Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

o tempo.

o passado.
eu gritei no alto da montanha o que eu mais queria.
e veio. e tive. por longo e quanto tempo eu desejei.
depois soprei ao vento e vi voar feito folha seca.

o presente.
o amor é perene.

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

relato sobre gente do bem - 1

Ela faz falta quando não está. Mas nem tô dizendo isso porque é ela quem coloca (ou tenta colocar) a casa em ordem. Ela faz falta porque sempre tá quietinha no canto dela pronta para bater um papinho comigo. Por anos a fio eu dizia em tom de brincadeira pra ela: - É, Rosa! Rapadura é doce mas num é mole não. E ela sempre fazia um "hum" de volta, com meio sorriso e uma cumplicidade que poucas pessoas oferecem.
Rosa trabalha na casa dos meus pais desde que eu tinha 3 anos, mais ou menos. Mas na verdade uma das coisas que ela faz melhor é contar casos. Eu sei o nome dos vizinhos dela, do cunhado chileno danado, da cachorrinha. Ah! Cachorrinha! Ela cuida da cachorrinha aqui melhor que qualquer um de nós. Não melhor do que ela cuida de mim, mas de forma igualzinha. Rosa mora perto, vem e volta andando. E no caminho sempre para pra conversar com alguém, que eu sei!
Ela me conta casos de quando eu era pequena que eu não sabia. E me faz rir com seu jeito todo caretinha de ser. - no ótimo sentido, gente! Nada contra caretinhas!
Ela estudou até a quarta série. Sabe ler e escrever bem. E estuda geografia por conta própria antes do almoço. Lê os meus velhos livros da escola. Adora fazer lista de nomes de países. E finge que é séria que é para o jardineiro não se meter a besta com ela.
Ela não se casou. Mas já namorou um homem por muitos anos. E já perdeu um bebê. O bebê teria a minha idade hoje. E é por isso que acho que às vezes Rosa me trata como filha.

Eu já vi Rosa chorar só uma vez. Que foi quando a gente perdeu a Paty. Porque no resto dos anos todos ela sempre é muito durona, e fala de qualquer assunto sem choramingar. Ela cuida do pai dela agora, que tá doentinho, mas nunca deixa a peteca cair.
Ela aprendeu a cozinhar com minha mãe, quando começou a trabalhar pra ela, e, numa boa, nem dá mais pra diferenciar quem faz o almoço. A comida de Rosa tem o gostinho da comida de mãe. (Eita coisa boa!)
Hoje ela está de férias, e vir aqui e não vê-la por perto é realmente estranho.
Mas ... eu sei o que ela está fazendo agora: escutando Elvis no talo!

a foto que eu não tirei.

eu vi sim. e pensei no orgulho da mãe deles ao ver essa cena.
a pititinha, loirinha e de vestido, de mãos dadas aos dois irmãos, três ou quatro anos mais velhos que ela.
ela, sorridente e saltitante, desfilava o orgulho de passear com os dois.
eles, igualmente sorridentes, mas nem tão saltitantes, se sentiam como soldados ao proteger a bela princesinha.
e todo mundo sorriu ao redor deles.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

O tic do relógio. ai! mais um.
a folha do calendário. ai! caiu outra mais.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

oração.

vai meu Pai,
orienta-me.
se eu desviar o caminho,
acompanha-me.
se eu esquecer de Ti,
perdoa-me.
se eu sofrer em vão,
sopra-me.
pois é de vento na cara
que se constrói paciência.
e que eu seja melhor
que ontem.
amém.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

e usaremos o tempo que nos castiga em espera para inventar historinhas pra depois do amor.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

e cada centímetro de mim pede arrego, colo, dencanso, teu berço. cada pedaço de mim é saudade, vontade e o desejo de te ter bem perto. cada segundo de mim é um grito. e sem isso eu sei que caminho em vão. pois ao nascer eu soube que tu me escreves como um autor. e que meu destino é o caminho que percorro aos poucos. sou o pássaro que migra pra dentro de mim mesma. sem sair de ti -eu não saio de ti. faço escândalo silencioso nas noites de minha caverna. e no palco grito teu nome para que os surdos possam me ouvir. eu sou a coragem de quem perdeu as mãos mas ainda assim escreve. e na direção do meu futuro eu traço meu agora. tu vens e eu fico no eixo de mim. a isso chamam de equilíbrio.

se as minhas palavras te alcançarem
receba,
nelas vão o que sonhei pra ti.
se as minhas palavras te faltarem
imagine,
a minha vida é o que te ofereci.

Luta contra o câncer.

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Terça-feira, 7 de Julho de 2009

não importa o que veja hoje
as nuvens me dirão
caso o amanhã seja claro
afinal não importa o que veja
eu saberei o que fazer

mesmo se hoje virar noite
se escurecer dentro de mim feito um adeus
eu irei com prazer e as malas de aura e luz
que um dia me fizeram crer

pois basta um pouco mais de coragem
e de nada me vale o conforto
se a manhã termina em lágrimas
e a noite se desmancha em pó

eu acredito no deserto de mim
pois a solidão me foi enviada por destino
e nasço outra vez feito o infinito
e não morro de amor
ele me é vida

eu desfaço o nó e cada compasso
e caminho na direção do que quiser
me vale mais o que eu acredito
que a intenção de que não me quer bem

corro e me demoro aonde for
sem destruir sonhos
ou desfazer destinos
sou a mágica do meu próprio caminho
sou a bailarina na corda-bamba do dia

hoje eu me escondo na caverna de mim
e dentro dela me deixo correr em dor
não me aflige o futuro
é o presente que me dói
e das lembranças me reconstruo

foi em mim que o amor bateu.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

a música que me move e me ajuda a esperar.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

DECIR DOS COSAS



(texto escrito por ele, em sua língua materna, no aeroporto)



Quiero decir dos cosas; empezaré por lo menos importante.

Como algunos de vosotros sabeís, he sido "retenido" durante dos días en el aeropuerto de Guarulhos. Mi delito: hacer todo lo que las autoridades pertinentes (tanto brasileiras como españolas) me han ordenado para "regularizarme" (interesante palabra inventada) justo ahora diez meses atrás. Por aquel tiempo, entré en un proceso kafkiano de informaciones contradictorias, trampas burocráticas y surrealismo legal. Dicho proceso culmina en esta "retención" (eufemismo que evita la palabra "prisión"), confinado en las dependecias cerradas de una terminal, con documentación, maletas y ropa confiscadas, y sin más comida que la que yo con mi propio bolsillo compraba a través de una trabajadora del aeropuerto.

Después de dos años de visitas, llamadas e emails a policias, consulados y ministerios de Valencia, Madrid, Rio, BH y Santander, sólo se puede llegar a una conclusión que hago pública a través de este blog: La única posición que puedo tener ante los estados y sus burocracias es un desprecio absoluto por todas sus instituciones, que no son más que herramientas de opresión y enajenación del individuo. En mi caso, no tengo ni orgullo ni vergüenza de ser o dejar de ser ni español ni brasileiro ni ruso. En mi caso, mi objetivo es otro bien sencillo: vivir junto a mi mujer, aquí, allá o más allá, y que nos dejen vivir y trabajar en paz.

Sin embargo, mi caso paricular no me impide hacer una interpretación general. Tanto en estos meses como ahora aquí en la prisión del aeropuerto de Guarulhos, he conocido muchos casos, mucho más graves e injustos que el mío, y sobre todo con muchos menos recursos de respuesta y resistencia. Quizá el silencio de estas personas, y la comodidad de otras que pasan la vida dentro de unas fronteras delimitadas y trazadas por nuestros esclavizadores, hacen que olvidemos lo que ahora quiero recordar: existe un interés por parte del poder en entorpecer, limitar y castigar los movimientos de los seres humanos. Nos dirigimos a un mundo con fronteras cada vez más numerosas y opresivas. Nos dirigimos a un mundo donde se va a controlar al individuo hasta el punto en el que este desista de su voluntad. Nos dirigimos a un mundo en el que vamos a sacrificar nuestra libertad en nombre de una ficticia y cobarde seguridad. Los poderes fácticos que nos llevan a esta situación se van a servir de los estados como lo que ya son: meros instrumentos policiales de control de la población. Ante este panorama (que aquí recuerdo para los que han olvidado abrir los ojos), sólo tengo una respuesta: "No van a minar mi capacidad de resistencia, no van a hacer que desista, no van a impedir que viva junto a la mujer que amo. Jamás van a conseguir que me calle; jamás van a conseguir que me rinda. Y cada una de las agresiones que reciba sólo van a conseguir que me fortalezca aún más."

La segunda cosa que quero decir (la importante) es agradecer a todos los que han colaborado en que mi fuerza sea la que hoy es. En estos días difíciles, he tenido el apoyo de personas de todo el mundo (tanto en España como en Brasil, así como de Portugal y ¡hasta del Japón!). Agradecimiento especial a toda mi familia, la de aquí y la de allá, a Elcio, a mis amigos, a amigos de Adriana (que son míos también), a los casos solidarios que me he encontrado, a practicantes de Yoga del mundo entero, a las llamadas e emails de apoyo y cariño. Gracias por vuestros esfuerzos, movimientos, saludos, palabras, oraciones, gestos, apoyos e invocaciones a la cordura. Gracias por todo, amigos.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

juntos...

... no matter how far.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

leaving on a jet plane...

e levando com ele o meu coração.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

história de amor.

Em 2006 vivi uma paixão não correspondida que me rendeu muitas lágrimas e muita poesia doída. Um ano intenso e longo demais. Foi também neste ano que inciei meu blog e comecei a sentir uma vontade grande, palpitante e intuitiva de ir a Barcelona. Fui. Encontrei-me, entre outras coisas, poesias e pessoas, comigo mesma. Para brindar o natal fui convidada por uma amiga valente a ir à casa dela, na nova cidade dela: Valencia. Foi nesta data que conheci Antonio. E foi no mesmo segundo que vi nele a minha vida inteira, dali pra frente. Conversei com minha irmã, antes mesmo que Antonio me desse o primeiro beijo, e lhe disse: hoje conheci meu futuro marido. O primeiro beijo veio logo depois da ceia de Natal. E eu entendi que o que havia me levado a Espanha tinha sido o destino, que então eu aprendi a acreditar. Vivi com ele as melhores experiências da minha vida, conhecendo a Espanha, sua cultura e sua gente através dos olhos verdes daquele homem que me encantava. Tive que voltar ao Brasil depois de 3 meses. 5 meses separados e lá estava eu outra vez: de mala, cuia e o coração saltando. Ele me recebeu todo de branco, com os braços abertos e uma vida linda pra me oferecer. Voltei ao Brasil um ano depois, 2 meses longe dele e logo depois ele veio. Nos casamos. Moramos juntos num sítio gostoso de cuja janela podemos ver as andorinhas anuciarem a chegada da primavera, e os quero-quero brincando de esconde-esconde ao anoitecer.

E planejamos os filhos, as tardes de pic-nic, as pipas que vamos soltar.





É dessa forma que narro a minha história de amor, com o meu Antonio. Pois é assim que ela é. Cheia de poesia, metáfora, e paixão.

Assim eu conto porque acredito que as coisas bonitas devem ser espalhadas pelo mundo, para gerarem bons frutos, alegrarem o coração das pessoas e inspirarem músicos e poetas. Acredito que a beleza é que pode mudar o mundo, e através da minha história de amor tento fazer minha parte.



Acontece que o mundo nem sempre é colorido, e nem sempre as coisas são fáceis. Nessa história aí eu evitei contar que o que me trouxe a primeira vez de volta ao Brasil foi a falta de visto para ficar na Espanha, porque as pessoas têm suas asas cortadas sim. E que "imagine there's no countries" continua só na imaginação. Deixei de citar que o que me trouxe de volta a segunda vez foi a descoberta de um câncer incurável na minha amada irmã. E que o Antonio veio logo depois para me ajudar a superar a barra mais difícil que a vida me colocou. E também não contei que ele quebrou o pé um dia antes de vir, e que isso dificultou em sua adaptação no país do samba e do futebol. Não comentei também que tivemos diversos problemas diplomáticos, mesmo estando casados no papel e com a bênção da minha avó. Hoje, escrevo entre soluços e lágrimas porque ele está em São Paulo, "detido" por vir ficar comigo após um mês em seu país natal. "Detido" por não ter nascido brasileiro e por ter nascido exatamente no país da retaliação. E agora?



Eu quero chegar logo no "e viveram felizes para sempre".

Sábado, 27 de Junho de 2009

bem-vindo

venha, amor. que lhe darei os beijos prometidos.
venha, para que termine a minha espera, a minha saudade.
venha, e me abriga em seus braços, deixando-me em sentir em casa.
venha, amor. que me dói essa distância. me angustia essa demora.
venha. tenho o maior amor do mundo pra lhe dar.

nosotros.

Ayer estuviste conmigo. Como el dedo en las cuerdas del sitar yo sentía a tu mano y a tus dedos tocándome el pelo.
Ayer estuviste conmigo. Entre cada nota que sonava, sentía tu respiración en mi cuello. Eras tú.
Ayer, mientras soñaba con tu llegada te sentí tan cerca que ya no sentía que habias estado lejos. Tu presencia en mi es constante como la música en el mundo. Te oigo, te escucho con atención, te siento en mi piel.
Ya no sé ser ni estar sin ti. Y por ello sé que, aunque hayas estado lejos, hemos estado juntos todo el tiempo.
Te quiero como al aire.

sitar

Ouvir também é uma forma de amar.

música.

Minha irmã me dizia que o Bolero de Ravel a fazia lembrar do nosso Tio Francisco, que foi embora (cedo demais).
Hoje, o Bolero de Ravel me faz lembrar dela, que foi embora (cedo demais).

E acho que a vida é feita de lembranças, também.
E junto com o sorriso, cai uma lágrima.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

estou morrendo de saudade, ansiedade, vontade, desejo, amor...
acho que nunca estive tão viva!

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

dentro.

No interior do país tem um povo à moda antiga, casamento arranjado e pra sempre, um monte de montanhas e lendas.
No interior do estado tem um sotaque bonitin, uma gente simples e feliz, uma pacata sinfonia de passos de gente que caminha sem parar.
No interior da cidade tem cafezinho feito na hora, broa de fubá numa mesa com forro de renda e uma revoada bonita de maritacas às cinco da tarde.
No interior de mim tem um amor que parece num me caber, uma saudade que eu sei que não vai morrer e uma fé que cai mas levanta.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

mano velho.

Ele vai, mesmo se a gente não compra passagem. Ele continua seu caminho irritavelmente calculável e contraditoriamente relativo. Ele anda, sem que a gente possa segui-lo. Ele passa, cantando coisas de amor. Ele viaja, feito os nossos pensamentos, atravessando universos inteiros, revisitandos passados, escolhendo presentes, imaginando o que virá. Ele se faz areia, ponteiros, sombra exata. Ele coordena o baile do nosso humor. Cura feridas, cria cicatrizes, é até usado de desculpa quando há falta de coragem para fechar um ciclo. Ele espera. Ele -gestação. É cheio de horas. Uma bela hora. Um belo dia. Até daqui a pouco. Na minha época. O relógio parou. Você vem ou é será que é tarde demais? E a gente brinca de esconde-esconde com ele, vestindo roupas de quando éramos mais jovens, usando cremes e pós de arroz e bases cor da pele e o que ajudar a despistar as suas marcas. Do coração da gente a marca nunca sai. Quando é demais, vira experiência, quando é pouco, é uma vida inteira pela frente. E aproveita, hein!? Não jogue fora. Não desperdice. É precioso. Não o veja passar pela janela. Siga seu ritmo. Pois Deus ajuda quem dele sabe tirar proveito. Use agenda e menos memória. Jogue fora o calendário de arrancar as folhas. Viaje com ele, nele, pra frente e pra trás. Hakuna Matata. Carpe Diem. Carpe Noctum. Ninguém pode tirar o que você não tem. Espere um pouco.

"El viejo guitarrista" - Picasso




David (4 anos, e comprovados pela carteira de identidade recém-tirada!):
- Estou ficando velho.




E quer saber? Não falta nada.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

MPB mineiro

acho que o negócio é colocar o chapéu na varanda e ver se uma andorinha faz o ninho...

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

coisas da vida.

o biscoito caiu, a geléia voltada pra cima.
Até o tal do Murphy tira férias.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

não faltará poesia na gente, se não desistirmos de olhar por ela.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

"É duro, ficar sem você
Vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim"