quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

cruce de caminos

2006
o ano do presente

O ano em que me tornei (me vi e aceitei) uma andorinha.
O ano do caminho, de encontros, reencontros, desencontros. O ano do orkut bom da vida.
O ano do sol brilhando forte em tarde de inverno - ano de dois invernos. E exatamente o ano em que aprendi a gostar deles, e da noite.
Ano em que mudei de atitude, e até de país.
Em que vivi uma rejeiçao, e por isso dor de cotovelo e coraçao, mas que ao mesmo tempo me vi feliz por me saber apaixonada.
O ano em que fiz escolhas. Em que abri portas para o novo e escancarei as cortinas para ver o lado de fora. O ano do tapete novo, das lentes de ver tudo feliz, do azul, das risadas com amigas e do reencontro com a família.
O ano do auto perdao.
De me descobrir caminhante, e saber que mesmo assim tenho um endereço fixo: meu coraçao.
E que mais vale seguir um sonho a temer o que quer que seja.
O ano do agora. Da verdade. Do adeus à terra do nunca e do "face the music" nas terras do mundo real.
O ano do "ainda bem".
Feliz o ano inteiro?
Nao. Mas intensa todos os segundos.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

habitación

a paz vem aos poucos.

Sou maga. Bruxa. Rezo. Acredito. Procuro, e agora acho, poesia.

O coraçao está pulsando laranja.
Solidao deu lugar a paz.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

mais alguns dias

"you get the best out of me"

e mudando um pouco o contexto, quis ouvir essa frase como um pouco de poesia.

E por aí tento meu caminho pelas ruas que mal conheço, mas que aos poucos vou deixando marca dos meus passos. Sim, levo um sorriso como se fosse meu bilhete de passagem por essas avenidas e pequenos becos. Nao me sinto insegura, insegura nao. Um pouco sozinha talvez. Dá uma vontade grande de compartilhar essas coisas tao lindas com alguem.
Sim. Dou um sorriso a cada senhora e cada bebê que encontro pelo caminho.
Tento me lembrar de algumas promessas que fiz a mim mesma, especialmente sobre "busca" e sobre nao ter vergonha de ser eu mesma.

Uma taça de vinho a noite, muita conversa sobre human rights e feminismo, sobre viagens de mochila pelo mundo que eu quero conhecer, e uma noite de sono. Dia seguinte, passeio sozinha pelas ruas da cidade velha, visita ao museu de Dalí e na Catedral.

e sinto saudades...

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Dia 1

O lugar cheira à música. Tem lojas de instrumentos musicais em cada quarteirao, com violinos e saxofones por todos os lados em suas paredes.

Tem sabor de inverno. Pessoas vestindo cores escuras em casacos até os joelhos e botas.

As árvores, o tempo, o céu cinza às cinco da tarde, as folhas secas nas avenidas limpas e largas, as línguas, as pessoas, a siesta, a arte das praças, o uniforme das crianças, o intercâmbio de culturas, as laranjas do supermercado - tudo isso faz sentir cheiro e sabor de poesia.

Porque desse jeito, embalada ao diferente e novo, fica mais fácil driblar a solidao.

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Com minha rede de caçar borboletas, continuo em busca de almas boas e poesia em olhos.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

estoy

Feliz. Assustada. Encantanda. Atrasada. Com frio. Animada. Perdida. De olhos bem abertos. Com o coraçao agitado. Com saudades ja.

domingo, 17 de dezembro de 2006

viagem

tô quase quase no ponto de ir. e não tem sono ou cansaço que fecham esses olhinhos.
não durmo de ansiedade, tá certo, mas no fundo é bom à beça saber que não sei nada nada do que está por vir.
eu sou do tipo que confere três vezes os documentos e a mala, e ainda por cima morre de medo de esquecer alguma coisa.
sou daquelas que vai dormir e vê na televisão da cabeça as coisas que ainda têm que fazer.
ah! sim... sou do tipo que diz uma piadinha ou evita ao máximo qualquer coisa que pareça despedida. sabe? dou um beijo na vó bem rapidinho quando ela começa a chorar e falo: "mas D. Ilma, eu volto com uma nova língua". E numa risadinha saio andando rápido que é pro meu chorar sozinha. É. Eu choro. Feliz até falar que chega, com a certeza de que não tinha hora melhor pra fazer isso, mas choro. Porque sei que vou sentir falta. Que vou ter no coração saudade. Que vou querer abraço apertado no inverno de lá.
e tem frio na barriga e fotos na mochila.
tem pernas ansiosas e papel e caneta à mão.
e tem o "vai".


sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

com alma.

ela foi tateando o chão com as pontinhas dos dedos dos pés, até chegar bem na beirada. e lá do alto, e como era alto, abriu os braços e lançou um sorriso desses largos e novatos - como se fosse a primeira vez que sorria.
fechou os olhos mas não era por medo de altura.
respirou fundo como se tivesse deixando entrar todo o ar que precisaria para os próximos dias.
e ali: olhos fechados, braços abertos, pulmão cheio e sorriso, recebia do mundo e dava ao mundo o que agora tinha de volta só sua: alma.

parecia que tinha desatado um nó, desses que é preciso descobrir as duas pontas, pegar em cada uma delas, e devagarinho puxar para que se desfaça. e fez. que é para não ter nó ou âncora que a puxe pra trás.

com calma, sem medo, ou pouco medo, de um jeito que dê conta e que seja
ao seu modo.

porque agora havia respeito às músicas que gosta de ouvir, às coisas e casos que gosta de contar, ao que gosta de usar nos pés, nas orelhas e até nos olhos. havia, digo, há, essa vontade e ímpeto de seguir adiante como quem se conhece, se percebe bem e se ama. num respeito próprio e num perdão, deixando pra trás o que era culpa ou insegurança, ela lança. do alto de lá de cima, ela lança.

e de mais a mais, com o sorriso novato e a vontade que nasceu junto com ela, salta.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

it's only rock 'n roll.

yes. we sure like it.


- Prazer, eu sou músico.
- Ei! Eu sou poesia.

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Não: não digas nada!
Fernando Pessoa


Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já
É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.
És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

a resposta.

carta-poesia

autora: minha mãe.
veículo: cartinha em folha de caderno, dobrada quatro vezes.
local: dentro do meu armário.
data: quarta-feira, novembro 08, 2006
mensagem:


Dri,

Cris sugeriu que eu escrevesse em seu blog, comentando o emocionante texto que você escreveu. Mas como lhe disse, não tenho o seu dom sagrado. Sinto-me realizada através de você. Só quero lhe dizer que cada pontinho dado nas bandeirinhas da sua mochila mostra meu amor por você.
Estou triste e chorosa pela sua partida. Mas é o seu sonho. E você sempre consegue realizá-lo pois persegue-o tenazmente.
A saudade será enorme. Estarei sempre torcendo, orando por você.

Minha bênção e meu amor.
Márcia

ps: Como disse o nosso poetinha querido, repetindo mais uma vez:
"O meu amor é uma velha canção em teus ouvidos."



http://adriosol.blogspot.com/2006/11/futuro.html#links

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

camino. caminho.

Cantares
Antonio Machado

Todo pasa y todo queda
pero lo nuestro es pasar
pasar haciendo caminos,
caminos sobre la mar.

Nunca perseguí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles
como pompas de jabón.

Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse...

Nunca perseguí la gloria.

Caminante son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino
sino estelas en la mar...

Hace algún tiempo en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos
se oyó la voz de un poeta gritar
“Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar...”

Murió el poeta lejos del hogar.
le cubre el polvo de un país
vecino.
Al alejarse, le vieron llorar.
“Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar...”

Golpe a golpe, verso a verso...
Cuando el jilguero no puede cantar
Cuando el poeta es un peregrino,
Cuando de nada nos sirve rezar.
“Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar...”

domingo, 10 de dezembro de 2006

porta trancada.

Ele não me deixou entrar na sua vida, ou no seu coração, porque tinha medo que, ao meu modo, eu pintasse as paredes de laranja, abrisse logo cedo a janela para deixar o sol entrar, e acendesse um incenso pra nos proteger. No fundo ele simplesmente tinha medo que eu entrasse ali pra ficar, com minhas malas de sentimentos, medos e sonhos. E que eu levasse, ainda por cima, num pacote lacrado e com um adesivo dizendo "frágil", o meu coração.

Vilarejo

"Tem um vilarejo ali..."

De repente, e às vezes, uma música invade a alma sacudindo ou colocando o dedo numa paz ali dentro. E faz lembrar que existe vida e que o corpo não está totalmente curado de sentir falta, de chorar de saudade ou de lembrar com lágrima.
Vem. Vem e sacode o que parece, ou é, paz. E faz da gente vontade de gritar um pouco daquele sentimento.
É que de um vilarejo o nosso coração vira, vez ou outra, metrópole de solidão.



Ouvindo Vilarejo, Marisa Monte.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

sê feliz.

e como é bom sentir, hoje, você pegar nas minhas mãos e dizer "ainda bem", e ver nos seus olhos que esses últimos 12 meses nos fizeram crescer 5 anos. E que nossos cinco anos de meninos apaixonados, desesperados e ansiosos, não se apagaram. Mas viraram uma memória boa que vamos levando pra nossa vida corrida e diferente, com brilho nos olhos. Porque se há brilho nos meus olhos aqui, é porque houve/há um perdão que você não precisou dizer. Um perdão que eu senti quando a primeira lágrima escorreu dos meus olhos, acompanhada da primeira lágrima sua. Porque agora eu sinto que posso ir e ser o que eu quiser. Há respeito e um amor pra toda a vida de quem eu primeiro amei. Você sabe, não é?! Sabe que não é fácil, que não seria fácil, ouvir e viver qualquer coisa sem saber bem lá no fundo que você está bem.
Na minha caixinha de segredos levo a conversa de hoje.
Nas cores que posso vou pintando meu futuro.



2006 me encheu de presente. hoje estou repleta de agora.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

faz de conta.

Num mundo faz de conta, e não conta pra ninguém, ela fingia que o mundo era dela. O cavalo, a estrada, os brincos de princesa, aquele tapete comprido, as flores nas janelas. Ela fingia que tinha esse mundo, e não comente por aí, fingia pra si mesma a ponto de acreditar.
A pobrezinha andava pelas ruas como quem pisa em nuvens. Vestia um vestido velho como se fosse de baile. Sorria sem batom ou perfume se sentindo a dama da noite. Era tão bobinha que mal podia acreditar que não reparavam na lua que ela mesma pintara no céu. Ô povo besta, ela pensava, se achando mais atenta e menos apressada que os outros. Andava. Não corria. A vida era linda e o tempo merecia ser vivido a passos sentidos no chão. E nesse faz de conta todo achou um amor, uma casinha com jardim, uma cama com aquele negócio em cima que ela achava linda quando brincava de boneca ou passava os olhos nas revistas da irmã, e até mesmo um cachorrinho pra abraçar quando fosse dormir. Num mundo faz de conta tão seu, não tinha muito tempo pra medo ou saudade. Era de fato, mas na imaginação, feliz.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

embaralhada

não sei jogar cartas, não.
não me convite pro truco ou pro pôker.

não sei jogar quase nada. quase nada.
sou muito atrapalhada. muito ansiosa. muito agitada.

labirinto? sento no chão até vir a intuição e me dizer onde devo ir.
amarelinha? faço o nome do pai antes de jogar a pedrinha perto do céu.
war? ai! não me pede pra destruir nenhum exército.....
jogo da memória? vou no chute.
queimada? lanço a bola com toda minha força, mas se ela está com o adversário, tampo a cara com medo.
forca? fala A! fala A!
bique pega? conto com os dois olhos fechados. Juro! se abri um olho é porque tava ardendo... nem era pra espionar...
macaco disse? fico atenta ou acabo fazendo sem o macaco mandar.
salada de fruta? salada de fruta!!!
jogo da verdade? consequência.
adedanha? b- Beatriz, BMW, bonina, banana, Bete Lago, Buenos Aires
dama? ele tá querendo me comer! ele tá querendo me comer... ai, gente! comer as minhas damas.
resta um? ai, tadinho, e vai ficar ali sozinho por que?


ok. agora chega de jogar isso.
boa noite.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

de lá pra cá e vice e versa.

da boca pra fora.
de dentro do coração.

do pensamento mais secreto.
do grito aos quatro ventos.

da vida nova.
dos velhos sonhos.

da casa amarela de esquina.
da rua marina.

do dia que tá começando.
do ano que acaba sem dor.

do amante que não pode.
do amado que não quer.

do post pra mãe.
da carta pra filha.

da siesta.
da noite em claros.

do verso.
da história.

da minha vida inteira.
do meu agora.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

domingo, 3 de dezembro de 2006

pra comemorar.

"me liga qualquer dia pra gente comemorar"


Aqui? Em alta velocidade. Mas aos preocupadinhos de plantão, já aviso que é metáfora. Na estrada que me separa da capital do que tenho vivido, vou com cuidado e boa música.
Quando amanhece, eu volto. Dizem que tem um certo tipo de amor que nem dá muito certo na luz da manhã. E eu preferi viver esses dias de espera de forma apaixonada. Por tudo.

Almoço com os pais, macaco disse com a meninada, reggae com amigos, até sampa e odara (vê bem!) em bar de banda de dois.

Aqui? Em alta freqüência (e se usa trema ainda afinal?). Mas não há com o que se espantar. Está tudo bem. Existem as três partes de mim, como de todo mundo: razão, emoção e instinto. Eu analiso, sinto e vivo cada uma, cada hora em sua vez. Se é que se tem vez certa pra cada coisa. Se é que não era preciso dosar cada uma.

A duas semanas de lá. A 100 km/h aqui. Suco de laranja, afilhado dançando salsa, narração no ouvido do que eu vivo, bom filme na TV e noite que acaba em dia.

Aqui? Só bons e muitos motivos pra comemorar.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

vida de detalhes.





somos as nossas escolhas.


filme: The Bridges of Madison County

Sobre sentimentos que precisam de presença.
Sobre sentimentos que precisam de distância.
Sobre se viver um amor de verdade em quatro dias.
Sobre se viver um amor de verdade uma vida inteira.
Sobre fazer uma escolha.
Sobre viver a escolha.
Sobre lembrar.
Sobre aceitar.
Sobre fotografia.
Sobre livro.
Sobre cuidar de casa, dos filhos, do marido.
Sobre viajar e conhecer o mundo.
Sobre julgamento.
Sobre não se importar.
Sobre se prender.
Sobre não se prender.
Sobre se entregar.
Sobre fingir não ter medo.
Sobre sonho.
Sobre rotina.
Sobre minha mãe.
Sobre mim.
Sobre a escolha dela.
Sobre a minha escolha.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Pulsões.

impermeável às palavras - ele.
susceptível a linhas, entrelinhas e hipertextos - eu.

tem tanto ele agora. sempre teve. teve a ponto de me cegar. teve a ponto de me fazer deixar passar o que tinha de bonito pra acontecer entre eu e um novo ele. um novo ele que tem poesia nos olhos quando me vê. que tem noite às claras quando eu ligo pra chorar. que tem sorvete pra me dar, e linha e agulha pra costurar o meu boneco. tinha um novo ele me oferecendo o que sempre quis. e eu, cega, não soube aceitar e retribuir. eu cega tal qual o velho ele. o velho ele que me viu, mas não como poesia; que me teve, mas sem querer muito; e que disse adeus sem sentir nada. um velho ele. um novo ele. e eu continuo a mesma. também me cansa esse meu egoísmo. essa minha teia em que sou aranha sozinha no centro. essa minha idéia de achar que o mundo é bão sebastião. tem o velho ele. o novo ele. e eu na minha estrada agora. com esperança de recuperar o amor-próprio que, embora egoísta, vai de mal a pior.
tem tanto ele como sempre teve. na verdade, agora tem os dois eles. o ele que eu quero tanto esquecer, e o ele que eu quero tanto gostar. sabe?
eu paro no meio, pra variar, respiro fundo contando até dez e penso no deus elefante, na vida por vir, na arte por entrar, no sonho que vai nascer de novo, no que vou realizar... porque a vida hoje tá uma correria danada pro amanhã.
é que hoje tem ele e ele. ontem teve ele e ele. mas amanhã, de repente, tem eu.


brincando de wikipédia.

destinada.

às vezes a saudade bate como se fosse um tapa na minha cara.
eu sem poder fazer muito, viro o rosto e espero outra saudade.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

"só eu sei (...) por que passei"



Na esquina do presente, uma menina sentada no ponto de ônibus, vivendo a poesia de se saber criança.
Na esquina do ontem, uma senhora na varanda da Rio Branco, acenando para os que passam em busca de poesia.
Na esquina do que vem, o par de olhos que vão me ver e querer fazer de mim, ou fazer comigo, amor e poesia.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

touched.

porque às vezes eu não sinto nada. às vezes eu sinto demais.

domingo, 26 de novembro de 2006

camisa dez

hoje me veio a vontade de trocar o time inteiro por um jogador só.

sábado, 25 de novembro de 2006

"e aqueles olhos onde estão?"

a minha sorte.

além de lembranças,
tenho fotos, vídeo, CD e até a voz no fundo de uma música que eu gosto de ouvir.

"veja
um dia vai ser bem melhor
eu vou dizer que é carnaval
só pra você dançar pra mim"
o meu azar.
não tenho os olhos, o colo, ou o beijo que me tira o fôlego
e nenhum bichinho pra dormir abraçada.
"eu fiz tudo demais
coisas que nunca fui capaz"

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

sonhos de uma noite só.

Quarto de bonecas

Ele chegou, pediu licença pro meu pai e decorou a sala inteira. Colocou uma luminária que fazia rodar estrelinhas no teto. Comprou uma árvore de natal enorme, uma maquininha de fazer bolhas de sabão pra colocar no canto da sala. Enfeitou tudo. Colocou fotos, escreveu bilhetinhos em cada canto. Encheu de presentes. Me comprou uma máquina digital cor de rosa. É! Cor de rosa! E jogou pedacinhos de papel picado por todo canto.Tinha música de fundo. Tudo muito lindo, muito dedicado, minuciosamente cuidado para me agradar. Ele me fez entrar ali com os olhos vendados. Disse que havia preparado uma surpresinha. E quando abri os olhos, vi que ele transformou a sala de estar da minha casa num quarto de bonecas (e é assim que ele me chamava). Fez tudo com um carinho que não se vê igual. Embrulhou bonecas. Comprou minhas balas preferidas. Fez tudo ficar mágico.
Eu sorri. Agradeci. Dei-lhe um beijo.

Mas não me senti apaixonada.
Eu não senti nada.



Briga de rua

Saímos do bar. Andamos em direção à estrada. Mas meu amigo viu uma briga-por-acontecer. Num ato de coração bom, foi até lá conversar, impedir que os dois caras começassem uma confusão. Conversou com a mão no ombro de um deles. Achando que estava tudo bem, se virou e caminhou até nós.
Continuamos andando quando meu amigo voltou. Olhei pra trás. Vi um dos caras da quase briga se aproximar com uma garrafa de cerveja vazia na mão. Parecia furioso. Ele chegou bem perto do meu amigo, que não estava olhando, e pegou a garrafa para bater em sua cabeça. Na mesma hora coloquei minha mão na frente. E o cara quebrou a garrafa na minha mão. Todos se assustaram. Havia sangue. O cara ficou ainda mais puto por eu não ter deixado que ele acertasse a cabeça do meu amigo. Pegou minha mão, e com a garrafa quebrada começou a cortá-la. Jorrava sangue. Muito sangue. Minha irmã chorava. Todos gritavam. Ele cortava a minha mão furiosamente com os cacos da garrafa.

Mas eu não senti dor.
Eu não senti nada.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Procura-se?


Ela foi vista ontem a noite, na praça da liberdade, com um boneco e um sorvete, um amigo e uma máquina de retrato.





terça-feira, 21 de novembro de 2006

ARQUITENTANDO...

Pinto de cá um quadro em P&B, na espera pelos traços de Gaudí, o tempo corrente de Dalí e as cores de Miró.

ou a vida não teria arte.
ou meu mundo não teria tinta.
ou meu medo não teria remédio.
ou minha casa não teria teto.
ou minha espera não teria fim.
Procuro remediar frustração com doses cavalares de paciência. Acontece que eu sou impulso.

a outra

não demora a sangrar.
sangra de amor e paixão. e eu nem sem diferenciar, mais.
sangra porque tem que ser.
sambo porque sou assim.
amor me dói.
mas dele sou senhora.
pois vou embora.
não me demoro.
cansei.
a gente ria tanto.
chega de desencontro.
última.
paz, eu quero paz.


releitura de "a outra", los hermanos.

domingo, 19 de novembro de 2006

boa noite.

A menininha sobe a escada da 'cama que fica no alto'. Abraça o ursinho cor de rosa e coloca uma meia colorida nos pés. Pede um copo de leite e molha a bolacha dentro dele. E come. Escuta uma musiquinha do tipo Adriana Partimpim ou lê historinha do sítio do pica pau amarelo.
Quando a mãe chega, perguntando se já escovou os dentes, quer dar uma de joão sem braço e finge que está dormindo. A mãe faz cócegas no pé. Ela dispara uma gargalhada gostosa do tipo "pára mas não pára" e pula pra cuidar de se cuidar. Volta pra cama, dentes escovados, e fala um boa noite baixinho pra mãe.



A mulher entra no quarto, coloca a camisola preta e pega o creme para as pernas. Liga o som, escuta Chico Buarque cantar beatriz. Espalha o creme no corpo e pensa na boca daquele moço que acabou de ver ir embora. Abaixa o volume e pega dostoievski para ler.
Lembra do beijo. Das mãos na coxa. Lembra de ter pedido pra ele parar - enquanto os dois sabiam que não era a intenção. Dispara uma risada boa com o pensamento. E concentra de novo no livro, cuidando de se cuidar. Coloca o livro de lado, encosta levemente a mão na boca e em pensamento manda um boa noite para o homem.

falta.

"cuidadosa ao permitir que cada sorriso se aloje"


sábado, 18 de novembro de 2006

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Lenda de Xerazade

Os contos que conto para entreter você, são os contos de uma das faces de mim. Cada qual tem uma história. A que sou sereia, eu canto. A que tenho um all star azul não canto, mas você me canta. Eu conto um conto e uso um colar, porque se quero eu sou índia. Já tive hotel a beira-mar, já contei conto de quando era princesa. E até canto música pra você dormir. Invento um conto novo a cada instante. Me sento no canto e conto. Que é pra você me deixar ver o amanhecer.
Te canto e conto. Espero um amanhã que tenho e ganho, se você deixar. Se você me ouvir e gostar.
Quer saber mais? Conto! Amanhã de manhã termino o conto...

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Codinome beija-flor

"eu adoro coisas simples, mas às vezes é pouco."

Assisti o filme todinho abraçando o travesseiro vermelho e chorando. Desde o início.
Com o coração apertadinho, doído que só vendo.
Há bastante tempo que o toque do meu celular é "o nosso amor a gente inventa". Bastante mesmo, porque eu até mudo muito de número, mas o aparelho é sempre o mesmo: baratinho, fácil de usar, à prova de quedas. Mas o toque eu sempre mantenho. Já escrevi pelo menos uns três textos sobre essa música. E ficou como a minha teoria sobre o amor, querendo ou não.
A noite passada deixei de ir A Obra, pra ver o filme pela terceira vez. E me senti tiete, meu deus, e eu que achei que só faria uma coisa dessas pelo Vinícius.
Pois é. Assisti e fiquei ali, apaixonada e doida, chorosa e com vontade de ser livre. Um cara desses, assim, não pode mesmo cruzar o meu caminho. Ou já cruzou. ... E por isso ruínas.
Enfim, tô numa dor de amor e numa onda boa de "alma lavada". Hoje busco "champagne e gentileza", sento e espero o show começar e a volta de um certo beija-flor. Será?

"Tem o certo, tem o errado, e tem todo o resto."

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

carro sujo.

Me lave?
Não...



menu de feriado

Café da manhã?
pão francês, queijo minas e suco de goiaba.
Música?
Tom Jobim
Almoço?
que só a mãe sabe fazer
Siesta?
na rede, debaixo de uma árvore.
Filme?
Almodóvar - 'tudo sobre minha mãe'
Bebida?
chá mate
Roupa?
calça velha, blusa de frio e meias quentinhas
Companhia?
família
A noite?
que seja uma criança...

terça-feira, 14 de novembro de 2006

gerundiando

Rezando.
Pra Virgem de Guadalupe / pra Nosso Senhor dos pedidos difíceis pra caramba / pra Iemanjá como já é de costume / pro Sol.

Colorindo.
O céu de azul claro / as paredes de laranja / o dia de cinza que é pra ficar "bonito pra chover".

Tomando.
Banho de chuva / pé na bunda / conta de bebê /suco de uva pra acompanhar o almoço / vergonha na cara.

Subindo.
Degrau por degrau / na vida / os morros de Nova Lima a pé.

Escrevendo.
vocabulário novo no quadro / carta que não vou mandar / email pra amigo de longe / post novo pro blog.

Ouvindo.
a filha do jobim / minha mãe cantar na sala / o telefone tocar / o canto de cigarra.

Vendo.
as flores novas da violeta / a foto que meu pai tirou / a carta que recebi e chorei / o futuro.

Querendo.
o mesmo que sempre quis / a viagem que está por vir / chocolate quente e cobertor de orelha / abraço grátis / sorrir à beça / me sentir amada.

Parando.
de falar palavrão / de tomar refrigerante / de agir de impulso e emoção / de olhar para o relógio.

Tentando.
o tempo todo, alguma coisa nova.

domingo, 12 de novembro de 2006

hoje?

"treinada em se alegrar sem freio"

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

'dialética'

embreagada de poucas cervejas e muitas palavras.
em literatura de buteco e com mais poesia que loja de livros.
com vontade de cantar para o mundo a tristeza que eu tenho e não temo.
porque eu sinto. e eu sou triste. mas eu levo meu barco para onde quero e posso.
um pé na tristeza e um outro que certamente não está no chão.
coração ao vento - o tempo todo.
vou pra onde sou chamada e para onde existe paixão.
eu sou filha da vontade.
rebenta de um "here, there and everywhere".
num fogo que arde se houver lenha. ou apaga.
sou movida pelo embalo de uma noite, um sol escaldante da manhã ou o batuque de um tambor ou percussão qualquer.
porque eu gosto do que é vivo.
- tal qual eletrocardiograma de uma montanha russa.
de tanto amar eu sofro. de tanto sofrer bem sei quando estou feliz.
e dentro de um parênteses - tá tudo azul!
num sorriso, de repente, me correm lágrimas.
num gozo sou capaz de amar e sofrer.
eu sou as duas faces de uma moeda só.
cara e coroa.
eu quero a torta de nozes e o doce de arroz.
eu sou a contradição do que disse logo acima.
fico assim por pouca coisa.
e transformo em muito.
quero o que eu não sei. mas sei muito bem o que eu quero agora.
exijo quando não tenho direito.
imploro quando me é negado.
sou mimada.
sou insistente.
sou perseverante.
dor. saudade. hoje estou feliz.
porque de tanto ser assim, eu me conheço bem.
um dia choro, me quebro e desfaço.
no outro, acordo sorriso e vontade de abraçar o mundo.

ok.
um até breve, só por enquanto.
eu vou.

você fica?

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

futuro

A pouco mais de um mês do que está por vir (ou estou por ir), o coração vai se enchendo de vontade de sair soprando beijinhos, de sentir de pertinho o cheiro de quem a gente quer bem e quer perto, de dar cambalhotas nas ruas que são cenários da nossa vida inteira e costurar na mochila as lembranças e sonhos que a gente carrega por aqui.

Há tanto tempo que não sento no colo dela e digo, ou grito, ou falo baixinho no ouvido, o quanto a amo. E até mesmo me pergunto, envergonhada, se já fiz isso alguma vez...



E de repente essa foto, que veio junto com a ninfa da poesia e as bandeirinhas de países que ela me entregou dizendo "porque você é viajante", e uma vontade grande de provar, dizer, deixar bem claro, que ela é amada demais.

A vontade de ter sempre os pés na estrada e a cabeça nas nuvens, não contradizem o fato de que meu coração tem endereço fixo: minha mãe.

Foto tirada por um pai que, por amar demais, abre a janela e deixa essa andorinha voar. Um pai com lentes de fotografar esse sorriso maravilhoso que ele mesmo causa na mãe. Um pai que, se o sobrenome não fosse Barbosa, certamente seria Amor.

A família vem comigo nos sonhos, na vontade de contar as coisas lindas que vejo e as besteiras que faço; no coração que aperta em saudade; na cabeça que pensa e repensa as atitudes erradas; nas palavras que deixei de dizer ou abraços que não dei; também vem comigo nas lembranças de coisas boas, e na certeza de que num futuro, e que este chegue em breve!, eu volto para o nosso lar.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

NOME

Adriana significa morena. Hoje estou. Hoje voltei a ser.

Mas já fui Dri, Bililica, Biscoito, Adrianinha, Drica, Didi, Anadri, Adri, Minhoca, Ruiva, Drizinha, Dri Dri, Pequena, Cara de Caqui, Teacher, Rapa do tacho, Srta. Rodrigues, neta de Ilma e por aí vai...

Das várias faces de mim, hoje sou Morena. De cabelo e de sol. Morena de nome. Morena de vontade de sambar. De marca de biquini. De parte de mãe na família.

Mas pra me chamar, basta sorriso ou boa música. O nome tanto faz...

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

a arte do esquecimento.

E eis que me foi apresentado, ali mesmo, em areia branca e com água de coco, a arte do esquecimento.

"Todo sofrimento passa, não é? Então eu deixo vir para o presente o que acontecerá no futuro: o esquecimento. Mando toda a dor para a parte do cérebro que fará com que seja esquecida. E pronto. Não sofro."

Olhos vidrados em algo que, assim, parece fazer um sentido danado. Então eu paro e pergunto: mas quando é que a felicidade vem mais intensa?

Acho que, mesmo em roda gigante, ainda opto por viver de extremos.

a vida tá assim

Surreal pra descrever o que nem dá para ser descrito.
Feliz à beça.
Praia, amigas de verdade, um telefonema de bom dia que fez o sol aparecer, cerveja gelada, areia das mais brancas e macias, abraços, uvas e música.

Tá tudo tão bem que nem o pescoço reclama da noite mal dormida. E chegar em casa e vê-los de volta, os meus pais, com um sorriso no rosto e palavras novas no dicionários de viagens, é outra coisa que faz a vida assim.

Uma fadinha da poesia de presente, ainda por cima.

A vida tá assim porque eu escolhi. E tive/tenho a sorte de ter ao meu lado gente de alma boa e alegria contagiante. Tá assim por sorte. Por vontade. Por escolha. Por destino. Sei lá. Mas tá e eu quero saber curtir.

Hoje a vida tá assim.

Se me falta algo? Ah. Falta. Um outro telefonema que é pra ver se eu dou mais pulinhos... (ai, ai... eu não tenho mesmo jeito!)

Poesia? Tem. Guardada em guardanapo, dentro da mochila.
Saudade? Tem. Bastante bem muita! Vê se dá um jeito de me ajudar a matar, hein?!
Amigas? Tenho. Lindas até falar que chega!
Almoço? Tem! E mãe tá chamando.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

sobre a noite vermelha.

Os pêlos do braço sentem.
O som que toca me toca.
A poesia que escuto entra:
pelos poros da pele, pelo sorriso que abro, pelos olhos que permito que vejam.
A vida faz um sentido só:
poesia.
E a vontade é de gritar: eu quero viver disso SIM!

...


Eu quero um guardanapo
um verso
uma janela para olhar a lua.
Mas ela entrou nada sala:
bem-vinda, Ana!

...

A melhor noite das nossas vidas. Até que chegue a próxima.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Agora sou eu. A minha pá, o saco de cimento e a lata de tinta.
Os sonhos para serem refeitos. A casa para ser pintada.
De ser intensa assim, as dores são como as paixões. Fortes.
E a vida inteira pode ser uma história de três dias.
O pra sempre pode até chegar ao fim antes mesmo de começar. Que pena.
No embalo do meu sonho eu fui.
Escrevi poesia em papel colorido, com lápis colorido.
Passei batom olhando no retrovisor do carro.
Tive minhas pernas ansiosas antes do momento de encontro.
Telefonei para a amiga pedindo ajuda - eu não sabia o que dizer.
Acho que, de tão boba, treinei sorrisos.
E mesmo com a ajuda e o treino, não soube o que fazer.
Calada, com o coração a mil por hora, ouvi.
Hoje sinto falta do que achei que estava por vir. Dos sonhos que criei pra mim (pra gente).
Mas há sorriso. Aprendi a não deixá-lo morrer. Porque depende de mim fazer a vida não perder as cores.
Só queria que o azul estivesse mais perto...



"No dia em ocê foi embora, eu fiquei
sentindo saudades do que não foi
lembrando até do que não vivi
pensando em nós dois"

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

dia 31

Amanhã o dia é bem especial:

- Dia das bruxas. Eu sou bruxa (e todas as mulheres são).
- Nasce uma estrelinha nova: a Lara.
- Volta pras terras alterosas a amiga guria (ou bahiana?).
- Nasce também o filho primogênito da poeta Ana Lua.
E aí vai o convite:
poesia.
Terça-feira (dia 31 de outubro) das 19h às 0h, no Café da Travessa - Getúlio Vargas, 1045.


O convite tá feito! :) E vale muito à pena...

magical.


Um belo dia, o encontro.
Razão senta virado pra frente. Emoção fica do lado, pernas cruzadas, olhando pra Razão.
Razão pede pra Emoção pensar bem, colocar tudo numa balança, imaginar o futuro. Emoção responde:
- Posso pegar na sua mão?
Razão dá um sorriso. E entrega a mão.
Razão fala da importância de se pensar com calma. Emoção pede um beijo.
Razão pergunta se vai ficar tudo bem. Emoção concorda que vai haver dor.
- Ai. Esse tal de futuro...
Razão e Emoção sabem bem de uma coisa: combinam tanto!
Razão olha para o relógio e diz que tem que ir embora.
Emoção diz "ok". Chega em casa e coloca para tocar a música. Aquela! A primeira música que tocou quando eles se encontraram.
A letra da música conversa com Emoção:

"But then they sent me away
To teach me how to be sensible
Logical, oh responsible, practical"

Emoção fica à flor da pele. Mal se passaram 25 minutos e ela já sente uma falta danada de Razão. Manda mensagem. Pega um livro pra ler, um trabalho pra terminar e reza:
- Anjinho do céu, acompanha Razão pra onde for. E traz ele de volta depois!

Razão pega a mala, o avião, e vai.

Emoção cai no sono. E no sonho. Só pra variar...

domingo, 29 de outubro de 2006

Re:

eu sou tudo ou nada.
meus anseios (que ingenuamente chamo de sonhos) tomam conta de mim como se fossem me sufocar. e eu, com a força que finjo ter, dou braçadas largas para alcançá-los, dando o máximo de mim - que muitas vezes, no entanto, é pouco.
sobre plantar sorrisos - meu deus. eu quero tão pouco mais do que isso. entende? quero abraços longos e uma amizade calma. mas daí que tá. vem logo aquele outro sonho (anseio, ok) de viver um conto de fadas. e eu me pinto gata borralheira, imagino castelos, cavalos, príncipe encatado e flores pra entregar. daí vem que o sonho (sim, anseio) não deixa de ser sonho (anseio).
ai.
"mas na minha cabeça, hoje, não há mais espaço para.........."
hoje, não é? amanhã, bem já aprendi, a roda da vida gira e a gente pode estar beirando o oceano pacífico. sei lá. ou catando amoras em jardim de sítio, esperando o vôo das andorinhas que ficam no fio de luz.
a minha vida pessoal eu deixo todo mundo ver. nasci sem armadura que esconda a minha verdade ou meus segredos. prefiro não mentir ou meu nariz fica parecendo galho de árvore. prefiro não jogar porque nisso não levo jeito e talvez nem tenha sorte. vou levando desse meu jeito "doido". curtindo como posso. e intensamente, como pedi a Iemanjá.
conflitos eu não alimento. nem de política! veja bem...
meus olhos estão sempre abertos. mas meu coração é quem escolhe o caminho / os caminhos.
a minha alma, hoje, só quer paz.

sábado, 28 de outubro de 2006

novo

assistindo a janela do quarto, como se fosse televisão, sinto no peito uma rajada de vento. fecho meus olhos e embarco. vou.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

fazer dar certo.

Um grande, grande erro do universo.
Ou são nossos olhos poucos que não sabem ver.
Ou é nosso sonho bobo que não permite acontecer.
Um grande, grande erro do universo.
E não há o que pensar.
Nenhuma razão eu aconselho aqui.
Não é preciso livro de auto-ajuda. Nem ler sobre amores nocivos.
É um erro. Ou do universo ou nosso -
que esculpimos santos ou pintamos deusas.
Não.
Auto-retrato me diz: um erro.
E já na batalha, eu sei, eu perco.
Num tabuleiro eu não quero ser rainha.
Mas xeque-mate.
Cartas na mesa: eu dou bandeira.

muito.

muito
demais da conta
extremamente
pra daná
super
mais do que você imagina
mega
à beça
completamente
até falar que chega
hiper
pra caramba
totalmente
pra chuchu
bem
pra dar e vender
exageradamente
com força
demasiadamente
até a borda

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

crença. crê?

É. Meus heróis morreram de overdose. Ou de ataque do coração em banheira. Ou atingidos por uma bala.
Meus santos caíram do pedestal. Ou fui eu quem os tirou de lá? Parei de esculpir santos.
Agora pinto quadros e tiro fotos. Só. De gente de alma boa, gente de verdade, carne, osso e defeitos. Gente que ama. Ah, sim. De gente que ama. Mas não são santos mais. Santos não vou mais esculpir. Prefiro rezar pro meu deus sol e admirar as histórias dos meus heróis que já morreram.
Pra viver comigo, agora, tem que ter amor à beça. Amor pra dar e vender. Amor à vida, ao seu time de futebol (que seja), à qualquer coisa. Mas tem que ser tocado, tocável. Tem que ser bem gente mesmo, sabe?
Tem que ser poesia.
(ai como eu me tornei brega e repetitiva... )
É. Mas continuo a curtir meus antigos heróis e meus anjos do dia.
Não disse? Acredito em anjos.
Tem anjo de tudo quanto é cor por aí... e anjo tem sexo! Tem anjo menino, né René? Tem anjo menina, né Paty? Anjo irmã, anjo amigo, anjo que gosta de cerveja.
Porque a vida é boa pra daná. Não disse ainda?
É. Sim. É bem boa.
E quando eu acredito nisso, então...
Lentes novas. Sorriso bem largo.
Coração num disparo que lembra escola de samba.
Mas tá boa porque?
Tem biscoito que a Rosa fez, aluninho que me chama de senhorita, novos bichinhos pra fazer com a mão na sombra da parede, amigos de verdade por perto, viagem por vir, coração feliz, telefone que toca, cerveja na geladeira, fantasia de bruxa pra semana que vem, telefonema da mãe que tá curtindo oráculos e mar azul, fotos de um pequeno Pedro, siesta após o almoço, nascimento de uma estrelinha Lara... eita. E olha que lá vem um monte de coisas.
Ufa.

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

have you ever really loved a woman.

Tô deixando aflorar o que tem de brega aqui, e confesso que serei muito brega mesmo. (ai) Mas não posso fingir que não me toca lá dentro a música e o filme.
Não resistiria. Não seria eu mesma se não caísse de joelhos diante de uma paixão assim.
Um cara para quem eu fosse única, e olha, não falo de "pra sempre", porque ainda nem me convenci se realmente acredito em coisas eternas - senão as efêmeras reinventadas.
Mas um cara assim, que me conquiste a cada encontro, que mesmo longe se faça presente da forma como puder, que fale baixinho no meu ouvido, ou que me pegue nas coxas de forma a me fazer entender o que arde dentro dele.
Uma paixão que seja brega mesmo, e daí!? Eu vou estar bêbada de paixão e isso não vai me parecer nada mal.
Um don juan desses que saibam / entendam / compreendam cada desejo de uma mulher -cada desejo meu. Que me faça segura ao seu lado, mas que por vezes me faça sentir que eu o protejo também.
Que me deixe confortável no seu colo, mas que também fique quietinho deitado no meu, ouvindo histórias que eu gosto de contar.
Um cara que me entenda como livre, mas que me faça querer sua companhia em vários momentos do meu dia - da minha vida. E que me queira bem perto também.
Alguém com quem eu queira dançar. Que veja em mim uma princesa, uma bailarina, uma esposa dedicada, uma mãe para seus filhos, uma amante cheia de desejos nos olhos, uma meninha pra ele cuidar, uma mulher.

Alguém por quem eu tenha vontade de ser acordada no meio da noite. Que me faça ficar bem humorada o dia inteiro por causa de umas palavrinhas de carinho no celular.
Quero. Eu quero isso que me deixa um sorriso bobo na cara. Ou pernas trêmulas. Ou a cabeça nas nuvens. Ou tudo isso junto.
Quero esse cara ao meu lado. Bem pertinho...

Com texto

1)
- Ei, nossa... queria te agradecer. Por tudo mesmo. Foi maravilhoso. Obrigada pelo vinho. Pelo sorriso. Por ser tão atencioso assim...

[1 minuto depois]

- Ah! Traz a conta por favor? E claro, pode incluir seus 10%!

2)
- Calma! Calma! Você tem que relaxar. Tensa desse jeito vai doer mais. E ainda é capaz de você ficar toda marcada... Quer que eu pare?

- Não! Não! Pode continuar. Dói pra caramba essa tal massagem de redução mas eu quero perder essa gordurinha aí da barriga.

3)
- Tira a mão daí! Tira! Já mandei tirar! Já te disse várias vezes que é pra esperar o momento certo! Essas coisas têm um momento certo, ora! Pode tirar a mão, seu atrevido!

- Ai, mãe! Mas estão demorando muito pra cantar os parabéns! Deixa eu comer só um brigadeiro!

4)
- Já te disse que tem que olhar o interior, filha. Não importa se é feio por fora. Não é isso que realmente faz valer a pena...

- Ah, mãe! Pode até estar bom o motor, mas eu não quero um carro dessa cor!

terça-feira, 24 de outubro de 2006

stuck in a moment

Uma página por dia.
Mesmo que seja para não dizer nada.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

raio-x


doendo à beça.
são dois dedos de olheiras e um sorriso que eu tô tentando.
e as horas são loooooooooooongas...

poesia me desarma

o que me toca na vida é poesia.
as que me mandam por email... as que leio em livros... as que vejo e descubro no mundo...
as poesias que as pessoas são - às vezes sem nem saber...

um dia me liga uma pessoa poesia. me diz que não quer me ver triste. me faz proposta das mais lindas que já ouvi. e eu resolvo aceitar. desafio meu próprio coração. minha alma, talvez. sei lá. encontro, procuro seus olhos, me abro.
de lá pra cá a vida é assim (e olha que não tem mais de uma semana ainda)
cheia de coisas-poesias em volta.
hoje? uma borboleta azul dentro da sala de aula! meu pequeno felipe e eu ficamos procurando ajudá-la a sair dali e desvendar o jardim novamente.
agora? por email, crônica-poesia sobre a graça do sotaque mineiro. e eu, suspeita prá daná pra falar do assunto, num é !?
e o que vem? almoço de segunda com a Dona Maria. sempre é poesia.
a vida tá me cheirando a poesia. e hoje é dia de chuva. poesia molhada.
tô triste hoje. sabe? já que este canto é meu termômetro, confesso sem nem fazer metáfora. tô com uma dorzinha de vazio no peito. de sensação de ter perdido quem eu gostaria que estivesse do meu lado. sei lá.
dorzinha do tipo, ei sua burra?! cê num viu a poesia linda ali? logo na sua frente, com cerveja na mão e ouvindo "turn your lights down low"?
ah! ô coisa estranha.
eu querendo movimento. fechando ciclos. tomando as rédeas do que eu sou e sinto.
mas hoje chove. dentro e fora de mim.
eu não sei o que fazer.
posso mudar tudo, posso?

domingo, 22 de outubro de 2006

redecorando


quando acabar a reforma das ruínas, quero numa parede bem grande o gatinho do Miró.

sábado, 21 de outubro de 2006

duas neosaldinas e uma garrafa de água.


Calma, mundo.

Agora tem poema que me toca. E toca mesmo. Eu leio. Ele me lê.
E faz tão sentido, às vezes, que eu fico aqui achando - ai que boba - que ele foi feito pra mim.
Um tantão de palavras. Sem rima, geralmente. Um mundo de doces ou tristes palavras. Ora doces e tristes. Ora tristes só. Ou doces apenas. E eu leio. Às vezes até canto - e me desculpe se nem sempre estou a recitar em silêncio. É que de um "espantalho inútil", hoje me sinto casa para pouso de passarinhos. Pois da forma de conhecer, de ver, de respirar e sentir o mundo, tem vindo essa vontade de viver em simultaneidade. Não há mais o que me esconda a poesia. Ela aparece assim, assim, às vezes até quando eu não estou atenta. É que mudar os olhos de ver, de repente, me fez mais sentido do que rabiscar espirais em bloquinho de papel esperando o telefone tocar. Ai. Se não me faltasse coragem, pegava um auto-falante e saía de bicicleta acordando os que dormem até tarde com poesia. Se não me faltasse. Mas estranho, né? Sempre falta coisa. É bem verdade sim que hoje não falta vontade. Não falta poesia por aí, mundo. Tem na esquina da casa amarela, tem nos olhos que me evitam daquele moço alto, tem poesia até no quadro que fica em cima da porta do banheiro. Mas vá lá. A cabeça hoje roda feito carrossel. E no alarme do carro que toca e irrita ainda não consigo ver poesia. Ish! Mas eu vou tentar, prometo.
Ah! Mas nem precisa parar, mundo. Hoje eu não quero descer!

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

dia do poeta

Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Mário Quintana, Clarice Lispector, Zico Paes, Ana Lua, Leminsky, Bukowski, Berardo, Leo N., Tiago da Flor, Superid...

poetas de alma.
poetas de poesia.
poetas que tiram fotos. ou que constroem casas. ou que pintam quadros.
poetas com sorriso de bebê.
poetas que escrevem em guardanapos de papel.
poetas que esperam o dia nascer.
poetas que morrem em banheira com um copo de whisky ao lado.
poetas que soltam risadas.
poetas que rimam versos.
poetas que se permitem vida de poeta.
poetas do dia-a-dia.
poetas da música e melodia.
poetas que sofrem. que sorriem. que medem as emoções. que derramam seus sentimentos.
poetas que se perdem.
poetas que nos ajudam a encontrar.
poetas cheios de vida.
poetas sem palavras.
poetas. poetas. poetas.

"reflexões sobre dias cinzentos"

Numa bela manhã a menininha se olha no espelho - depois de tanto tempo - passa batom e coloca uma fita no cabelo.
Manda beijo pras flores que ficam no alto da janela, desliga o som e sai.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

faça-me dançar. eu danço.

Já hoje o meu objetivo é fazer com que todo mundo acredite que é feliz.
(e tenho um sorriso largo no rosto pra fazer isso).

À primeira vista, às vezes, é exatamente quando você desembaça os olhos e enxerga agora com os olhos de gostar - e também quando se coloca pronto pra abandonar o triste e viver o bom. Com o medo de lado, é claro...

E nada de flores ao delegado ou pérolas aos porcos. Chega!
Agora o grito é de mãos à obra. Afinal, existe uma ruína inteira pra ser reconstruída. Sem promessas de que vou conseguir, é bem verdade. Mas há sim disposição e vontade de tentar.
Basta?

Tinta, argamassa, e o que mais for preciso.
Capacete de segurança?
Juro que não quero pensar e decidir isso agora...

A vida tá chamando e não quero deixar o capuccino esfriar.
Após noite de chuva de estrelas e energia não tenho nada nada pra reclamar...

carta

acho que a carta dessa vez é pra mim... ;)



é porque eu te tenho um carinho fora de noção que eu não consigo parar com as minhas "intervenções". é exatamente por isso, e claro, por essa paixão, vontade, ou seja lá como se chama. é por causa disso tudo, e pode até ser que você ache pouco, que eu penso em te ligar pra dizer que me animei com a história de disparo cósmico. ou pra simplesmente dizer que ganhei um presente - lá de natal - de um aluninho que eu nem sabia que gostava de mim. pra te contar o que eu sinto. ou até quando eu não sinto. e que a anestesia que me trava é ruim. não gosto não. porque gosto de "ser viva". fico querendo te ligar correndo pra dizer que já tenho passagens e um curso me esperando em barcelona. mas que o reveillon vai ser na inglaterra, com um colega de infância. fico querendo distribuir beijinhos. sei lá porque ainda insisto em sonhar com isso. mas o faço. quero te contar que minha vó faz yoga, bordado e aula de pintura. e que hoje me despertei pra isso e achei o máximo. quero te contar que até senti um monte de coisas hoje. que comi uma massa gostosa. que acredito em fadas e acho que a ananda minha aluna é uma. que eu não tenho mesmo esse tal de orgulho.
quero te mostrar um pouco do meu mundo. mais sei lá. não é pra chamar atenção. é só pra ser fiel a mim. ainda bem que isso ainda não perdi.
eu tô sentindo hoje. tô sentindo. tô sentindo força até pra ir embora. motivo? busca. tô sentindo vontade de deixar ver se de repente o mundo que andam me oferecendo é mesmo bom. e que eu posso transformar as ruínas de mim em construção colorida de novo. tá na hora de mudar, né!? na hora de deixar o sentimento acabar - embora seja ele o melhor de mim. mas de repente tentar deixar entrar outro. ou simplesmente tentar não pensar muito nisso. tão me chamando. toca o telefone. toca um sininho dentro de mim. toca alguma coisa num ritmo de tambor. é. eu tô viva. e tem um coração aqui e tudo.

vai ser feliz. vê se gasta tempo se conhecendo melhor e descobrindo que cê num é egoísta.
dói? ah. hj é dia de portal cósmico e só dá pra pensar coisa boa.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

raios ultravioletas... e tal!

coisa boa! coisa boa! coisa boa!
o mundo é lindo!
tem poesia em tudo!
as pessoas são boas, humanas e alegres.
há bondade.
há felicidade.
eu vou achar as minhas lentes de ver tudo feliz.



...

ainda não recebi o email que explica o fenônemo que ocorre hoje. diz minha fadinha que hoje é dia de pensar em coisas boas, porque tudo será potencializado.
eu lá vou fazer outra coisa então?
COISA BOA! COISA BOA! COISA BOA!

quase glacial


É um momento em que o arco-íris está em escala de cinza.
As formas geométricas do mundo, todas, começam com uma linha reta e têm ângulo de 90%. Não há círculos, cilindros...
As músicas têm mesmo acorde.
Doces e salgados estão amargos.
Cinema está sem poesia ou literatura.
Não tem brilho nos olhos aqui. Não tem reflexo no espelho também.
Falta sopro.
Ou coragem.
Os livros não tocam os sentimentos.
Tambor perdeu a força.
Piada não faz rir.
Acho que nem cosquinha.
Não tem sol mas tem sombra.

...

E eu fico me perguntando quando foi que deixei cair as lentes.


segunda-feira, 16 de outubro de 2006

quintal

quero subir num pé de poesia e comer a fruta e cheirar a folha.
quero tocar seus galhos e respirar seu ar.
quero ver se caio num jardim de palavras.
e quero dormir na sombra de um verso.
quero colher sementes e rimas.
e plantar cada uma pra ver outros pés de poesia nascer.
quero terminar o dia em piquenique com a vida.
e esperar o sol nascer pra que eu faça a fotossíntese de mim.
quero derramar meu pranto em chuva.
e deixar que caiam gotas em palavras no chão.
mas que das flores eu sinta vontade de escrever.
e seu cheiro entre em mim como melodia.
quero esperar que o tempo passe sem relógio.
e que a vida aninhe no meu peito como um amor.
quero acender fogueira pra aquecer minha alma.
e acreditar que a tristeza passa quando amanhecer o dia em mim.
quero saltar as pedras com coragem de leão.
e ter nos olhos a mansidão de um gatinho.
quero colher lírios. quero colher sonhos.
eu quero subir num pé de poesia.

anestesia.

me preocupa a cotação da dollar e do euro agora.
comprei tenis pra caminhar. e até uma mochila de 50 L.
estou anotando endereços dos meus amores.
e já faço lista de coisas práticas que não posso esquecer.

mas tirando isso, que são planos que saíram de debaixo da cama,
tá me faltando sensibilidade pra curtir a chuva.
me falta criatividade no trabalho. (tô cada vez mais boring...)
falta sorriso.
falta enxergar poesia e respirar arte.
o que é que há?
onde está aquela vontade?
o que faço além de pintar as unhas pra acreditar que dou conta?
tá faltando sentir.
é... tá faltando sentir...

domingo, 15 de outubro de 2006

Sobre plantar sorrisos e colher sonhos

Quero chegar em casa de madrugada, tirar os sapatos para não fazer barulho, e sentar no chão da cozinha pra comer com colher um pouco do doce de leite que tava na geladeira.
Quero subir numa mangueira, em tarde de céu cinzento, e esperar a chuva chegar.
Quero correr na praia com os chinelos na mão, brincando de pique-pega, e morrendo de vontade que me pegue logo e a gente caia na areia.
Quero tomar sorvete com um monte de crianças, comemorando nosso dia.
Ah! Eu quero também deitar numa rede depois de comer o almoço gostoso que a mãe prepara pra gente com todo carinho.
Quero sair com "as meninas" e inventar palavras e gírias.
Quero cantar desafinado no chuveiro pra comemorar que estou viva - já que bem nem tem como eu cantar mesmo!
Quero pintar as unhas de rosa choque e acreditar que me servem mais do que livro de auto-ajuda.
Quero morrer de amor e me curar. E sobreviver. E ter coração e alma pra sentir de novo.
Quero chuva pra deixar a grama bem verdinha. E sol pra devolver alegria e vontade de sair.
Quero a noite. É. Eu quero a noite.
E quero encontrar aquele moço bonito, meu primeiro amor, e dar aquele abraço forte de quem ainda se gosta muito. Porque não há no mundo coração maior do que o dele.
Quero ter fé. E rezar pra minha amiga e seu pai.
Quero ter coragem. E vestir minha saia nova e sair colorida.
Eu quero um tanto de coisas. Mas é que de querer assim a gente acaba acordando. E o "wake up" serve um monte pra gente voltar a se sentir vivo.

sábado, 14 de outubro de 2006

PACIÊNCIA

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára (a vida não pára não)

Será que é tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para(a vida não pára não...a vida não pára)

(Lenine)

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

de casa pré fabricada às ruínas de mim.

segure as minhas mãos que é para que elas não liguem.
agarre-me os pés que é para que eles não saiam caminhando, à procura.
feche os meus olhos se ele for passar, que é para que eu não o veja.
porque nas ruínas de mim já não mora nada além de um fio de esperança que amarga na boca toda vez que os ouvidos recebem um não.
porque nas ruínas que se fizeram aqui dentro, não há mais nada. não há frio. não há sol ou tempestade. nem sonho. nem vontade.
pois o que restou daquela entrega toda foi o não dele e a insistência de um dia conseguir. mas não há nada a se fazer.
não há o que toque aquele coração. e não há mais o que toque o meu.
pois em ruínas não se mora. não se vive. não há nada latente como havia de ser.
sugiro que permita que as luzes se apaguem por um tempo.
que o tigre em mim se recolha para um grande salto posterior.
pois agora não há sequer uma faísca.
permita, imploro, que as flores murchem e a grama seque.
não há nada que floresce agora. embora seja mesmo primavera.
não há tijolo novo, telha nova, ou cortinas de cor que enfeitem agora o que é ruína.
aceite. aceito eu. e vivo de repensar o que será daqui pra frente.
um dia, e este sim será um belo dia, das ruínas sai um pássaro que voa livre em jardins do mundo.
enquanto isso, perdão. não há nada que se possa fazer.

O que quer que venha

Há quem não dá a mínima para pescoço de coruja.
Há quem não dá a mínima para os sonhos e os desejos dos outros.
Há quem não respeita a dor que a gente sente.
Há quem ingnora a lágrima da nossa saudade.
Há quem nem procura saber o que a gente sente - se é que a gente sente.
Há quem dança e se diverte, numa quarta-feira véspera de feriado, e isso lá é hora?
Há quem se pergunta: são quase meia noite e isso lá é dia?
Há quem pensa: a vida tá começando ou eu tô parada no meio?
Há quem responde: eu te adoro, pronto, falei.
Há quem espera telefonemas.
Há quem manda mensagens sem pensar direito.
Há quem trabalha muito pra juntar dinheiro e gastar numa viagem.
Há quem vive esperando.
Há quem tenta fazer acontecer.
Há quem lê e não entende.
Há quem lê e não sente nada.
Há quem, até mesmo, não lê, porque não se importa.
Há quem se cansa.
Há quem é cara de pau e passa a vida toda tentando.
Há quem bebe cerveja pra tomar coragem.
Há quem sente medo de sapos.
Há quem não sabe mais o que fazer. Ou dizer. E acaba dizendo o que quer que venha.

Ela ama.


E não houve um dia sequer que a menina não olhou pela janela esperando o tal passarinho voltar.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Atenta.


A morte às vezes chega num de repente tão de repente que você tá bem no ponto do ônibus, numa segunda de chuva, de terno e gravata pra ir trabalhar, e pronto. Ela chega em formato de caminhão e te leva.

A vida às vezes chega num de repente tão de repente que você mal esperava e a recebe, já com nome e até pulseira no bracinho, e pronto. Chega com um sorriso delicioso atrás da chupeta, em formato de bebê e te leva.

Em três dias vi morte e vi vida:
escolhi olhar menos para o relógio.

domingo, 8 de outubro de 2006

aspirina

A cabeça dói e é saudade.
O coração se irrita e bate no peito fazendo um batuque de encher o saco.
A cabeça dói e é vontade. E ela tenta amenizar tudo e diz que é cansaço.
O coração se zanga. E sangra, gritando que é paixão.
A cabeça dói e é verdade.
O coração concorda. Se acalma numa calma de lágrima só. E diz pra cabeça que ela seja forte, já que ele é paixão, e pra isso não tem remédio.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

femme saudade

"Abre os teus armários,
eu estou a te esperar
Para ver deitar o sol sobre os teus braços, castos
Cobre a culpa vã,
até amanhã eu vou ficar
E fazer do teu sorriso um abrigo"
(...)

"nessa espera o mundo gira em linhas tortas"




eu abro a janela, guardo o quadro, coloco o tapete vermelho na frente da porta de entrada.
enfeito a casa com flores amarelas e vermelhas.
troco o meu nome. mudo a roupa. tiro os sapatos e coloco sandálias. as novas.
pinto o cabelo. compro passagens. me matriculo em cursos.
fantasio novas paixões.
escrevo poemas em outro tema.
assisto filmes para crianças.
leio poemas que não sejam Leminski.
escrevo cartas que não sejam de amor.
canto o mantra ao acordar.
rezo ao me deitar.
deito para o lado de lá.
abraço o edredom azul.
abro meu maior sorriso.
uso minha voz pra coisas boas.
descanso meus pés com massagem.
trabalho a minha fé nas agulhas do Dr. Cláudio.
acredito.
danço descalça.
visto minha saia colorida.
e faço o que mais for preciso pra distrair meu coração.
mas acontece que estou com saudade.

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

vai lá.

corpo cansado.
mas no rosto tem sorriso.
e na alma tem vontade.
- e dizem que isso já basta.
...
o corpo dele precisa de companhia.
o meu quer.
o meu precisa de água, de sol, de comida, de água, descanso.
o meu quer companhia, alegria, incenso, música e lápis de cor.
- e não conto o que mais.
...
a vida tem a cor que a gente quer:
o chá verde que eu tomo é amarelo.
a laranja que eu descasco é amarela.
a minha maçã é verde.
a cerveja preta é marrom.
e até o cavalo preto de napoleão é branco.
- ou é o cavalo branco de napoleão que é preto?

"You are bonita"

para amanda


não tem sangue que te tire a alma.
não tem roxo que te deixe feia.
- você é bonita.

não tem trabalho que te canse.
não tem obstáculo que te pare.
- você é forte.

não tem "não" que te segure.
não tem regra que te limite.
- você é livre.

não tem distância que nos afaste.
não tem lágrima sua que não escorre em mim também.
- você é amiga.


terça-feira, 3 de outubro de 2006

"se não acreditar, o que me resta?"

É. acredito em bruxa. em sonho. em amizade pra sempre. em paixão à primeira vista. em seres humanos realmente humanos. acredito em mudança. em alma. em energia. em vida após a morte. em duendes no jardim.


Acredito em mundo melhor. em promessas. em reza e bênção da vó. acredito no deus-sol. em vela e incenso. acredito que jogar sabonete no telhado faz a chuva parar. e que oferecer maçã a Iemanjá traz boa sorte pro ano que chega.

Acredito em branco pra paz e rosa choque pra alegria. acredito em tarô, em força do pensamento e São Longuinho pra achar as coisas.

Tenho fé pra caramba. em um monte de coisas. até em fitinha de nosso senhor do bonfim.

Acredito que acreditar é remédio e impulso. e acreditando a gente vai.

"se não acreditar, o que me resta?"

domingo, 1 de outubro de 2006

Carta ao consumidor

Prezado consumidor, amigo, leitor.

Ok. Eu me rendo e confesso. O blog não acabou. É "quase que nem" o Villa Nova: não morreu nem morrerá.

E não sendo assim tão perecível, pode até ser que o uso após o vencimento da data de validade nem faça tão mal assim.
Então, venha. Se arrisque. Leia. Coma. Respire. Use. Comente. Ou pelo menos tente.

Mantenha fora do alcance de crianças, só por precaução. Não me responsabilizo por erros gramaticais ou uso de palavras inadequadas para menores de 18 anos.

Seu dinheiro não será devolvido caso o produto não lhe agrade. Portanto, a melhor forma de mostrar indignação é através de crítica. Esta pode ser feita no próprio blog ou pelo e-mail: anadri_sol@yahoo.com.br.
Mas pegue leve, a fabricante é libriana.

Agradeço desde já a preferência e aguardo seu retorno.
Atenciosamente,
Ana Dri produções e pensamentos.








Pensamento do dia:

"Os aniversários fazem bem para a saúde.
Está cientificamente compravado que aqueles que tiverem muitos,
vivem mais."


Larry Lorenzoni

23

Efêmera e urgente.
Efêmera pois urgente.
Efêmera então urgente.

Balança. Dança. Sorri. Roda. Vira pra cá. Pra lá. cambalhota.
Corta. Puxa. Pensa. Resiste. Contrai. Mergulha.
Vai. Samba. Canta. Se joga. Distrai.
Vai. Vem. Vou.
ou
Vou. Vem. Vai.
Distrai. Disfarça. Dança. Não dói.
Mergulha. Capacete. Mão e cabeça. Corpo e instinto.
cambalhota. Vira. Roda. Grita. Voa. Pra lá. Pra cá. Balança.

sábado, 30 de setembro de 2006

prazo de validade.

Na porta de casa.

Com um sorriso no rosto e uma lágrima de canto de olho.
É que a vida tá urgente. E efêmera ela é.

Nas mãos, violetas.
Com cuidado e carinho.
Um sonho. Um plano. Uma vontade.

Tem sim. Tem tudo isso de volta aqui.

Hoje?
É.
Prazo de validade vencendo.
9 meses de blogspot.
9 meses de vida contada em palavras.
de superexposição.

E hoje era a data marcada para o fim disso tudo.

Mas será?

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

sô rio

- Posso te dar o mundo de presente?
- E eu lá quero outra coisa?

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

café com letras com você

é que os momentos já são poesia.
a companhia é boa.
a vida, linda.
e eu, feliz à beça.

num é só borra de café.
nem só bilhete de entrada.
é sorriso e risadas.
e isso tudo vai fazendo diferença.

já tava tudo bem, obrigada.
só tá ficando ainda melhor.
eba!

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

feliz aniversário!


Engraçado...
a gente às vezes espera data pra poder falar das coisas que a gente sente todos os dias.

Às vezes espera data pra poder dar abraço apertado e fazer carinho.

Mas taí, meu pai. Em dia de data importante, aquele "eu te amo" que é sentido diariamente, e que foi ficando cada vez mais difícil de dizer. Ainda mais que nem posso subir e balançar no seu pé como fazia.

Taí paizinho, amor meu. Feliz aniversário!

Feliz que sou e estou por tudo hoje estar tão diferente do ano passado.
Feliz por saber que somos todos capazes de voltar atrás, de perdoar, de tentar de novo.
Feliz por ser sua filha - acho que cada vez mais e como nunca...

Hoje.

é que do "hoje de ontem" pra cá mais parece que se passaram três semanas. e a saudade de quem eu tenho saudade aumentou três vezes. e o futuro de daqui a três meses mais parece já estar chegando. porque entrou primavera e em pouco tempo já faz sol e chove. e quando eu olho pro céu um arco-íris. e de lá pra cá foi e ficou noite. e eu pensei em pedir pro tempo correr, mas agora eu quero que cada hora tenha sessenta minutos e cada um dos sessenta minutos sejam com sorriso e abraço apertado em gente que eu gosto e me faz bem. porque eu até chorei um pouquinho no fim de semana. mas depois passou bem rápido e eu vi que eu tô é bastante bem muito feliz e quero abraçar e compartilhar isso. porque dessa alegria doida e boa eu quero é viver. vem e me abraça. sorri e pede beijo no rosto ou na testa. eu dou e aperto sua bochecha. e faço careta pra você rir de mim. porque a vida desse jeito a gente tem mais é que querer pra gente. e eu tô querendo é demais! porque tem vontade à beça de ser feliz e agora de repente nem é só vontade. é. eu sou.

domingo, 24 de setembro de 2006

hoje...


só tenho flores pra dar...