por usá-las em demasia, por precisar delas tanto ao ponto de nao saber o que fazer quando elas nao vêm.
Me desculpo de coraçao, tá!?
Bom, agora, vou tentar alguma outra coisa. Pensei em dançar, mas o corpo nao deixa. Pensei em cantar, mas estou rouca e quase sem voz. O que posso?
Posso esperar, praticando a paciência.
É. Tem hora na vida que tudo que a gente precisa é saber esperar.

por onde andei.

Port Saplaya

Parc d'el Turia

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

vocabulário.

As primeiras palavras que aprendi quando vim pela primeira vez a Espanha foram "cerca" e "lejos" (perto e longe). Quem me ensinou foi o moço do taxi, um catalao muito simpático que às tantas da noite ainda tinha paciência para estrangeiro curioso como eu. Conversava comigo em um castelhano correto, despacito (devagarinho), e eu tentando lhe perguntar se o endereço que havia lhe dado era muito longe. Foi entao que me ensinou. Neste momento, ainda nao sabia a importância que estas duas palavras teriam para mim.
Hoje, quase um ano depois desta experiência, uso estas palavras com frequência, sabendo inclusive que muitas vezes "cerca" e "lejos" nao têm nada a ver com distância.
Na verdade, nunca me senti tao perto da minha família como agora que há um mar inteiro entre a gente.

Depois, em sala de aula, aprendi "echar de menos". Uma expressao inteira só pra dizer: Saudade.
É. Obviamente esta se tornou tao usada quando as outras duas primeiras.
Usava em emails para meus pais e irmas, depois, de volta ao Brasil, usava para me corresponder com o Antonio. Acho que todos os dias usava esta expressao.

"Alejar", em espanhol, significa distanciar. E nao é que quando a gente se "aleja" de alguém que a gente ama muito a gente realmente se sente "sem uma parte de nós"? Curioso e poético, certo? Sim. E também muito real.

Observando tudo, sempre, percebo que sempre "echaremos de menos" algo ou alguém. Feijao eu cozinho aqui, sol tem, começo a fazer alguns amigos, o coraçao recebe carinho diariamente do benzinho. Mas, embora"cerca" em coraçao, "echo de menos" aos meus pais, minhas irmas e sobrinho, minha madrinha, avós, Rosa, meus amigos queridos.
Procuro uma maneira de fazer o "lejos" estar mais "cerca". Envio emails, cartas, telefono, mando recado no orkut, tudo que a tecnologia - que nunca nem fui tao fa - me permite.
E assim, amor pra cá e pra lá via meios de comunicaçao, me sinto mais "cerquita" deles também.

E embora o poetinha chamaria isso de "desencontro", eu me sinto a obrigada a discordar, pois eu fico só com a primeira parte: "a vida é a arte do encontro". Quanda a gente se "aleja", nao é desencontro, é poesia de saudade.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

andá com fé.


Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Que a fé tá na mulher
A fé tá na cobra coral
Ô-ô Num pedaço de pão
A fé tá na maré
Na lâmina de um punhal
Ô-ô Na luz, na escuridão
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
A fé tá na manhã
A fé tá no anoitecer
Ô-ô No calor do verão
A fé tá viva e sã
A fé também tá pra morrer
Ô-ô Triste na solidão
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Certo ou errado até
A fé vai onde quer que eu vá
Ô-ô A pé ou de avião
Mesmo a quem não tem fé
A fé costuma acompanhar
-ô Pelo sim, pelo não
Gilberto Gil

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

cada loco.

A pequena Blanca já sabe dizer as cores (vermelho é mais difícil, mas ela repete com sucesso).
A Beatriz quer ser professora.
O Javier vai viajar de mochila, queria ir a Itália, mas a turma dele escolheu o Leste.
Dona Consuelo prepara o almoço para o neto, que vem todos os dias e "é tao alto quanto o Antonio". Ela repete isso toda vez que nos vê.
A amiga chinesa dá aula de inglês para espanhoizinhos de 4 anos. Mas eles sao tao "agitados"!
O moço de Praga veio divertir sob o sol. "Ali chove muito, aqui faz tanto calor!" - E eu pensando: "Você já foi a Bahia, meu irmao? Tem que ir!"
Um moça veio oferecer TV a cabo. "Nao temos TV!", respondi. Ela saiu espantada.
Tenho todo um método para lavar vasilhas. Depois de separar tudo e fazer como gosto mais, dou gargalhadas de mim mesma. Sozinha.
O Benzinho se surpreende que a voz em 'A bomba de Hiroshima' nao é de mulher, e depois se surpreende com a cara pintada e os olhos tao cheios de expressao desse tal Ney Matogrosso.


"Prefiero querer a poder,
palpar a pisar,
ganar a perder,
besar a reñir,
bailar a desfilar
y disfrutar a medir.
Prefiero volar a correr,
hacer a pensar,
amar a querer,
tomar a pedir.
Antes que nada soypartidario de vivir."
J. Manuel Serrat

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

hobby



Eu nao perco tempo escrevendo:
eu ganho letras, palavras, frases e até parágrafos inteiros!
Sem contar a pontuaçao incrível, reticente, exclamativa, que me interroga e às vezes me pára.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

utopía marivaux.

- leitura rápida-

Quantos mundos existem além do meu!
Quantas pessoas existem além de mim!

Que bela sou (olho ao espelho): Nariz, boca, olhos!!! Se eu soubera antes que era tao bela, teria me cuidado melhor desde o princípio!

Amo. Amo com todo meu coraçao e sou a vida dele.
Posso amá-lo todos os dias da minha vida e nunca me cansar. Nao! Nao vou me cansar! Sou sua musa. Ele nao pode viver sem a minha mao.

Você é uma pessoa?
Sim. Você é uma pessoa como eu, mas é diferente de mim.
foto:Vicente A. Jimenez




Obra teatral:
Utopía Marivaux - de la disputa a la Isla de los Esclavos

Leitura rápida da personagem Eglé.

domingo, 4 de novembro de 2007

sentir.

Eu fico pensando, às vezes, sobre isso que eu chamo de poesia, que meu amor chama de prana, que minha mae chama de amor, que tem gente que chama de ar, gente que nao dá nome, gente que nao se dá conta, gente que sente com as maos, gente que vive com os olhos, gente que sente como se fosse cheiro...
Fico pensando no que é que nos impulsiona a criar novos sonhos, a fazer novos planos, a escrever nosso futuro e colocar o pés no caminho desenhando nosso destino. Penso: de que somos feitos? E nao busco resposta nao, juro. Fico me perguntando só, achando bonito que cada um de nós seja assim tao diferente, e que todo mundo junto faz da gente assim tao igualzinho. Olho nos olhos dos meus alunos, me pergunto quem sao, com que sonham, de onde vêm. Olho para meus professores, que com admiraçao prefiro chamar de mestres, e me pergunto sobre o que os fazem assim tao especiais. Olho para um lado e para o outro, essa gente que está na fila para pegar um documento que os permita viver em um país que nao é o seu. Penso de onde vieram, porque vieram, e se encontraram o que tanto buscavam. Penso na história de cada um deste pais que trazem um bebê de colo e uma luz enigmática nos olhos. Reflito e imagino o futuro destes bebês. Desejo o bem. Para mim, para eles, para todos os seres vivos e as energias que nos envolvem. Fixo meu olhar nestes olhos verdes que me dao vida. Vejo a minha vida inteira, e vejo meu futuro. Desejo. Olho pela janela - a televisao da nossa casa - e me pergunto de que é feito o agora, quem inventou o tempo, para onde vao esses carros, o que lê hoje no jornal o senhor que está na esquina, porque jogaram fora aquela cadeira bonita, quantos pés já pisaram esse chao. Depois fecho os olhos, penso no filme que assisti ontem, penso nas reflexoes que fez o meu amor, reflito sobre elas. Imagino um mundo à la Martin Luther King e John Lenon, e meus olhos se enchem de água de saber que é tao difícil essa paz. Abaixo as minhas sombrancelhas quase em dor por saber que poucos respeitam o que chamam de direitos humanos, mas é simplesmente a liberdade de se ser o que é. Mas, ainda de olhos fechados, me lembro do sorriso da menina boliviana na fila, no abraço que me deu o amor ao final do filme, e volto a pensar em nisso que chamo de poesia, que meu amor chama de prana, minha mae de amor...


filme: la vida secreta de las palavras

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

tu, espelho.

"tropeçavas nos astros distraída"

olhavas de canto de olho ao redor, mas no fundo nao te importavas se alguém desse uma risada.
continuavas caminhando para onde quer que seja. fazias das nuvens teu lençol de algodao.
pois de passado nada:
abres sorrisos para o espelho, es bela, es tua, es quem queres ser.

amas um amor táctil: pegas, acaricias, sentes.
como o amor aos livros, este em que maços de cigarros nos parecem contrários ao bom senso. pois também amas com o olfato.
amas com o paladar. gôsto, gósto, em tua mineralidade sanguínea de querer pronunciar palavras para senti-las na ponta da língua.
amas calada, em silêncio. mas amas com a percepçao dos sons, dos tons, dos graves, agudos e urgentes da voz dele.
amas com os olhos - maiores que a barriga, de sempre querer mais. amas a beleza que entra por tuas íris e que vem das íris dele. amas arco-íris, com todas as sete cores e a complementar de cada uma. amas colorido, preto no branco, amor de pintura à óleo e aquarela. Porque amas pintura e arte. Amas o todo, e cada parte.

Se tropeças por onde seja, é por andar sem cautela de andar. Depositas toda cautela, singela!, na sua maneira de amar.

(escutando Livros, Caetano Veloso)

sábado, 27 de outubro de 2007

a frase do livro.

Recebi da Dri Andrade, achei bacana à beça, e aqui vai:

1. Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2. Abrir na página 161;
3. Procurar a 5ª frase completa;
4. Postar essa frase em seu blog;
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6. Repassar para outros 5 blogs.

O livro que peguei, de olhos fechados na prateleira de livros: Las Pequeñas memorias - José Saramago.

A frase:
"En aquellas épocas y en aquellos lugares, lo que parecía, era, y lo que era, parecía."

Agora eu passo a bola a:
Lua irma: http://www.soturnalua.blogspot.com/
Favinho: http://www.mahnabelgica.blogspot.com/
Nanda: http://www.mentefantasia.blogspot.com/
Rê: http://www.de-coracao.blogspot.com/
Luiz Gustavo: http://www.marcozero22.blogspot.com/

:)


Observaçao grandona:
FELIZ ANIVERSÁRIO, JU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Covachos.



poesia: dentro e fora da gente.

sábado, 20 de outubro de 2007

o presente.

Chegou pelo correio, junto com "papéis" que dizem ser importantes, que provam que a gente nasceu, como se o fato de a gente estar ali já nao fosse o suficiente...
Chegou num envelope pardo, com muitos selos, selos de conchas do mar, um selo de um trompete, e outro com um sapateiro trabalhando.
Um envelope tao bonito!
Remetente? Meu pai.
Carreguei aquele envelope grande, com a surpresa, como se fosse um bebê. Saí do correio abraçada a ele. Caminhei um pouco e meu coraçao estava tao disparado que eu vi que nao conseguiria esperar até chegar em casa para abrir.
Caminhei até o parque, estava vazio... sábado de manha...
Escolhi o banco mais bonito, debaixo de uma árvore em seu outono.
Abri.
Numa capa vermelha, meu pai, carinhosamente, fez uma seleçao de fotos que pareciam relatar um pouquinho de mim em cada uma. Desde pequenininha até hoje. "A little bit of my life", foi o nome que ele deu. E o nome que me fez chorar desde a primeira página deste álbum tao lindo. Fotos que eu nem me lembrava mais. Lembranças de cada um daqueles dias, dos que pude lembrar, claro!?

Nao sei se consigo escrever aqui, exatamente, o que eu senti nesta manha ao receber este presente.

Este presente é uma poesia linda que meu pai fez pra mim.


...um presente cheio de passado...

cuidar

Cuido da minha casinha, feliz, limpando e colocando tudo no lugar. Mas adoro trocar o lugar de tudo. Gosto de decorar a parede com os desenhos lindos que os menininhos fizeram na aula. Gosto de perfumar a casa e regar as flores.
Cuido do benzinho. Faço carinho, massagem, escrevo poeminha. Gosto de perguntar como dormiu, saber se passou bem a tarde, se melhorou a dor no pescoço, se comeu direitinho. Gosto de dizer todos os dias o que ele já sabe, mas claro!, a gente nunca cansa de dizer ou de ouvir.
Cuido de mim. Faço unha, sombrancelha, lavo o cabelo com o shampoo especial, hidrato o corpo, os pés. Escuto música bonita, como comida gostosa e saudável, bebo água e suco.

Tava faltando cuidar do blog, né!? Virei aqui regar ele também. Sempre que posso, que quero, que poderei fazer com carinho...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

a palavra paixao.

Na ponta da língua.
Na palma da mao.
No brilho dos olhos.
Escrito na testa.
Na ponta dos dedos.
Frio no estômago.
Dentro do coracao.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

presente.

Ganhei este presentinho, delicado e bonito, pelas maos da minha irma. Quem mandou foi um amigo seu, Mario Benevides, que por aqui também agradeço.
Minas onde
O mar no se mostra
Encantado demais
Com os montes
As vilas
Os vales
Por isso o mar se esconde
Longe de Minas Gerais
Tmido
Apaixonado
Por isso fica longe
O quanto pode
Das Minas Gerais.
Elas, as Minas Gerais,
que se aproximam dele,
Acenando,
Vem, marzo,
Mar bobo,
Mar tolo demais
Bom demais
Quando finalmente se chega
Pertinho
Perdidamente apaixonado
Das Minas Gerais.

pause

"O gato atravessou a lua inteira." Andou em corda bamba na linha do Equador. Nadou e cruzou a braçadas largas o Atlântico. Chegou por Portugal. Visitou Lisboa, Porto, ouviu música e dormiu no metrô. Veio a Espanha. Passou por Madrid, Barcelona - Parc Güell e Montjüic - veio a Valencia para uma paella. O gato subiu no telhado.

Pauso o pouso.

Leio Clarice, mas a hora é de espera.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

outonear.

outono
junto contigo
que é para deixar cair
o que há em mim
que precisa nascer de novo.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

coisinhas.

Eu sou amiga do carteiro. Já disse?
Ele entregou direitinho, no dia certinho, a carta que escrevi pro pai.
Claro que junto mandei carta pra mae, contando as coisinhas que geralmente conversava com ela, na parte da manha, deitada na cama dela, enquanto ela lia, ou bordava, ou fazia palavras-cruzadas. Mas ela sempre me ouvia com atençao, me dava os melhores conselhos do mundo - claro, uai! conselhos de mae - e sua intuiçao me ajudava a ouvir melhor à minha própria.
É por essas conversas de mae e filha, que me faltam tanto agora, que lhe escrevi a cartinha, colocando dentro do envelope que ia a carta de aniversário do pai. E, com muita atençao do Sr. Carteiro, eles receberam no dia 26!!!
Coisa mais linda, né?!

Contei para a minha futura amiga - é, acho que seremos amigas sim! - o grande acontecimento. Enfatizei muito o fato do pai ter recebido a carta EXATAMENTE no dia. Será que todos entendem a importância disso?
Claro... podem chamar de coincidência, se quiserem... só que é tao mais poético pensar que sou amiga do mundo inteiro, e que o carteiro me é tao leal!

Nao acaba. O namorado ganha presente em loja por ter um sorriso no rosto todos os dias. Claro, carinhoso como poucos, divide o presente comigo no nosso "habitat natural": o parque.
Eu meio boba, meio doida, nao vejo na hora a poesia disso. Volto pra casa, penso e repenso, e logo vejo: ora, sua tonta! que coisa mais linda! Que sorte a sua!
É. Mas nao acaba mesmo.
Têm expectativas que eu vou administrando para nao tomarem conta de mim. Têm flores novas - amarelinhas - enfeitando a mesa da sala que ganhou de presente (por 2 euros, tá bom, né!?) uma toalha branca linda!
Tem dia que tem telefonema da irma mais loira, e papo com o cunhado-irmao. Tem dia que até serenata de amor tem!

É claro que a gente tem uma mania meio estranha de reclamar de tudo. Mas é que eu tô descobrindo que agradecer e admirar têm um efeito bem melhor.

O fogao estragou, uma aranhazinha me picou e tô com uma mancha no pescoço.
Hoje almoçamos num restaurante, meu benzinho deu beijo pra sarar o braço e coloquei um lenço chiquérrimo para tampar a mancha.
Pronto!
Tudo fica bem mais lindo...

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

26 de setembro.

Eu tomarei conta da minha respiraçao, levarei muito ar aos pulmoes, os encherei de vida e energia.
Eu gritarei o seu nome na janela, de frente pro mar - que é pra ver se o vento e a água me ajudam a alcança-lo com minhas palavras e amor.
Eu lhe enviarei uma carta, um email, lhe chamarei por telefone também.
Desejarei estar ao seu lado na hora do almoço, comendo a comida especial que a mae faz quando é nosso aniversário.
Rezarei baixinho, aqui, pedindo para que você receba meu carinho com sorriso no rosto e que sua felicidade esteja garantida por merecimento.
Cantarei, beberei guaraná e comerei até um pedaço de bolo, e me sentirei pertinho de você, lhe dando um beijo, um abraço e lhe entregando o poeminha que fiz com lápis de cor.

Meu pai, feliz aniversário.
Cruzarei este mar inteiro em duas braçadas de amor para estar, especialmente hoje, bem pertinho de você.

domingo, 23 de setembro de 2007

o possível.

o que nos une e o que nos afasta. importa.
o mundo que a gente cria pra gente. importa.
o mundo que criam ao nosso redor. importa?
as dores do mundo me arranham.
o frio. o calor. a fome. a sede.
sensaçoes. eu tenho sensaçoes.
a menina pequena quer colo.
lembranças.
o dia acaba ou começa agora? existe tempo? você tem hora?
o espaço.
acaba onde a gente nao pode mais ver. começa até onde vao os nossos olhos.
as emoçoes.
eu sinto ciúmes, medo, alegrias e muita vontade de rir. sinto respeito. respeito é emoçao?
passado é lembrança. devo colocar lá em cima?
uma gaveta de segredos. onde você guarda os seus.
os meus eu nao guardo, eu escrevo, embolo, faço lixo.
reciclo o que posso, dos meus segredos, e os deixo mais bonitos.
as cores. as cores existem. azul. azul forte.
tem água dentro do azul.
eu tenho muita água. vê como choro?
palavras. eu gosto das palavras.
importa. existe. palavra. importa. a porta. retorna. contorna.
eu sei uma língua.
vê?
quais sao os limites? existe limite? isso importa?
a gente faz o que a gente quer.
a gente inventa a alma da gente? ou alma a gente já tem? já vem desde quando eu nasci?
23 anos em 4 horas.
as cores. pode ver as cores?
nao vejo o lá fora. o que é lá fora?
existe?
eu tenho ciúmes do que passou. importa?
respeito o passado. que passou pra você.
respeito o meu, que alguém me trouxe, pelas maos, até você.
olha o mundo! olha o mundo!
só existe você e eu. existe a Consuelo?
é hora de ir pro trabalho? isso importa?
a gente vai viver sempre assim?
nao importa.
eu quero viver.
seja lá o que isso é.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

folha seca.

No detalhe do silêncio, fluindo como se fosse o próprio vento, na beleza do que começa com o sopro, ela vira e vai.
Sem muito saber o que pensar, entre os risos e seu orvalho, uma lembrança atravessa o corpo inteiro, amanhecendo o sentimento guardado. Sem muito entender o que acontece, o sentido maior é viver aquele presente instante – sem tentar saber mais. E faz. Faz do que sente a saída, do sonho o impulso, do momento a hora certa. De tudo que pinta, de tudo que vê, faz formas e cores em lugar ao tempo. Foge de tudo e dela mesma. Quer a vida do nao saber ser limitada. E cruza as fronteiras do medo e da liberdade, contrariando a sentença de ser o que querem para ela. Faz, corre, engana o relógio e burla as regras do calendário. Futuro é agora e amanha é vida presente, também. Porque se um dia aconteceu, hoje é marca. Se um dia foi, hoje é sentido, mesmo que sem a consciência da análise do saber.
Joga com o ritmo. Brinca com as emoçoes. As regras sao suas. A escolha também. Sem se intimidar com o que possam dizer, sem sentir medo dos que possam tentar impedi-la, segue o vento e começa, sozinha, o outono.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

amor em castellano

`te querer a ti´ nao é redundância. é uma delícia.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

11º andar

De um sobrevôo, pouso.
Do alto de onde estou, prédios, carros e vidas à pé formam a paisagem que observo.
Uma avenida extensa, larga, com árvores acompanhando seu prolongamento. Avenida de cidade grande.
Entre os que passam à pé, abaixo de mim, vejo cores desfocadas, carrinhos de bebês, gente mais velha ou gente guiada por um cachorro branco - que nao posso ver em detalhe, mas intuo que sejam cachorros lindos.
Daqui do alto, embora tudo lá embaixo pareça pequenininho, sei que sao almas e sonhos enormes. Um monde te gente caminhando ou se conduzindo aos seus objetivos. (Também nao sei quais sao)
Mas, se com meus olhos faço um sobrevôo mais adiante, e acompanho a avenida até o final, eu posso ver o mar.
É! Eu posso ver o mar!

sábado, 15 de setembro de 2007

o amor (puro)

nasceu mediterrâneo, em terras de serrat e gaudí.
nasceu e cresce,
força, intensidade, abstraçao.
corpo, alma e espírito.

- somos um só -

nasceu sentimento. virou vida.
nasceu vontade. virou parte de mim, e dele.

nasceu mediterrâneo,
ele atlântico, eu também.

nasceu banhado em águas de um mar calmo.
caminhando em areia e sentindo na cara o vento que vem.

nasceu natal, virou ano novo, virou vida nova.

é mediterrâneo. de nascença.
é nosso, e lindo, de vida inteira.


(escutando Joan Manuel Serrat)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

cantaor.


cantava ô, cantava.


cantava o passado que passava.


cantava o que vinha, em futuro escuro.


cantava o tempo que podia.


cantava parado, o vento mexia.


cantava de pé, peito aberto, fé!


cantava o cantor de rua. a vida era dele. a vida é sua.


cantava... cantava... cantava...


coisa de quem tem o que fazer com a alma.


coisa de quem sabe o que fazer do tempo.


sereno vento.


amigo lento.


mexe. leva. vai.


a companhia do vento é alimento.


a alma do cantor de rua: a vida é sua.


parado ali, cantando.


cansado ou nao, cantando.


a vida que sabe levar.


cantando pra nao parar.


canta. o homem de ferro canta.


a alma do homem de ferro canta.


nao há pouca vida. há tanta...

domingo, 9 de setembro de 2007

diálogo.

- Mamae, chama `lua de mel´ porque é só de noite?
- Nao, filhinha! Também é de manha e de tarde.
- A sua e a do Papai foi assim?
- Nao! A minha e do papai é assim: de manha, de tarde e de noite, desde que a gente se viu pela primeira vez.

sábado, 8 de setembro de 2007

estrella

Como quem perde uma estrela
desalento...,
lentamente tento.
Como quem pede a uma estrela
- Alma!,
calmamente penso.
*
*
*
Se nao fosse tao forte,
sorte?,
cordialmente faria.
Se nao fosse tao longe,
onde?,
amorosamente iria.
*
*
*
Penso e revelo,
quero.,
o que tem dentro de mim.
Amo e amparo,
tudo!,
que faz de você assim.
*

terça-feira, 4 de setembro de 2007

medos.

Eu fico aqui pensando, depois do fiasco que ficou o meu arroz com brócolis, que vida doida é essa que coloca a gente de frente aos nossos medos e até, às vezes, fracassando pra gente entender porque realmente eles eram medos. É sim. Você tem medo de quê?
Eu? Sapo, gente, cozinha, eternidade.
E daí explico, me explico:
Matei um sapo, alguma coisa como dois meses atrás (tempo de calendário). Matei sim. Mas por acidente, entendem?
Matei com o carro, passando em cima dele, na garagem de casa. Entao imaginem bem... saio do carro, lararara, feliz e cantando e vejo (porque juro! nao tinha escutado o ploft antes) um sapo em seu último suspiro. Ai. Que dor. Eu nunca consigo correr. Fico parada. Como uma m-ú-m-i-a. Extremamente sem açao. Minto! Há uma açao... eu choro.
E comecei a chorar, claro.
Primeira açao depois dessa açao? Liguei para o meu pai. Exato! Talvez ninguém no mundo saiba como ele sobre o meu medo de sapos. E disse: "Pai!!! Eu matei... matei... matei um SAPO!"
E ele, melhor paizinho de todos, disse: "Nao preocupa, filha. Nao tem problema nao!". E eu insisti no choro... "mas nao vou conseguir limpar, pai!". Pronto. Desabafei. Consegui voltar a mim e sair dali. Pensei um pouco... e liguei para o meu amigo. Contei sobre o que tinha acontecido, e como eu me sentia. Ele disse: "cê tá preocupada se o sapo tem alma?". E eu pensando: será que eu matei o meu medo?
Tá bom.

Mas eu tenho outros medos, né!?
Gente. É. Gente mesmo.
Gente de carne e osso e pensamento malvados.
Mas tudo bem. Ando com o peito aberto e o coraçao escancarado. Fico cantarolando pelas ruas, que sao minhas sim Senhor!, encarando de frente este meu medo de gente.
E tem gente até interessante ao redor...

Cozinha. Eu sou um horror! Já citei o arroz com brócolis, né!? ÉCA! E o pior é que nao era só pra mim... se fosse, eu comia rapidinho, lavava a panela e fingia que nada tinha acontecido.
Mas era pra ele, pro meu benzim!
Poxa...
Um fiasco de arroz com brócolis.
Mas conto... comemos num parque lindo, levei uma canga branca com mandalas vermelhas. Fiz uma saladinha gostosa pra despistar o horror que tava aquele arroz. Comprei tâmaras e um yogurte de sobremesa. Coloquei a minha blusa verde preferida. Cheguei mais cedo que ele e fiquei ouvindo Lisbela. Quando ele chegou, já sabendo do meu desespero (mandei uma mensagem antes, que era pra ele nao criar muita expectativa) me encheu de beijos e disse que sem comer já sentia que estava gostoso. Que nao importava se nao tinha sal, se estava cozido demais, ou o que quer que seja. E aquele beijo me alimentou melhor que qualquer arroz, feijao ou batata! Conversamos. Trocamos muitos beijinhos.
E nessa brincadeira de rir do meu arroz, e rir do meu medo de cozinha, acabei percebendo que perdia um outro medo. Desta vez, o medo se tornava uma vontade: eternidade.
Quero. Quero que isso seja eterno.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

namoro. (substantivo e verbo)

Era na curva do silêncio, entre os meus segredos e as flores dali, que meu futuro aparecia em forma de pássaro.Eu nao sofria, nao chorava, nao me espantava.Fazia sentido aquele cenário com jeito de presente.E dali eu lancei vôo.Como quem quer ir pra longe... Mas (dessa vez) sem fugir.Como quem leva o passado embrulhado em papel-bolha, cuidadosamente.Como quem sabe que vôo é coisa de gente e de alma. E que o medo atravanca o sonho.Voei para onde me guiava o pássaro, sobrevoando aquele verde-infância, aquele barulho-azul, e o cheiro, que me era tao familiar, começava a se desfazer.
...
De repente um pouso. Há muito branco aqui!Uma cidade da cor da lua.Um futuro com gosto de tâmara e cheiro de incenso.Um quarto que se torna a minha habitación.Um corpo (dele) que é meu território.Um sorriso (meu) como carteira de identidade.Hola, gracias, perdona. Um idioma em que sou dominada.Um amor - meu ninho.E nesse pouso faço do pio a nossa cançao de ninar, do beijo o alimento, do carinho a nossa recompensa.E nesse pouso construo o meu agora. Repito amanha, depois de amanha e todos os dias que vierem daí pra frente.Porque a liberdade agora é a dois.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

jardín del turia

Era um rio, secou.
Agora é um parque, lindo, que contorna quase toda a cidade.
Tem a ponte das flores, que sao vermelhas.
Tem a arquitetura de Calatrava.
Tem os meninos que tentam, acho que pela primeira vez, alguns malabarismos.
Tem a mae e seus três filhos.
E muitas pessoas de bicicleta, ou com cachorros, ou de maos dadas com o namorado.
Aqui é verao, faz calor e muito sol até mais tarde.
Três senhoras, e seus respectivos bichinhos de estimaçao, conversam e passam a tarde dessa segunda-feira de sol.
Eu sento em um desses bancos de praça. Escuto Caetano cantar `Lua e Estrela´, tiro as minhas sandálias e levanto um pouco a saia e cruzo as pernas em cima do banco.
Vejo as primeiras tentativas de caminhar de um bebê loirinho. E os olhos de orgulho e preocupaçao de seus pais. Pais que acompanham todos os passos.
E ainda posso sentir que é a primeira vez que aquela senhora usa brincos mais compridos. Observo como se a minha vida fosse feita da história dessa gente que nao conheço, e que sequer me viram passar.
Acompanho os passos do bebê, a corrida do moço com calça justa, os olhos da menina que vê de longe um aviao.
Faço do que vejo alimento para minha alma.
Abro um sorriso grande, enorme, pra quem quer que seja. E nao me importo muito se nao recebo um de volta. Passarei a minha alegria mesmo para quem nao entenda o que isso tudo é para mim.
E caminharei. Sempre e quando puder, por todo o percurso que um dia fez o rio Túria, e que agora faço a pé.

conversa.

eu tento com você
um diálogo novo
daquilo que nao lhe disse
tento, revejo, me escuta?
procuro a palavra certa
e o verbo direito pra conjugar
discuto comigo, aflita,
a falta de ar
e a sobre de medo
o resto é vontade
e fome de lhe mostrar

a menina dança

dança a filha e neta da lua.
a mais eterna das mortais.
amada.
dança com a força instintiva das pernas.
com os olhos de fogo
e o coraçao em chamas.
dança.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

¡Vente, viento!

- ¿Cual es la situación?
- Vivir un sueño.


Abre os olhos e pode ver: existe gente de todas as cores, crianças que correm e voltam para seus pais. Existe o destino que cada um está ali traçando. Existe o meu. Existe o futuro que chegou pra perto de mim. E faço do meu agora o presente. E que palavra mas linda, nao?
Existe você, sua guitarra, seus sonhos pra gente.
Existe o amor que se constrói a cada dia. Mas que parece que já nasceu junto.

Abre os olhos e pode ver: uma cidade que nao pára, carros, vento e vida. Todos correndo, movendo, sendo o que querem e indo aonde lhes parece melhor ir.
Existe a gente, o incenso que dá o cheiro que a gente quer a nossa vida.
Existe o amor que construimos a cada passo.
Passado pra trás, há o nosso instante.

¿Si soy bienvenida?
De venir y de vivir.



sábado, 18 de agosto de 2007

beijo na testa!

O circo chegou na cidade?
Tem marmelada?
O que acontece quando o futuro da gente sai das nossas mãos?
Penso demais?
Sinto demais?
E o palhaço o que é?





A cidade que chegou no circo.
Não. Mas goiabada tem.
A gente pode até esperar um pouco. Mas depois tem que voltar a pegar as rédeas dele.
Pensa.
Sente.
O meu amigo!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

ó deus do tempo, escuta a batita forte. de onde vem a calma?



escutando Cardeal Teodoro - Julia Ribas, vestindo um moleton velho.

domingo, 12 de agosto de 2007

a rua.

Se fosse minha essa rua semeava margaridinhas, pintava o meio fio de rosa claro, contornava os postes de luz com fitas coloridas. E saía para passear com a minha saia branca.
Seria da rua a rainha. Da vizinhança, a amiga. Da vida inteira, a lembrança.
Se fosse minha essa rua trocava buzinas por pio de pássaros. Marcaria as cinco da tarde como hora oficial para assistir a revoada das maritacas - sempre muito pontuais.
Se fosse minha essa rua a casa mais alta teria direito a janela grande e paredes de vidro, para olharmos o céu.
Seria do sol a namorada, da lua a apaixonada e as estrelas contaria a dedo, sem medo ou superstição.
Se fosse minha essa rua não tinha menino com fome, cachorro sem dono ou lata no chão.
Faria do menino meu aluno, do cachorro meu companheiro, e da lata um vaso de flor.
Se fosse minha essa rua, eu mandava ladrilhar com sonhos.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

a história deles.

"Estou de férias, posso te ligar a cada hora, ou mandar uma msg todo dia... sem falar em emails, cartas, pombo correio, mensageiros do rei, esquadrilha da fumaça, mensagens subliminares no intervalo das novelas, dedicatória na BH FM, serenata, biscoito da sorte, gravo um CD com uma música pra você, grafito o seu prédio, mudo o apito da Maria Fumaça para o seu nome, deixo recado em todas as embalagens de chocolate de Mariana, e também nos CDs e DVDs de axé, mas queria que você facilitasse e atendesse a minha próxima ligação... sinto sua falta, mas não é de morrer sem você, mas é de me sentir melhor com você, mesmo que apenas conversando."


Ele é comunicador, baterista de banda, adora futebol - ver e jogar, cerveja, rock antigo.
Não sei muito sobre ela. A única coisa que sei é que se tornou importante pra ele. A ponto de fazê-lo ligar muitas vezes. E ela não atende. Não sei porque não atende.
Ele é meu amigo.
Ela eu não conheço.
Ele é daqui.
Ela é de Mariana.
Ele disse que queria estar com ela agora.
Ela não atendeu.
Ele escreveu a mensagem acima, enviando por celular.
Ela não respondeu.
Ele ligou depois de meia hora.
Ela não atendeu.

Meu palpite?
Ela vai sonhar com ele essa noite.
Ele vai parar de ligar.
Ela vai sentir falta de tanto carinho.
Ele vai sentir falta de ouvir a voz dela.
Ela vai mandar uma mensagem.
Ele vai sorrir e ligar na mesma hora.
Eles vão se encontrar.
...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

regalo 1

Pego o lápis com nossa cor preferida. Faço moldura num papel branco com giz de cera laranja. Escrevo poucas palavras no seu idioma.
Ganho mais linhas em pouco tempo, quando de poema eu decido escrever uma carta.
Termino com beijinhos carinhosos. Na minha língua. (na sua boca)
Dobro o papel e guardo em envelope azul claro.
De um lado escrevo: ao meu sol.
Do outro lado assino: da sua menina.
E guardo numa caixinha ao lado da minha cama.
Em breve pego a caixinha e a carta.
Com um sorriso e lágrimas nos olhos te entrego.
Te dou um beijo longo. E sento ao seu lado para te ver ler.


Feliz aniversário, amor!

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

!



um dia a gente samba, o outro a gente jazz...

sábado, 4 de agosto de 2007

sobre ela.

"a prosa marcha e a poesia dança". - Octávio Paz (?)

num ballet nada esquisito. num ritmo bom de quem tem alma leve e vai com o vento. a poesia dança nas linhas e versos do movimento. e se deixa fantasiar, às vezes, de linhas contínuas, que é pra acrescentar marcha à dança. e não cansa. a poesia balança. a vontade lança. o brilho alcança. a gente se refere, não fere!, prefere: sem precisar dizer muito. a poesia é ela, meta-ela. e baila num querer dizer o que também diz a prosa, no seu andar elegante. a poesia diz, então, a passos e balanços. francamente? a poesia não diz, ela recita.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

humor. de quê?

não. não consegui estacionar e tirar os xerox que eu precisava. não me atenderam aonde eu precisava tanto falar. não vou receber aquela grana que eu tava contando tanto (e precisando). me disseram que eu nem preciso ir à reunião que eu já tinha feito a pauta. não me telefonaram. acho que nem lembraram de mim. não resisti ao brigadeiro e comi dois (e nem tô podendo). recebi carta. ah! não é carta. é conta! o iogurte de morango acabou. o filme que eu queria já tá alugado. me falaram a data errada da peça de teatro. trabalhei na primeira noite do curso de tambor. o pão caiu. a manteiga pra baixo. (e eu nem tô podendo). o frio tá muito. o pé tá gelado. e eu gosto de calor. eu tô com saudade. às vezes saudade é um saco! eu tô com medo. e não tem ninguém do lado pra dizer: acalma! tudo vai ficar bem. o dia não acaba. é sexta. mas nem 13 é. não é TPM também, ou essas coisas de mulher. é humor de cão. cão bem bravo. de quem tenta um monte de coisas e só consegue mesmo um não. mas sabe o que mais? tem cerveja na geladeira. um fim de semana inteiro. um benzinho que escreve mensagem de amor. amigas pra dividir a noite. pai chegando de viagem. o número de milhões de pessoas bacanas que eu posso ir lá e ligar. tem iogurte de pêssego. e aniversário do primo querido. e abraço apertado do sobrinho tímido. e presente que a irmã trouxe pra mim. e um céu azul que é uma beleza! e festival de jazz. e maria rita cantando casa pré fabricada. e viagem por vir. tem biscoito água e sal com requeijão light - sem consciência pesada nenhuma! tem lojinha aqui perto que dá pra ir à pé e até tentar tirar o xerox. tem um livro novo do lado da cama. e saudação ao sol porque apesar do frio ele tá lindo. e cachorrinha latindo pra dizer que tem fome. estou com saudade. ô saudadezinha gostosa, meu deus! tem coragem no coração que quer voar. e um humor novinho em folha. porque hoje é sexta-feira. agosto a meu gosto. humor de passarinho. tem ninho. e boas novas pra cantar...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

viajar.

Mas já você, moça loira que dormia na cama ao lado, eu amo de nascença.

Vê se não te preocupa. Não chora. Não sofre. Vou mais feliz se te vejo feliz também.
A cor dos nossos sonhos se difere, mas a nossa felicidade depende do sorriso dos olhos da outra. Sabe?
Eu acredito no amor "de deixar ir". Na confiança que, de perto ou de longe, cuidamos uma da outra. Acredito que na nossa construção, na construção das nossas almas, vale muita a tentativa de desapego para complementar a evolução. Mas a saudade é marca presente sim. Que a gente sente, noite e dia, noite e dia. Mas a volta assim é certa. A gente encontra logo, em muitos meses, mas poucas folhas de calendário. Num tempo amigo que passa rápido e plim! já estou aqui de volta pra encher de beijo e abraço os benzinhos meus. Pra encher você de beijos e abraços.
Porque movimento pra mim é vida: enche meus dias, cria as histórias que eu gosto de contar, aumenta as páginas do meu diário, me faz ver as coisas boas de lá, de cá, de vocês e de mim. Além de me encher de alegria a cada volta, a cada reencontro. Ganho ponto a cada viagem dentro de mim. Porque o amor de vocês é comprovado a cada instante, não que precise ser colocado à prova. Mas é sentido com todos os cantinhos do meu coração. E a vontade de ficar perto, de valorizar o "lá em casa" e de voltar logo aumenta.

Amo vocês sim, irmã casada. Do meu jeitinho meio torto, meio bobo, meio descompromissado.
Amo vocês muito, loira linda, com os meus olhinhos que despistam até as lágrimas que caem quando o avião decola.Amo. E não duvide disso nunca.
Eu vou, mas é pra voltar com o amor a vocês ainda mais declarado.

sábado, 28 de julho de 2007

mini conto. vale ponto?

Ela se irritava porque não conseguia, por falta de paciência, encaixar a tampa na ponta de trás da caneta. Tinha os olhos de raiva assim, como quem culpa até a indústria que produziu tal caneta e tal tampa.
Afinal, não era dela mesma a falta de tato e a verdadeira culpa.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

espera.

me pediram para esperar.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

pelos olhos - a parte pelo todo.


E são os olhos dele que eu vejo (desejo),
quando abro os olhos meus.

terça-feira, 24 de julho de 2007

ao meu sol.

Escrevo, amor. Mesmo depois de dizer que já não faria. Mesmo depois de tentar poupar, repensar ou deixar quietinho.
Mas grita aqui dentro a poesia que vivo/sinto/respiro.
E quando você estiver lendo, Cantabrio mío, é uma carta de amor.




Amor,
Faria o que fosse, amargo ou doce, para te ver sorrir. Escorregaria em lágrimas minhas para aproximar o choro meu do seu colo. Ataria as minhas mãos para não lhe fazer mal algum, só carinho. Escaparia de armadilhas, encruzilhadas e obstáculos para ser a mais forte e conquistar você. Dançaria pra te ver me olhar. Acordaria às 2 daqui pra desejar 'bom dia'. E me deitaria às seis da tarde para acompanhar teu sono. Me embreagaria de mel para te deixar saciado. Atropelaria meu cansaço para cair nos teus braços e te ouvir falar teu espanhol gostoso. Faria sozinha uma estrada inteira pra aproximar o teu país do meu. Atravessaria a nado o mar que for pra chegar no teu ancoradouro. Lançaria a minha âncora. E ficaria pra sempre. Trocaria o futuro do pretérito por futuro do prensente. E farei o que for, amargo ou doce...

segunda-feira, 23 de julho de 2007

abrir.

Tem hora que chega a hora, ou a vontade cresce, de abrir o nosso diário, as portas e janelas da casa da gente, a nossa vida, os nossos gritos e sonhos, para quem quiser entrar.
É em momento assim que as palavras nossas viram de todos. Os segredos se tornam histórias explícitas. A nossa coragem ganha a força dos desejos bons dos outros pra gente. Não que a gente só receba coisa boa de fora pra dentro. Mas quando a gente é capaz de limpar os olhos e penerar o que vem, a harmonia é quase garantida. O ar que a gente inspira vem pra purificar. Entra, penetra cada instante um pedacinho da gente, e sai. Sai "ar pra ser renovado". E em repetições assim gente respira.

Tem hora que chega a hora da gente expor. Mostrar. Falar. Deixar ser visto.

sábado, 21 de julho de 2007

tal e tal.

a caneta tava sem tinta, mas ela insistia em escrever. o espelho tava rachado, mas ela queria que queria ver o corte no canto do rosto. o dia não tava lá grandes coisas, mas ela pegou óculos de sol e saiu para caminhar. ele de repente nem se lembrava dela, mas ela chegou perto e lhe deu um abraço forte dizendo seu nome como quem o tivesse visto há dois dias. o passado não era lá tão mau, mas ela decidiu vida nova e pronto. a comida estava meio sem sal, mas ela comeu e sorriu ao final. a poesia não ia sair de jeito nenhum aquele dia, mas novamente ela insistia.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

"mas no es poesía, es mi vida"

a ansiedade engoliu o meu estômago. a espera fez minha cabeça doer dor de agulha. mas meus pés teimosos ainda sambam.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

as três mosqueteiras.



porque amor tem cores, sorrisos e olhos diferentes.

terça-feira, 17 de julho de 2007

causos - parte 6

Avó de amiga é igual avó da gente, né!?
Depois do almoço, mãe e filha conversam, e a gente acompanha cada palavra:

- Nossa, tô precisando muito falar com o Wagner!
- Uai! Manda um email pra ele!
- Mas eu não tenho o email dele, mãe!
- É facil! É só colocar lá no computador: wagner arroba ge mail ponto com. Ou será que é wagner arroba rottweiler ponto com?




Viram? Tecnologia com simplicidade! :)

sábado, 14 de julho de 2007

sinopse.


toca a canção de ninar, ainda.
a dor ferve em vermelho, em mim.
piano acompanha as batidas do meu coração aflito. e o frio faz tremer as minhas pernas, ombros e pés.
o sangue que escorre da mão da menininha me dói.
me dói o me saber sozinha.
me alivia a descoberta do eterno.
as dores do mundo me cercam.
a minha esperança verde me torna forte.
tem fada: eu vejo. tem fauno: eu sinto.
tem amanhã: eu quero.
a luz apagada me assombra.
e não continuo. não escrevo. não choro. não conto o conto de fadas. não te falo nada. não digo se eu gostei. se me doeu forte demais. se me valeu o dia, a dica, a pipoca que não quis comer, a solidão pra ver.
não te deixo saber o que eu pensei desse filme, dessa história, dessas cenas fortes - cruas, diretas, inesperadas. não te permito a interrogação. não te conto o que eu opino, no que eu acredito, o que me tocou.
não revelo as minhas lágrimas, o meu medo de abraçar travesseiro, as vezes todas que fechei os olhos pra não ver o tiro.

não conto.



filme: o labirinto do fauno

não leva, ventania.

o que se pode dizer, ventania, das folhas que você leva embora?
devo chamá-las de efêmeras, ventania?
na luta de repetir os agoras é que se constrói o eterno?

guardo folha por folha que pego do chão, abraço com sentido de proteger, respiro forte e deixo o amanhã chegar, fazendo esse agora durar um pouco mais.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

religião. arte. vida.

É ao som de tambor e fé que a quarta-feira toma fim. Com gosto de pipoca e clarinê.
Com ritmo de congado, de esperança e bom sorriso, caminhando para a praça que recebe a gente nos chamando de livres. A gente roda e se embola no meio de um tanto de gente que nem nos conhece. Se sente artista, cantor, acredita até na fé deles: nos olhos brilhante da filha do capitão, nos olhinhos tímidos da menina que não conseguiu vencer o sono. A gente luta pra dar conta de cantar como eles fazem. A gente stereoteca também porque a vida tá precisando de música, poesia, batuque de tambor e palmas das mãos.

A gente não quer deixar a alma adoecer. A gente batalha a coragem, estuda a fé deles, revigora a nossa vontade de sonhar e ... sonha. Pronto! A vida precisa da gente.



"ô, beija-flor toma conta do jardim, vou pedir Nossa Senhora pra tomar conta de mim"

quarta-feira, 11 de julho de 2007

hora de garimpo:


hora de garimpo: eu busco. ouro da cor que for. se vem de olhos azuis, ouro preto. se vem dos meus olhos pretos, céu azul.

terça-feira, 10 de julho de 2007

amada.

Saía como se o seu caminho fosse uma passarela. Sorria como se ao final do dia fosse chegar em casa e ser recepcionada por ele, um prato de morangos frescos e água pra saciar a sede de tê-lo sempre por perto.
Caminhava devagar. Com calma e a serenidade que lhe passava ele, por palavras e poesias, enchendo-a de vida e sonhos.
Colhia sorrisos ao seu redor. Até desejo de outros homens, que não podiam acreditar que tanta luz vinha de um rosto e olhos sorridentes assim.
Era desejada por eles. Admirada por outras mulheres.
O que passava pelas ruas, com ela, era o amor e o desejo de seu homem.
Aquele que a fazia deusa.
Ela era amada.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

dança.

Mas se faltar algo, eu te levo pra ver o mar.

poesia.

Mas se faltar algo, eu encosto a cabeça no seu peito.

música.

Mas se faltar algo, eu viro letra pra você cantar.

domingo, 8 de julho de 2007

As maravilhas do mundo.

foto: Anadri :)


não é futebol. é um Cristo da fé de muita gente. com braços abertos de recepção em um céu azul de fundo.
não é bunda de mulata. é a esperança de um povo inteiro de poder ser mais e agradecer.

onde? Rio de Janeiro, BRASIL.

sábado, 7 de julho de 2007

da TV pra cá.

O que não sou
(Isadora Medella - Chicas)

Eu não sou poeta nem quero ser
A canção eu fiz pra sobreviver
Coração aperta, canto pra respirar
Toco minha viola pra poder sonhar
Eu não quero nada que faz doer
Quero amar o mundo, quero amar você
Quado você não está eu vou tocar tambor
Extraviar no pulso toda a minha dor
Um dia o amor acaba
Invade a dor deságua
Transborda a minha alma
Vazia está agora
Eu não sou maluca nem quero ser
Mas a noite passa e eu não vou dormir
As flores me agradam, tentam me colorir
Toco uma toada pra poder te ouvir
Eu não sou ateu nem quero ser
Deus te abençoe, rezo por você
Eu vou tocar a flauta pra me despedir
De longe minha alma vai velar por ti

atemporal.

a areia caindo.
o ponteiro girando.
tic tac tic tac
o calendário trocando de página.
tic tac tic tac
alarme de manhã.
xis no dia 6 de julho.
tic tac tic tac
tic tac tic tac
sol batendo na cara e te acorda.
ontem acabou já.
hoje tá quase no fim.
tic tac tic tac
amanhã demora.........
tic tac tic tac
sono de três noites atrás.
da noite que não dormi.
tic tac tic tac
dispara coração e os segundos.
o tempo do relógio.
o tempo do meu fôlego.
o tempo do calendário.
das horas, dos dias, das lembranças, da vida inteira.
tic tac.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

causos - parte 5

Depois de uma crise chata, ruim, quase grave de gripe, venho justificar aos meus aluninhos sobre minha ausência na última quinta.

- Ai, meninos, me desculpem. Mas tive uma crise, porque tenho quase todas aquelas "ites" chatas. Sinusite, rinite, otite...

- Celulite também, teacher?

E o pior foi nem poder responder com firmeza:
- Celulite não, dear!

Droga de coca-cola!

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Shakti

eu quero ser a sua, amor.

sem mais.

não tá em falta poesia.
estão em falta as palavras.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Os pássaros

"se é pra eu te ver, então deixa eu dormir"
Los Hermanos.

sábado, 30 de junho de 2007

Aviso importante: laboratório de mim.

Tomei um pouco de liberdade, mais ou menos um copo e meio, para vir assim, de coração aberto e sinceridade escancarada, explicar-me a vocês.

Adoro declarações de amor. Sou capaz de fazê-las assim, em blog, para todo mundo ver. Acredito que amor a gente inventa mesmo, e sou capaz de inventar muitos, podem notar?
Só faço isso de me expor assim com o suporte que tenho da liberdade poética, com a licença de ter um eu lírico, com a capacidade de observação do mundo ao meu redor e do poder de reinventar-me. Exato.

O que eu quero dizer? Em cada caso, uma coisa. Nem toda "ela" sou eu. Ou até sou eu, um eu lá no fundo, da observação de alguém com quem me identifiquei, ou que não pude tirar os olhos por ver poesia por ali. Nem todo "ele" existe. Ou existe, mas no meu coração que o inventa. Ou na minha cabeça que lembra - geralmente com saudade. Exato. Muita coisa não é de agora. É de um ontem gostoso, ou dolorido, ou ainda um pouco embaçado. Isso mesmo! Nem tudo que reluz é ouro. Nem tudo é tão ao pé da letra (e letra redonda nem tem pé!). Gosto de metáfora, de reviver o passado com as palavras. AMO as palavras. Me apaixono por elas também, já disse?
Adoro dizer "relutante", "estetoscópio", "fósforo", "tangerina" e tal e coisa.
Mas volto a me explicar, me permitem?

Este espaço é de poesia. Poesia nos olhos de quem lê. Lindos! OBRIGADA pelas visitas. Poesias nos meus dedos assanhados e apressados que não querem deixar de lado sentimento algum. E tentam: rabiscam em papel pardo ou teclas de computador o que a senhora eu, dona de mim e deles - os dedos - não dá conta de segurar.
Entendem?

Aqui é lugar de tentar tudo. De escrever o que me veio assim, no meio da noite. Ou de tentar um texto novo, seminovo, ou até cópia - esta última sendo de extrema delicadeza e humildade, usando sempre aspas, ora bolas!, pois foi para isso que elas foram criadas.
Enfim, o blog está para mim como um laboratório. Ok?

Aviso aos navegantes: cuidado! Nem tudo datado hoje é sentimento de agora. Nem tudo que tem 'ele e ela' é história de amor no plano real. Nem tudo que é longo é prosa.
Deixa eu chamar de poesia?

sexta-feira, 29 de junho de 2007

pelos olhos - parte 3

tinha até momento que ela se pintava. passava lápis na parte debaixo do olho, batom (clarinho, quase cor de pele).
tudo pra ficar mais bonita. parecia bem importante pra ele que ela estivesse bonita. experimentou uma ou duas vezes uma calça justa. entrou na academia. se olhava no espelho vez e outra, mais que de costume. estava mais vaidosa. ia pro trabalho como quem vai a uma festa. de repente nem tanto na forma como vestia, mas definitivamente como se sentia.
sorria mais. achava que era importante aquele sorriso alegre. se desprendia de alguns sentimentos que já não julgava saudáveis.
fez novos amigos. criou novos sonhos.
sonhos a gente cria, né!?
balançava o cabelo e dava preferência a cores claras.
sorria. muito, muito. é tão bom gente feliz!
e de repente o mundo inteiro parou de notá-la. quando o mundo inteiro era um par de olhos só. os olhos que mais importavam.

even now

Quando parece tudo tão difícil, quando o frio me deixa na cama com medo, quando o tempo parace passar muito devagar, quando o sorriso parece não ter brilho, quando a saudade chega a fazer dor no peito, quando o universo parece não estar de acordo, quando os esforços nossos parecem não ser reconhecidos... eu quero, even now.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

"esperar exaspera"

Espera
"Decidí bajar al infierno
porque no me gustan las salas de espera
con aire acondicionado.

Esperar desespera.
Y nadie sabe de dónde saco fuerzas,
salvo tú."
poesia dele.

terça-feira, 26 de junho de 2007

tem dia.

tem dia que a hora não passa, a resposta não chega, o tempo não abre, o sorriso não engata, a lágrima não escorre, a folha do calendário não muda, a ansiedade não dá folga, o telefone não toca, a espera não chega ao fim.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

sem facilitar.

a ansiedade engoliu o meu estômago.
o medo tapou os meus olhos.
a angústia acelerou meu coração.
mas a vontade desamarra os nós e me permite vôo.
a alma se veste de coragem em tom bem forte.
e o sim que espero tanto vira sonho de mais de uma noite.
e eu acordo um dia desses com a notícia de que tudo ficará bem.
sou mais forte que o medo.
o universo quer. aposto que sim.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

I'm ready.


"às vezes dá vontade

de subverter a ordem

abandonar o script

esquecer a proposta




e fazer da vida

uma notícia nova."



quinta-feira, 21 de junho de 2007

pelos olhos - parte 2

E custou tempo e lágrimas até que os olhos meus pudessem ver a outros olhos, que não os olhos do moço da janela.
Custou tempo, lágrimas, e milhas.
Foi preciso atravessar oceano, cruzar anos de história, mudar de estação de ano, de endereço, de "ares".
Mas foi numa tarde depois de uma visita a um museu, no alto do que parecia o topo da cidade, com um visual lindo, um friozinho gostoso, e uma vida nova pela frente que eu vi, dentro dos olhos azuis do moço que carregava uma máquina fotográfica, um sentimento que duraria muitos sorrisos e muitas despedidas.
porque a vida é mesmo "a arte do encontro".
E os olhos dele me prometiam muitos...

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Nova Postagem

o legal é que dá para mudar a cor, o jeito de escrever e até o que se escreve...
lá lá lá!!!







acho que até todos os dias.

domingo, 17 de junho de 2007

pelos olhos - parte 1

e era parar pra falar dele que seus olhinhos bobos sorriam como se fossem explodir de tanto brilho. as coisas explodem por brilharem demais? estrelas brilham porque já explodiram?
era parar pra falar dele e não admitia que não concordassem.
a poesia era o simples fato dele encostar a cabeça na janela, com aquela leveza e os olhos tão longes.
a paixão era por aquele par de olhos que de repente nem a viram, mas viram algo que ela buscava. parecia longe, pelo jeito profundo que ele olhava, mas ela se encantava com a idéia de tentar buscar.
ele dizia "um dia te levo lá". ela lia: "um dia ele me leva lá".
na espera do que quer que seja que estava por vir, sabendo das dificuldades de tempo-presença-harmonia, ela esperava. agora era ela que encostava a cabeça na janela, delicadamente, e via o lado de lá.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

irmã-estrela escreve

"uma dormiu tarde. A outra, acordou cedo. Elas se encontraram e tomaram um bonde amarelo. Viram a cidade lá de cima e enquanto isso, o Ministro das Relações Exteriores de Uganda, que estava sentado no banco de trás, arriscava algumas palavras em Português. Os guarda-costas, uns oito ou nove, observavam atentamente a qualquer sinal suspeito. Viram prédios, casas antigas, carros enfileirados, e o mar! Passaram por uma pontezinha bem alta e logo em seguida chegaram. Uma desceu e a outra também.
Almoçaram verde com vermelho, beje, branco com amarelo-ovo, e doce de sobremesa. Trocaram de roupa e: bonde-metrô-ônibus. Viram de novo o mar (só que agora bem de pertinho)! Tinha sol e céu azul. Não tinham fome e recusaram um HareBurguer "INTERGALÁTICO, PSICODÉLICO, SINESTÉSICO! " (hambúrguer de soja com tomates psicodélicos e cheddar alucinante. Acompanhado de pão com sete grãos, sete cores do arco-íris, sete notas musicais...) Uma flauta tocava ao fundo e o cenário infinito sumia no azul do horizonte. "Ipanema era só felicidade"... Uma falava sobre assuntos variados e, a outra ria e falava também. Conheceram uma pessoa que adora salão de beleza. Outra que largou tudo pra tentar a sorte na cidade grande.
Mais tarde, elas ouviram chorinho com mais uma amiga e dançaram Samba na Lapa.
Brindaram as boas amizades e se despediram."

rio.

Ok. a praia de Guanabara já foi, pra alguém, como uma boca banguela.
Pra mim, um sorriso azul.
Ok. há quem diga que a violência no Rio é grande.
pra mim, grande é aquele Cristo de braços abertos. (eu voto!)
Ok. o rio continua lindo.
pra mim, continua lindo mesmo...

Na diversidade de gente, cores de sandálias, azul do mar e do céu, calçadão de Ipanema ou Copacabana, por cima ou por baixo dos arcos da Lapa... tudo com jeito carioca de viver a vida assim, da forma como der. Gente que se vira como pode, balança, se mexe, sacode. E no final do dia curte um samba.
Porque o samba é a música da capital cultural do Brasil. É o som das ondas daquele mar, do rebolado das morenas bonitas refletido nos olhos azuis dos turistas. O Rio é sopro de alegria.
É o contraste que representa o país inteiro, de ricos e pobres, de morro do Vidigal e Copacabana Palace.
Porque tem gente que sofre sim - e isso vira curta ou chorinho no Beco do Rato. E tem gente que se diverte - e isso vira água de coco ou hare burger de frente pro mar.

O Rio é, além de bem brasileiro, uma cidade-poesia.

terça-feira, 12 de junho de 2007

dia dos namorados.

para o menino que vende flores, em Barcelona, hoje o dia nem foi tão cheio...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Santander.


- É naquela casinha ao fundo, amor, que um dia a gente vai morar?
La luna sabe.

domingo, 10 de junho de 2007

o dia depois de anteontem.

- Você tá bem?

- Agora sim. fiquei assustada feito menino sem cobertor pra cobrir o rosto e proteger do medo. fiquei sem energia como quem não vai a uma cachoeira há muito tempo. mas carregar um bebê, no dia depois do ontem, foi regarregar a vontade de ver coisa boa no mundo. sei lá. mas eu tô com um bocadinho de medo sim. como quem olha para os lados ainda sem saber se está a salvo.
obrigada por se importar.

sábado, 9 de junho de 2007

briga de rua.

eu tenho medo de gente.
muito medo, às vezes. medo de gente que não vê a sorte que tem e quer arrumar briga com quem é do bem.
medo de gente que tem energia pesada.
gente que não consigo ajudar a controlar o humor com minha reza forte.
tenho medo de gente que usa a força do braço pra descontar a fraqueza da alma.

mas viro fera, bicho, bruxa com verruga no nariz se gente do mal assim vem destruir o jardim do bem, de gente e semente boa no mundo.
fico muito brava. nervosa. incansável.
enfrento braço, cadeira e facão.
mas não quero gente do mal mexendo com benzinho meu.
isso eu não deixo.
é mexer com minha amiga alegria e fico raiva.
é mexer com o meu azul e fico roxa.
é levantar a mão pra eles e eu levanto os astros todos.

paz na terra, por favor.
eu fico muito feia chorando assim...

sexta-feira, 8 de junho de 2007

música.

Agora eu paro para te ouvir cantar, amor, a música linda que você fez pra ela.
E se no meio da canção eu chorar, não ligue. É de achar belo o que você sente. É de te querer bem e compreender que ela te faz cantar.
Eu não morro de ciúmes, amor. Não choro de tristeza. Ou triste fico, até. Mas eu sei que assim está bem e das lembranças doces e belas que tenho, me sacio de amor também.

menina marina

Ô Marina morena, que nem mesmo precisa se pintar.
Tira essa dor do peito, coloca brilho nos olhos que sorriem o simples.
Acredita que ficará bem, que passará o que dói, que esquecerá o que não te faz bem.
Mas lembre-se, Marina morena, não se pinte.
Cê é linda sim...

E quando me ler, não chore! A poesia hoje é pra você.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

invasor

Eu me desperto cedo com a claridade que entra pela janela que esqueci de fechar ontem a noite.
Um banho quentinho ajuda a acordar o corpo. E enquanto isso, olho para as violetas que sorriem, cheias de flores, na janela.
Como banana com mel e aveia.
Visto a saia azul e um colar bonito. Vou "pra cidade" resolver essas coisas burocráticas que tomam tanto tempo. Levo debaixo do braço um bom livro pra ajudar o tempo passar enquanto espero na fila pra falar com o moço.
Assim que resolvo tudo, e foram dois lugares e duas filas, vou para a casa comer o salmão gostoso que a mãe fez pra mim. Com um sorriso grande e um hummm agradeço aquele almoço maravilhoso - que parece até de aniversário.
Vou ao trabalho. Dou aulas das duas até às nove da noite.
Chego em casa cansada. O dia foi cheio. Tomo mais um banho, uma xícara de leite com toddy e me preparo para deitar.
O que acontece é que ele não saiu do meu pensamento por nenhum segundo deste dia.

sábado, 2 de junho de 2007

"do protuberante ao silencioso"

Garimpeira de coisas boas do mundo, e dessa vez sem precisar buscar muito, chega até a mim:

http://www.musicasdoespinhaco.com.br/

- vale mergulhar no som, na letra, em cada foto.

Meus olhos sorriem saudade.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

"janela de retorno"

De exausta a incansável.

Corpo, voz, mente, alma, casa da emoção.
Tudo agora no contorno do seu som.
Da música que você não toca, você joga, como quem procura testar meu coração.
Você, sua meta, sua dúvida, minha saudade.
Tudo agora no embalo do seu toque.
O batuque na minha casa, a cor da sua asa, o relevo do seu violão.
Você, sua língua, sua boca, minha vontade.
Tudo agora na melodia da sua música.
Aquela que você escolhe, do vôo que levanta, a letra da minha canção.
Você, seu mundo, minha liberdade.

Voa, vai, volta, saudade.