segunda-feira, 31 de julho de 2006

Factotum. Sem destino ... né?

Sei mentir não, moço com nome de poeta.
É só apertar um pouquinho e eu começo a rir, e reconheço que fiz mesmo porque tive antes vergonha de te pedir pra me ler.
É só apertar um pouquinho e eu começo a chorar, e conto tudo logo. Mesmo morrendo de medo (ups, desculpa - ai! credo...) de perder o que pode estar por vir. E tal.
Sei lá.
Mas mentir eu não sei não.

Ah! E feliz semestre novo!

sábado, 29 de julho de 2006

FEMININO.

eu não sou doida.
sou bruxa.
[todas as mulheres são]





e vale sim pintar as unhas de rosa choque, namorar sapatos em vitrines de shopping, evitar açúcar no chá e não resistir a um bombom de nozes. porque nós somos mulheres. somos fortes. somos filhas da mãe terra e netas da lua. somos a mão delicada no trabalho árduo do mundo. somos o sorriso maroto na seriedade cotidiana de um trânsito irritado. somos o jeitinho brasileiro com gosto de batom. somos a reunião do sábado que começa com lágrimas e oração, e termina com abraços e a percepção de que somos tão diferentes, e tão iguais... porque somos todas mulheres. somos as bruxas do bem, se assim nos colocarmos no mundo. somos ou seremos mães. somos sensibilidade. emoção. sangue. somos a procura por um centro, sabendo que para isso temos que permanecer em movimento. somos carmens, alessandras, amandas ou anandas, somos julianas, dris, ingrids, babis, cíntias, natálias, nizas... somos alegria. somos vento. somos a voz leve. apreciamos os que abrem a porta do carro mas queimamos sutiãs em protestos. lutamos por salários iguais mas gostamos de ser lembradas em nosso dia internacional com uma flor. porque somos assim. temos no coração vontade de soprar pétalas de rosas e bolinhas de sabão. somos música, pintura, escultura... somos a nossa grande coragem e o medo dos nossos fantasmas. somos curva. somos nossa imagem ao espelho e nossas lágrimas em lenço de papel. somos sorriso. somos apaixonadas.

[todas as mulheres são]

sexta-feira, 28 de julho de 2006

tão e quão tal como é

"o amor sobrevive na esperança de reaparições".

E assim vamos costurando nossos dias como quem espera o final do bordado. E se a agulha machuca o dedo, e faz sangrar, é pra que no final das contas aquele pano velho se transforme em arte e cores.
A gente vai traçando nosso caminho com leves pegadas. Olhando sempre para os lados, à procura da jaqueta vermelha, e entendendo que ver de longe já é melhor que lembrar apenas.
E que um dia desses, qualquer dia desses, pode ser que o telefone toque. Mas até lá, a construção dos dias vai levantando paredes de um rosa choque, porque paixão deixa a gente mais alegre. Seja lá como for.
E na reaparição a gente crava nossa esperança. De um verde que não sai de moda.


"a paixão não se dá nas coisas costumeiras".

Tá mais naquela conversa ao telefone, debruçada na janela, em que se brinca de ser forte e um sorriso teimoso insiste em invadir a alma. Mesmo com lágrima. Porque se tem o verde da espera, e tem a possibilidade da reaparição, daí fica fácil esperar. E feliz.
Sem deixar de viver nada. Só tomando conta do que o coração sente. Que é pra não desgastar.
Nem desgostar de sentir assim.
Porque a paixão está também na lembrança. Ou nas poesias que foram escritas. Ou no tempo em que se "gasta" pensando nisso tudo que faz os joelhos ficarem bambos e boca toda molhada.
Tá nisso. Tá no que mais pode vir a acontecer. Porque no passado ela tá. No presente ela tá.
E vem logo futuro que eu quero sentir isso sempre!




ai...

"aquele sábio estranho que no entanto não parecia adivinhar que ela queria amor".

quinta-feira, 27 de julho de 2006

covarde.

"sem desespero, sem tédio, sem fim"

ao menos senta e escuta. presta atenção bem aqui dentro dos meus olhos, tá?! eu não vou chorar. fixa. tá?
é isso. vê se entende. coloca sua mão aqui e sente o tanto que bate. sente?
é isso. vê se entende. consegue?
calma. por favor. calma.
deixa eu tentar. só mais uma vez.
escuta o que tiver pra te dizer. de coração aberto. promete?
eu entendo. faço que sim. me esforço pra que sim.
te vejo com os mesmos olhos. feliz.
te quero perto. sempre. bem perto.
não. eu não quero fingir que daria certo se a gente tentasse.
não é isso. eu só preciso mostrar o que eu quero. porque eu tenho certeza.
tá?
ei. espera. você tá chorando?
mas porque?
não chora. não tem culpa. nem pode ter dor aí.
eu te acho lindo.
vou embora. vou sim.


Um talvez permeia o meu dia.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Estranho.
Eu sei que não é certo como o trem.
Nem como o ano que vem.
Mas eu continuo esperando...

terça-feira, 25 de julho de 2006

Para quem é forte como pedra, e tem um coração preenchido com nuvens, e olhos que já nasceram com lentes de ver tudo feliz, e que brilham:

feliz aniversário!

Um dia ele disse:
- A dança tá pra você como a música está pra mim.

E de metonímia minha vida vai levando ritmo. Mais ainda agora que tenho esse Pedro por perto. E eu digo:
hoje voltei a dançar.

Se eu não acreditasse em destino, ia mesmo achar uma coincidência gostosa esse seu nome. hahaha...
Mas não. Eu sou "hippie" o bastante pra saber que não é por acaso que você entrou na minha vida assim, junto com a Lua.

Parabéns por ter nascido. Por ser quem é. Como é. E fazer tão bem às andorinhas...

O beijo no asfalto.

O melhor da peça foi a fila de espera, em que fiquei o tempo todo dando o braço ao meu pai.
- como nos velhos bons tempos -
Ainda bem que não levei blusa de frio! - eu fiquei pensando.


... O adulto é tão bobo! Precisa de desculpas pra fazer as coisas mais doces da vida ...

segunda-feira, 24 de julho de 2006

gang of four.

"Nostalgia, it's no good"

"take care not to fall like dominoes"

"I need to have diversion
Consume me with a new passion"

domingo, 23 de julho de 2006

"vence a miséria de ter medo"

"Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa, completamente silencioso.
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar."

"Perguntarão pela tua alma (...)"
"Mas tu mostrarás a curva do teu vôo."

"Destrói os olhos que tiverem visto. Cria outros, para as visões novas."

Cecília Meireles.

sábado, 22 de julho de 2006

Pássaro preto.

Blackbird - Beatles
Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise
Blackbird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free
Blackbird fly, blackbird fly
Into the light of the dark black night
Blackbird fly, blackbird fly
Into the light of the dark black night
Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise"


Porque, se só era preciso o "vai", com chocolate e vinho eu tive. E vou.
Se era preciso amigos e poesia, numa roda eu consegui. E vou.
Se era preciso tempo pra sarar a dor, quando não olhava mais o relógio, ele passou.
meu caminho.
eu caminho.

e vou e faço. escrevo com a minha letra. porque sou eu quem decido aonde vou colocar o pé. piso com o pé direito. e vou direto aonde eu quero. porque eu sei o que eu procuro. sei aonde quero chegar. busco com firmeza. agradeço. mas piso no caminho. aquele que eu traço. meu traço. eu faço. eu coloco sob meu pé. meu pé caminha. no meu caminho. porque é meu. escolho eu. e quero ir. não falta mais o "vai". eu vou. eu amo aquilo que vai. o pé. o caminho. vou.

andorinha.
com traços de quem agora me vê pássaro livre. me vê e entende. entende? eu sou andorinha.
que bicho você é?
vôo alto por ser dado. todos os dias quando acordar.

que o sol ilumine. meu caminho e meu vôo.
e coloque em harmonia.
como uma poesia de viver.

faz bem. faz arte. faz parte? eu quero. eu sigo. me leva. eu vou.
sou uma andorinha. só, não faço verão. mas no inverno rego meu jardim, esperando a primavera em que me revelo. e nasce. e sou.

meu caminho.
eu andorinha.
um sol.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Sô Zé

Ficava olhando da janela. Abria devagarinho, que era pra ele não perceber que ali estava, observando...
Percebia todo o carinho para regar as plantas. Toda a força que aqueles braços, de um senhor de já muita idade, conseguia colocar na enxada. A calça cinza escuro, a camisa branca de botões com as mangas dobradas até o cotovelo, os cabelos brancos e os olhos que não deixavam escapar nenhuma erva daninha. Não mesmo. Era tanta dedicação e zelo, que fazia gosto, no meio do dia, ver o sol bater e deixar mais verde todas aquelas verduras. Tinha alface, almeirão, couve. E lá trás, muitas bananeiras. Num quintal lindo e bem cuidado.

Depois de muito observar, ao abrir a janela toda, o que fazia sempre um grande barulho, ainda o via olhar para o alto e gritar: "Bom dia!", acenando com a mão - a que não estivesse segurando a enxada.

Se o encontrava em frente ao portão, ainda ouvia um elogio, sempre o mesmo, o que fazia surgir no rosto um sorriso dos grandes e no coração uma vontade enorme de enchê-lo de abraços.
Os abraços não foram dados.

Certo dia, numa viagem pra fora do estado, a notícia.
Havia falecido aquele senhor simpático da casa ao lado.
Uma lágrima que insistiu em não cair e um vazio no peito. Nunca mais se ouviu tal elogio. Nunca mais o quintal foi tão limpo e cuidado. Nunca mais o verde das verduras brilhou sob a luz do sol.
E nunca mais abrir a janela teve como presente um bom dia daqueles. Mas também, nunca mais ele foi esquecido...

terça-feira, 18 de julho de 2006

hungria.

busque amor novas artes, novo engenho,
para matar-me, e novas esquivanças;
que nao pode tirar-me as esperanças,
que mal me tirara o que eu não tenho.
olhai de que esperanças me mantenho!
vede que perigosas seguranças!
que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.
mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde amor um mal, que mata e não se vê.
que dias há que n'alma me tem posto um não sei que, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porque.

Luis de Camões


de ler só, dói de novo. melhor dormir. eu sei, "inútil dormir que a dor não passa". mas de repente, volta aquele de repente, né!? e o sorriso transforma essa dor toda em saudade e lembrança, que traz mais sorriso, e por aí vai. vou.


Tem coisas que não mudam. Graças a Deus.
Tem coisas que mudam. Graças a Deus.
...
Tem coisas que mudam. Que pena!
Tem coisas que não mudam. Que pena!
...

- Mas também, não vai dar pra ver tudo mesmo!
- Vai tudo pros caralho.......

...

- Vamo no Dogão?

segunda-feira, 17 de julho de 2006

E por se divertir mergulhando no que lhe faz brilhar os olhos, percebe-se com a falta de tato para lidar com aquilo que é opaco.

Porque sim: é preciso brilho. É preciso intensidade. É preciso entrega.
Maturidade não se mede de perto. É à distância que se percebe.
E o tarô? Não se deve colocá-lo como base para os próximos-passos-a-serem-dados.

Vida e caminho. Mudança e sonho. E tal. E coisa.

Tô cuidando do meu jardim. Será que as borboletas chegam, Flor?
Tô jogando meu futebol. Será que sai gol, Ana-Lua?
Tô na campanha dos 10 pontinhos. Será que dou conta, Xu?

Sorri pra mim. Porque de volta irei sorrir um sorriso grande e alegre.
Porque de repente surgiu em mim essa vontade de sair voando. Ou correndo.
Como se fugisse do sentimento que me deixava parada.
Porque de repente surgiu em mim uma força que eu não sabia que tinha. Apesar de saber que não era, nem fui, uma bonequinha de porcelana.
De repente, sabe? De repente pulsou aqui algo como um empurrão. Como se alguém me apertasse pelos braços e gritasse na minha cara que a vida tava me chamando lá fora.
E eu, sem saber como agir, à princípio, caí no chão e chorei.
Mas depois, depois quando realmente aquilo tudo entrou dentro de mim, levantei e me olhei no espelho. Por trás das lágrimas, meus olhos.
Que ainda brilhavam.
Por trás daquela armadura de metal, meu coração. Disparado.
E, por trás daquele medo todo e de toda aquela culpa, a mesma menina que sonha.

Verdade. Isso tudo nem é ficção.
Acho que estou viva. Hoje, estou viva.

E estou começando a achar que........... acho que estou sendo.......................................................

sexta-feira, 14 de julho de 2006

férias.

O sol que não me esperou pra se pôr. Mas uma lua linda que me deixou vê-la nascer. E a companhia de um violão, um vinho, e duas pessoas-luas maravilhosas. Porque irmão de lua deve ser lua também, não é?
E estrela cadente. E pedido. Errei no pedido. Voltei atrás com oração. Agora estou certa e sigo.

Um filme que não deu pra assistir. Mas disso se tira sorriso. Um sorriso enorme de um canto ao outro do rosto. Como nos velhos bons tempos. Mas com cheiro e, melhor, gosto de coisa nova. Arrepio nos braços e mais vinho. Meu Deus... Chico ao fundo. Ou Cirque du Soleil. Um bom dia - depois que se percebe que a noite chegou ao fim. Gosto de canela e água de coco na estrada.

Ouro Preto. Literatura de bar. "Sou o gafanhoto da bíblia". Festival de inverno. Inverno mesmo. Frio... ai... Los Hermanos. É. Reconstrução de lembranças. Um novo começo. E dos bons. Novamente boa companhia. Claro... (um favinho de mel, uma franguinha linda, uma Lili bruxinha do bem, a Fabí, o amigo mais doce do mundo e um árabe engraçadíssimo).
E um vídeo pra atestar que ali existia felicidade.

Ainda tem. Dentro do sol. Dentro de mim.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Tribo.

Oca da Tribo. Brasília. Sábado a noite.
Uma oca de índio. Na entrada, "palmeiras para viajantes", formando um leque que recepciona bem. Na porta, um homem e um violão. No centro, sob um céu de estrelas que parecia celebrar a vida e a noite, um coqueiro e uma fogueira. De repente, "linha do Equador". E um espumante brasileiro que não duvido tiraria dez em qualquer teste às cegas na cidade de Champagne. Para acompanhar, bruschettas de queijo camembert e calda de morango. E claro, uma companhia maravilhosa.
Ao lado, um jovem que parece também usar as lentes de ver tudo feliz. Um ótimo companheiro de visitas turísticas, um anfitrião que consegue nos fazer sentir em casa, um bom amigo.
Do outro lado, a chefe. Chefe sim. De uma tribo. Uma tribo linda, melhor que qualquer rede de orkut. Uma grande professora. Uma grande amiga. Uma pessoa que se tornou eterna na minha vida, e com quem me sinto em família de verdade. Não sei se por ser neta de quem é, mas essa Amoroso Lima sabe viver em forma poesia. E eu me orgulho, me inspiro e aprendo diariamente. É. Eu sou caminhante também.
Uma noite de boa conversa, reflexão, ótima música e um visual que superou as expectativas pré-brasilienses.

Valeu muito a pena.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

A capital do meu país.




De onde vejo de perto a forma convexa sob a qual refletem (ou deveriam fazê-lo) os que tomam as decisões que vão ou podem mudar a vida de tantos milhões... ou a outra forma, aquela que parece uma bacia, e que se diz aberta a receber as idéias que nós, pobres mortais que andamos a pé até a esplanada, queremos dar.

Ô Brasil de carnaval e fome! Ô país mais lindo que não, NÃO sabe do potencial de seu povo e não “explora” (perdão do uso dessa palavra, mas interprete no seu melhor sentido) seus bens climáticos, vegetais, culturais e artísticos. Se o contraste dentro do Palácio do Itamaraty assusta, mostrando esculturas modernas em cima de tapetes persas ou móveis da época da república, o que me dizem do salão de jantar “médio”, se comparado aos morros de favelas que vemos subir e crescer na antiga capital do país?

Ai... eu sei que pouco sei de política. Pouco sei de quase tudo o que se sei. Que é pouco também. Mas não dá pra não sentir um aperto aqui dentro vendo um Brasil, que não ganhou a copa, estender tapetes vermelhos em salões revestidos com seda chinesa enquanto a fome é tão vidente e cruel que exigiu um ministério para tentar combatê-la.

Não quero fazer política. Eu gosto de poesia.
Mas o sol se pondo por trás daqueles prédios de ministérios enfileirados nos faz sentir um arranhão no peito e uma vontade de gritar.
É. Dá vontade de gritar sim.


sexta-feira, 7 de julho de 2006

ritmo.

Na roda do dia
pedi aos que rodavam rápido que parassem.
olhei bem dentro dos olhos da desilusão e disse:
me deixe.
e ela deixou uma calma no coração agitado.
e deixou aquele olhar que não pertencia a ela.

Na roda do dia
pedi às horas que me deixassem vivê-las,
uma a uma,
da forma mais carpe diem que eu conseguisse.
Ganhei de presente uma garrafa de vinho.
Era noite. E a lua estava cheia.

Na roda do dia
pedi que eu aprendesse a girar.
Respirei fundo, tirei as sandálias
e o chão frio sob os pés me permitiram rodar.

Olhos sem desilusão
Coração calmo
Presente...
Acho que estou começando a dançar.

quinta-feira, 6 de julho de 2006

do que se esperava reencontro, despedida.

É preciso tempo pra sarar. É claro... E já haviam mesmo me falado sobre isso.
A mão continua roxa. Os olhos, ainda um pouco tristes. Mas passa. Isso passa.
Eu rezo. Sabe?
Eu peço pra passar.

A carta?
Começa assim:
"É lindo. Nasceu em Curitiba. Morou em Aracaju..."
E por aí vai. (...)
Passa pela parte do "tem mochila". E, claro, não pode ser esquecido que "dança forró tão gostosinho..."

Mas enfim. Hora de chegar ao fim.
Hora de parar de querer. De parar de esperar. (esperar de ficar parado olhando o tempo passar enquanto não ele não vem, e esperar que tudo volte a ser como era. ai, como eu queria!!!)
Sabe? Parar de esperar.

No mais, um ponto final do que é sentimento. E é só meu.
Um ponto final que demorou muito pra chegar - porque ainda havia esperança. (e esperança lembra esperar).
Mas agora não se espera. Eu não espero. Eu quero. Mas preciso parar. Parar de esperar. Parar de querer tanto. Parar.
E continuar em movimento. Porque a vida é urgente.
E corre.

Amanhã, um novo vôo.

E começa-se vida nova.
Porque disso tudo, hoje foi a despedida.

Amém.

terça-feira, 4 de julho de 2006

"A vida foge"

"admirável é aquele cuja vida é um contínuo relâmpago"

E junto com o soro e os remédios, entravam pela veia a vontade de vida daqueles que estavam nas outras macas. Aquele velho, que a cada movimento de inspiração parecia implorar mais uns segundos de vida... Ou aquela senhora, que mesmo não se dando conta de levantar para ir ao banheiro, tinha um sorriso no rosto e uma resposta positiva a cada pergunta que a enfermeira pacientemente fazia.
É isso. Pacientes são aqueles deitados nas macas. Mas também aqueles que escolhem estar ali, como vocação e doação de sua própria vontade de viver.
E sabe aquela mulher mais nova? Que chegou ali no sábado? É. Ela tem sopro no coração. E tem uma filha com um sorriso doce. E ela mesma sabe sorrir - apesar de tudo.
Sopro de vida.

"enfim o sol está se pondo, como sempre tem que fazer mesmo".

Era preciso assistir àquelas gotinhas que insistiam em cair bem devagarinho para dentro da veia, nos obrigando a trabalhar a paciência. Aliás, houve também o pedido para que, junto com elas, também entrasse poesia e sorriso.

Porque se eu estava ali, cercada por aquelas pessoas, sei que havia um destino e um aprendizado.

"não importa porque tudo morre um dia. O que não quero é ir na vida assim, carregando a morte dentro"

Mais um sopro de vida. Uma vontade latente de viver. De levantar logo e ter forças pra dançar. Ou pra gritar bem alto. Porque a vida é urgente.

"eu quero viver. eu quero a vida - e isso entrou no meu coração como nunca antes."

Eu, que entre pacientes e pacientes me descobri pássaro vivo, comecei a rezar para que eu consiga tecer um pano muito belo, e nele, bordar sonhos, pintar sorrisos e arrematar com poesia.

é... "no bojo do vento tem um leve cantar".



As frases em aspas são da peça "o pássaro do poente"