terça-feira, 31 de outubro de 2006

Agora sou eu. A minha pá, o saco de cimento e a lata de tinta.
Os sonhos para serem refeitos. A casa para ser pintada.
De ser intensa assim, as dores são como as paixões. Fortes.
E a vida inteira pode ser uma história de três dias.
O pra sempre pode até chegar ao fim antes mesmo de começar. Que pena.
No embalo do meu sonho eu fui.
Escrevi poesia em papel colorido, com lápis colorido.
Passei batom olhando no retrovisor do carro.
Tive minhas pernas ansiosas antes do momento de encontro.
Telefonei para a amiga pedindo ajuda - eu não sabia o que dizer.
Acho que, de tão boba, treinei sorrisos.
E mesmo com a ajuda e o treino, não soube o que fazer.
Calada, com o coração a mil por hora, ouvi.
Hoje sinto falta do que achei que estava por vir. Dos sonhos que criei pra mim (pra gente).
Mas há sorriso. Aprendi a não deixá-lo morrer. Porque depende de mim fazer a vida não perder as cores.
Só queria que o azul estivesse mais perto...



"No dia em ocê foi embora, eu fiquei
sentindo saudades do que não foi
lembrando até do que não vivi
pensando em nós dois"

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

dia 31

Amanhã o dia é bem especial:

- Dia das bruxas. Eu sou bruxa (e todas as mulheres são).
- Nasce uma estrelinha nova: a Lara.
- Volta pras terras alterosas a amiga guria (ou bahiana?).
- Nasce também o filho primogênito da poeta Ana Lua.
E aí vai o convite:
poesia.
Terça-feira (dia 31 de outubro) das 19h às 0h, no Café da Travessa - Getúlio Vargas, 1045.


O convite tá feito! :) E vale muito à pena...

magical.


Um belo dia, o encontro.
Razão senta virado pra frente. Emoção fica do lado, pernas cruzadas, olhando pra Razão.
Razão pede pra Emoção pensar bem, colocar tudo numa balança, imaginar o futuro. Emoção responde:
- Posso pegar na sua mão?
Razão dá um sorriso. E entrega a mão.
Razão fala da importância de se pensar com calma. Emoção pede um beijo.
Razão pergunta se vai ficar tudo bem. Emoção concorda que vai haver dor.
- Ai. Esse tal de futuro...
Razão e Emoção sabem bem de uma coisa: combinam tanto!
Razão olha para o relógio e diz que tem que ir embora.
Emoção diz "ok". Chega em casa e coloca para tocar a música. Aquela! A primeira música que tocou quando eles se encontraram.
A letra da música conversa com Emoção:

"But then they sent me away
To teach me how to be sensible
Logical, oh responsible, practical"

Emoção fica à flor da pele. Mal se passaram 25 minutos e ela já sente uma falta danada de Razão. Manda mensagem. Pega um livro pra ler, um trabalho pra terminar e reza:
- Anjinho do céu, acompanha Razão pra onde for. E traz ele de volta depois!

Razão pega a mala, o avião, e vai.

Emoção cai no sono. E no sonho. Só pra variar...

domingo, 29 de outubro de 2006

Re:

eu sou tudo ou nada.
meus anseios (que ingenuamente chamo de sonhos) tomam conta de mim como se fossem me sufocar. e eu, com a força que finjo ter, dou braçadas largas para alcançá-los, dando o máximo de mim - que muitas vezes, no entanto, é pouco.
sobre plantar sorrisos - meu deus. eu quero tão pouco mais do que isso. entende? quero abraços longos e uma amizade calma. mas daí que tá. vem logo aquele outro sonho (anseio, ok) de viver um conto de fadas. e eu me pinto gata borralheira, imagino castelos, cavalos, príncipe encatado e flores pra entregar. daí vem que o sonho (sim, anseio) não deixa de ser sonho (anseio).
ai.
"mas na minha cabeça, hoje, não há mais espaço para.........."
hoje, não é? amanhã, bem já aprendi, a roda da vida gira e a gente pode estar beirando o oceano pacífico. sei lá. ou catando amoras em jardim de sítio, esperando o vôo das andorinhas que ficam no fio de luz.
a minha vida pessoal eu deixo todo mundo ver. nasci sem armadura que esconda a minha verdade ou meus segredos. prefiro não mentir ou meu nariz fica parecendo galho de árvore. prefiro não jogar porque nisso não levo jeito e talvez nem tenha sorte. vou levando desse meu jeito "doido". curtindo como posso. e intensamente, como pedi a Iemanjá.
conflitos eu não alimento. nem de política! veja bem...
meus olhos estão sempre abertos. mas meu coração é quem escolhe o caminho / os caminhos.
a minha alma, hoje, só quer paz.

sábado, 28 de outubro de 2006

novo

assistindo a janela do quarto, como se fosse televisão, sinto no peito uma rajada de vento. fecho meus olhos e embarco. vou.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

fazer dar certo.

Um grande, grande erro do universo.
Ou são nossos olhos poucos que não sabem ver.
Ou é nosso sonho bobo que não permite acontecer.
Um grande, grande erro do universo.
E não há o que pensar.
Nenhuma razão eu aconselho aqui.
Não é preciso livro de auto-ajuda. Nem ler sobre amores nocivos.
É um erro. Ou do universo ou nosso -
que esculpimos santos ou pintamos deusas.
Não.
Auto-retrato me diz: um erro.
E já na batalha, eu sei, eu perco.
Num tabuleiro eu não quero ser rainha.
Mas xeque-mate.
Cartas na mesa: eu dou bandeira.

muito.

muito
demais da conta
extremamente
pra daná
super
mais do que você imagina
mega
à beça
completamente
até falar que chega
hiper
pra caramba
totalmente
pra chuchu
bem
pra dar e vender
exageradamente
com força
demasiadamente
até a borda

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

crença. crê?

É. Meus heróis morreram de overdose. Ou de ataque do coração em banheira. Ou atingidos por uma bala.
Meus santos caíram do pedestal. Ou fui eu quem os tirou de lá? Parei de esculpir santos.
Agora pinto quadros e tiro fotos. Só. De gente de alma boa, gente de verdade, carne, osso e defeitos. Gente que ama. Ah, sim. De gente que ama. Mas não são santos mais. Santos não vou mais esculpir. Prefiro rezar pro meu deus sol e admirar as histórias dos meus heróis que já morreram.
Pra viver comigo, agora, tem que ter amor à beça. Amor pra dar e vender. Amor à vida, ao seu time de futebol (que seja), à qualquer coisa. Mas tem que ser tocado, tocável. Tem que ser bem gente mesmo, sabe?
Tem que ser poesia.
(ai como eu me tornei brega e repetitiva... )
É. Mas continuo a curtir meus antigos heróis e meus anjos do dia.
Não disse? Acredito em anjos.
Tem anjo de tudo quanto é cor por aí... e anjo tem sexo! Tem anjo menino, né René? Tem anjo menina, né Paty? Anjo irmã, anjo amigo, anjo que gosta de cerveja.
Porque a vida é boa pra daná. Não disse ainda?
É. Sim. É bem boa.
E quando eu acredito nisso, então...
Lentes novas. Sorriso bem largo.
Coração num disparo que lembra escola de samba.
Mas tá boa porque?
Tem biscoito que a Rosa fez, aluninho que me chama de senhorita, novos bichinhos pra fazer com a mão na sombra da parede, amigos de verdade por perto, viagem por vir, coração feliz, telefone que toca, cerveja na geladeira, fantasia de bruxa pra semana que vem, telefonema da mãe que tá curtindo oráculos e mar azul, fotos de um pequeno Pedro, siesta após o almoço, nascimento de uma estrelinha Lara... eita. E olha que lá vem um monte de coisas.
Ufa.

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

have you ever really loved a woman.

Tô deixando aflorar o que tem de brega aqui, e confesso que serei muito brega mesmo. (ai) Mas não posso fingir que não me toca lá dentro a música e o filme.
Não resistiria. Não seria eu mesma se não caísse de joelhos diante de uma paixão assim.
Um cara para quem eu fosse única, e olha, não falo de "pra sempre", porque ainda nem me convenci se realmente acredito em coisas eternas - senão as efêmeras reinventadas.
Mas um cara assim, que me conquiste a cada encontro, que mesmo longe se faça presente da forma como puder, que fale baixinho no meu ouvido, ou que me pegue nas coxas de forma a me fazer entender o que arde dentro dele.
Uma paixão que seja brega mesmo, e daí!? Eu vou estar bêbada de paixão e isso não vai me parecer nada mal.
Um don juan desses que saibam / entendam / compreendam cada desejo de uma mulher -cada desejo meu. Que me faça segura ao seu lado, mas que por vezes me faça sentir que eu o protejo também.
Que me deixe confortável no seu colo, mas que também fique quietinho deitado no meu, ouvindo histórias que eu gosto de contar.
Um cara que me entenda como livre, mas que me faça querer sua companhia em vários momentos do meu dia - da minha vida. E que me queira bem perto também.
Alguém com quem eu queira dançar. Que veja em mim uma princesa, uma bailarina, uma esposa dedicada, uma mãe para seus filhos, uma amante cheia de desejos nos olhos, uma meninha pra ele cuidar, uma mulher.

Alguém por quem eu tenha vontade de ser acordada no meio da noite. Que me faça ficar bem humorada o dia inteiro por causa de umas palavrinhas de carinho no celular.
Quero. Eu quero isso que me deixa um sorriso bobo na cara. Ou pernas trêmulas. Ou a cabeça nas nuvens. Ou tudo isso junto.
Quero esse cara ao meu lado. Bem pertinho...

Com texto

1)
- Ei, nossa... queria te agradecer. Por tudo mesmo. Foi maravilhoso. Obrigada pelo vinho. Pelo sorriso. Por ser tão atencioso assim...

[1 minuto depois]

- Ah! Traz a conta por favor? E claro, pode incluir seus 10%!

2)
- Calma! Calma! Você tem que relaxar. Tensa desse jeito vai doer mais. E ainda é capaz de você ficar toda marcada... Quer que eu pare?

- Não! Não! Pode continuar. Dói pra caramba essa tal massagem de redução mas eu quero perder essa gordurinha aí da barriga.

3)
- Tira a mão daí! Tira! Já mandei tirar! Já te disse várias vezes que é pra esperar o momento certo! Essas coisas têm um momento certo, ora! Pode tirar a mão, seu atrevido!

- Ai, mãe! Mas estão demorando muito pra cantar os parabéns! Deixa eu comer só um brigadeiro!

4)
- Já te disse que tem que olhar o interior, filha. Não importa se é feio por fora. Não é isso que realmente faz valer a pena...

- Ah, mãe! Pode até estar bom o motor, mas eu não quero um carro dessa cor!

terça-feira, 24 de outubro de 2006

stuck in a moment

Uma página por dia.
Mesmo que seja para não dizer nada.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

raio-x


doendo à beça.
são dois dedos de olheiras e um sorriso que eu tô tentando.
e as horas são loooooooooooongas...

poesia me desarma

o que me toca na vida é poesia.
as que me mandam por email... as que leio em livros... as que vejo e descubro no mundo...
as poesias que as pessoas são - às vezes sem nem saber...

um dia me liga uma pessoa poesia. me diz que não quer me ver triste. me faz proposta das mais lindas que já ouvi. e eu resolvo aceitar. desafio meu próprio coração. minha alma, talvez. sei lá. encontro, procuro seus olhos, me abro.
de lá pra cá a vida é assim (e olha que não tem mais de uma semana ainda)
cheia de coisas-poesias em volta.
hoje? uma borboleta azul dentro da sala de aula! meu pequeno felipe e eu ficamos procurando ajudá-la a sair dali e desvendar o jardim novamente.
agora? por email, crônica-poesia sobre a graça do sotaque mineiro. e eu, suspeita prá daná pra falar do assunto, num é !?
e o que vem? almoço de segunda com a Dona Maria. sempre é poesia.
a vida tá me cheirando a poesia. e hoje é dia de chuva. poesia molhada.
tô triste hoje. sabe? já que este canto é meu termômetro, confesso sem nem fazer metáfora. tô com uma dorzinha de vazio no peito. de sensação de ter perdido quem eu gostaria que estivesse do meu lado. sei lá.
dorzinha do tipo, ei sua burra?! cê num viu a poesia linda ali? logo na sua frente, com cerveja na mão e ouvindo "turn your lights down low"?
ah! ô coisa estranha.
eu querendo movimento. fechando ciclos. tomando as rédeas do que eu sou e sinto.
mas hoje chove. dentro e fora de mim.
eu não sei o que fazer.
posso mudar tudo, posso?

domingo, 22 de outubro de 2006

redecorando


quando acabar a reforma das ruínas, quero numa parede bem grande o gatinho do Miró.

sábado, 21 de outubro de 2006

duas neosaldinas e uma garrafa de água.


Calma, mundo.

Agora tem poema que me toca. E toca mesmo. Eu leio. Ele me lê.
E faz tão sentido, às vezes, que eu fico aqui achando - ai que boba - que ele foi feito pra mim.
Um tantão de palavras. Sem rima, geralmente. Um mundo de doces ou tristes palavras. Ora doces e tristes. Ora tristes só. Ou doces apenas. E eu leio. Às vezes até canto - e me desculpe se nem sempre estou a recitar em silêncio. É que de um "espantalho inútil", hoje me sinto casa para pouso de passarinhos. Pois da forma de conhecer, de ver, de respirar e sentir o mundo, tem vindo essa vontade de viver em simultaneidade. Não há mais o que me esconda a poesia. Ela aparece assim, assim, às vezes até quando eu não estou atenta. É que mudar os olhos de ver, de repente, me fez mais sentido do que rabiscar espirais em bloquinho de papel esperando o telefone tocar. Ai. Se não me faltasse coragem, pegava um auto-falante e saía de bicicleta acordando os que dormem até tarde com poesia. Se não me faltasse. Mas estranho, né? Sempre falta coisa. É bem verdade sim que hoje não falta vontade. Não falta poesia por aí, mundo. Tem na esquina da casa amarela, tem nos olhos que me evitam daquele moço alto, tem poesia até no quadro que fica em cima da porta do banheiro. Mas vá lá. A cabeça hoje roda feito carrossel. E no alarme do carro que toca e irrita ainda não consigo ver poesia. Ish! Mas eu vou tentar, prometo.
Ah! Mas nem precisa parar, mundo. Hoje eu não quero descer!

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

dia do poeta

Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Mário Quintana, Clarice Lispector, Zico Paes, Ana Lua, Leminsky, Bukowski, Berardo, Leo N., Tiago da Flor, Superid...

poetas de alma.
poetas de poesia.
poetas que tiram fotos. ou que constroem casas. ou que pintam quadros.
poetas com sorriso de bebê.
poetas que escrevem em guardanapos de papel.
poetas que esperam o dia nascer.
poetas que morrem em banheira com um copo de whisky ao lado.
poetas que soltam risadas.
poetas que rimam versos.
poetas que se permitem vida de poeta.
poetas do dia-a-dia.
poetas da música e melodia.
poetas que sofrem. que sorriem. que medem as emoções. que derramam seus sentimentos.
poetas que se perdem.
poetas que nos ajudam a encontrar.
poetas cheios de vida.
poetas sem palavras.
poetas. poetas. poetas.

"reflexões sobre dias cinzentos"

Numa bela manhã a menininha se olha no espelho - depois de tanto tempo - passa batom e coloca uma fita no cabelo.
Manda beijo pras flores que ficam no alto da janela, desliga o som e sai.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

faça-me dançar. eu danço.

Já hoje o meu objetivo é fazer com que todo mundo acredite que é feliz.
(e tenho um sorriso largo no rosto pra fazer isso).

À primeira vista, às vezes, é exatamente quando você desembaça os olhos e enxerga agora com os olhos de gostar - e também quando se coloca pronto pra abandonar o triste e viver o bom. Com o medo de lado, é claro...

E nada de flores ao delegado ou pérolas aos porcos. Chega!
Agora o grito é de mãos à obra. Afinal, existe uma ruína inteira pra ser reconstruída. Sem promessas de que vou conseguir, é bem verdade. Mas há sim disposição e vontade de tentar.
Basta?

Tinta, argamassa, e o que mais for preciso.
Capacete de segurança?
Juro que não quero pensar e decidir isso agora...

A vida tá chamando e não quero deixar o capuccino esfriar.
Após noite de chuva de estrelas e energia não tenho nada nada pra reclamar...

carta

acho que a carta dessa vez é pra mim... ;)



é porque eu te tenho um carinho fora de noção que eu não consigo parar com as minhas "intervenções". é exatamente por isso, e claro, por essa paixão, vontade, ou seja lá como se chama. é por causa disso tudo, e pode até ser que você ache pouco, que eu penso em te ligar pra dizer que me animei com a história de disparo cósmico. ou pra simplesmente dizer que ganhei um presente - lá de natal - de um aluninho que eu nem sabia que gostava de mim. pra te contar o que eu sinto. ou até quando eu não sinto. e que a anestesia que me trava é ruim. não gosto não. porque gosto de "ser viva". fico querendo te ligar correndo pra dizer que já tenho passagens e um curso me esperando em barcelona. mas que o reveillon vai ser na inglaterra, com um colega de infância. fico querendo distribuir beijinhos. sei lá porque ainda insisto em sonhar com isso. mas o faço. quero te contar que minha vó faz yoga, bordado e aula de pintura. e que hoje me despertei pra isso e achei o máximo. quero te contar que até senti um monte de coisas hoje. que comi uma massa gostosa. que acredito em fadas e acho que a ananda minha aluna é uma. que eu não tenho mesmo esse tal de orgulho.
quero te mostrar um pouco do meu mundo. mais sei lá. não é pra chamar atenção. é só pra ser fiel a mim. ainda bem que isso ainda não perdi.
eu tô sentindo hoje. tô sentindo. tô sentindo força até pra ir embora. motivo? busca. tô sentindo vontade de deixar ver se de repente o mundo que andam me oferecendo é mesmo bom. e que eu posso transformar as ruínas de mim em construção colorida de novo. tá na hora de mudar, né!? na hora de deixar o sentimento acabar - embora seja ele o melhor de mim. mas de repente tentar deixar entrar outro. ou simplesmente tentar não pensar muito nisso. tão me chamando. toca o telefone. toca um sininho dentro de mim. toca alguma coisa num ritmo de tambor. é. eu tô viva. e tem um coração aqui e tudo.

vai ser feliz. vê se gasta tempo se conhecendo melhor e descobrindo que cê num é egoísta.
dói? ah. hj é dia de portal cósmico e só dá pra pensar coisa boa.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

raios ultravioletas... e tal!

coisa boa! coisa boa! coisa boa!
o mundo é lindo!
tem poesia em tudo!
as pessoas são boas, humanas e alegres.
há bondade.
há felicidade.
eu vou achar as minhas lentes de ver tudo feliz.



...

ainda não recebi o email que explica o fenônemo que ocorre hoje. diz minha fadinha que hoje é dia de pensar em coisas boas, porque tudo será potencializado.
eu lá vou fazer outra coisa então?
COISA BOA! COISA BOA! COISA BOA!

quase glacial


É um momento em que o arco-íris está em escala de cinza.
As formas geométricas do mundo, todas, começam com uma linha reta e têm ângulo de 90%. Não há círculos, cilindros...
As músicas têm mesmo acorde.
Doces e salgados estão amargos.
Cinema está sem poesia ou literatura.
Não tem brilho nos olhos aqui. Não tem reflexo no espelho também.
Falta sopro.
Ou coragem.
Os livros não tocam os sentimentos.
Tambor perdeu a força.
Piada não faz rir.
Acho que nem cosquinha.
Não tem sol mas tem sombra.

...

E eu fico me perguntando quando foi que deixei cair as lentes.


segunda-feira, 16 de outubro de 2006

quintal

quero subir num pé de poesia e comer a fruta e cheirar a folha.
quero tocar seus galhos e respirar seu ar.
quero ver se caio num jardim de palavras.
e quero dormir na sombra de um verso.
quero colher sementes e rimas.
e plantar cada uma pra ver outros pés de poesia nascer.
quero terminar o dia em piquenique com a vida.
e esperar o sol nascer pra que eu faça a fotossíntese de mim.
quero derramar meu pranto em chuva.
e deixar que caiam gotas em palavras no chão.
mas que das flores eu sinta vontade de escrever.
e seu cheiro entre em mim como melodia.
quero esperar que o tempo passe sem relógio.
e que a vida aninhe no meu peito como um amor.
quero acender fogueira pra aquecer minha alma.
e acreditar que a tristeza passa quando amanhecer o dia em mim.
quero saltar as pedras com coragem de leão.
e ter nos olhos a mansidão de um gatinho.
quero colher lírios. quero colher sonhos.
eu quero subir num pé de poesia.

anestesia.

me preocupa a cotação da dollar e do euro agora.
comprei tenis pra caminhar. e até uma mochila de 50 L.
estou anotando endereços dos meus amores.
e já faço lista de coisas práticas que não posso esquecer.

mas tirando isso, que são planos que saíram de debaixo da cama,
tá me faltando sensibilidade pra curtir a chuva.
me falta criatividade no trabalho. (tô cada vez mais boring...)
falta sorriso.
falta enxergar poesia e respirar arte.
o que é que há?
onde está aquela vontade?
o que faço além de pintar as unhas pra acreditar que dou conta?
tá faltando sentir.
é... tá faltando sentir...

domingo, 15 de outubro de 2006

Sobre plantar sorrisos e colher sonhos

Quero chegar em casa de madrugada, tirar os sapatos para não fazer barulho, e sentar no chão da cozinha pra comer com colher um pouco do doce de leite que tava na geladeira.
Quero subir numa mangueira, em tarde de céu cinzento, e esperar a chuva chegar.
Quero correr na praia com os chinelos na mão, brincando de pique-pega, e morrendo de vontade que me pegue logo e a gente caia na areia.
Quero tomar sorvete com um monte de crianças, comemorando nosso dia.
Ah! Eu quero também deitar numa rede depois de comer o almoço gostoso que a mãe prepara pra gente com todo carinho.
Quero sair com "as meninas" e inventar palavras e gírias.
Quero cantar desafinado no chuveiro pra comemorar que estou viva - já que bem nem tem como eu cantar mesmo!
Quero pintar as unhas de rosa choque e acreditar que me servem mais do que livro de auto-ajuda.
Quero morrer de amor e me curar. E sobreviver. E ter coração e alma pra sentir de novo.
Quero chuva pra deixar a grama bem verdinha. E sol pra devolver alegria e vontade de sair.
Quero a noite. É. Eu quero a noite.
E quero encontrar aquele moço bonito, meu primeiro amor, e dar aquele abraço forte de quem ainda se gosta muito. Porque não há no mundo coração maior do que o dele.
Quero ter fé. E rezar pra minha amiga e seu pai.
Quero ter coragem. E vestir minha saia nova e sair colorida.
Eu quero um tanto de coisas. Mas é que de querer assim a gente acaba acordando. E o "wake up" serve um monte pra gente voltar a se sentir vivo.

sábado, 14 de outubro de 2006

PACIÊNCIA

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára (a vida não pára não)

Será que é tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para(a vida não pára não...a vida não pára)

(Lenine)

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

de casa pré fabricada às ruínas de mim.

segure as minhas mãos que é para que elas não liguem.
agarre-me os pés que é para que eles não saiam caminhando, à procura.
feche os meus olhos se ele for passar, que é para que eu não o veja.
porque nas ruínas de mim já não mora nada além de um fio de esperança que amarga na boca toda vez que os ouvidos recebem um não.
porque nas ruínas que se fizeram aqui dentro, não há mais nada. não há frio. não há sol ou tempestade. nem sonho. nem vontade.
pois o que restou daquela entrega toda foi o não dele e a insistência de um dia conseguir. mas não há nada a se fazer.
não há o que toque aquele coração. e não há mais o que toque o meu.
pois em ruínas não se mora. não se vive. não há nada latente como havia de ser.
sugiro que permita que as luzes se apaguem por um tempo.
que o tigre em mim se recolha para um grande salto posterior.
pois agora não há sequer uma faísca.
permita, imploro, que as flores murchem e a grama seque.
não há nada que floresce agora. embora seja mesmo primavera.
não há tijolo novo, telha nova, ou cortinas de cor que enfeitem agora o que é ruína.
aceite. aceito eu. e vivo de repensar o que será daqui pra frente.
um dia, e este sim será um belo dia, das ruínas sai um pássaro que voa livre em jardins do mundo.
enquanto isso, perdão. não há nada que se possa fazer.

O que quer que venha

Há quem não dá a mínima para pescoço de coruja.
Há quem não dá a mínima para os sonhos e os desejos dos outros.
Há quem não respeita a dor que a gente sente.
Há quem ingnora a lágrima da nossa saudade.
Há quem nem procura saber o que a gente sente - se é que a gente sente.
Há quem dança e se diverte, numa quarta-feira véspera de feriado, e isso lá é hora?
Há quem se pergunta: são quase meia noite e isso lá é dia?
Há quem pensa: a vida tá começando ou eu tô parada no meio?
Há quem responde: eu te adoro, pronto, falei.
Há quem espera telefonemas.
Há quem manda mensagens sem pensar direito.
Há quem trabalha muito pra juntar dinheiro e gastar numa viagem.
Há quem vive esperando.
Há quem tenta fazer acontecer.
Há quem lê e não entende.
Há quem lê e não sente nada.
Há quem, até mesmo, não lê, porque não se importa.
Há quem se cansa.
Há quem é cara de pau e passa a vida toda tentando.
Há quem bebe cerveja pra tomar coragem.
Há quem sente medo de sapos.
Há quem não sabe mais o que fazer. Ou dizer. E acaba dizendo o que quer que venha.

Ela ama.


E não houve um dia sequer que a menina não olhou pela janela esperando o tal passarinho voltar.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Atenta.


A morte às vezes chega num de repente tão de repente que você tá bem no ponto do ônibus, numa segunda de chuva, de terno e gravata pra ir trabalhar, e pronto. Ela chega em formato de caminhão e te leva.

A vida às vezes chega num de repente tão de repente que você mal esperava e a recebe, já com nome e até pulseira no bracinho, e pronto. Chega com um sorriso delicioso atrás da chupeta, em formato de bebê e te leva.

Em três dias vi morte e vi vida:
escolhi olhar menos para o relógio.

domingo, 8 de outubro de 2006

aspirina

A cabeça dói e é saudade.
O coração se irrita e bate no peito fazendo um batuque de encher o saco.
A cabeça dói e é vontade. E ela tenta amenizar tudo e diz que é cansaço.
O coração se zanga. E sangra, gritando que é paixão.
A cabeça dói e é verdade.
O coração concorda. Se acalma numa calma de lágrima só. E diz pra cabeça que ela seja forte, já que ele é paixão, e pra isso não tem remédio.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

femme saudade

"Abre os teus armários,
eu estou a te esperar
Para ver deitar o sol sobre os teus braços, castos
Cobre a culpa vã,
até amanhã eu vou ficar
E fazer do teu sorriso um abrigo"
(...)

"nessa espera o mundo gira em linhas tortas"




eu abro a janela, guardo o quadro, coloco o tapete vermelho na frente da porta de entrada.
enfeito a casa com flores amarelas e vermelhas.
troco o meu nome. mudo a roupa. tiro os sapatos e coloco sandálias. as novas.
pinto o cabelo. compro passagens. me matriculo em cursos.
fantasio novas paixões.
escrevo poemas em outro tema.
assisto filmes para crianças.
leio poemas que não sejam Leminski.
escrevo cartas que não sejam de amor.
canto o mantra ao acordar.
rezo ao me deitar.
deito para o lado de lá.
abraço o edredom azul.
abro meu maior sorriso.
uso minha voz pra coisas boas.
descanso meus pés com massagem.
trabalho a minha fé nas agulhas do Dr. Cláudio.
acredito.
danço descalça.
visto minha saia colorida.
e faço o que mais for preciso pra distrair meu coração.
mas acontece que estou com saudade.

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

vai lá.

corpo cansado.
mas no rosto tem sorriso.
e na alma tem vontade.
- e dizem que isso já basta.
...
o corpo dele precisa de companhia.
o meu quer.
o meu precisa de água, de sol, de comida, de água, descanso.
o meu quer companhia, alegria, incenso, música e lápis de cor.
- e não conto o que mais.
...
a vida tem a cor que a gente quer:
o chá verde que eu tomo é amarelo.
a laranja que eu descasco é amarela.
a minha maçã é verde.
a cerveja preta é marrom.
e até o cavalo preto de napoleão é branco.
- ou é o cavalo branco de napoleão que é preto?

"You are bonita"

para amanda


não tem sangue que te tire a alma.
não tem roxo que te deixe feia.
- você é bonita.

não tem trabalho que te canse.
não tem obstáculo que te pare.
- você é forte.

não tem "não" que te segure.
não tem regra que te limite.
- você é livre.

não tem distância que nos afaste.
não tem lágrima sua que não escorre em mim também.
- você é amiga.


terça-feira, 3 de outubro de 2006

"se não acreditar, o que me resta?"

É. acredito em bruxa. em sonho. em amizade pra sempre. em paixão à primeira vista. em seres humanos realmente humanos. acredito em mudança. em alma. em energia. em vida após a morte. em duendes no jardim.


Acredito em mundo melhor. em promessas. em reza e bênção da vó. acredito no deus-sol. em vela e incenso. acredito que jogar sabonete no telhado faz a chuva parar. e que oferecer maçã a Iemanjá traz boa sorte pro ano que chega.

Acredito em branco pra paz e rosa choque pra alegria. acredito em tarô, em força do pensamento e São Longuinho pra achar as coisas.

Tenho fé pra caramba. em um monte de coisas. até em fitinha de nosso senhor do bonfim.

Acredito que acreditar é remédio e impulso. e acreditando a gente vai.

"se não acreditar, o que me resta?"

domingo, 1 de outubro de 2006

Carta ao consumidor

Prezado consumidor, amigo, leitor.

Ok. Eu me rendo e confesso. O blog não acabou. É "quase que nem" o Villa Nova: não morreu nem morrerá.

E não sendo assim tão perecível, pode até ser que o uso após o vencimento da data de validade nem faça tão mal assim.
Então, venha. Se arrisque. Leia. Coma. Respire. Use. Comente. Ou pelo menos tente.

Mantenha fora do alcance de crianças, só por precaução. Não me responsabilizo por erros gramaticais ou uso de palavras inadequadas para menores de 18 anos.

Seu dinheiro não será devolvido caso o produto não lhe agrade. Portanto, a melhor forma de mostrar indignação é através de crítica. Esta pode ser feita no próprio blog ou pelo e-mail: anadri_sol@yahoo.com.br.
Mas pegue leve, a fabricante é libriana.

Agradeço desde já a preferência e aguardo seu retorno.
Atenciosamente,
Ana Dri produções e pensamentos.








Pensamento do dia:

"Os aniversários fazem bem para a saúde.
Está cientificamente compravado que aqueles que tiverem muitos,
vivem mais."


Larry Lorenzoni

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Efêmera e urgente.
Efêmera pois urgente.
Efêmera então urgente.

Balança. Dança. Sorri. Roda. Vira pra cá. Pra lá. cambalhota.
Corta. Puxa. Pensa. Resiste. Contrai. Mergulha.
Vai. Samba. Canta. Se joga. Distrai.
Vai. Vem. Vou.
ou
Vou. Vem. Vai.
Distrai. Disfarça. Dança. Não dói.
Mergulha. Capacete. Mão e cabeça. Corpo e instinto.
cambalhota. Vira. Roda. Grita. Voa. Pra lá. Pra cá. Balança.