quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

cruce de caminos

2006
o ano do presente

O ano em que me tornei (me vi e aceitei) uma andorinha.
O ano do caminho, de encontros, reencontros, desencontros. O ano do orkut bom da vida.
O ano do sol brilhando forte em tarde de inverno - ano de dois invernos. E exatamente o ano em que aprendi a gostar deles, e da noite.
Ano em que mudei de atitude, e até de país.
Em que vivi uma rejeiçao, e por isso dor de cotovelo e coraçao, mas que ao mesmo tempo me vi feliz por me saber apaixonada.
O ano em que fiz escolhas. Em que abri portas para o novo e escancarei as cortinas para ver o lado de fora. O ano do tapete novo, das lentes de ver tudo feliz, do azul, das risadas com amigas e do reencontro com a família.
O ano do auto perdao.
De me descobrir caminhante, e saber que mesmo assim tenho um endereço fixo: meu coraçao.
E que mais vale seguir um sonho a temer o que quer que seja.
O ano do agora. Da verdade. Do adeus à terra do nunca e do "face the music" nas terras do mundo real.
O ano do "ainda bem".
Feliz o ano inteiro?
Nao. Mas intensa todos os segundos.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

habitación

a paz vem aos poucos.

Sou maga. Bruxa. Rezo. Acredito. Procuro, e agora acho, poesia.

O coraçao está pulsando laranja.
Solidao deu lugar a paz.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

mais alguns dias

"you get the best out of me"

e mudando um pouco o contexto, quis ouvir essa frase como um pouco de poesia.

E por aí tento meu caminho pelas ruas que mal conheço, mas que aos poucos vou deixando marca dos meus passos. Sim, levo um sorriso como se fosse meu bilhete de passagem por essas avenidas e pequenos becos. Nao me sinto insegura, insegura nao. Um pouco sozinha talvez. Dá uma vontade grande de compartilhar essas coisas tao lindas com alguem.
Sim. Dou um sorriso a cada senhora e cada bebê que encontro pelo caminho.
Tento me lembrar de algumas promessas que fiz a mim mesma, especialmente sobre "busca" e sobre nao ter vergonha de ser eu mesma.

Uma taça de vinho a noite, muita conversa sobre human rights e feminismo, sobre viagens de mochila pelo mundo que eu quero conhecer, e uma noite de sono. Dia seguinte, passeio sozinha pelas ruas da cidade velha, visita ao museu de Dalí e na Catedral.

e sinto saudades...

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Dia 1

O lugar cheira à música. Tem lojas de instrumentos musicais em cada quarteirao, com violinos e saxofones por todos os lados em suas paredes.

Tem sabor de inverno. Pessoas vestindo cores escuras em casacos até os joelhos e botas.

As árvores, o tempo, o céu cinza às cinco da tarde, as folhas secas nas avenidas limpas e largas, as línguas, as pessoas, a siesta, a arte das praças, o uniforme das crianças, o intercâmbio de culturas, as laranjas do supermercado - tudo isso faz sentir cheiro e sabor de poesia.

Porque desse jeito, embalada ao diferente e novo, fica mais fácil driblar a solidao.

---

Com minha rede de caçar borboletas, continuo em busca de almas boas e poesia em olhos.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

estoy

Feliz. Assustada. Encantanda. Atrasada. Com frio. Animada. Perdida. De olhos bem abertos. Com o coraçao agitado. Com saudades ja.

domingo, 17 de dezembro de 2006

viagem

tô quase quase no ponto de ir. e não tem sono ou cansaço que fecham esses olhinhos.
não durmo de ansiedade, tá certo, mas no fundo é bom à beça saber que não sei nada nada do que está por vir.
eu sou do tipo que confere três vezes os documentos e a mala, e ainda por cima morre de medo de esquecer alguma coisa.
sou daquelas que vai dormir e vê na televisão da cabeça as coisas que ainda têm que fazer.
ah! sim... sou do tipo que diz uma piadinha ou evita ao máximo qualquer coisa que pareça despedida. sabe? dou um beijo na vó bem rapidinho quando ela começa a chorar e falo: "mas D. Ilma, eu volto com uma nova língua". E numa risadinha saio andando rápido que é pro meu chorar sozinha. É. Eu choro. Feliz até falar que chega, com a certeza de que não tinha hora melhor pra fazer isso, mas choro. Porque sei que vou sentir falta. Que vou ter no coração saudade. Que vou querer abraço apertado no inverno de lá.
e tem frio na barriga e fotos na mochila.
tem pernas ansiosas e papel e caneta à mão.
e tem o "vai".


sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

com alma.

ela foi tateando o chão com as pontinhas dos dedos dos pés, até chegar bem na beirada. e lá do alto, e como era alto, abriu os braços e lançou um sorriso desses largos e novatos - como se fosse a primeira vez que sorria.
fechou os olhos mas não era por medo de altura.
respirou fundo como se tivesse deixando entrar todo o ar que precisaria para os próximos dias.
e ali: olhos fechados, braços abertos, pulmão cheio e sorriso, recebia do mundo e dava ao mundo o que agora tinha de volta só sua: alma.

parecia que tinha desatado um nó, desses que é preciso descobrir as duas pontas, pegar em cada uma delas, e devagarinho puxar para que se desfaça. e fez. que é para não ter nó ou âncora que a puxe pra trás.

com calma, sem medo, ou pouco medo, de um jeito que dê conta e que seja
ao seu modo.

porque agora havia respeito às músicas que gosta de ouvir, às coisas e casos que gosta de contar, ao que gosta de usar nos pés, nas orelhas e até nos olhos. havia, digo, há, essa vontade e ímpeto de seguir adiante como quem se conhece, se percebe bem e se ama. num respeito próprio e num perdão, deixando pra trás o que era culpa ou insegurança, ela lança. do alto de lá de cima, ela lança.

e de mais a mais, com o sorriso novato e a vontade que nasceu junto com ela, salta.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

it's only rock 'n roll.

yes. we sure like it.


- Prazer, eu sou músico.
- Ei! Eu sou poesia.

---

Não: não digas nada!
Fernando Pessoa


Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já
É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.
És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

a resposta.

carta-poesia

autora: minha mãe.
veículo: cartinha em folha de caderno, dobrada quatro vezes.
local: dentro do meu armário.
data: quarta-feira, novembro 08, 2006
mensagem:


Dri,

Cris sugeriu que eu escrevesse em seu blog, comentando o emocionante texto que você escreveu. Mas como lhe disse, não tenho o seu dom sagrado. Sinto-me realizada através de você. Só quero lhe dizer que cada pontinho dado nas bandeirinhas da sua mochila mostra meu amor por você.
Estou triste e chorosa pela sua partida. Mas é o seu sonho. E você sempre consegue realizá-lo pois persegue-o tenazmente.
A saudade será enorme. Estarei sempre torcendo, orando por você.

Minha bênção e meu amor.
Márcia

ps: Como disse o nosso poetinha querido, repetindo mais uma vez:
"O meu amor é uma velha canção em teus ouvidos."



http://adriosol.blogspot.com/2006/11/futuro.html#links

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

camino. caminho.

Cantares
Antonio Machado

Todo pasa y todo queda
pero lo nuestro es pasar
pasar haciendo caminos,
caminos sobre la mar.

Nunca perseguí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles
como pompas de jabón.

Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse...

Nunca perseguí la gloria.

Caminante son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino
sino estelas en la mar...

Hace algún tiempo en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos
se oyó la voz de un poeta gritar
“Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar...”

Murió el poeta lejos del hogar.
le cubre el polvo de un país
vecino.
Al alejarse, le vieron llorar.
“Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar...”

Golpe a golpe, verso a verso...
Cuando el jilguero no puede cantar
Cuando el poeta es un peregrino,
Cuando de nada nos sirve rezar.
“Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar...”

domingo, 10 de dezembro de 2006

porta trancada.

Ele não me deixou entrar na sua vida, ou no seu coração, porque tinha medo que, ao meu modo, eu pintasse as paredes de laranja, abrisse logo cedo a janela para deixar o sol entrar, e acendesse um incenso pra nos proteger. No fundo ele simplesmente tinha medo que eu entrasse ali pra ficar, com minhas malas de sentimentos, medos e sonhos. E que eu levasse, ainda por cima, num pacote lacrado e com um adesivo dizendo "frágil", o meu coração.

Vilarejo

"Tem um vilarejo ali..."

De repente, e às vezes, uma música invade a alma sacudindo ou colocando o dedo numa paz ali dentro. E faz lembrar que existe vida e que o corpo não está totalmente curado de sentir falta, de chorar de saudade ou de lembrar com lágrima.
Vem. Vem e sacode o que parece, ou é, paz. E faz da gente vontade de gritar um pouco daquele sentimento.
É que de um vilarejo o nosso coração vira, vez ou outra, metrópole de solidão.



Ouvindo Vilarejo, Marisa Monte.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

sê feliz.

e como é bom sentir, hoje, você pegar nas minhas mãos e dizer "ainda bem", e ver nos seus olhos que esses últimos 12 meses nos fizeram crescer 5 anos. E que nossos cinco anos de meninos apaixonados, desesperados e ansiosos, não se apagaram. Mas viraram uma memória boa que vamos levando pra nossa vida corrida e diferente, com brilho nos olhos. Porque se há brilho nos meus olhos aqui, é porque houve/há um perdão que você não precisou dizer. Um perdão que eu senti quando a primeira lágrima escorreu dos meus olhos, acompanhada da primeira lágrima sua. Porque agora eu sinto que posso ir e ser o que eu quiser. Há respeito e um amor pra toda a vida de quem eu primeiro amei. Você sabe, não é?! Sabe que não é fácil, que não seria fácil, ouvir e viver qualquer coisa sem saber bem lá no fundo que você está bem.
Na minha caixinha de segredos levo a conversa de hoje.
Nas cores que posso vou pintando meu futuro.



2006 me encheu de presente. hoje estou repleta de agora.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

faz de conta.

Num mundo faz de conta, e não conta pra ninguém, ela fingia que o mundo era dela. O cavalo, a estrada, os brincos de princesa, aquele tapete comprido, as flores nas janelas. Ela fingia que tinha esse mundo, e não comente por aí, fingia pra si mesma a ponto de acreditar.
A pobrezinha andava pelas ruas como quem pisa em nuvens. Vestia um vestido velho como se fosse de baile. Sorria sem batom ou perfume se sentindo a dama da noite. Era tão bobinha que mal podia acreditar que não reparavam na lua que ela mesma pintara no céu. Ô povo besta, ela pensava, se achando mais atenta e menos apressada que os outros. Andava. Não corria. A vida era linda e o tempo merecia ser vivido a passos sentidos no chão. E nesse faz de conta todo achou um amor, uma casinha com jardim, uma cama com aquele negócio em cima que ela achava linda quando brincava de boneca ou passava os olhos nas revistas da irmã, e até mesmo um cachorrinho pra abraçar quando fosse dormir. Num mundo faz de conta tão seu, não tinha muito tempo pra medo ou saudade. Era de fato, mas na imaginação, feliz.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

embaralhada

não sei jogar cartas, não.
não me convite pro truco ou pro pôker.

não sei jogar quase nada. quase nada.
sou muito atrapalhada. muito ansiosa. muito agitada.

labirinto? sento no chão até vir a intuição e me dizer onde devo ir.
amarelinha? faço o nome do pai antes de jogar a pedrinha perto do céu.
war? ai! não me pede pra destruir nenhum exército.....
jogo da memória? vou no chute.
queimada? lanço a bola com toda minha força, mas se ela está com o adversário, tampo a cara com medo.
forca? fala A! fala A!
bique pega? conto com os dois olhos fechados. Juro! se abri um olho é porque tava ardendo... nem era pra espionar...
macaco disse? fico atenta ou acabo fazendo sem o macaco mandar.
salada de fruta? salada de fruta!!!
jogo da verdade? consequência.
adedanha? b- Beatriz, BMW, bonina, banana, Bete Lago, Buenos Aires
dama? ele tá querendo me comer! ele tá querendo me comer... ai, gente! comer as minhas damas.
resta um? ai, tadinho, e vai ficar ali sozinho por que?


ok. agora chega de jogar isso.
boa noite.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

de lá pra cá e vice e versa.

da boca pra fora.
de dentro do coração.

do pensamento mais secreto.
do grito aos quatro ventos.

da vida nova.
dos velhos sonhos.

da casa amarela de esquina.
da rua marina.

do dia que tá começando.
do ano que acaba sem dor.

do amante que não pode.
do amado que não quer.

do post pra mãe.
da carta pra filha.

da siesta.
da noite em claros.

do verso.
da história.

da minha vida inteira.
do meu agora.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

domingo, 3 de dezembro de 2006

pra comemorar.

"me liga qualquer dia pra gente comemorar"


Aqui? Em alta velocidade. Mas aos preocupadinhos de plantão, já aviso que é metáfora. Na estrada que me separa da capital do que tenho vivido, vou com cuidado e boa música.
Quando amanhece, eu volto. Dizem que tem um certo tipo de amor que nem dá muito certo na luz da manhã. E eu preferi viver esses dias de espera de forma apaixonada. Por tudo.

Almoço com os pais, macaco disse com a meninada, reggae com amigos, até sampa e odara (vê bem!) em bar de banda de dois.

Aqui? Em alta freqüência (e se usa trema ainda afinal?). Mas não há com o que se espantar. Está tudo bem. Existem as três partes de mim, como de todo mundo: razão, emoção e instinto. Eu analiso, sinto e vivo cada uma, cada hora em sua vez. Se é que se tem vez certa pra cada coisa. Se é que não era preciso dosar cada uma.

A duas semanas de lá. A 100 km/h aqui. Suco de laranja, afilhado dançando salsa, narração no ouvido do que eu vivo, bom filme na TV e noite que acaba em dia.

Aqui? Só bons e muitos motivos pra comemorar.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

vida de detalhes.





somos as nossas escolhas.


filme: The Bridges of Madison County

Sobre sentimentos que precisam de presença.
Sobre sentimentos que precisam de distância.
Sobre se viver um amor de verdade em quatro dias.
Sobre se viver um amor de verdade uma vida inteira.
Sobre fazer uma escolha.
Sobre viver a escolha.
Sobre lembrar.
Sobre aceitar.
Sobre fotografia.
Sobre livro.
Sobre cuidar de casa, dos filhos, do marido.
Sobre viajar e conhecer o mundo.
Sobre julgamento.
Sobre não se importar.
Sobre se prender.
Sobre não se prender.
Sobre se entregar.
Sobre fingir não ter medo.
Sobre sonho.
Sobre rotina.
Sobre minha mãe.
Sobre mim.
Sobre a escolha dela.
Sobre a minha escolha.