quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Pulsões.

impermeável às palavras - ele.
susceptível a linhas, entrelinhas e hipertextos - eu.

tem tanto ele agora. sempre teve. teve a ponto de me cegar. teve a ponto de me fazer deixar passar o que tinha de bonito pra acontecer entre eu e um novo ele. um novo ele que tem poesia nos olhos quando me vê. que tem noite às claras quando eu ligo pra chorar. que tem sorvete pra me dar, e linha e agulha pra costurar o meu boneco. tinha um novo ele me oferecendo o que sempre quis. e eu, cega, não soube aceitar e retribuir. eu cega tal qual o velho ele. o velho ele que me viu, mas não como poesia; que me teve, mas sem querer muito; e que disse adeus sem sentir nada. um velho ele. um novo ele. e eu continuo a mesma. também me cansa esse meu egoísmo. essa minha teia em que sou aranha sozinha no centro. essa minha idéia de achar que o mundo é bão sebastião. tem o velho ele. o novo ele. e eu na minha estrada agora. com esperança de recuperar o amor-próprio que, embora egoísta, vai de mal a pior.
tem tanto ele como sempre teve. na verdade, agora tem os dois eles. o ele que eu quero tanto esquecer, e o ele que eu quero tanto gostar. sabe?
eu paro no meio, pra variar, respiro fundo contando até dez e penso no deus elefante, na vida por vir, na arte por entrar, no sonho que vai nascer de novo, no que vou realizar... porque a vida hoje tá uma correria danada pro amanhã.
é que hoje tem ele e ele. ontem teve ele e ele. mas amanhã, de repente, tem eu.


brincando de wikipédia.

destinada.

às vezes a saudade bate como se fosse um tapa na minha cara.
eu sem poder fazer muito, viro o rosto e espero outra saudade.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

"só eu sei (...) por que passei"



Na esquina do presente, uma menina sentada no ponto de ônibus, vivendo a poesia de se saber criança.
Na esquina do ontem, uma senhora na varanda da Rio Branco, acenando para os que passam em busca de poesia.
Na esquina do que vem, o par de olhos que vão me ver e querer fazer de mim, ou fazer comigo, amor e poesia.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

touched.

porque às vezes eu não sinto nada. às vezes eu sinto demais.

domingo, 26 de novembro de 2006

camisa dez

hoje me veio a vontade de trocar o time inteiro por um jogador só.

sábado, 25 de novembro de 2006

"e aqueles olhos onde estão?"

a minha sorte.

além de lembranças,
tenho fotos, vídeo, CD e até a voz no fundo de uma música que eu gosto de ouvir.

"veja
um dia vai ser bem melhor
eu vou dizer que é carnaval
só pra você dançar pra mim"
o meu azar.
não tenho os olhos, o colo, ou o beijo que me tira o fôlego
e nenhum bichinho pra dormir abraçada.
"eu fiz tudo demais
coisas que nunca fui capaz"

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

sonhos de uma noite só.

Quarto de bonecas

Ele chegou, pediu licença pro meu pai e decorou a sala inteira. Colocou uma luminária que fazia rodar estrelinhas no teto. Comprou uma árvore de natal enorme, uma maquininha de fazer bolhas de sabão pra colocar no canto da sala. Enfeitou tudo. Colocou fotos, escreveu bilhetinhos em cada canto. Encheu de presentes. Me comprou uma máquina digital cor de rosa. É! Cor de rosa! E jogou pedacinhos de papel picado por todo canto.Tinha música de fundo. Tudo muito lindo, muito dedicado, minuciosamente cuidado para me agradar. Ele me fez entrar ali com os olhos vendados. Disse que havia preparado uma surpresinha. E quando abri os olhos, vi que ele transformou a sala de estar da minha casa num quarto de bonecas (e é assim que ele me chamava). Fez tudo com um carinho que não se vê igual. Embrulhou bonecas. Comprou minhas balas preferidas. Fez tudo ficar mágico.
Eu sorri. Agradeci. Dei-lhe um beijo.

Mas não me senti apaixonada.
Eu não senti nada.



Briga de rua

Saímos do bar. Andamos em direção à estrada. Mas meu amigo viu uma briga-por-acontecer. Num ato de coração bom, foi até lá conversar, impedir que os dois caras começassem uma confusão. Conversou com a mão no ombro de um deles. Achando que estava tudo bem, se virou e caminhou até nós.
Continuamos andando quando meu amigo voltou. Olhei pra trás. Vi um dos caras da quase briga se aproximar com uma garrafa de cerveja vazia na mão. Parecia furioso. Ele chegou bem perto do meu amigo, que não estava olhando, e pegou a garrafa para bater em sua cabeça. Na mesma hora coloquei minha mão na frente. E o cara quebrou a garrafa na minha mão. Todos se assustaram. Havia sangue. O cara ficou ainda mais puto por eu não ter deixado que ele acertasse a cabeça do meu amigo. Pegou minha mão, e com a garrafa quebrada começou a cortá-la. Jorrava sangue. Muito sangue. Minha irmã chorava. Todos gritavam. Ele cortava a minha mão furiosamente com os cacos da garrafa.

Mas eu não senti dor.
Eu não senti nada.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Procura-se?


Ela foi vista ontem a noite, na praça da liberdade, com um boneco e um sorvete, um amigo e uma máquina de retrato.





terça-feira, 21 de novembro de 2006

ARQUITENTANDO...

Pinto de cá um quadro em P&B, na espera pelos traços de Gaudí, o tempo corrente de Dalí e as cores de Miró.

ou a vida não teria arte.
ou meu mundo não teria tinta.
ou meu medo não teria remédio.
ou minha casa não teria teto.
ou minha espera não teria fim.
Procuro remediar frustração com doses cavalares de paciência. Acontece que eu sou impulso.

a outra

não demora a sangrar.
sangra de amor e paixão. e eu nem sem diferenciar, mais.
sangra porque tem que ser.
sambo porque sou assim.
amor me dói.
mas dele sou senhora.
pois vou embora.
não me demoro.
cansei.
a gente ria tanto.
chega de desencontro.
última.
paz, eu quero paz.


releitura de "a outra", los hermanos.

domingo, 19 de novembro de 2006

boa noite.

A menininha sobe a escada da 'cama que fica no alto'. Abraça o ursinho cor de rosa e coloca uma meia colorida nos pés. Pede um copo de leite e molha a bolacha dentro dele. E come. Escuta uma musiquinha do tipo Adriana Partimpim ou lê historinha do sítio do pica pau amarelo.
Quando a mãe chega, perguntando se já escovou os dentes, quer dar uma de joão sem braço e finge que está dormindo. A mãe faz cócegas no pé. Ela dispara uma gargalhada gostosa do tipo "pára mas não pára" e pula pra cuidar de se cuidar. Volta pra cama, dentes escovados, e fala um boa noite baixinho pra mãe.



A mulher entra no quarto, coloca a camisola preta e pega o creme para as pernas. Liga o som, escuta Chico Buarque cantar beatriz. Espalha o creme no corpo e pensa na boca daquele moço que acabou de ver ir embora. Abaixa o volume e pega dostoievski para ler.
Lembra do beijo. Das mãos na coxa. Lembra de ter pedido pra ele parar - enquanto os dois sabiam que não era a intenção. Dispara uma risada boa com o pensamento. E concentra de novo no livro, cuidando de se cuidar. Coloca o livro de lado, encosta levemente a mão na boca e em pensamento manda um boa noite para o homem.

falta.

"cuidadosa ao permitir que cada sorriso se aloje"


sábado, 18 de novembro de 2006

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Lenda de Xerazade

Os contos que conto para entreter você, são os contos de uma das faces de mim. Cada qual tem uma história. A que sou sereia, eu canto. A que tenho um all star azul não canto, mas você me canta. Eu conto um conto e uso um colar, porque se quero eu sou índia. Já tive hotel a beira-mar, já contei conto de quando era princesa. E até canto música pra você dormir. Invento um conto novo a cada instante. Me sento no canto e conto. Que é pra você me deixar ver o amanhecer.
Te canto e conto. Espero um amanhã que tenho e ganho, se você deixar. Se você me ouvir e gostar.
Quer saber mais? Conto! Amanhã de manhã termino o conto...

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Codinome beija-flor

"eu adoro coisas simples, mas às vezes é pouco."

Assisti o filme todinho abraçando o travesseiro vermelho e chorando. Desde o início.
Com o coração apertadinho, doído que só vendo.
Há bastante tempo que o toque do meu celular é "o nosso amor a gente inventa". Bastante mesmo, porque eu até mudo muito de número, mas o aparelho é sempre o mesmo: baratinho, fácil de usar, à prova de quedas. Mas o toque eu sempre mantenho. Já escrevi pelo menos uns três textos sobre essa música. E ficou como a minha teoria sobre o amor, querendo ou não.
A noite passada deixei de ir A Obra, pra ver o filme pela terceira vez. E me senti tiete, meu deus, e eu que achei que só faria uma coisa dessas pelo Vinícius.
Pois é. Assisti e fiquei ali, apaixonada e doida, chorosa e com vontade de ser livre. Um cara desses, assim, não pode mesmo cruzar o meu caminho. Ou já cruzou. ... E por isso ruínas.
Enfim, tô numa dor de amor e numa onda boa de "alma lavada". Hoje busco "champagne e gentileza", sento e espero o show começar e a volta de um certo beija-flor. Será?

"Tem o certo, tem o errado, e tem todo o resto."

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

carro sujo.

Me lave?
Não...



menu de feriado

Café da manhã?
pão francês, queijo minas e suco de goiaba.
Música?
Tom Jobim
Almoço?
que só a mãe sabe fazer
Siesta?
na rede, debaixo de uma árvore.
Filme?
Almodóvar - 'tudo sobre minha mãe'
Bebida?
chá mate
Roupa?
calça velha, blusa de frio e meias quentinhas
Companhia?
família
A noite?
que seja uma criança...

terça-feira, 14 de novembro de 2006

gerundiando

Rezando.
Pra Virgem de Guadalupe / pra Nosso Senhor dos pedidos difíceis pra caramba / pra Iemanjá como já é de costume / pro Sol.

Colorindo.
O céu de azul claro / as paredes de laranja / o dia de cinza que é pra ficar "bonito pra chover".

Tomando.
Banho de chuva / pé na bunda / conta de bebê /suco de uva pra acompanhar o almoço / vergonha na cara.

Subindo.
Degrau por degrau / na vida / os morros de Nova Lima a pé.

Escrevendo.
vocabulário novo no quadro / carta que não vou mandar / email pra amigo de longe / post novo pro blog.

Ouvindo.
a filha do jobim / minha mãe cantar na sala / o telefone tocar / o canto de cigarra.

Vendo.
as flores novas da violeta / a foto que meu pai tirou / a carta que recebi e chorei / o futuro.

Querendo.
o mesmo que sempre quis / a viagem que está por vir / chocolate quente e cobertor de orelha / abraço grátis / sorrir à beça / me sentir amada.

Parando.
de falar palavrão / de tomar refrigerante / de agir de impulso e emoção / de olhar para o relógio.

Tentando.
o tempo todo, alguma coisa nova.

domingo, 12 de novembro de 2006

hoje?

"treinada em se alegrar sem freio"

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

'dialética'

embreagada de poucas cervejas e muitas palavras.
em literatura de buteco e com mais poesia que loja de livros.
com vontade de cantar para o mundo a tristeza que eu tenho e não temo.
porque eu sinto. e eu sou triste. mas eu levo meu barco para onde quero e posso.
um pé na tristeza e um outro que certamente não está no chão.
coração ao vento - o tempo todo.
vou pra onde sou chamada e para onde existe paixão.
eu sou filha da vontade.
rebenta de um "here, there and everywhere".
num fogo que arde se houver lenha. ou apaga.
sou movida pelo embalo de uma noite, um sol escaldante da manhã ou o batuque de um tambor ou percussão qualquer.
porque eu gosto do que é vivo.
- tal qual eletrocardiograma de uma montanha russa.
de tanto amar eu sofro. de tanto sofrer bem sei quando estou feliz.
e dentro de um parênteses - tá tudo azul!
num sorriso, de repente, me correm lágrimas.
num gozo sou capaz de amar e sofrer.
eu sou as duas faces de uma moeda só.
cara e coroa.
eu quero a torta de nozes e o doce de arroz.
eu sou a contradição do que disse logo acima.
fico assim por pouca coisa.
e transformo em muito.
quero o que eu não sei. mas sei muito bem o que eu quero agora.
exijo quando não tenho direito.
imploro quando me é negado.
sou mimada.
sou insistente.
sou perseverante.
dor. saudade. hoje estou feliz.
porque de tanto ser assim, eu me conheço bem.
um dia choro, me quebro e desfaço.
no outro, acordo sorriso e vontade de abraçar o mundo.

ok.
um até breve, só por enquanto.
eu vou.

você fica?

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

futuro

A pouco mais de um mês do que está por vir (ou estou por ir), o coração vai se enchendo de vontade de sair soprando beijinhos, de sentir de pertinho o cheiro de quem a gente quer bem e quer perto, de dar cambalhotas nas ruas que são cenários da nossa vida inteira e costurar na mochila as lembranças e sonhos que a gente carrega por aqui.

Há tanto tempo que não sento no colo dela e digo, ou grito, ou falo baixinho no ouvido, o quanto a amo. E até mesmo me pergunto, envergonhada, se já fiz isso alguma vez...



E de repente essa foto, que veio junto com a ninfa da poesia e as bandeirinhas de países que ela me entregou dizendo "porque você é viajante", e uma vontade grande de provar, dizer, deixar bem claro, que ela é amada demais.

A vontade de ter sempre os pés na estrada e a cabeça nas nuvens, não contradizem o fato de que meu coração tem endereço fixo: minha mãe.

Foto tirada por um pai que, por amar demais, abre a janela e deixa essa andorinha voar. Um pai com lentes de fotografar esse sorriso maravilhoso que ele mesmo causa na mãe. Um pai que, se o sobrenome não fosse Barbosa, certamente seria Amor.

A família vem comigo nos sonhos, na vontade de contar as coisas lindas que vejo e as besteiras que faço; no coração que aperta em saudade; na cabeça que pensa e repensa as atitudes erradas; nas palavras que deixei de dizer ou abraços que não dei; também vem comigo nas lembranças de coisas boas, e na certeza de que num futuro, e que este chegue em breve!, eu volto para o nosso lar.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

NOME

Adriana significa morena. Hoje estou. Hoje voltei a ser.

Mas já fui Dri, Bililica, Biscoito, Adrianinha, Drica, Didi, Anadri, Adri, Minhoca, Ruiva, Drizinha, Dri Dri, Pequena, Cara de Caqui, Teacher, Rapa do tacho, Srta. Rodrigues, neta de Ilma e por aí vai...

Das várias faces de mim, hoje sou Morena. De cabelo e de sol. Morena de nome. Morena de vontade de sambar. De marca de biquini. De parte de mãe na família.

Mas pra me chamar, basta sorriso ou boa música. O nome tanto faz...

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

a arte do esquecimento.

E eis que me foi apresentado, ali mesmo, em areia branca e com água de coco, a arte do esquecimento.

"Todo sofrimento passa, não é? Então eu deixo vir para o presente o que acontecerá no futuro: o esquecimento. Mando toda a dor para a parte do cérebro que fará com que seja esquecida. E pronto. Não sofro."

Olhos vidrados em algo que, assim, parece fazer um sentido danado. Então eu paro e pergunto: mas quando é que a felicidade vem mais intensa?

Acho que, mesmo em roda gigante, ainda opto por viver de extremos.

a vida tá assim

Surreal pra descrever o que nem dá para ser descrito.
Feliz à beça.
Praia, amigas de verdade, um telefonema de bom dia que fez o sol aparecer, cerveja gelada, areia das mais brancas e macias, abraços, uvas e música.

Tá tudo tão bem que nem o pescoço reclama da noite mal dormida. E chegar em casa e vê-los de volta, os meus pais, com um sorriso no rosto e palavras novas no dicionários de viagens, é outra coisa que faz a vida assim.

Uma fadinha da poesia de presente, ainda por cima.

A vida tá assim porque eu escolhi. E tive/tenho a sorte de ter ao meu lado gente de alma boa e alegria contagiante. Tá assim por sorte. Por vontade. Por escolha. Por destino. Sei lá. Mas tá e eu quero saber curtir.

Hoje a vida tá assim.

Se me falta algo? Ah. Falta. Um outro telefonema que é pra ver se eu dou mais pulinhos... (ai, ai... eu não tenho mesmo jeito!)

Poesia? Tem. Guardada em guardanapo, dentro da mochila.
Saudade? Tem. Bastante bem muita! Vê se dá um jeito de me ajudar a matar, hein?!
Amigas? Tenho. Lindas até falar que chega!
Almoço? Tem! E mãe tá chamando.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

sobre a noite vermelha.

Os pêlos do braço sentem.
O som que toca me toca.
A poesia que escuto entra:
pelos poros da pele, pelo sorriso que abro, pelos olhos que permito que vejam.
A vida faz um sentido só:
poesia.
E a vontade é de gritar: eu quero viver disso SIM!

...


Eu quero um guardanapo
um verso
uma janela para olhar a lua.
Mas ela entrou nada sala:
bem-vinda, Ana!

...

A melhor noite das nossas vidas. Até que chegue a próxima.